As Duas Faces Do Amor
5 Capítulo 5
Notas iniciais
— Você não vai se arrepender de ter vindo. — Mary abriu um sorriso que só ela conseguiria abir e jogou o cabelo pra um lado com uma das mãos.
— Espero que não. — Falei enquanto consertava o top que ela escolheu pra mim, não era muito curto, mas mostrava um pouco o umbigo então pra mim era um top preto.
— Qual foi a última vez que você se arrependeu de me seguir? — Ela olhou pra mim e ergueu uma sobrancelha.
— Sei lá, não me faça perguntas difíceis. — Sentamos em uma das mesas que ficavam ao redor do canal. Como turistas e Jake foi até perto das margens e observou as embarcações. Por que ele sempre fazia isso?— Bem, estamos aqui já faz... — Olhei meu relógio de pulso — Algumas oito horas, não? E nenhum sinal dele. Jake falou pra nós no hotel que ele viria até mim. — Mary me fuzilou um pouco e depois revirou os olhos. Jake se aproximou e sentou do meu lado na pequena mesa redonda. Já havia anoitecido e a cidade ficava ainda mais bonita assim.
— Vamos comer alguma coisa? — Ele perguntou — Estou faminto!
— Considerando o fato de que nenhum de nós comeu nada além de tira-gostos desde quando chegamos, eu também estou com fome — Admiti.
Um garçom se aproximou da nossa mesa com um sorriso amarelo no rosto.
— O que vocês vão querer? — Perguntou.
— Um shepherd's pra mim — Jake pediu.
— Pra mim também. — Mary decidiu. Os três direcionaram seus olhares para mim.
— Um spotterd dick. — Disse por fim.
— Alguma coisa para beber? — O garçom perguntou enquanto anotava nossos pedidos.
— Uísque. — Jake pediu batendo de leve na mesa com os dedos repetidas vezes.
O garçom se afastou da nossa mesa e Mary respirou fundo.
— Se eu pudesse, voltaria agora mesmo para Londres. — Ela falou e foi a minha vez de fuzila-la com o olhar.
— Relaxem meninas. — Jake colocou as duas mãos atrás da cabeça. — Eu tenho um plano. Sei que Damon não quer matar você Annie, seria a última coisa que ele faria. Ele só quer que você pense que ele quer fazer isso. — Ele se aproximou mais da mesa e nós duas fizemos o mesmo, como se estivéssemos esperando ele nos revelar um grande segredo e ainda tivéssemos oito anos de idade. — Ele sabe que você faz 18 anos amanhã — Jake olhou pra mim — Puta merda, todos sabem que você fará 18 anos amanhã, Annie! — Ele se exaltou, depois olhou para os dois lados verificando se alguém havia percebido. — Não finja que não é importante estar viva pra alguns, e estar morta para outros. O submundo só está esperando o dia de amanhã pra decidir o que irá fazer com você, você sabe disso. E acredite, aqui é o melhor lugar pra se estar, aqui só existe os Muthiks, lá fora vários outros clãs querem acabar com você garota. Por isso eu te trouxe pra cá. — Ele se afastou da mesa — Mas ele não quer você morta. Ainda não — O tom da voz de Jake estava começando a ficar sombrio e eu me perguntei se ele só estava inventando aquela idiotice toda.
— C-como assim ele ainda não quer matar a Annie? — Mary parecia mais interessada que nunca.
— Vocês sabem que eu não gosto de passar informações não confirmadas. Mas me falaram que ele queria recrutar a Annie. Queria que ela fizesse parte deles quando a maldição fosse cumprida, amanhã.
— NUNCA! — Falei e dessa vez algumas pessoas nas mesas ao lado olharam pra mim curiosas. — Quem ele pensa que eu sou? Depois de tudo que fez, pensa que vou estar do lado dele para ajuda-lo em algum cacete?— Me acalmei um pouco, mas ainda senti que falei rápido e alto de mais. Mary parecia confusa de mais para comentar alguma coisa.
— Mas é ai que está. — Jake estava com o mesmo olhar decidido de anos atrás quando prometeu se vingar de Damon por tirar a vida de Dandara. — Annie, você quer se vingar?
— Quero justiça.
— Você quer acabar com ele?
— Sim. — Respondi.
— Engane-o. — Jake quase sussurrou chegando mais perto da mesa de novo. — Faça com que ele acredite que você fará o que ele mandar. Qual plano seria melhor? Ele pensa que a melhor forma de torturar Carlo é possuir sua única filha, e de certa forma é.
— Mas se eu me transformar, nunca mais vou poderei voltar atrás. Se eu fizer isso... Nunca mais terei minha liberdade de volta. — Jake pegou em minha mão em cima da mesa e sorriu de canto.
