As Desventuras Sexuais de Dylan Stark
62 Capítulo 61 –No Bar Bang Bang –Terra 69
Notas iniciais
—Eu entendi o que aconteceu –Disse Violet quando eu e o Henry nos juntamos à ela, Lucy e Bruno perto do poço nos arredores de Storybroke.
—Pois me explica, porque não entendo como podem haver dois de mim? –Perguntou Henry aflito.
—Bem, quando encontrei o Bruno, antes de ir para o Novo Mundo, pensei que haviam duas maneiras que ele poderia ter sido construído, a mais perigosa seria se as pessoas tivessem sido sequestradas de outros mundos. Esta se revelou o que de fato aconteceu, mas talvez a segunda opção possa ter acontecido com você.
Violet tinha me contado sobre seu encontro com o Bruno e sobre suas teorias a respeito da criação do Novo Mundo, eu me lembrava perfeitamente e olhei boquiaberto para o Henry.
—Você não é o Henry desse mundo –Eu lhe disse.
—E de que mundo eu sou? –Ele perguntou aflito e não consegui responder, Violet pegou a pergunta.
—Sinto muito, mas tecnicamente você não é de nenhum mundo. Você é uma cópia do Henry daqui criado a partir das lembranças do Dylan.
Todos ficaram em silêncio, aquela era uma dura revelação. O Henry ficou boquiaberto, seus olhos lacrimejaram, quase podia ver a dor crescer dentro dele. Ele devia estar remoendo aquela informação, estar duvidando de sua própria existência.
—Então por isso não tenho lembranças desse mundo, eu não sou daqui, toda minha vida era a que vivi no Novo Mundo e agora ele não existe mais –Eu o abracei.
—Vai ficar tudo bem, Henry –Lhe disse por falta de palavras melhores.
—O Novo Mundo só existiu por poucos meses, isso significa que... Minha vida é uma ilusão, que não passo de um... –Puxei sua cabeça e lhe beijei intensamente até deixa-lo sem palavras.
—Não chame sua vida de ilusão, me toque, eu estou aqui com você, eu sou real, você é real, quando duvidar disso, pense em nosso amor. Nada é mais verdadeiro que o amor.
Ele me abraçou apertado e chorou no meu peito, ficamos assim por um tempo até que senti seu corpo parar de tremer. Ele se afastou, enxugou as lágrimas e sorriu.
—Não preciso sentir falta desde mundo, já que nunca estive aqui antes e nem tenho lembranças para recordar. Pelo menos isso tem um lado positivo, agora posso ir com você sem precisar olhar para trás.
—Esse é o espirito! –Exclamou Lucy –Bem vindo a equipe dos viajantes! –Gostei dela tentando anima-lo, ele deu um sorriso abatido.
—Então acho melhor irmos andando –Disse Violet –Terra 69 aí vamos nós.
Enquanto ela abria um portal, meu coração ficou aflito, o que iriamos encontrar? Um planeta devastado por uma explosão? Talvez tudo estivesse bem como antes ou os Vírus sapiens tinham destruído tudo e todos? Só havia um jeito de descobrir. Atravessamos o portal indo mais uma vez para meu mundo natal.
Abri um enorme sorriso ao ver que não estava num deserto e sim numa cidade. Estávamos enfrente a prefeitura, onde a grande batalha tinha acontecido, me lembrei do ataque dos monstros, de lutar ao lado da Lucy e do Bruno, de confrontar o Conde Olaf, do livro dos mortos queimando, da minha chave sendo destruída e da luz desfazendo meu mundo e dando origem ao Novo Mundo.
De volta a Terra 69, a prefeitura era um monte de escombros, era como se a explosão não tivesse destruído o mundo, só a prefeitura, mesmo aquele sendo o prédio mais importante da cidade, fiquei muito feliz pelo dano ter sido mínimo.
—Pessoal, eu vou até minha casa –Disse Bruno –Sinto falta da minha família, depois vejo vocês –Ele se despediu de nós e partiu.
—Pra onde vamos agora? –Perguntou Lucy e antes que pudéssemos responder fomos surpreendidos por uma explosão no ar. Recuamos alertas e assustados, quando vimos outra Lucy surgir diante de nós, me dei conta de quem era.
—Lucile Fire –Ela estava exatamente igual a antes, usava os cabelos amarrados num rabo de cavalo, tinha uma expressão dura, usava um macacão com uma fênix bordada e óculos de aviador na testa. Só que dessa vez seus olhos não faiscavam ameaçadores e sim brilhavam de alegria.
—Dylan Stark! –Ela me abraçou apertado –Você conseguiu! Salvou todo mundo!
