As Desventuras Sexuais de Dylan Stark
55 Capítulo 54 –Batalha no Museu –Novo Mundo
Notas iniciais
Ir ao museu parece ser um programa bem pacato, a não ser quando ele é invadido por uma gangue de fênix negras que chegam tocando o terror com seus diferentes poderes de chamas. Minha turma se dispersou na multidão que corria para todas as direções para escapar as bolas explosivas de Lionel, dos zumbis de chamas de Luíza, enquanto Lucile teletransportava roubando vários artefatos de valor.
—Dylan! –Violet veio até mim –Temos que sair daqui! –Quase todos da nossa turma já tinham evacuado.
Ouvi uma voz masculina gritando à nossa direita, me virei e vi o Davi di Angelo caído no chão e um zumbi de chamas avançando em sua direção.
—Não!
Tudo aconteceu muito rápido, golpeei o vidro de proteção da adaga do cavaleiro de cristal e no segundo seguinte estava diante do Davi partindo o zumbi de chamas ao meio com minha reluzente espada de diamante.
—Dylan? –Ele perguntou surpreso.
A sensação de segurar aquela espada era extremamente familiar, o poder, a adrenalina, o modo de fazer a adaga expandir em sua forma de espada, tudo era intuitivo.
—Olha o que temos aqui –Disse Luíza a ventríloqua dos zumbis de chamas –Acho que esse roubo vai ser mais divertido que o normal.
Ótimo chamei atenção dos piromaníacos, mas por que eu estava sorrindo? Por que aquela situação de perigo estava me deixando tão excitado?
—Cai dentro vela de macumba! –E parti para batalha.
Ela não gostou muito do apelido carinhoso. Ela mandou quatro zumbis de chamas nos atacar, desviei de um abraço pra lá de caloroso do primeiro, arranquei o braço do segundo, fui atingido nas costas pelo terceiro, o que deixou minha camisa em chamas, me joguei no chão e bolei apagando o fogo, não do jeito bom que costumo fazer. Foi aí que o quarto se jogou sobre mim, arregalei os olhos em surpresa quando Davi se atirou contra a criatura dando um forte impacto com a lateral de seu corpo, estilo um jogador de futebol americano. O zumbi saiu voando e bolando pro lado. O garoto tirou rapidamente sua jaqueta em chamas e ficou bem sexy com uma camisa regata preta. Para de pensar em safadeza Dylan! Disse pra mim mesmo.
—Obrigado, você me salvou –Agradeci.
—Você me salvou primeiro –Ele respondeu sorrindo.
—Quem diria que seria preciso um ataque zumbi para conversarmos –Ele enrubesceu com meu comentário.
—Parem de papo e vamos! –Violet nos agarrou nos indicando para que lado correr.
—Acham que vão me desafiar e fugir dessa maneira? –Disse Luíza dando um soco no chão tocando fogo em tudo ao seu redor, as chamas assumiram formas humanas e duas dúzias desses zumbis nos cercaram.
—Ai droga! –Reclamou Violet. Ela pegou uma fita e amarrou seu cabelo, em seguida abriu sua mochila e tirou uma chave inglesa –Vamos ter que lutar.
Sorri ao vê-la se preparar para batalha, mas estávamos cercados e um golpe daquelas criaturas nos deixariam com queimaduras terríveis.
—Temos que abrir caminho por ali –Disse Davi indicando um caminho que levava para outra coleção, com sorte precisaríamos derrubar “apenas” seis zumbis.
—Não –Disse Violet –Vamos por ali –Ela disse apontando a chave inglesa na direção de Luíza que fez uma cara de curiosa.
—O quê?
—Não importa quantos zumbis derrotemos ela vai conjurar mais, temos que derrota-la. Já que não dá pra fugir o jeito é deter mesmo essa gangue.
Eu poderia beijá-la agora mesmo. Nunca tinha visto aquele lado dela, quando não estava sendo uma maníaca tentando me convencer de uma história insana, ele podia ser bem interessante. Luíza deu uma gargalhada.
—Morram!
Os zumbis avançaram e nós corremos em direção à Luíza. Parti um zumbi ao meio, desviei da investida de outro, girei nos calcanhares o golpeando pelas costas. Violet mirava na cabeça, ela desviava das investidas e golpeava com a chave inglesa na nuca das criaturas. Davi que estava desarmado, praticamente só podia desviar, mas isso estava cada vez mais difícil. Mais e mais zumbis estavam chegando mais perto, eles não precisam nem lutar, bastava nos abraçar e nos matariam.
Ouvi o grito da Violet e me virei assustado em sua direção, ela estava no chão, sua chave inglesa estava vermelha, acho que nem ela contava com isso, ao golpear as criaturas de chamas, sua arma de mecânico tinha esquentado ao ponto de ser impossível segurá-la. Uma criatura avançava em sua direção, tentei correr para ajuda-la, mas eu estava cercado.
