As Desventuras Sexuais de Dylan Stark

60 Capítulo 59 –Jogo de Palavras –Novo Mundo


Notas iniciais
A saga do Novo Mundo esta prestes a terminar, então preparem-se para o grande desfecho, mas não se preocupem, uma nova saga já esta confirmada :) Boa leitura!

Uma coisa certa sobre mim é que sempre passarei pelo inesperado, mas não pude deixar de ficar surpreso ao ver em pleno meus dezenove anos, meu filho de quinze dançando no mesmo baile de máscara que eu. A situação complica quando sei que ele foi sequestrado de um futuro possível pelo vilão, para me impedir de salvar o multiverso.

Eu estava sem chão, Lucy estava do meu lado sem nem sonhar que o garoto para qual olhávamos era nosso filho.

—Gostando do baile, senhor Smith? –Perguntou uma voz ao meu lado, me virei e me deparei com o enorme sorriso do velho.

—Aquele garoto é...

—Sim, é o seu filho que trouxe do futuro só pra te intimidar.

—Até onde você vai para me fazer mudar de ideia?! –Me virei furioso para ele. Lucy segurou meu braço, ela não tinha ouvido a parte sobre nosso filho.

—Eu farei de tudo ao meu alcance para impedir que esse mundo seja desfeito.

—Você não vê, que se eu não fizer nada, este mundo também vai ser destruído? Por que lutar para me impedir de salvar o multiverso se você também vai morrer no processo?

—Criança, você nem sonha com a genialidade da minha mente. Escolha ficar neste mundo e te garanto que ele não será destruído. Deixe todo o multiverso ruir, desaparecer, encontrei uma forma de manter esse mundo intacto.

Aquelas palavras me atingiram com força, a chance de poder ficar ali com meus amigos e amores era tentadora de mais.

—Você é louco? Nem mesmo um deus pode salvar este mundo.

—Se eu te provar que posso, você escolheria ficar neste mundo?

Fiquei um longo tempo em silêncio. “Eu tenho medo de te perder”, Henry me disse na loja de máscaras. Guil e Peter temiam sua separação, Nathan e Cody estavam tão felizes. Eu amava a Violet, mas estava muito feliz em vê-la com a Annabeth e ainda tem ela... Me virei para a Lucy, ela era louca, a personificação da liberdade, me sentia tão bem ao seu lado e sabia que tipo de vida poderíamos ter juntos.

Quando voltei minha atenção para o Conde Olaf vi o sorriso malvado em seu rosto, sua expressão de quem analisava cada um dos meus pensamentos. Ele queria que eu disse sim, eu querida dizer sim!

A dança da realeza terminou e o Connor veio até nós.

—Senhor Olaf, isso foi muito divertido! Mas preciso voltar pra casa, hoje é o dia dos garotos, o papai e o Jacob estão me esperando –Meu coração disparou, ele nem olhou pra mim, mas tive uma enorme vontade de abraça-lo. Dei um paço a frente e me forcei a parar.

—Você é um menino tão educado, Connor. Seu pai deve ser muito orgulhoso de você.

—Ele sempre diz isso –Connor sorriu docemente pensando em seu pai, pensando em mim.

—Você poderia empurrar minha cadeira até o estacionamento? –Perguntou o velho.

—Claro senhor –Ele se virou pra nós –Tenham um bom baile.

Connor empurrou a cadeira de rodas do velho. Aquele maldito estava tentando me manipular, eu sabia disso, mas ainda assim estava funcionando.

—Lucy tenho que fazer uma coisa, eu...

—Aquele é o nosso filho mais novo não é? –Parei de costas pra ela –A história que me contou sobre nosso futuro, nossos filhos Connor e Jacob. De algum modo aquele velho o trouxe para nosso tempo, não foi?

—Sim –Tive que lhe dizer a verdade.

—Então não me peça para ficar para trás, vou com você até o fim.

Ela segurou minha mão e me arrastou, respirei fundo e fomos juntos para o estacionamento. Avistamos os dois e então o Connor desapareceu numa fenda de luz deixando o velho para trás.

—O que você fez com ele?! –Gritei indo até ele.

—Calma, o devolvi para o seu devido tempo, afinal ele tem uma festa com o pai e o irmão –Sorriu Olaf –Imagine só, Dylan, ter uma família feliz, amigos, um trabalho estável –Ele olhou para Lucy –Uma mulher incrível que consegue te compreender.

—Pare de tentar me manipular! –Agora que o Connor estava de volta ao seu tempo, consegui pensar com mais clareza.

—Não estou te manipulando estou apenas te dando o poder de uma escolha. Você pode sacrificar esse mundo, assassinando sua família ou manter tudo isso e viver uma vida longa e feliz.

