Notas iniciais
E aí pessoal, mais um cap. vamo ver onde isso vai dar, quem sabe um dia eu transformo num romance de verdade, espero que gostem. Fiz alguns planos de roteiro de escrita, se eu colocar metade em prática acho que vai ficar ótimo o enredo, daqui 20 anos sai tudo da minha mente e vai pro papel! Aproveitem!

10 — Eu Nunca

Tem certeza? — Scarlet perguntou à Percy logo quando o motor do Porsche parou de fazer barulho na garagem do prédio. Percy olhou pra ela como se dissesse “jamais vou perder uma oportunidade dessas”

Ela levantou os braços rendida ao encarar a careta de mau que Percy sempre esboçava quando estava determinado a causar alguma encrenca. A garota se xingou mentalmente por ficar com tesão ao olhar pros olhos verdes intensos do homem enquanto ele catava a bolsa Gucci dela e a passava pelo ombro, no fim das contas ele era um cavalheiro.

O homem fez questão de abrir a porta pra ela, Scarlet levantou uma sobrancelha desconfiada mas se deixou ser tratada de tal forma, normalmente ela reclamaria, mas se Percy queria jogar, ela também jogaria.

O resto dos garotos havia descido no térreo, a van da gravadora os deixou na porta do prédio, à esta altura já estariam no elevador, cheios de garrafas de whisky rumo à cobertura.

Scarlet desceu descalça com os saltos LV na mão, a outra estava com os dedos entrelaçados na de Percy, eles correram como duas crianças até o elevador, a garota não conseguia tirar os olhos da boca do maldito Jackson — como ela pensava.

Percy apertou o botão algumas dezenas de vezes e fez graça pra ela rir, desferiu até um chute de leve na porta de ferro, como se fosse fazer o elevador descer mais rápido.

Quando as portas se abriram Percy puxou ela com violência pra dentro do elevador. Ele clicou o botão da cobertura com a ponta do mocassim, Scarlet soltou uma gargalhada ao ver a “impaciência” de Percy.

—O que deu em você? — ela estava ofegante por causa da pequena corrida dos dois até o elevador. Percy a puxou pra perto, ele passou uma das mãos pela cintura dela e a puxou pelo quadril, o outro par de mãos ainda estavam entrelaçados.

—Quero chegar logo e começar a brincadeira — ele colou o rosto no dela.

—Você tá muito animadinho, Jackson — Scarlet tentou sem sucesso desvencilhar o olhar da boca dele — Tudo isso só pra brigar com o James?

Percy sacou a indireta em um milissegundo.

—Na verdade — ele se aproximou mais, roçando os lábios nos dela — Vou te propor o desafio, eu nunca tive vontade de ficar com o Percy de novo…

Scarlet sorriu travessa — Bem direto ele — ela largou os saltos no chão do elevador e segurou o pescoço dele, os dois já estavam quase se beijando pra valer, mas as portas do elevador se abriram.

Eles foram pegos no flagra. O elevador havia aberto no térreo, e a gangue de amigos de Percy encarou a cena despejando olhares maliciosos na direção dos dois.

—Calma pessoal — Luke como sempre o mais engraçadinho — Guardem esse fogo pra depois do jogo e dos shots.

Percy olhou direto pra Annabeth, a garota parecia indiferente à cena, e talvez estivesse mesmo. James por outro lado olhou desgostoso — Sempre querendo chamar atenção, Jameson. Aliás, Jeremy.

O homem fechou a cara, ele afastou um pouco Scarlet e os dois se achegaram para o canto do elevador enquanto a trupe adentrava excedendo o limite de peso e de pessoas.

Os vizinhos deveriam amá-los.

***

Depois da cena de filme no elevador, as coisas estavam meio frias. Não somente entre Percy e Scar, que estavam demasiados vergonhosos para se atiçarem novamente, mas também o tão aguardo Eu nunca… que James havia proposto. Nem o guitarrista da No Name parecia animado com a coletânea de desafios fracos e shots forçados.

