As Crônicas do Mundo das Sombras
1 Meu Alexander
Notas iniciais
Alec encarou a aliança em seu anelar esquerdo. O brilho fraco dos raios de um sol ainda nascente refletia no ouro. Ele não podia evitar girá-la no dedo, uma mania que fazia com que Magnus zombasse dele.
Ainda era estranho pensar em si mesmo como marido de Magnus. Algo que, a alguns anos, lhe pareceria impossível de acontecer, aconteceu. Casou-se oficialmente com Magnus Bane, o excêntrico Alto Feiticeiro do Brooklyn.
Foi na fazenda de Luke e Jocelyn, o sol brilhava no céu azul com nuvenzinhas brancas. Era o dia perfeito para o casamento. E tudo em que Alec podia pensar, enquanto se arrumava, é que seria horrível vomitar na frente de todos aqueles convidados.
Izzy estava lá, o tranquilizando, assim como Jace, que estava desgrenhado, os cabelos loiros bagunçados e diversão refletindo nos olhos dourados. Clary, com os cabelos ruivos em uma massa de cachos revoltados, usando um vestido simples e Simon, com um sorrisinho torto no rosto, parecendo se divertir com a expressão desesperada de Alec.
– Alec, se Magnus fosse decidir abandoná-lo ele o teria feito a muito tempo! – exclamou Izzy, parecendo prestes a perder a paciência.
– Izzy tem razão – murmurou Jace. – Seria bem mais simples, evitaria todo um drama e um exército de shadowhunters indo atrás dele querendo sangue.
– Se bem que Magnus parece gostar de um drama... – sussurrou Simon.
Alec arregalou os olhos. Clary acotovelou Simon nas costelas, com um olhar de repreensão.
– Não escute o Simon – avisou Izzy. – São os efeitos colaterais das primeiras runas.
– Haha, engraçadinha. – Simon fez uma careta, mostrando a língua para a namorada.
Alec ainda achava estranho ver Simon com runas pelo corpo, quase tão estranho quanto, a algum tempo atrás, seria vê-lo agarrando sua irmã. Mas, depois de vários flagras Alec só podia se conformar.
– Não estou preocupado com Magnus me abandonando – disse, por fim. – É só que... Vocês já viram quantas pessoas foram convidadas?
– Você sempre soube que Magnus dá festas incríveis. E festas incríveis precisam de bastante convidados – falou Jace, desfazendo-se da gravata.
Alec não pôde evitar: suas mãos foram automaticamente até a gravata azul que ele usava, certificando-se de que ela estava perfeita, nem um pouco torta.
Alec sabia, quando ele e Magnus decidiram se casar, que a festa não seria pequena. Só não imaginava que metade da população do planeta fosse caber na fazenda de Luke. Aparentemente cabia.
Vários membros do submundo, como Catarina, Tessa, Luke, Maia, Morcego e o bando. Além dos vampiros de Nova York, que só iam participar da festa depois do anoitecer. Malcolm, Alto Feiticeiro de Los Angeles. E vários shadowhunters: Jia Penhallow e sua família, os Blackthorn e Emma Carstairs, Maryse e Robert, Zachariah, e vários outros que Alec mal notara, tamanho o seu nervosismo. E, claro, Presidente Miau.
Pensar em caminhar pelo tapete azul e comprido sob a grama estendido por aquele longo caminho até onde Magnus estaria, na frente de todas aquelas pessoas, simplesmente lhe deixava tonto. Ele sentia como se fosse vomitar na frente de todos.
– Alec, você está bem? Precisa de uma iratze? – indagou Izzy, a mão elegante pousando em seu ombro.
– Ele parece prestes a vomitar – comentou Simon.
– Jace, e se eu envergonhar Magnus? Se eu tropeçar na frente de todos? Ou mesmo vomitar?
Jace revirou os olhos.
– Deixe de besteira. Magnus ama você, e vai amá-lo mesmo que você o envergonhe vomitando em seus sapatos novos, na frente de todos os amigos e conhecidos dele.
Alec gemeu.
– Muito obrigado. Você ajudou muito.
Jace sorriu, dando um tapinha em seu ombro.
– Fico feliz em ajudar.
Jocelyn colocou a cabeça para dentro do quarto, sorrindo.
– Está na hora.
Alec aprumou a postura, erguendo o queixo.
Jace deu um sorrisinho, enganchando seu braço no de Alec.
– Vamos.