—Sacrificando todos os outros mundos! –Interveio Lucy –Escuta aqui, velho safado! Dylan não pode pensar só nele, ele tem que pensar no bem estar de todo mundo e...

—Você o ama? –Aquela pergunta a pegou de surpresa.

—O quê?

—Você acha que se sair do Novo Mundo ainda assim vai conseguir ficar com ele? Você é tão ingênua. O Dylan é alguém volúvel, ele troca de amor como quem troca de sapatos.

—Desgraçado! –Gritei avançando pra cima dele –Só por que não amo do jeito tradicional, não quer dizer que...

—Faça-me o favor de ser realista. Eu li sua história, tudo em você esta o levando para o caminho de se tornar um deus do amor. Li o que Afrodite te revelou, que você amaria várias vezes, com todas suas forças. Você não nasceu pra ter alguém ao seu lado –Ele se voltou para Lucy –A única forma de evitar isso é ficando aqui, a única forma de vocês realmente ficarem juntos é ficarem neste mundo!

Ele conseguiu nos calar. Realmente me sinto mal por ser assim, não é como se eu tivesse dúvida sobre meus sentimentos, isso é o pior, eu sei o que é o amor, e amo na mesma intensidade a Lucy, a Violet e o Henry. E se vierem outros? E se eu continuar me apaixonando por novas pessoas, sem ter deixado de amar as anteriores? Apertei meu peito. Amar é incrível, mas não se pode dizer que não dói, e se essa minha dor se multiplicar por mil? Eu me tornarei um deus ou perecerei com a dor de mil corações partidos?

—Como? –Eu perguntei.

—Como o quê?

—Como você pode salvar esse mundo da destruição?

—Dylan? –Disse Lucy apreensiva, ela queria me repreender, mas assim como eu, foi fisgada pelas palavras do velho. Ela não estava disposta a abrir mão de mim.

—Eu criei um dispositivo que criará um tipo de campo de força que segue o mesmo princípio das Chaves Mestras, manipulação de espaço tempo, será como criar um oásis fora do próprio universo. Um espaço neutro onde nada poderá entrar ou sair. Nenhuma força, divindade, lei da física ou viajante poderá acessar esse mundo. Em suma, todo o resto poderá ser destruído e nós nem sentiríamos ou saberíamos. O jeito de salvar esse mundo é sela-lo para sempre.

—E por que precisa de mim?

—Por dois motivos, o primeiro é que o dispositivo usa os estilhaços de sua chave, ela o reconhece, ela só será domada por você. O segundo motivo é que a energia necessária para isso é enorme e você é o único receptáculo de energia que conheço. Você deve usar a energia sexual que coletou como combustível para o meu mecanismo. Junte-se a mim e seremos os heróis desse mundo.

Eu não sabia o que responder, sabia o que queria responder, mas aquilo seria certo?

—Me encontre naquela biblioteca abandonada no centro em uma hora, preciso fazer os últimos ajustes –O velho foi embora nos deixando com aquela bomba nas mãos.

Assim que ele saiu, desabei de joelhos com as mãos na cabeça. O que eu devia fazer? Meu medidor estava em 99% bastava um simples boquete ou mão amiga para completa-lo.

—Eu tenho que escolher agora!

—Dylan, eu... Não sei o que dizer.

—Me espere aqui.

Saí correndo e entrei novamente no baile, a música estava alta, todos estavam se divertindo, todas aquelas pessoas de mundos diferentes interagindo sem saber que a depender de minha escolha poderiam ser separados para sempre. Avistei o Henry conversando com a Annabeth, Nathan e Cody, um grupo que ninguém imaginou junto. Me aproximei, eles me viram.

—Aconteceu alguma coisa, Dylan? –Henry perguntou, pois o desespero devia estar estampado na minha cara.

Minha resposta foi agarrar seu rosto e beijá-lo bem ali na frente de todos, meu ato arrancou várias exclamações.

—Sempre shippei os dois! –Gritou Nathan animado.

O abracei, segurei seu rosto e encostei nossas testas, Henry sentiu que havia algo de errado.

—O que esta acontecendo, Dylan?

—Eu te amo –Aquilo o deixou desconcertado –Sei que nossas lembranças não aconteceram de verdade, que esse mundo existe há pouquíssimo tempo, mas eu te amo com todas as minhas forças.

—Você completou seu medidor, não foi?

—Quase, eu... O que me diria se houvesse uma forma de não precisar ir embora desse mundo?

—Eu diria que lutaria com todas as minhas forças por essa forma.

—Tenho que ir! –Saí deixando todos surpresos, senti todos aqueles olhares curiosos me seguindo.

Encontrei a Lucy mexendo no celular, me esperando encostada num carro. Ouvi a porta se abrir atrás de mim.

—Eu vou com vocês! –Anunciou Henry.

—O quê?

