As Desventuras Sexuais de Dylan Stark

61 Capítulo 60 –Chuva de Estrelas –Novo Mundo


Notas iniciais
Preparem-se para a conclusão do arco Novo Mundo, peguem seus lenços por que vem lágrimas por aí e muitas surpresas no caminho.

Olá, eu sou Dylan Stark, isso mesmo Stark! Recuperei minha memória e voltei a ser cem por centro eu mesmo. Isso foi meio desconcertante, porque as memórias de minha vida falsa como Smith ainda estão aqui, minhas duas memórias se sobrepõem, mas sei diferir a verdade da ilusão. Muitas lembranças nunca aconteceram, entretanto o sentimento delas é real, posso ter passado apenas alguns meses ao lado do Henry, mas meu coração lhe tem amor de uma vida inteira.

Não tive muito tempo de pensar sobre isso, já que tinha o velho vilão cadeirante apontando um revolver para meu filho de um futuro possível. Andei até sua máquina, ele esperava que a usasse para selas este mundo para sempre, mas ao invés disso, divei dizendo:

—Só tem um probleminha, Senhor Olaf –Disse o encarando –Meu nome não é Smith e sim é Stark.

Dei um soco quebrando o painel fazendo voar os fragmentos da Chave pra todos os lados.

—Nããããão! –Ele gritou. Em seu desespero mirou a arma em minha direção e disparou até esvaziar o cartucho.

—DYLAN!!! –Gritaram Henry, Violet e Lucy.

Eu poderia estar no caminho de me tornar um deus, mas não tinha chegado lá ainda e uma saraivada de balas podia muito bem me matar. Só tive um milésimo de segundo para tomar aquela atitude. Houve uma enorme explosão, as balas foram inutilizadas pelo impacto. O impulso derrubou o velho da cadeira.

—AAAAAAAAA! –Gritei sentindo como se meu corpo estivesse se dissolvendo.

—O que é isso? –Perguntou Henry.

—O Dylan liberou a energia, ele explodiu o medidor! Agora não há mais volta, este mundo será desfeito –Explicou Violet.

Eu já tinha passado por aquilo antes, quando tentei salvar a Terra 69 com meu medidor completo, mas a explosão destruiu a máquina e a energia entrou em minhas células. Parte dos motivos de eu talvez me tornar um deus vem disso. Dessa vez foi diferente, porque não estava utilizando uma máquina, eu era o próprio catalizador.

Meu corpo criou um vórtice de pura energia que subiu destruindo parte do teto da biblioteca e prosseguiu até chegar ao céu. O impulso se expandiu por toda realidade. Usei minha habilidade de onipresença para observar a destruição do Novo Mundo. Senti um pesar no meu peito, eu tinha criado aquela realidade involuntariamente, mas tinha me apegado à ela de tal maneira que aquele lugar tinha se tornado meu lar e aquelas pessoas sequestradas de outros mundos, tinham se tornado minha família.

Quando alguém era tocado pelo impulso de energia, brilhava e era arrebatado para os céus, o mundo estava se desmanchando em uma chuva de estrelas cadentes invertida, tudo estava voltando para seu devido lugar. Vi nas expressões dos que eram levados que suas memórias estavam sendo apagadas.

O impacto chegou ao baile, a luz refletiu nos olhos de Annabeth e ela se tornou uma estrela cadente esquecendo seu curto relacionamento que teve com a Violet, retornando heterossexual para seu mundo de origem junto de seu amado Percy Jackson. Outro que foi arrastado junto com eles foi Nico di Angelo, que olhou pra trás vendo a face do seu suposto primo pela última vez. Davi di Angelo foi levado para a Terra 23, também conhecida como Mundo Real, Nathan seguiu para esta mesma realidade. Susana, London, Miss América, Cody e Hermione se tornaram luzes. Guil Stark e Peter Pan que eram os únicos ali que sabiam da verdade se abraçaram sabendo o que estava por vir. Era a hora da verdade, eles iriam para o mesmo mundo? Se separariam? Lembrariam que foram namorados?

—Eu te amo! –Gritou Guil vendo o mundo desaparecer à sua volta.

—Eu também te amo, Guil! –Gritou Peter.

—Será que vai doer? Será que vai ser como morrer?

—Pelo menos será uma morte muito linda e romântica –Ele conseguiu arrancar sorrisos e lágrimas de sua namorada mesmo naquele momento trágico –Morrer vai ser uma grande aventura.

Os dois se beijaram e se desmancharam em luz se tornando estrelas cadentes que tomaram caminhos totalmente opostos.

Caralho, tem um pouco de olho em minhas lágrimas. Não resisti ficar nessa dúvida e decidi seguir aquelas estrelas para ver seu destino final.