—É... Obrigado –Desfizemos o abraço –Mas onde esta todo mundo?
—Na festa de comemoração, segurem-se em mim, levo vocês até lá –Seguimos seu pedido e desaparecemos em chamas, o mundo parecia um rio de fogo, quando de repente me vi numa rua tão lotada e barulhenta que parecia Carnaval.
As pessoas dançavam, cantavam e bebiam animadas, aquilo me fez sorrir, meu mundo estava bem. Aquilo foi como tirar um peso das minhas costas, eu estava me sentindo muito culpado por ao invés de salvar, ter destruído meu mundo.
—Sua família esta no Bang Bang –Ela se referia à um famoso bar de nossa cidade que era construído no estilo do velho Oeste.
Atravessamos as portinhas duplas e adentramos no enorme bar todo de madeira, pensei que passaríamos despercebidos, mas quando nos viram, todos pararam, inclusive a banda.
—É ele?
—É o Dylan Stark!
—Meu Deus! Dylan Stark!
Minha surpresa foi enorme ao ver todas aquelas pessoas se ajoelharem diante de mim.
—Que isso gente? Não precisam se ajoelhar.
—Você salvou o mundo, merece ser honrado! –Exclamou Lucile.
—Filho! –Meus país correram até mim. Dessa vez eles não mais pareciam zumbis sem sentimentos, me deram abraços e beijos calorosos –Sentimos tanto sua falta. Venha vamos nos sentar.
Fomos até uma mesa, Violet, Lucy e Henry estavam muito quietos, o que não era do seu feitio, me sentei ao lado de meus pais e Lucile, mas havia mais uma pessoa a mesa. Quando olhei para aquela mulher me arrepiei dos pés a cabeça. Ela era negra, seus cabelos eram dred, usava um deslumbrante vestido e joias reluzentes, no entanto o que mais me chamava atenção era seu olhar, olhos castanhos claros, mas com um brilho avermelhado muito familiar, aquilo era fogo!
—Prazer em conhecê-lo, Dylan Stark –Sua voz era música aos meus ouvidos, era como se sua beleza me hipnotizasse.
Abri a boca para responder perguntando seu nome, mas fui interrompido quando as portas duplas foram mais uma vez abertas. Dois homens músculos e sem camisa e usando calça de couro escancararam as portas de forma teatral abrindo alas para uma terceira pessoa. Aquele ser tinha uma aura feminina, mas era um homem careca, usava brincos enormes de ouro que iam até a linha do tórax, usava um deslumbrante vestido e um casaco de pele de onça. Ele fumava um cigarro de modo elegante e a fumaça magicamente tinha a forma de um enorme coração.
—Ele sempre tem que fazer entradas escandalosas! Não podia fazer como eu e simplesmente pedir um bebida? –Resmungou a negra.
—Tomas, vá pegar pra mim um Martine.
—Às suas ordens, senhora –Um dos homens sem camisa correu até o bar.
O careca divoso deu a mão ao outro cara sem camisa e veio rebolando em nossa direção. Mesmo ele sendo o centro das atenções, meu olhar recaiu sobre o cara sem camisa, Lucy fez o mesmo e exclamamos juntos:
—Derek? –Ele era o Derek que conhecemos no universo de Teen Wolf.
—Sinto muito, mas devem estar me confundindo com outra pessoa, me chamo David.
—Outra versão –Dissemos mais uma vez ao mesmo tempo. Voltamos nossa atenção para o careca.
—Prazer em conhecê-lo, Dylan Stark –Ele estendeu a mão para que eu a beija-se, meio desconcertado o fiz, observei um anel em formato de coração –Afasta pra lá, querido! –Ele disse empurrando meu pai e sentando ao meu lado –O filho é seu, mas temos assuntos a tratar.
—Quem é você?
—Que falta de educação a minha –O outro cara sem camisa lhe entregou o Martine –Obrigado, Tomas –Ele deu um selinho no cara e se voltou pra mim –Meu nome é original é Francisco, mas pode me chamar de Luz Escarlate! E vejo que já conheceu a Erzulie –Ele se dirigiu à negra –Pensei que tivéssemos combinado de falarmos com ele, os cinco de uma vez.
—Engraçado, pensei a mesma coisa, mas acabo de te ver fazendo uma entrada escandalosa e se apresentando à ele sem esperar por ninguém.
—Esse é o meu charme querida, Luz Escarlate não espera por ninguém, eu faço acontecer.