—Eu acabei de mandar uma mensagem pra ele, dizendo que você vai enfrentar o grande final hoje –Disse Lucy balançando o celular.

—Pensei que queria ir sozinha comigo.

—Nunca disse isso. Ele também é seu amor, então que esteja presente nesse momento. Mandei mensagem pra tal Violet, mas não tive resposta. Vamos indo.

No caminho contamos a Henry o que aconteceu, ele pareceu meio enciumado com a história da Lucy ser casada comigo num futuro possível. E ficou em choque com o tal mecanismo do Conde Olaf.

—Você tem que destruir esse mecanismo! –Disse Henry.

—Mas agora há pouco você disse que se houvesse uma chance de...

—Isso foi antes de saber o preço. Pense no número infinito de pessoas que estaremos condenando se escolhermos manter esse mundo. Por mais que eu queira ficar ao seu lado, isso não é certo.

Chegamos à biblioteca e tenho que confessar que ainda não fazia ideia do que fazer. Sei qual é a coisa certa, mas tanto eu, quanto os outros, gostariam que eu escolhesse salvar o Novo Mundo. Encontramos uma porta arrombada, o lugar estava caindo aos pedaços por fora, mas por dentro até que estava conservado. Passamos por uma seção de armários e depois nos deparamos com enormes prateleiras de livros empoeirados, andamos em silêncio. No nervosismo comecei a ler alguns títulos dos livros: Harry Potter e a Câmara Secreta; Percy Jackson e o Último Olimpiano; O Girassol na Janela; Os Miseráveis; Nárnia; Orgulho e Preconceito; e...

—Incrível não é? –A voz do Conde Olaf nos fez ficar em alerta. Ele se aproximou em sua cadeira de rodas –Imaginar que todas essas histórias são reais, que o que lemos como sendo literatura pode ser na verdade o relato das aventuras de outro mundo. Vê a beleza dessa biblioteca, Dylan? Mesmo que o multiverso acabe, uma parte dele será preservada aqui. Não precisa ser o fim de tudo.

—Suas palavras são como uma armadilha de caça –Lhe disse.

—Não adianta, pois sei que já esta preso nessa armadilha –Ele nem se dava o trabalho de negar –Vejo que resolveu trazer outro namoradinho, pois bem, me sigam.

Descemos uma escada e paramos num tipo de estacionamento subterrâneo. Três coisas me chamaram a atenção naquele lugar: A primeira era uma enorme máquina parecendo aqueles teletransportes que se vê em filmes de ficção cientifica, a segunda era uma enorme lona que cobria alguma coisa grande, e por fim a Violet amarrada numa pilastra.

—Violet! –Gritei –O que fez com ela?

—Só quis ter uma garantia caso mudasse de ideia –Ela usava um vestido vermelho, estava amarrada e com a cara furiosa.

—Esse desgraçado me fez perder o baile –Queixou-se Violet –Perdi a oportunidade de me divertir uma última vez com nossos amigos e com a Annabeth –Ela olhou pra mim –Pois sei que você não é idiota de cair na lábia do Conde Olaf! Dylan, não ouça as palavras que essa cobra sibila, complete o medidor e desfaça esse mundo!

Henry e Lucy correram para soltá-la, o Conde Olaf não se opôs, Lucy usou suas chamas se livrando facilmente das cordas.

—Você tem seus poderes de fogo nesse mundo?! –Surpreendeu-se Henry.

—Aqui também sou uma fênix.

—Então o Dylan te contou toda a verdade –Concluiu Violet. Os três me olharam. O que eu devia fazer?

—Sei que tomará a escolha correta –Disse o velho –Afinal você não quer ser responsável pela destruição de outro mundo. Seu planeta natal, a Terra 69 foi destruída por sua causa, você dará o mesmo destino ao Novo Mundo? –Ele estava jogando comigo, cada uma de suas palavras surtiam o efeito que desejava.

—Eu te odeio!

—Eu te dou a chance de viver uma vida feliz e ainda assim você me odeia? Bem, deixei vocês libertarem a Violet, por que ela não é meu plano B, esse aqui é.

Ele apertou um botão fazendo a enorme lona cair e revelar uma gaiola enorme com um garotinho lá dentro. Meu coração gelou, o reconheci na mesma hora que meus olhos bateram nele.

—Jacob!

—Eu lhe mostrei o Connor mais cedo, com seus 15 anos, para que pudesse ver o futuro ainda mais à frente. Mas trouxe o Jacob numa fase mais vulnerável.

—Papai! –Ele me reconheceu. Aquele era o garotinho de minha visão, um Jacob de seus 4 anos assustado, enjaulado e pedindo por ajuda. Quando dei um passo em sua direção, o Conde Olaf sacou um revolver e disparou contra a jaula. Todos gritaram assombrados. Jacob se jogou pra trás, ileso, mas aterrorizado.