A galera estava reunida no terraço em volta da piscina, o teto retrátil estava fechado protegendo-os dos ventos do outono. Scar e Percy haviam pego as espreguiçadeiras brancas do lado da piscina e as puxado para próximo das poltronas onde o resto do pessoal estava acomodado. Os dois pareciam meio alheios ao jogo, já que Percy não estava dando muita atenção aos shots de Macallan e tinha preparado dois negrones.

James dividia o sofá de couro branco com Annabeth enquanto tocava violão, Luke e Nico eram os mais animados. Haviam algumas outras pessoas, o empresário da banda e um par de modelos que Percy presumiu serem amigas dos garotos, elas estavam fumando e bebendo champagne alheias ao resto da galera.

—Fala sério pessoal — Luke estava até embolando as palavras de tão bêbado — Vou ter que pegar pesado. Percy!

Ele pegou a garrafa de whisky pela metade e apontou na direção de Percy, que tirou o olhar da bela inglesa que estava ao lado dele. O homem engoliu em seco, mas deu um sorrisinho pra disfarçar — Me pegou.

Eu nunca… — ele rolou os olhos por todos no terraço e os parou em Annabeth — Namorei alguém entre nós aqui hoje.

Percy o matou com o olhar. Ele não havia mencionado o fato de já ter tido um romance verdadeiro com a loira Annabeth, mesmo que fosse há bastante tempo. Scar o encarou com expectativa, Annabeth vacilou a expressão de superior de sempre por um breve momento e piscou algumas vezes, aturdida.

Todos aguçaram os ouvidos quando o silêncio pairou no terraço. Só o som da caixinha JBL em cima da mesinha de centro em volta deles ficou ecoando um reggaeton que contrastava com o climão instaurado.

Pior ainda foi quando Luke literalmente jogou a garrafa de Macallan na direção de Percy. Ele até que se saiu bem ao pegá-la no ar, se mexendo desconfortável na espreguiçadeira. O homem se levantou e deu de ombros — Namorei mesmo, todo mundo comete erros na vida.

Ele pegou o copo de shot na mesinha e encheu até a boca, aproveitou e tomou a liberdade de encher outro. Annabeth rolou os olhos e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, ela sempre fazia isso quando estava envergonhada — Pois é, espero que façam mais perguntas capciosas pra eu beber e esquecer que já tivemos uma relação.

Percy cerrou os olhos e tentou levar na esportiva, ele ergueu o copo e brindou com Annabeth — À amnésia. Mas só não esquece que eu sou seu orientador, e sou bastante exigente.

Annabeth sorriu sarcasticamente pra ele e sentou-se ao lado de James no sofá, ela ainda tascou um beijo nele somente para logo depois olhar vitoriosa na direção de Percy e Scarlet. A britânica rolou os olhos.

—Golpe baixo, Castellan — Percy encheu o copo de dose novamente e deu um sorrisinho — Eu nunca… disse que preferia outro guitarrista na No Name. Ah! Além disso, Eu nunca precisei fazer audição pra entrar em nenhuma banda.

Percy preparou mais um copo audaciosamente, ele se foi pra espreguiçadeira do lado de Scar e deixou o circo pegar fogo.

James fuzilou todos com o olhar, nem Grover, que estava na piscina alheio à todos tinha escapado. Ele apertou o copo com tanta força que os nervos da mão ficaram até brancos. Aquele deve ter sido o pior shot da vida de James, visto à careta que ele fez ao virar.

Luke pegou o copo discretamente e o virou.

—Inacreditável — James largou a guitarra no sofá e se levantou batendo os pés — Naquela merda de audição não tinha ninguém que chegava aos meus pés, mate — Percy sempre rolava os olhos quando ouvia gírias britânicas saindo da boca dele.

—Na audição, não — Luke instintivamente olhou pra Percy, que tentava a todo custo segurar o riso.

James nem respondeu, ele só apontou com ódio pro Luke, que também tentava disfarçar o sorriso. Scarlet estava amando a cena, ela cochichou no ouvido de Percy “você adora uma treta né”

—Cansei dessa brincadeira de merda — James pegou a caixinha de música e a desligou, ele deu as costas pra todo mundo e saiu andando de costas fazendo sinal com o dedo médio pra todos. Os passos ecoaram no corredor que levava à escada e todos caíram na gargalhada quando ele se foi.