—Erzulie? –Perguntou Violet –Espera um pouco, eu li sobre você! Dylan! Ela é... –Todos levamos um susto, principalmente a Violet, quando uma cobra enroscou-se em volta de sua cabeça tapando a sua boca.
—Deixe de ser estraga surpresas, garota –Os olhos de Erzulie brilhavam brancos.
—Mas é uma macumbeira mesmo! –Exclamou Luz Escarlate.
—Não me chame assim, Traveco!
—Como ousa?! –Os olhos dele brilharam cor de rosa e eu me dei conta do que eles eram.
—Vocês são deuses! –Erzulie revirou os olhos e moveu os dedos fazendo a cobra desaparecer e Violet poder respirar. Ela cuspiu e bebeu a primeira coisa que entrou sobre a mesa.
—Ela é Erzulie, deusa africana do amor!
—Já que a apresentou, pode me apresentar também –Disse Luz Escarlate bebendo um gole de Martine.
—Desculpe, eu nunca li nada a seu respeito –A negra gargalhou e o careca fechou a cara.
—Agora sim gostei dessa garota.
—Ela é Luz Escarlate, deusa dos amores controversos, diva da noite, rainha da discoteca de Ambrosia, ela é ele e ele é ela, o homem e a mulher, o doce e o salgado, o amor e a dor, a salvadora dos corações partidos –Anunciou Tomas em plenos pulmões. Ele era loiro, tinha rosto sério e quadrado, mal tinha pelos e pelo jeito respeitava e admirava muito o careca.
—Obrigado, Tomas. Aprenda mais com ele, David –A outra versão do Derek rosnou e eu podia jurar que ele também devia ser um lobisomem.
—Desculpe interrompê-los, mas o que querem de mim?
—Devemos esperar os outros três chegarem –Disse Erzulie.
—Luz Escarlate não espera ninguém! Vamos começar –O careca se levantou –Primeiramente preciso disso aqui –Algo reluzente saiu voando do bolso da Violet.
—A Chave Mestra!
—Achou mesmo que depois de vocês quase destruírem todo o multiverso iriamos deixa-los continuar com essa criação perigosa? –Eu e meus amigos nos levantamos alertas.
—Preciso disso para voltar pra casa! –Gritou Violet.
—Isso o quê? Cinzas? –A chave entrou em combustão nas mãos do careca e se reduziu à cinzas.
Meu coração pareceu parar, as pernas da Violet fraquejaram, Lucy e Henry tiveram que segura-la para que não caísse.
—O que você fez?! –Gritei.
—Seus dias como viajante dos mundos acabaram. Fique feliz por apenas a chave ter que ser destruída, muitos dos deuses votaram em obliterar todos vocês. Por sorte não foram a maioria.
—Dylan Stark, estamos aqui para consertar as coisas –Disse Erzulie –A Terra 69 ainda corre risco de ser destruída e mais um vez só você pode salvá-la.
Universo por favor vá tomar no seu cu! Não tem nem meia hora que estou de volta ao meu mundo e já recebo a notícia que ele ainda pode ser destruído? Será que a Terra 69 esta numa sina destinada a ser destruída de uma maneira ou de outra?
Todos no bar estavam assustados e começaram a espalhar a notícia, o mundo ainda corria perigo.
—Deixem-me adivinhar –Disse Violet se recompondo e falando com muita raiva –O Dylan vai ter que transar pra juntar energia sexual e blá blá blá.
—Menina pra que todo esse recalque? –Perguntou Luz Escarlate fazendo cara de chocada.
—Sempre é a mesma coisa! Ele sempre... –Ela me olhou com raiva e depois virou a cara. Erzulie gargalhou.
—Adoro isso. Dylan, você vai transar sim, e muito, mas esqueça essa história de energia sexual, você vai transar por que seu corpo precisa disso. Eu posso sentir sua necessidade crescendo, seus poderes vão surgir e aumentar cada vez mais, até que o momento de sua grande decisão chegue.
—Do que estão falando?
—Vamos esperar que outros cheguem! –Ela lançou um olhar furtivo para o outro deus.
—Ok, sua chata. Aproveite o dia, Dylan, amanhã começaremos.
—Começaremos o quê?
Os dois deuses saíram do bar, junto com os caras sem camisa, deixando todo mundo chocado e preocupado para trás.
—Eles destruíram a chave! –Disse Violet.
—O mundo ainda pode acabar –Disse Lucile.
—Só eu que fiquei com vontade de transar com os assistentes da Luz Escarlate? –Perguntou Lucy.
—Não foi só você –Cochichei pra ela.
