As Desventuras e Romances de Percabeth
8 08 - Confusos
Notas iniciais
O mês de Outubro estava na metade , era um dia chuvoso , Annabeth dirigia seu New Beetle calmamente pelas ruas cheias de folhas do Queens. As árvores estavam peladas , os jardins das casas , cobertos de folhas secas e amarelas.
A garota havia colocado a capota para não castigada pela tempestade.
Ela entrou na rua Elm e parou o carro próximo ao portão da garagem. Pegou seu guarda-chuva no banco de trás e saiu correndo para abrir o portão , “droga de controle estragado” , ela pensou.
A garota se abaixou para abrir , não conseguiu , o portão era demasiadamente pesado para ela.
Tudo piorou quando ela , por um descuido , tentou usar as duas mãos para abrir o portão da garagem. O guarda-chuva voou para longe e ela praguejou. Os pingos de chuva arrepiaram sua pele.
Ela estava ensopada , porem ainda tentava mover o portão. A garota iria desistir , estava tremendo de frio. Até que ela o viu , ele estava correndo em sua direção.
Percy se abaixou e fez força no portão. Com esforço ele se abriu.
—Vá para dentro se esquentar , irei guardar seu carro e já vou – ele disse e puxou Annabeth delicadamente para dentro da garagem. Eles ficaram bem próximos, as respirações fazendo cócegas na pele molhada de chuva.
Percy passou as mãos pela cintura da garota e a recuou alguns passos, ela tremia de frio.
Ela esperou Percy guardar o New Beetle e então baixou o portão. Annabeth tremia ensopada, ela bufava irritada.
Percy andou até ela e , sem nem pedir permissão , passou um braço pela cintura da garota e a abraçou. O calor de Percy fez sua pele se arrepiar e seus pelos se eriçarem.
Eles andaram abraçados e Percy abriu a porta da garagem , levando-a para a sala de estar.
Ele a pegou no colo , mesmo a garota se surpreendendo , não disse nada. Ela estava gostando daquilo , mesmo não admitindo.
Ele a deitou no sofá.
—Onde fica o banheiro? – Percy a olhou – Vou pegar mais uma toalha pra você.
—Subindo as escadas , primeira porta à direita – ela disparou.
Percy subiu as escadas velozmente. As toalhas ficavam na gaveta do armário da pia. Ele passou pelo quarto da garota e viu um edredom amarelo dobrado em cima da cama e tomou a liberdade de pegá-lo.
O garoto voltou e a viu aconchegada as almofadas do sofá. Percy sorriu corado e se aproximou, o coração dele estava a mil.
—Você vai se trocar, eu vou preparar um chocolate quente –ele disse e se aproximou dela, Annabeth estava inteiramente arrepiada — A propósito, onde fica a cozinha? — Percy se aproximou um pouco mais e sorriu.
Annabeth deixou uma gargalhada escapar e apontou para o fim do corredor.
No fim do corredor ele se virou.
—Pegue um cobertor e um filme para assistirmos, vou estourar uma pipoca.
—Somos amiguinhos agora, Jackson? — ela sorriu sarcástica.
—Não precisamos daquele teatro ridículo da escola, e eu tento se você tentar — ele a olhou pedindo permissão.
Annabeth cerrou as sobrancelhas e assentiu.
—Não vou escolher o filme sozinha — ela sorriu e Percy sustentou.
Eles se viraram, ela estava incrédula.
Annabeth subiu as escadas sorrindo e abriu a porta do quarto. Era um cômodo grande, as paredes mesclavam tons de cinza. A cama de casal tinha lençol de corujinhas coloridas, havia um criado e escrivaninha no canto próximo à janela panorâmica que ficava de frente para a janela do quarto de Percy. Ela abriu a porta do guarda roupas branco e pegou uma calça legging preta e moletom cinza.
Ela desceu as escadas saltitando , estava com uma felicidade inexplicável ,talvez porque Percy não era tão ruim assim, era gentil e engraçado, talvez porque era um tremendo gato , os cabelos pretos rebeldes , os olhos da cor do mar , o jeito que ele mordia o lábio inferior , muito sexy.
Ela deixou o cobertor na sala de televisão e foi para a cozinha, ainda saltitando.
Quando chegou lá se deparou com Percy sem camisa. Ela corou violentamente , em murmurou um “hun-run”. Percy se virou. Ela enrubesceu ainda mais , o corpo atlético de Percy quase a fez babar , ele tinha um tanquinho e os músculos eram definidos.
—Ah , eu tirei a camisa porque estava muito molhada, não quero ficar doente , mas se você...
—Tudo bem – ela o interrompeu.
Eles ficaram em silêncio. Percy estava esquentando o leite numa panela. Annabeth se sentou na bancada. Percy foi até o armário e pegou leite condensado , creme de leite e açúcar , além do chocolate em pó.
O garoto misturou tudo na panela e deixou esfriar. Se sentou do lado de Annabeth. Soprando a panela.
—Então... – ele disse.