—Violet! –Gritei.
—Sai de perto dela! –Gritou uma nova voz entrando no campo de batalha. Era ninguém menos que a cdf Annabeth. Ela se pôs entre Violet e a criatura, segurando um extintor. Uma rajada de pó químico literalmente apagou a ameaça.
—O quê?! –Gritou Luíza.
—Eu não tirei 10 em Segurança do Trabalho a toa! –Disse Annabeth usando extintor para derrotar mais dos inimigos.
—Genial! –Disse Violet se levantando –Obrigado por me salvar.
—Amigas são para essas coisas.
Nunca pensei que ia guardar a espada e sair correndo para pegar um extintor, felizmente o museu seguia todas as normas de segurança e tinha extintores espalhados por todos os lados. Eu, Violet e Davi avançamos com Annabeth todos armados como uma brigada de combate a incêndio. Os zumbis foram reduzidos à nada, cercamos Luíza e a cobrimos com espuma e pó químico.
—Não! Seus malditos! Me deixem em paz.
Violet pegou sua resfriada chave inglesa e golpeou a piromaníaca na cabeça que caiu desmaiada.
—Luíza! –Gritou Lionel –Saiam de perto dela.
Nos viramos segurando os extintores preparados para apagar mais um vilão, ele lança várias bolas de chamas quando íamos disparar houve uma explosão ao meu lado.
—Eu fico com isso –Lucile teletransportou diante de nós roubando nossos extintores e desaparecendo no ar.
Foi tão rápido e inesperado que não conseguimos impedi-la, as bolas explosivas do Lionel quase nos atingiram, desviamos por pouco, mas quando elas explodiram o impacto criado nos arremessou pra longe. Lucile continuou teletransportando levando todos os extintores pra fora.
—Cuide deles agora –Disse ela para Lionel –Continuarei a pegar os itens –Lucile sumiu em chamas e Lionel caminhou em nossa direção.
Me levantei sentindo dores musculares, agora sem extintores o jeito era voltar para o plano “A”, peguei a adaga do cavaleiro de cristal e a brandi fazendo-a se ampliar para a espada de cristal.
—Uma espada é inútil contra uma bomba –Disse ele conjurando uma bola de chamas em sua mão –Morram! –Ele arremessou-a em nossa direção.
—Todos atrás de mim! –Gritei.
Quando a bola de fogo estava quase para me atingir, golpeei-a cortando-a ao meio, as duas partes desviaram para o lado onde explodiram. Esse momento daria uma bela foto, eu no centro brandindo a espada e explosões acontecendo ao meu redor.
—O quê?! –Ele ficou surpreso.
Me lembrei das vezes em que Dylan Stark, quer dizer eu, usei os poderes da espada. Fiz um movimento vertical com a espada, o ar foi rasgado e uma lâmina cortante foi lançada em direção ao inimigo. Lionel se jogou pro lado desviando por pouco, depois olhou assustado para o dano do meu ataque, uma linha reta no chão de mármore e uma cratera na parede onde antes ele estava.
—Não posso brincar com você. Vou eliminá-lo.
Travamos uma batalha, ele arremessou inúmeras bolas explosivas, cortei algumas e desviei de outras, quando via uma abertura lançava lâminas cortante de ar. Ao nosso redor várias explosões e cortes aconteciam, em seguida nossos golpes se colidiram causando uma explosão seguida por uma cortina de fumaça e poeira.
Não conseguia ver nada, resolvi recuar, alguém segurou meu ombro, me virei erguendo a espada.
—Calma, sou eu!
—Violet?
A cortina de fumaça se dissipou e a gangue da fênix havia desaparecido. Davi e Annabeth se juntaram a nós.
—Vocês estão bem? –Perguntei.
—Pra falar a verdade, estou ótima, nunca fiquei tão excitada na minha vida –Confessou Annabeth –Toda essa adrenalina me fez me sentir tão viva!
Todos rimos de sua animação. Seguranças e policiais chegaram pra lá de atrasados, todos tivemos que dar depoimentos, que foram comprovados pelas filmagens. Tive que devolver a adaga, foi como se despedir de um amigo. Quando saímos do museu nos deparamos com ambulâncias e equipes de filmagens e foi assim que ficamos famosos, o quarteto de estudantes que derrotaram a gangue das fênix negras. Essa gangue é procurada por diversos crimes, mesmo tendo escapado essa foi a primeira vez que eles levaram uma surra.
As filmagens do museu vazaram e todo mundo tinha nossa batalha em seus celulares, o que nos deu nossos quinze minutos de fama.
—O Dylan estava tão sexy com aquela espada.
—A novata, Violet, nocauteando a Luíza foi incrível!