Ela sempre conseguia me arrancar um sorriso, mas ainda assim eu estava muito preocupado. Dois deuses tinham me abordado e feito declarações perigosas, e falaram que iam esperar os outros três chegarem, arrisco dizer que tem mais três deuses à caminho. E que história era aquela de escolha? O que eu tinha que escolher? Há poucas horas tinha tomado a decisão mais difícil da minha vida, salvar ou destruir o Novo Mundo, nem me recuperei disso e já querem que eu faça outra escolha difícil? Dá um tempo!
Eu precisava descansar, enquanto a notícia dos deuses se espalhava, fui pra casa com meus pais e meus amigos, chegando lá encontrei minhas irmãs, as gêmeas voltaram a ser animadas como antes, me abraçaram com força e cumprimentaram meus amigos. Fui tomar banho, o Henry dormiria comigo no meu quarto e Lucy e Violet dividiram o quarto de hospedes.
Antes do jantar me deitei na minha cama e relaxei, Henry se deitou ao meu lado.
—Você esta bem?
—Estou, só preciso desacelerar. As coisas estão acontecendo muito rápido.
—Diz isso pro cara que descobriu que é só uma cópia de outra pessoa.
—Você não é uma cópia –Coloquei minha cabeça no ombro dele –Você é o meu Henry.
Lhe dei um beijo e foi como se todos os problemas sumissem, de repente um fogo me subiu, senti meus olhos queimarem, agarrei o Henry com força e o beijei de forma intensa, nossos corpos se prensaram, minhas mãos deslizaram aperando sua bunda.
—Dylan, a casa esta cheia.
—Estou morrendo de vontade de te comer.
—Dylan, seus olhos estão brilhando.
Me olhei no espelho e vi meus olhos vermelhos brilhantes, estão lembrei do brilhos dos olhos de Luz Escarlate e Erzulie. “Num futuro possível você pode se tornar um deus”. A frase de Afrodite me veio a mente.
—Talvez seja essa minha escolha –Meus olhos pararam de brilhar e me virei para o Henry –Talvez eu deva escolher se quero continuar humano ou me tornar um deus –Aquela frase parecia muito irreal quando saía da minha boca.
—Dylan –Chamou uma das minhas irmãs batendo na porta –O jantar esta pronto, estamos esperando vocês.
Me sentei à mesa e aquela parecia mais uma cena irreal, Henry, Lucy e Violet jantando com meus pais e minhas irmãs? Quando imaginei aquilo acontecendo?
—Como vou voltar pra casa sem a chave? –Disse Violet do nada.
—Não se preocupe, vamos dar um jeito –Tentei lhe confortar segurando sua mão.
—Esse não é um assunto à se abordar na hora do jantar –Disse minha mãe me servindo um copo de suco. Violet olhou confusa para ela. Droga, depois de tudo isso, meus pais ainda agiam de forma conservadora.
—Depois que resolver seus problemas com os deuses, filho, você já pensou sobre aquele assunto? –Perguntou meu pai.
—Aquele assunto? Que assunto? –Não fazia ideia do que ele estava falando.
—Sobre estudar ciência dos cristais –No meu mundo aquele era o curso universitário mais concorrido, usávamos cristais numa junção de ciência e magia para diversos fins, inclusive médicos. Faculdade. Eu quase destruí o multiverso e meu pai vem com o papo de faculdade?
—Já fazem quase dois anos que sai numa jornada pra transar pelos mundos, o senhor acha que eu se quer lembrava desse assunto? –Meus pais soltaram uma exclamação de surpresa e minhas irmãs taparam os ouvidos.
—Não falamos palavrão aqui em casa, querido –Me repreendeu minha mãe.
—Palavrão?
—Não vamos falar sobre fazer amor na frente das crianças.
Eles estavam me repreendendo por eu ter usado a palavras “transar”? Por que estou tão surpreso? Sempre foi assim no meu mundo. Mas não precisava ser, da última vez que estive na Terra 69 tinha me decidido em não apenas salvá-la, mas também liberta-la desse sistema conservador e preconceituoso.
—Vamos deixar esse assunto pra depois então –Disse meu pai ainda se referindo a faculdade. Revirei os olhos e peguei o copo de suco –Na verdade tenho uma pergunta meio inconveniente... Qual das duas é a sua namorada?
Me engasguei e cuspi metade do suco na mesa. Minha mãe correu e pegou um pano pra limpar.
—Eu acho que é a Lucy, ela veio com ele da última vez –Comentou um das minhas irmãs.
Olhei para Lucy, depois para a Violet e por fim para o Henry.
—E então filho, qual das duas é sua namorada? –Meu pai repetiu a pergunta inconveniente.
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