—Então...
—Que chuva! – Percy disse.
—É , que chuva – não estava sendo uma conversa muito produtiva – Que bom que você apareceu , ou eu ia morrer congelada – ele sorriu.
—É , eu não deixaria você morrer congelada – eles estavam se fitando.
Depois que o chocolate esfriou , Percy foi até o micro-ondas e retirou dois sacos de pipoca. Colocou em uma vasilha de vidro. Pegou o chocolate da panela e o entornou numa jarra. Annabeth o observava com todos os sentidos entorpecidos , ela tinha razão , Percy Jackson era um gato , e ele estava ali , sem camisa , na casa dela. A garota riu.
Ele veio na direção dela. A garota se levantou e os conduziu até a sala de estar. Como todos os cômodos da casa , era grande e amplo , as paredes eram de algodão egípcio.
Dois sofás brancos de 3 lugares e algumas poltronas. Uma mesa de centro e TV enorme. Havia um lustre feito à mão no centro da sala , algumas estantes apinhadas de livros.
Ela pegou os cobertores e os colocou em cima do sofá em meio a espirros.
—Deixa que eu arrumo, você apenas pegue o cobertor e se enfie debaixo dele – Percy ordenou. Ele colocou a pipoca e o chocolate quente em cima da mesinha de centro.
Annabeth obedeceu, ela se sentou no sofá de frente para a televisão e pegou dois cobertores extras que havia trazido. Eles eram quentinhos, mas ela ainda tremia um pouco.
Percy arredou duas poltronas para que eles apoiassem os pés.
A garota estava gostando desse lado atencioso de Percy Jackson. O modo como ele fazia esforço para ela não se esforçar.
Ele foi até a televisão, esta que era pregada na parede. Havia um rack com um aparelho de DVD e um Ps4. Percy pegou o filme que estava em cima da mesa de centro.
Ele ligou o DVD sem sequer olhar o nome. Se sentou ao lado de Annabeth no sofá e puxou um dos cobertores para si e se aconchegou.
Annabeth espirrou mais uma vez e seu corpo estremeceu, a tremedeira havia voltado.
Novamente, sem pedir permissão, Percy a puxou e a aninhou em seus braços, ele juntou os cobertores em cima dos dois e eles se olharam um pouco.
A pele de Annabeth se arrepiou com o calor do garoto, os pelos dela se eriçaram. A pele do garoto era lisa e fazia correntes elétricas passarem por Annabeth. Ele levou uma das mãos aos cabelos de Annabeth e a outra ficou apoiada em sua barriga, ela se sentiu protegida. O carinho nos cabelos que Percy fazia estava relaxando-a como nada fazia.
Eles continuaram vendo o filme , nem mesmo Annabeth sabia o nome, ela estava tão afobada para ir ficar junto de Percy que apenas pegou um DVD qualquer na escrivaninha. Eles assistiram tudo agarrados, mesmo após a tremedeira dela ter passado. Por vezes eles riam, o clima romântico pairava no ar e eles voltavam a corar violentamente.
Na metade do filme o carinho de Percy fez Annabeth dormir. A garota se aninhou por completo nos braços do garoto. Passando uma perna pelo corpo dele. Ela grudou nele.
Com certo esforço para não acordá-la, Percy conseguiu carregá-la de volta ao seu quarto. Ele a depositou calmamente a garota na cama, que gemeu em desaprovação quando ele se afastou.
—Já vai? – ela perguntou manhosa, bocejando.
—Sim, já está anoitecendo, mas se precisar de alguma coisa me liga – ele pegou um dos papéis de recado e prendeu na tela do celular de Annabeth na escrivaninha.
—Eu te levo até a porta – ela se ofereceu, levantando e espreguiçando.
—Não precisa — ele se aproximou e a impediu de se levantar — Seria um pecado tirá-la desse conforto.
—Obrigado por tudo isso, você foi muito gentil e atencioso – ela o puxou e o abraçou.
Quando eles se separaram nenhum estava corado. Os rostos continuavam próximos. Annabeth deixou escapar um sorriso de lado enquanto suas mãos se prenderam no pescoço de Percy.
Ela se aproximou mecanicamente, mas quando as bocas iam se tocar Percy soltou uma baforada de ar.
—Não posso , Reyna , eu...
—Tudo bem, me desculpe não sei o que deu em mim – ela se afastou rapidamente e passou uma mão pelo cabelo , envergonhada.
—Tudo bem — ele a olhou nos olhos — Vou descer pela janela, OK? — ele se afastou devagar.
Ela assentiu e se deitou, Percy abriu a porta da sacada e o vento fez Annabeth estremecer, ele rapidamente passou pelo vão e fechou a porta. O garoto olhou para Annabeth e mandou um beijo ao se despedir.
Quando ele se foi Annabeth colocou as mãos no rosto, como os sentimentos dela por Percy se tornaram o oposto em apenas um dia? Ela jamais pensaria que iria dormir desejando os lábios de quem acordou odiando.
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