Guil despertou com a cara suada, com cabelos grudados na testa e na bochecha. Olhou confusa para seu quarto, como se não reconhecesse o lugar. Depois seu olhar recaiu sobre seu computador.

—Não acredito que peguei no sono no computador de novo.

Na tela estavam abertas duas abas, ambas do mesmo site, uma era de uma bate-papo com o usuário Augusto Snicket e outra um capítulo de uma história: “As Desventuras Sexuais de Dylan Stark — Capítulo 60 –Chuva de Estrelas –Novo Mundo”.

—Morrer vai ser uma grande aventura –Guil leu em voz alta –Onde eu estou com a cabeça? Agora me lembro, pedi pro Augusto Snicket me colocar na história. Não acredito que dormi no meio do capítulo!

Gente... Não vou nem tentar explicar ou entender o que foi isso, vamos apenas aos fatos. Guil voltou um pouco e releu.

—Eu e o Peter formamos um par incrível mesmo –Ela sorriu como uma leitora que gostou da história, no entanto sentiu uma dor que a fez levar a mão ao peito. Sem motivo aparente ela começou a chorar –O que há comigo? –Ela viu o rosto do Peter dizendo: “Eu também te amo, Guil” e então ela desmoronou a chorar –Essa história ficou muito realista. Como posso ser tão boba em chorar assim? Vou mandar uma mensagem agradecendo ao Augusto.

E assim Guil seguiu sua vida no Mundo Real, assim como Davi di Angelo e Nathan. Fui muito feliz em conhecê-los, espero que não tenha atrapalhado suas vidas os sequestrando momentaneamente de seus mundos. Lhes desejo toda a alegria e amor que possam encontrar e conquistar em suas vidas.

Segui outra estrela e vi Peter despertar de um cochilo tirado na grama na beirada de um lago. Aquele lugar era uma ilha, seria a do escorpião? Me surpreendi ao ver uma luzinha voando e cutucando a orelha do rapaz que desperta num salto, maior foi minha surpresa ao perceber que aquela luz era uma fada.

—Acorda dorminhoco!

—Sininho! –Repreendeu Peter –Eu estava tendo um sonho muito bom!

—Estava sonhando comigo? –Disse a pequena fada fazendo uma carinha sedutora.

—Não, eu... –Peter olhou para os céus e sorriu –Eu vivi uma aventura muito insana, conheci pessoas muito legais e uma garota incrível, sei que foi real.

—Peter, foi só um sonho! –Repreendeu a fada enciumada pela menção à uma garota incrível.

—E o que não é um sonho na Terra do Nunca? –Ele sorriu e correu até a beirada do lago, juntou as palmas das mãos e gritou com todas as forças –Nós vamos nos ver de novo um dia, Guil!

Ai meu coração! Voltei minha consciência para o Novo Mundo, ou melhor dizendo, para o que sobrou dele. Estava sobrevoando num pedaço da biblioteca, todo o resto já tinha desaparecido, diante de mim, estavam Henry, Violet, Lucy, Conde Olaf e Jacob.

—Papai –Ele havia sido solto e estava no braço da Lucy, ela o pôs no chão e ele correu até mim. Tê-lo em meus braços foi reconfortante, não pude conter as lágrimas.

—Você esta bem, Jacob?

—Estou sim, estava com muito medo, mas a mamãe disse para eu ser corajoso! Principalmente por que tudo isso não passa de um sonho e que logo vou acordar na minha cama –Olhei para a Lucy, ela tinha criado uma maneira de não traumatizar nosso filho –Eu te amo, papai –Meu coração quase saiu pela boca quando ele começou a desaparecer, desmanchando-se no ar.

—Jacob! –Eu havia destruído o Novo Mundo, aquele futuro que presenciei não existia mais, Jacob devia estar sendo apagado da realidade! –O que eu fiz?!

—Calma, Dylan! –Disse Lucy –Ele vai ficar bem –Jacob desapareceu e eu fiquei ali abraçando o nada –Pense comigo, existem infinitas realidades, tenho certeza de que existe alguma em que você escolheu salvar o Novo Mundo, neste lugar aquele futuro vai acontecer. Este não é o fim do Jacob e do Connor.

Abracei a Lucy, suas palavras foram muito reconfortantes.

—Como eu odeio vocês –Resmungou Conde Olaf, o que serviu para voltarmos a atenção pra ele.

—O que vamos fazer com ele? –Perguntou Henry.

—Dylan já me aleijou, vão querer me matar agora?

—O Conde Olaf do meu mundo natal era tão desprezível quanto você –Começou Violet indo em sua direção –Ele fez da minha vida um inferno perseguindo eu e meus irmãos, enquanto assassinava várias pessoas pelo caminho. Você seguiu o mesmo rumo, só que infinitamente pior, tentou matar todas as pessoas do multiverso!

—É... Dez anos de prisão domiciliar? –Sugeriu o velho.

