As Crônicas dos Semideuses: The Lost Mermaid
3 Capítulo III - Pegando uma carona ao pôr do sol
Notas iniciais
Maria Beatriz POV's
Sra. M e Quíron estavam falando coisas sobre a missão, coisas como a importância da missão, para onde nós iríamos, os cuidados necessários para com a missão, o que esperar quando encontrarmos a sereia… Felizmente, eu já havia sido avisada por Ártemis. Por fim, a profecia. Ah sim, isso me interessava, ainda não sabíamos dela, nem minha senhora sabia. Quíron disse para só abrirmos após começarmos a missão.
Meu nome é Maria Beatriz, sou uma caçadora, uma fiel seguidora de Artémis. Minha senhora mandou-me aqui para essa missão, e isso me significa muito, pois finalmente tenho a confiança, não só de Artémis, mas sim de todas as caçadoras, minhas irmãs. Não posso decepcioná-las, por isso vou dar o meu melhor.... Certo? A verdade é que eu não fui em muitas missões sozinha.... Na verdade, acho que essa é uma das primeiras.... Ta bom, é a primeira. Só que eu tenho muita experiência adquirida nesse tempo que eu treinei com Artémis, então vai ficar tudo bem... Eu espero.
– Eu espero que tenham entendido afinal. – Sra. M olhou-nos de maneira cruel – Terei que repetir?
Todos hesitaram, mas por fim, uma garota de cabelos castanhos, cujo o nome eu desconheço, levantou a mão de maneira destemida, algo que eu achava impossível de se fazer sobre o olhar da Sra. M.
– Desculpe interrompê-la Sra. M, mas creio que ainda não disse meu grupo.... Ou para onde vamos... – Sra. M agora tinha um sorriso mais amigável, ela abriu a boca, porém ouvimos uma explosão e um grito. Ele estava carregado de ódio e tudo que se entendeu foi: “Gyane!”
O sorriso da Sra. M desapareceu e ela saiu trotando para o portão resmungando algo que eu entendi como “Maldito filho de Hermes, um bom tempo pendurado de cabeça para baixo daria um jeito nele”.
– Quíron dará mais detalhes sobre isso, espero que quando eu volte vocês já tenham escolhido o líder, se não.... Digamos que vocês terão um pequeno imprevisto e se juntaram a Gyane em sua punição – ela deu mais um sorriso – Volto em três minutos.
E assim ela se foi, nos deixando para trás com cara de tacho.
– Desculpem por isso, mas vocês sabem como ela é.... – ele deu um sorriso – Porém em uma coisa ela tem razão. Escolham os lideres logo, quanto mais rápido, melhor. Os grupos são os seguintes: Jean, você, Safira e um campista romano vão para o pântano, atualmente ele se encontra na Flórida e é chamado de Pântano do Ogro, ele é chamado assim pelos barulhos que as pessoas escutavam quando passavam por lá, enfim, você vão procurar a primeira chave. Darei mais detalhes depois. Jéssica, Douglas e Ivana, vocês vão para o Mundo Inferior, a chave está oculta....Vocês vão entender quando chegarem lá, mas foi por isso que coloquei vocês, Jéssica e Douglas. Nenhum vivo entra lá, mas vocês são filhos de Hades, creio que darão um jeito. Kimberly, Adriano e Maria, vocês vão para a Montanha do Desespero, que atualmente se encontra no Monte Tamalpais, na Califórnia. Tentem evitar Atlas, ele pode ser bem esperto. – Quíron terminou e sorriu – Acho que é só isso. Jean, você é o único do seu grupo aqui no momento, me acompanhe por favor. – e lá se foram os dois pelo portão.
Todos se olharam e um clima tenso se instalou.
– Certo, vamos resolver isso logo – disse um garoto de cabelos negros e olhos castanho avermelhados.
Então eu fui para um lado, ele para o outro e os grupos se dividiram, agora eu me encontrava de frente para a loira que se parecia com a Winry Rockbell, uma personagem de um anime, só que com cabelo cacheado e olhos azuis, que se chamava Kimberly “Nota para mim: Não confundir os nomes”, e para o garoto com cabelo preto chamado Adriano. Ficamos em um silêncio desconfortável durante um momento até que Kimberly falou.