— Eu vou estar com você Annie. Nós — ele olhou para Mary depois voltou a olhar pra mim — vamos estar ao seu lado. Eu sei que você vai virar um caçadora insensível e sem coração — Ele riu um pouco. — Mas nós vamos suportar você. — E lá estava o Jake brincalhão e sorridente que sempre me fazia ver o lado bom de tudo.
Um silêncio tomou conta de nós e o garçom se aproximou com os nossos pedidos, encheu o copo de Jake com uísque e saiu. Começamos a comer.
— Bem, eu acho um bom plano. — Mary comentou quando terminou de comer.
— É um bom plano — Jake sorriu — Ele vai pedir a sua escravidão em troca da libertação de Carlo — Agora sim Jake conseguiu enfiar uma faca imaginária na minha barriga e eu comecei a sentir náuseas.
— Escravidão? Vou virar um vertrics por acaso?
— Quê? Não, claro que não. Caçadoras não podem ser vertrics, você sabe disso. Como um vampiro ia conseguir estabelecer uma ligação escravista com alguém feito para mata-lo? Ainda mais alguém como a caçadora que você vai se tornar. Nem Damon, nem eu, nem você, nem ninguém tem ideia do tamanho do poder que você vai ter. Você vai dever lealdade a ele, e é isso. Os outros clãs vão se acalmar quando souberem que só precisam se preocupar com você quando Damon pedir por guerra, como fez ha anos atrás. É uma tacada de de mestre. Você só tem que se controlar, e saber como agir. O problema é esse. Você nunca foi treina pra isso. — Jake estava realmente empenhado e aquilo fez com que eu me sentisse mais segura.
— É... Ela não foi. — Mary colocou uma mão no queixo e olhou para o esmalte vermelho nas unhas da outra mão, ela sempre fazia isso quando procurava uma solução. — Não temos tempo.
Jake fez um sinal chamando o garçom que havia nos atendido do outro lado da rua, e ele veio andando rápido até nós depois que se afastou de uma mesa em frente ao bar onde atendia alguns turistas.
— A conta. — Jake pediu e o garçom anotou algumas coisas no papel antes de dar o papel pra ele que tirou a carteira do bolso e deu um dinheiro ao garçom, nos levantamos da mesa — Fique com o troco. — Jake piscou para garçom e passou o braço ao redor da minha cintura e da de Mary.
Ficamos um bom tempo caminhando pelo canal e pensando em como organizar o plano assim em cima da hora e nos certificando que não estávamos sendo observador.
— E o plano B? — Sugeri.
— Plano B! Bem pensado. Se isso não der certo, o que vamos fazer? — Ele parecia pego de surpresa.
— Se alguma coisa der errado, eu farei de tudo pra mata-lo. Nem que isso custe a minha vida. — Mary correu os olhos pelo meu rosto como uma mãe de 21 anos olharia para filha.
— Você não tem que fazer isso. É um dever meu — Expliquei.
— É só uma hipótese. — Ela inclinou a cabeça para frente novamente e se afastou de Jake.
— O que foi? — Jake perguntou e Mary apenas sorriu, eu conhecia aquele sorriso, ela tirou uma estaca fina de dentro da bota esquerda e praticamente voou até alguém que estava alguns passos atrás de nós, eu e Jake olhamos para trás enquanto ela segurava o pescoço do homem que agora mostrava seus olhos verde água. A cor mostrava que já fazia algum tempo que ele não se alimentava, ao contrario do vampiro que me atacou no bar aquele dia.
— O que você quer? — Ela perguntou para o vampiro já com a estava encostada em seu peito. — Fala. Agora. O. Que. Você. Quer.
— Eu não quero nada — O vampiro se esforçou para que sua voz saísse. — Mas Damon... Quer... A garota. — Ele olhou pra mim com os olhos semicerrados e a voz rouca desapareceu quando Mary enfiou a estaca no seu peito e o jogou no chão. A pele empalideceu e seus olhos receberam um tom tão mais claro. Ela pegou seu corpo de novo e levou até o rio, jogando-o lá e voltando pra perto de nós.
— Foi por pouco. — Mary disse séria.
— Caralho, aquilo foi sexy! — Jake comentou sorrindo.
— Nossa. Você tem mesmo que procurar sexualidade em tudo?— Perguntei rindo um pouco.
— Nem sempre. — Ele respondeu.
— Estamos cercados — Mary falou em um sussurro e olhou pra mim. Vi duplas de vampiros em cada direção que nós poderíamos ir paralisei. — Temos que ir com eles. Agora.
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