—Que tal a eternidade no inferno? –Disse Lucy indo pro lado de Violet e lançando uma rajada de chamas no velho. Violet gritou e se virou, os gritos dele foram horríveis. Lucy o chutou pra fora do fragmento de realidade em que estávamos e vimos o velho se desmanchar em cinzas.

—Você matou ele! –Exclamou Violet chocada.

—Matei, afinal ele merecia coisa muito pior. Sou muito prática, não gosto de enrolação e nem de draminha.

As duas pareciam que iam se estranhar, quando de repente uma rachadura surge no ar entre as duas.

—O que é isso?

—É a fenda pela qual vim para o Novo Mundo! –Respondeu Violet –É a nossa saída, vamos!

No momento em que atravessamos o Novo Mundo deixou de existir para sempre. Como Violet havia relatado, estávamos num local todo branco, um vazio eterno.

—Dylan! –Um par de braços envolveu meu corpo num forte abraço –Vocês conseguiram!

—Bruno? –Aquele era melhor amigo da Terra 69, lembro que a Violet tinha o encontrado e deixado naquele lugar com a outra Chave Mestra, enquanto ele apenas assistia os acontecimentos do Novo Mundo.

—Não temos tempo a perder –Interrompeu Violet –Esse lugar logo também vai desaparecer. Temos que sair daqui agora.

—Para onde vamos? –Perguntou Lucy. Eu e Henry trocamos olhares.

—Para Storybroke –Ele disse fazendo meu coração doer. Era o momento que mais temia, ter que dizer adeus.

Bruno entregou a chave a Violet que abre um portal e todos atravessamos. O vazio foi preenchido pela luz do sol e o verde da floresta, estávamos diante de um poço. De lá podíamos ver a cidade e a enorme torre do relógio.

—Uau! Isso faz me lembrar da primeira vez que estive aqui –Olhei para Henry –Da vez que te conheci –A expressão dele não foi muito feliz.

—Tem algo errado comigo.

—O que? –Perguntei preocupado.

—Eu ainda não... Não lembro de nada. Li sobre esse lugar, mas as coisas ainda não são familiares.

—Isso foi por que não passamos pelo mesmo processo de arrebatamento que os outros –Explicou Violet –Tenho certeza que você vai se lembrar aos poucos.

—Engraçado, por que eu me lembrei de tudo –Comentou Lucy.

—Você foi uma deusa, seu organismo deve ser mais forte –Sugeriu Violet.

—Já que não se lembra, eu te levo até sua casa.

Henry gostou daquilo, os outros ficaram para trás me esperando, enquanto descemos de mãos dadas até a cidade.

—Estou tão nervoso e se o que Violet disse estiver só meio certo? E se conforme for me lembrando desse mundo esqueça minha vida no Novo Mundo? Esqueça de... De você.

—Isso não vai acontecer! –Agarrei seu rosto com as duas mãos –Qualquer coisa venho te visitar e te faço se lembrar na marra –Lhe dei um beijão quente e demorado, transbordando de emoção –Você esta proibido de me esquecer, mocinho narigudo.

—Oh, Dylan! Eu te amo! –Ficamos alguns instantes abraçados e depois seguimos de mãos dadas.

Meu coração estava à mil, o que eu devia dizer? Sério! Como eu consegui dizer adeus da última vez? Agora era diferente, quando vim à Storybroke e me apaixonei pelo Henry, passamos apenas uma semana juntos e eu nem tinha me tocado na época que tinha realmente o amado. Dessa vez vivemos uma vida inteira juntos, fomos melhores amigos de infância, choramos incontáveis vezes no ombro do outro, vivíamos sendo chamado de “namoradinhos” e foi o que viemos a nos tornar. O gosto do beijo dele ainda estava na minha boca. Eu conseguiria soltar sua mão quando chegasse a hora? Paramos do outro lado da rua do restaurante da vovó.

—Tenho certeza de que vai se lembrar de algo assim que entrar ali –Mal fechei a boca e a porta se abriu, Emma passou por ela.

—É a minha mãe!

—Tá vendo! Você se lembrou!

—Não Dylan. Ela era minha mãe no Novo Mundo também.

—Ah, sim. De todo modo, pode ir até ela.

Nos encaramos em silêncio, mas nossos olhos estavam carregados de sentimentos e lágrimas, nos abraçamos uma última vez. Soltamos as mãos e Henry seguiu para atravessar a rua. Foi como arrancar uma parte de mim, aquilo estava doendo muito.

Henry começou a erguer a mão para acenar para sua mãe, quando a porta do restaurante abre novamente nos deixando perplexos ao ver outro Henry correndo e abraçando a Emma.

—Que porra é essa?

Notas finais
O que acharam desse capítulo tão literalmente destruidor? rsrsrrs