– Oi – ela disse sorrindo pra mim. Dei um pequeno aceno em resposta:
– Bom dia
E tudo voltou ao silêncio.
– Então... Que que vai ser? – agora foi a vez de Adriano se pronunciar. Lancei-lhe um olhar frio, mas ele me ignorou – Rola um par ou ímpar?
Se fosse possível, uma veia saltaria da minha testa.
– Não, seu tapado, temos que decidir isso de maneira séria! – ok, eu admito, quase gritei. Mas sério, par ou ímpar? Ele só deve estar... Espera, isso eu que vi foi um brilho no céu? Não... Deve ser só imaginação...
– Eu voto em você – disse Kimberly olhando pra mim. Adriano sorriu e acenou com a cabeça freneticamente. Eu arregalei os olhos.
– Por quê? – Nani?* (N/A: Quando tiver esse caractere, significa que no final do capítulo vai ter a tradução da palavra) Eles me querem como líder?! Kimberly sorriu.
– Você é uma caçadora não é? Vamos para as Montanhas, então é a mais capacitada para isso! – ela abriu um pouco mais o sorriso – Além disso, eu gostei de você, você parece legal – senti meu rosto esquentar
– Obrigada – sussurrei.
Ouvimos sons de cascos e Sra. M apareceu no portão e todos nós ficamos lado a lado, quase como uma fila no exército. Ela pareceu feliz com isso.
– Vamos, quem são os líderes?
Douglas deu um passo a frente, segui o exemplo e fiz o mesmo.
– E cade o outro? – ela perguntou com uma sobrancelha levantada.
– Quíron o levou, ele disse que tinha assuntos para tratar. – falei
Sra. M sorriu e olhou para o céu.
– É, o campista romano está chegando. Quem quer ir buscar Safira? – Kimberly levantou a mão animadamente. – Certo, vá buscá-la.
E assim saiu Kimberly, saltitando para o chalé de uma tal de Safira. Sra. M sorriu para mim e eu retribuí. Ela fez um sinal com a cabeça e eu a segui.
Começamos a andar pelo acampamento até chegarmos no chalé das caçadoras, como só eu estava no acampamento, só tinham as minhas coisas. Sra. M entrou no chalé, eu a segui, entrei, fechei a porta do chalé e sentei na cama. Sra. M ficou andando de um lado para o outro.
– Você sabe como vocês vão, certo? – assenti com a cabeça – Ártemis não viu nenhum problema?
– Ela disse algo sobre um tipo de punição caso ele tentasse algo. – Sra. M sorriu de maneira malvada.
– Não me leve a mal, mas estou quase torcendo para isso. Porém eu espero que ele não apronte nada… Ainda faltam algumas horas, mas sugiro que comece a arrumar suas coisas.
Sorri e assenti. Ela saiu do meu quarto e eu me pus a arrumar as coisas. Meu arco nunca saía das minhas costas, então não precisava me preocupar com isso. Terminei a bolsa, a botei em cima da cama e sentei na mesma. Olhei para o céu pela janela e vi que deviam faltar umas 2 horas até o pôr do sol, hora em que iríamos partir. Decidi ir pro Arco e Flecha do acampamento, afinal, é sempre bom praticar.
Saí do chalé e fui pra lá. Haviam alguns campistas ali, incluindo a própria Kimberly. Me aproximei dela, puxei meu arco e uma flecha e acertei o alvo que ela estava mirando. Ela se voltou pra mim como se fosse me dar uma bronca, mas quando me viu, ela sorriu desafiadoramente. Ela se virou, mirou novamente no alvo e soltou a flecha, que atravessou a minha flecha e se cravou, literalmente, na madeira. E ficamos assim, na brincadeira silenciosa de competição até eu perceber que sol estava baixo demais.
– Acho que está na hora de irmos. Vamos nos encontrar perto do lago, vou avisar o Adriano.