—Parabéns, Percy — Luke bateu palmas em meio aos risos — Se a banda se separar a culpa vai ser sua.

—Me agradeça se isso acontecer — Percy pegou a garrafa de Macallan e virou, sem se importar em preparar uma dose.

O climão ficou pairando no ar e ninguém quebrou o silêncio por alguns minutos até que Scarlet levantou da espreguiçadeira e calçou os saltos — Eu já vou, antes que alguém me desafie também. Apesar dos pesares, me diverti — ela deu um beijo na bochecha de Percy.

—Eu levo você — ele se prontificou.

—Não precisa, o George já está na porta.

Ótimo, trocado por um chofer — Percy pensou.

Scarlet murmurou boa noite à todos e não se demorou a tomar o mesmo rumo que o raivoso James alguns momentos antes. Nico e as amigas dele também se despediram do pessoal restante e saíram do terraço.

—Essa festa virou um enterro, preciso beber — Percy saiu andando até o bar que ficava do lado da piscina e pegou uma cerveja no freezer que ficava atrás do balcão.

O homem pegou mais duas cervejas e saiu andando até a janela de vidro, ele a abriu e apoiou as outras garrafas no parapeito. De longe ele conseguiu ver o carro preto parado na porta do prédio, Scarlet entrou rapidamente uns momentos depois. Percy suspirou derrotado —Não era esse fim de noite que eu tinha em mente.

—Mas você mereceu — Percy não precisou olhar pro lado pra saber de quem era a voz. Ele sorriu sarcástico.

—Mereci mesmo, você também — ele não olhou pra Annabeth, a loira se aproximou e ficou ao lado dele observando a paisagem de Chelsea, com o Tâmisa e o palácio de Westminster iluminados ao fundo.

Percy pôs os olhos na London Eye por um instante e por pouco a nostalgia não tomou conta. Ele se lembrou das férias de natal de 2014, quando havia dividido duas semanas felizes ao lado da sua aluna irritante.

—Lembra daquele nascer do sol? — ele não precisou ser muito específico, a roda gigante estava toda iluminada.

—Sim, perfeitamente — Annabeth tomou a liberdade de pegar uma das cervejas que o homem deixou no parapeito da janela — Um dos dias mais frios que já vivi.

—Foi bom, apesar disso.

—Sim, você até subornou o operador da London Eye pra gente ver o sol nascer e tudo, Jackson e seus “amigos”.

Os dois sorriram genuinamente, todos já tinham abandonado o terraço, não fazia sentido fazer joguinhos. Annabeth olhou em volta e pigarreou — Parece que você acabou com a noite de todo mundo.

Percy deu de ombros — Você ainda ficou aqui.

—Então era esse seu plano? — Annabeth encarou a garrafa de Heineken.

—Não exatamente, mas funcionou — Percy olhou pra ela, os cabelos dourados estavam brilhando quase tanto quanto a London Eye, a maquiagem e os traços perfeitos do rosto dela ainda faziam a cabeça do homem girar — Afinal, além de você ter ficado, o James também saiu puto.

—Ele é um cara legal, sabe — Annabeth desviou o olhar do homem, ela tampouco conseguia fixar os olhos no seu cabelo perfeitamente aparado e a barba por fazer, além dos olhos verdes intensos e penetrantes — Foi golpe baixo o que fez.

Percy torceu o nariz ao ouvir “cara legal”, somente a convivência com o popstar convencido faria Annabeth mudar de ideia, ele pensou.

—Não vou tentar te convencer do contrário. Vou fazer um drink, aceita?

Annabeth assentiu com a cabeça e seguiu o homem quando ele foi em direção ao bar luxuoso da cobertura. Percy mexeu na bancada de mármore thassos e retirou uma garrafa de vermute tinto do balcão, pegou tambémcuma laranja enorme na fruteira, o homem mexeu no freezer e retirou uma coqueteleira de vidro e uma forma de gelo especiais de drink.