—Não tenho super poderes como vocês, mas sou um idoso engenhoso e por que não usar meios mais humanos de persuadi-lo. Ligue a máquina, salve este mundo ou seu filho morre.

Então esse era o plano do Conde Olaf para me fazer desistir de salvar o multiverso? Aquele velho desgraçado era muito inteligente e maquiavélico. Engoli em seco, meus olhos lacrimejavam olhando para aquele garoto, ele era tão bonito e se parecia tanto comigo.

—Eu vou te salvar, Jacob!

—Você esta disposto à abrir mão desse futuro, Dylan Stark? Escolha salvar o multiverso e nunca verá o Jacob, o Connor e nem tudo que eles representam.

Em toda minha vida nunca tive que fazer uma escolha tão difícil, meu coração estava devastado. Olhei mais uma vez para os olhos do Jacob, ele estava com medo e aquilo me destruía, eu preferiria morrer ao vê-lo sofrer.

—Olaf! –Gritei furioso.

—Estou fazendo isso para seu bem!

—Não vem com essa! Você sem dúvida tem algo a ganhar em ficar nesse mundo!

—Talvez, hipoteticamente falando, eu esteja desenvolvendo um dispositivo para controlar as fênix, que até então identifiquei 23, imagine todas essas pessoas poderosas sobre o meu controle? Conseguirei ter um novo reinado, você destruiu meu trono na Terra 69, mas o reerguerei no Novo Mundo.

Meus três amores vieram até mim, sentir suas mãos no meu ombro me deram coragem, mas ao olhar o medo nos olhos do Jacob, ela se esvaía.

—Em quanto esta seu medidor? –O velho perguntou.

—99%.

—Que prático! Ótimo! Façam alguma coisa e completem o medidor de uma vez.

Nos olhamos, todos parecíamos em dúvida. Eu não queria fazer sexo na frente do meu filho de 4 anos, mas sugeri algo mais ameno.

—Vamos nos beijar. Seria a primeira vez que beijaria vocês três ao mesmo tempo –Não houve nenhuma objeção e com cuidado nos aproximamos, fechamos os olhos e demos um beijo quádruplo.

Da última vez em que beijei o Henry e a Violet ao mesmo tempo foi na esperança de salvar o multiverso, mas nada aconteceu, só que agora que houve uma quarta parte envolvida as coisas foram diferentes. Algo pareceu acender dentro de mim, foi como um dos flashes do meu passado, só que dessa vez multiplicado por mil. Me vi usando a Chave Mestra pela primeira vez, usando um guarda-roupa para abrir um portal para Nárnia, vi a Susana, não como minha colega de classe, mas como Rainha de Nárnia, me vi num cruzeiro com dois Codys, não, era o Cody e seu irmão gêmeo, Zack e a London também estava lá. Me vi num castelo enorme ao lado de uma loira meio doidinha, Luna! De algum modo sabia que era daquele lugar que a Hermione tinha vindo. Me vi no mundo da Marvel rindo ao lado do Wicanno e seu namorado Hulkling, eles faziam parte de uma equipe e uma garota da minha sala pertencia a este lugar, a América, a Miss América! Uma profecia foi ditada pela oráculo! Eu estava no acampamento meio-sangue ao lado da Annabeth e do Percy. Milhares de cenas me vieram a mente, meu encontro com os deuses, minha visão com Afrodite numa limusine, minha ida à Ilha do Escorpião, minha aventura com os irmãos Winchester. Várias batalhas, transas, risos e lágrimas.

Me afastei dando vários passos para trás, lágrimas brotavam dos meus olhos como cachoeiras. Os outros três me olhavam confusos.

—Você esta bem, Dylan?

—Me-meu medidor chegou à 100% –Lhes disse.

—Ótimo! –Exclamou o Conde Olaf –Agora vá até a máquina.

Caminhei cambaleante, minha mente parecia uma sopa de letrinhas, só que com caracteres e hieróglifos de várias línguas. A cada passo era como se uma nova parte se encaixa-se. “Meu nome é Henry”, “Sou Violet”, “Sou Lucy, a deusa fênix”. Parei diante da máquina, no centro havia um tipo de leitor de digital, ligado por circuitos e fragmentos da Chave Mestra.

—É só colocar a mão e ligar a máquina, Senhor Smith.

—Só tem um probleminha, Senhor Olaf –Disse o encarando –Meu nome não é Smith e sim é Stark.

Dei um soco quebrando o painel fazendo voar os fragmentos da Chave pra todos os lados. Eu havia recuperado minha memória.

—Nããããão! –Ele gritou. Em seu desespero mirou a arma em minha direção e disparou até esvaziar o cartucho.

—DYLAN!!! –Gritaram Henry, Violet e Lucy.

Notas finais
Estou ansioso para ler seus comentários ♥