A expressão corajosa de Alec sumiu ao perceber que Clary, Izzy e Simon iriam à frente, com buquês de violetas, meio bailando meio andando. Provavelmente ideia de Magnus. Ele quase sentia pena de Simon. Quase.
– Esse seria o momento ideal para um demônio surgir e me matar – comentou, sentindo as bochechas esquentarem.
E então ele o viu. Alec estava apenas parcialmente consciente da risada de Jace, os sons a sua volta, os sorrisos nos rostos de todos.
A sua atenção estava, na verdade, nos olhos verde-dourados de Magnus, que o encarava com um sorrisinho torto nos lábios, parecendo se divertir com o embaraço de Alec.
As coisas pareceram saltar a partir daí. Alec lembrava-se vagamente de chegar até Magnus, das palavras trocadas, da aliança sendo colocada em seu dedo.
A festa logo em seguida. Simon se encolhendo, uma expressão de pavor em seu rosto ao ver taças de bebida azul circulando pela festa, fazendo todos rirem. Izzy e ele dançando, sua irmã parecendo tão feliz como nunca fora. Depois sua mãe. E então o pai, os olhos azuis lhe encarando enquanto ele parecia tentar descobrir o que dizer. No fim, Alec apenas o abraçou, deixando claro que palavras não eram necessárias.
Clary bailando com Jace, Morcego como DJ, Maia por perto rindo, Magnus conversando com os conhecidos. Os Blackthorn parecendo se divertir, exceto Tiberius, que ficava parado olhando ao redor, espantado.
E então Magnus, abraçando-lhe, eles dançando, Jace concentrado no piano e todos ao redor parando de dançar.
Alec estava tão concentrado nos olhos de Magnus e no amor que transmitiam que nem notou a roda de convidados que se formou ao redor dos dois. Ele só tinha consciência de Magnus.
Então seu feiticeiro decidiu que havia se cansado da festa. Os dois escaparam e foram para o loft.
Isso fora a uma semana. E Alec simplesmente não conseguia se cansar da rotina de recém-casados.
Magnus beijou o osso de seu quadril, fazendo-o arfar.
– Achei que estivesse dormindo – murmurou Alec.
Magnus, ainda de olhos fechados, sorriu, seu rosto indo repousar entre o pescoço e o ombro de Alec, aninhando-se.
– Em quê você está pensando? – perguntou o feiticeiro.
Alec sorriu, os braços apertando Magnus contra si.
– Estava me lembrando do casamento – respondeu. – Eu estava tão preocupado, achei que fosse vomitar na frente de todos. Fiquei com medo de envergonhá-lo. – Magnus fez um muxoxo. – Mas então...
– Então...? – incitou.
– Então, quando vi você, simplesmente se sentiu como sendo o certo, como deveria ser. Eu não poderia estar mais feliz.
– Eu poderia pensar em muitas formas de lhe fazer mais feliz – ronronou Magnus.
– Você sabe que temos que ir. Se chegarmos atrasados meus pais vão ficar furiosos.
– Acho que eles deveriam entender o fato de não estarmos animados com esse jantar, afinal, não é como se eles me tratassem como o genro perfeito que sou.
Alec cravou as unhas na pele morena como punição.
– Eles estão bem melhores. E estão tentando.
– Mas seu pai ainda parece querer cortar minha garganta.
– Isso é porque ele ainda não te perdoou por ter descrito nas paredes do Instituto como eu deveria usar minha boca em você.
Alec empurrou o corpo moreno de cima dele e levantou, procurando por suas roupas ao redor.
Magnus o observava com olhos interessados.
– Eu já falei que foi um acidente. Era para ter aparecido só no seu quarto. E eu apaguei, não é?
– Acidente? Certeza que não foi porque meu pai foi um pouco grosseiro com você naquele mesmo dia?
– Alexander! Assim você me ofende.
Alec arqueou uma sobrancelha.
– Vou tomar banho.
– É um convite?
– É um aviso. Fique aí até que eu saia do banho ou vamos nos atrasar.
O feiticeiro recostou-se contra os travesseiros, os lençóis estavam envolvendo-lhe a cintura, a pele morena parecendo suculenta contra o branco do tecido. Os cabelos estavam desgrenhados e os olhos ainda sonolentos.
Magnus sorriu maliciosamente, levantando a mão esquerda para que o sol refletisse no anel Lightwood em seu dedo anelar.
– Eu estarei esperando, meu Alexander.
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