—Pega a garrafa de Macallan na mesinha pra mim, por favor — ele disse. Annabeth não fez objeção e logo foi pegar.

Percy não perdeu a oportunidade de admirar a bunda da mulher, aquele vestido preto colado não estava ajudando muito na concentração, ele quase babou em cima do gelo e da laranja. O homem aproveitou pra ligar o sistema de som do terraço, ele botou uma música do Skinshape pra tocar, ele era um DJ britânico multiinstrumentista que Percy tinha conhecido num pub em Oxford uns dois anos antes, eles ficaram amigos e tudo. O som do cara era sensacional.

Annabeth voltou com a garrafa e deu à ele.

Com habilidade o homem preparou uma dose de whisky e deixou na coqueteleira juntamente com alguns cubos de gelo, ele pegou uma colher e girou os cubos para harmonizar a dose.

Percy pegou uma faca no balcão e cortou a casca da laranja, além de duas rodelas generosas. Annabeth aproveitou para se sentar frente ao homem numa das banquetas bistrô giratórias, Percy estava começando a exibir alguns movimentos de dança seguindo a melodia da música do Skinshape.

Percy até aproveitou pra dublar um pedaço da letra.

—Quanto tempo não te via cantar — Annabeth deixou escapar.

“I’ve got a place, down by the sea” — ele apontou com a garrafa de vermute pra ela, a mulher deu uma gargalhada se divertindo com a cena — Sentiu saudade de me ver cantando, Sabidinha?

O apelido foi um golpe baixo até demais pra ele, Annabeth corou violentamente no mesmo instante — E esse drink sai hoje ainda?

Percy ergueu uma sobrancelha e franziu o lábio assentindo. Ele pegou a outra metade da laranja e espremeu com a mão sob o whisky gelado, acrescentou uma dose generosa de vermute e mexeu com a colher.

Ele foi ao freezer e pegou dois on the rocks quadrados para servir o drink. Percy foi generoso ao colocar três cubos de gelo em cada copo. O homem decorou com cascas de laranja e despejou o conteúdo da coqueteleira.

—Prontinho — ele estendeu o copo para Annabeth — Já que fiquei sentimental com a London Eye, um manhattan para acompanhar a nostalgia.

“À amnésia”

Annabeth ergueu o copo e os dois tomaram o manhattan juntos.

—Você, sentimental? — Annabeth largou o copo na bancada e encarou Percy.

—O que, você acha que não tenho sentimentos? — Percy tomou o drink inteiro e pegou a rodela de laranja.

—O Luke me falou como você trata as mulheres.

—O Luke fala demais — Percy chupou a laranja e desviou o rosto do olhar cinzento penetrante que faria qualquer um entregar um segredo de estado facilmente — Não tenho culpa se ninguém me prende a atenção. Sou transparente com todas elas, pelo menos.

—O que você quer dizer com isso? — Annabeth terminou de tomar o manhattan.

—O James parece estar todo apaixonadinho por você — Percy olhou pra ela com expectativa.

—E se eu também estiver? — ela deixou um sorriso travesso escapar e o olhou.

—Eu te conheço o suficiente pra saber que não é verdade — ele sustentou o olhar dela — Eu sei como é, quero dizer, você estar apaixonada.

—Posso ter mudado, você não me conhece como antes.

—Pode até ser, mas o corpo fala. O seu fica calado quando está do lado dele — Percy foi bem direto.

—Você também é analista corporal agora? — o sorriso dela ficou meio amarelo.

—Não, eu só não tenho medo de falar isso na sua cara. Pode estar com ele pra me fazer raiva, ou o que quer que seja, só não me venha com esse discurso moralista e falar que EU não tenho sentimentos, Sabidinha.

Percy esbanjou ironia ao falar o apelido da ex. Annabeth ficou vermelha de raiva e se levantou da banqueta.

—Eu acho que você já bebeu demais, está delirando — ela saiu pisando duro — Nos vemos na próxima aula, professor Jackson. Espero que esse brinde tenha efeito e eu esqueça essas merdas que você falou. Passar bem.

Percy pegou a garrafa de Macallan em cima da bancada — À amnésia.

Notas finais
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