—Nunca imaginei que o Davi podia ser tão corajoso, se atirando desarmado contra zumbis de chamas.
—O que a Annabeth tem de inteligente, tem de corajosa.
Nos dias que se sucederam todos os olhos estavam na gente, Davi ficava o tempo todo enrubescido, todos falavam com ele e lhe davam tapinhas nas costas.
—Seu heroísmo estragou seu estilo gótico das trevas –Ouvi o Nico lhe repreendendo e depois rindo.
Annabeth passou a se sentar ao lado da Violet, eu estava as shippando mais do que nunca. Por toda semana seguinte não parei para pensar sobre universos e dimensões, em viagens por mundos, tão pouco por uma vida da qual não lembrava. Será que eu tinha mesmo que lembrar? Será que não podia deixar toda essa história de Dylan Stark e seguir como Smith?
Naquela manhã quando a porta da sala se abriu e o novo professor de história entrou, levei um susto. A cadeira de rodas parou e o velho nos encarou em silêncio.
—Sou seu novo professor de história, podem me chamar de Conde Olaf –Olhei boquiaberto para Violet que me lançou o mesmo olhar.
—Você é aquele guia do museu –Disse Annabeth.
—E você é aquela garota intrometida que não calava a boca –Disse ele carrancudo –Eu preso por disciplina e educação, então se não quiserem ter uma morte horrível, digo castigo, tratem de se comportar.
Aquilo devia ser só uma coincidência, nada com que se preocupar. Na aula de português voltamos a ouvir o barulho da cadeira de rodas e recebemos surpresos novamente o Conde Olaf.
—A professora Minerva pediu demissão essa manhã, então também serei seu professor de português.
Na aula de matemática:
—O professor Snape sofreu um acidente de carro e fraturou a coluna e o nariz, ficarei em seu lugar pelo resto do ano.
Na aula de música:
—O professor Will Shuester saiu do país por motivos desconhecidos e deixou uma carta dizendo o quanto gostaria que eu assumisse sua disciplina, por isso, eu, Conde Olaf, serei seu novo professor de música.
Logo todas as disciplinas estavam sendo ministradas pelo velho cadeirante com cara de vilão.
No intervalo fui para o terraço conversar com Violet, Henry, Guil e Peter.
—Tenho certeza que ele lembra –Disse Violet –Por qual outro motivo ele viria para cá?
—E esse sumiço de todos os nossos professores esta muito estranho –Disse Guil –Ele até esta sendo o professor de educação física! Sabem o quão bizarro é ter que nadar com aquele velho me encarando, e ele sempre fica com as mãos no bolso quando estou de maiô, deve ficar se masturbando aquele safado.
—Caso ele realmente se lembre, o que de ruim ele pode fazer? –Perguntei.
—Eu não sei, mas já tive problemas o suficiente com o Conde Olaf para baixar a guarda agora.
–Acho que devemos focar em completar meu medidor sexual –Sugeri inocentemente.
—Devo fingir estar chocada? –Debochou Violet –Mas você tem razão, confesso que negligenciei nossa missão nessa última semana.
—Podemos começar dando o tal beijo triplo –Sugeri.
—Deixa eu pegar meu celular pra filmar isso! –Disse Guil animada.
—Não nos filme! –Reclamou Henry enrubescendo.
—Por que não? Se der certo esse mundo vai desaparecer e todos nós vamos nos separar –Guil disse inicialmente como se aquilo não tivesse importância, mas o silêncio que gerou deixava nítido que todos ficaram pensativos.
Guil olhou para seu namorado, não fazia ideia se eram um casal em sua vida real, nem se quer se eram do mesmo mundo. Vi os olhos de ambos brilharem com lágrimas imaginando não estarem mais juntos.
O olhar que Henry me lançou me partiu o coração, todas as falsas lembranças me vieram a mente, nossas brincadeiras de criança, suas mães tirando sarro da gente, todas as manhãs que ele me acordou, todas as vezes que consolamos um ao outro. Nosso primeiro beijo, nossa primeira transa, todos os toques e sorrisos que vieram depois disso. Aquele beijo triplo poderia dar fim a tudo aquilo.
—Nós temos que –Violet parou no meio da frase, até ela estava relutante, devia estar pensando em sua atual grande amizade com a Annabeth. Ela suspirou e amarrou os cabelos com sua fita para pensar claramente –Se não fizermos isso todos os mundos podem ser destruídos, inclusive este. Não temos escolha, vamos fazer isso.
Engoli em seco, Henry e Violet deram um passo em minha direção. Um beijo triplo? Aquilo devia me deixar excitado! Então por que estou apavorado? Tudo que eu conhecia podia desaparecer com aquele simples beijo. Fechei os olhos e senti duas línguas invadirem minha boca, foi quente, excitante, senti algo acontecer, mas continuava com os olhos fechados. O que veria quando os abrisse?
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