Me virei e sai andando pelo acampamento procurando o Adriano, cheguei a perguntar se alguém tinha visto ele. Quase andei o acampamento todo, desisti. Enfim, voltei para o chalé de Artémis e vi ele sentado nos primeiros degraus frontais.
– Demorou hein – reclamou ele emburrado.
Novamente, uma veia poderia saltar da minha testa. Passei um tempão procurando essa desgraça e ele ainda reclama, vê se pode.
– Eu queria avisar que...
– Vamos nos encontrar perto do lago, eu sei, eu sei. – ele me interrompeu.
Segurei minha vontade súbita de gritar.
– Então por que está aqui?
– Porque você queria falar comigo oras! – ele falou como se fosse algo óbvio.
– Mas se você sabia o que eu queria falar com você, porque você não foi se arrumar? – coloquei a mão no rosto e massageei as têmporas. Por isso eu não gosto de ir em missão com homens.
– Porque você ia reclamar.
Eu levantei meu olhar e o encarei de maneira ameaçadora.
– Vai se arrumar. Agora! – falei com clareza e percebi que a minha voz estava tão ameaçadora que até eu fiquei com medo dela. Ele arregalou os olhos e saiu quase que correndo dali. Depois desse pequeno encontro, eu entrei no chalé e fui tomar uma ducha, sempre observando a hora. Em quinze minutos eu já estava limpa e vestida. Peguei minhas coisas, vulgo uma sacola, e me dirigi até o lago. Chegando lá eu sentei a beira dele e fiquei esperando os outros chegarem. Fiquei olhando o lago até que uma voz me chamou.
– Olá doçura, você é minha passageira? – olhei para o lado e quase fiquei cega.
Apolo estava ali, loiro, sorrindo para mim como se estivesse em um comercial de pasta de dente, me jogando uma cantada. A maioria das mulheres e/ou garotas já teriam se derretido só por isso, mas não eu, eu sou uma caçadora, desprendi-me dos homens há tempos, portanto isso não me afetou. Apolo era, para mim, a personificação de tudo (Ou quase tudo) que eu e minha mãe odiávamos, um galinha. E o pior de tudo, ele era um deus, então, mesmo não gostando, eu deveria ser ao menos educada. Forcei um sorriso e falei.
– Não só eu senh-
– Só Apolo, não precisamos dessas formalidades não é? – pronto, ele conseguiu me irritar, fechei minha cara e quase rosnei.
Ele sorriu mais e eu emburrei ainda mais a cara, se é que um dos dois era possível. Eu sabia que ele sabia que eu era uma caçadora e ele também sabia disso, então por que ele insiste? “Lembre-se, Apolo gosta de brincar com as mulheres, principalmente se forem caçadoras, não dê nenhuma brecha, ou ele pode e vai se aproveitar.” As palavras de Ártemis vieram como um furacão em minha mente e eu finalmente me dei conta de com quem eu estava lidando. Era só manter a calma e não dar nenhuma brecha para isso. Me levantei e respondi:
– Minha senhora prefere que eu mantenha essa formalidade entre nós, então assim será.
– Mas ela não precisa saber de tudo que você faz – me segurei para não mandá-lo pastar junto com as vacas dele.
– Sim, ela precisa. – falei com a voz firme – Eu sou completa e unicamente devota a Ártemis. – terminei o assunto esperando que ele demonstrasse que havia entendido. Mas ele apenas me encarou sorrindo.
– Você é interessante, caçadora. – lancei-lhe um olhar frio, mas isso não o afetou. Se eu tiver que ficar mais um segundo sozinha com ele, eu juro que…
– Pai! – Kimberly e Adriano chegaram e ela veio correndo até nós.
E então eles começaram a falar um monte de coisas como: “Nossa você cresceu!” ou “Senti tanto a sua falta!” e várias outras coisas sobre as quais não me importo. E conversa vai, conversa vem, o tempo passava e eu ficava preocupada.
– Certo, está na hora de ir, venham. – Apolo fez um sinal para que seguíssemos ele. Andamos até chegarmos em um carro. Não sei identificar muito bem esses carros de hoje, mas ele era, no mínimo, sofisticado… E brilhante, muito brilhante mesmo – Então, quem quer dar uma volta?
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