As Crônicas de um Ronin
2 Capítulo 2 - Pressentimento
Aqueles fogos tinham sido tão belos, mas gostaria de ter visto com a sua nee-chan. Boatos de assassinato chegavam o tempo todo na hospedaria e sempre tinha alguém comentando dos casos. Kahina não se importou e sorriu ao ver a irmã descendo para ajudar na hospedaria, estava movimentada hoje.
- Ohayo... dormiu bem? – A expressão triste de Ayame logo virou um sorriso diferente do que a irmã costumava ver, parecia um tanto triste ela não tinha esse sorriso quando era criança.
- Dormi... Kahina-chan, pelo jeito o local está cheio hoje não é?
- Pois é, vamos precisar de toda a ajuda certo?
Kahina sorriu lhe entregando as bandejas, algo estava diferente na sua irmãzinha e ambas sempre foram muito unidas desde criança. A melhor parte do dia era de quando treinavam juntas, fora difícil convencer o seu pai a praticar também, já que desde muito cedo sua mãe sempre a educou para ser a esposa perfeita. Kahina ficou observando o copo com um resto de água e viu o seu reflexo nele, observou os seus olhos azuis e o cabelo que estava trançado... esposa perfeita? O pai a convencia de que deveria se casar e largar as espadas, já que aquilo não era algo para uma dama. Uma dama deveria ficar em casa, mas ele concordou porque queria que ela soubesse se defender.
- Quando que você vai resolver se casar, Kahina-chan? – O pai perguntou ao ver a filha distraída e a mesma sorriu segurando uma bandeja de sakê e bolinhos de arroz, onde deveria entregar na mesa de sempre.
- Eu não penso nisso otoo-san, o senhor mesmo já deve saber pela quantidade de pedidos recusados. Ainda tenho muito que aproveitar da vida.
Ayame foi ajudar a irmã a servir a mesa, mas foi mais para ver aquela pessoa em especial. Okita Souji e os outros capitães da Shinsengumi estavam ali, vinham com freqüência e Kahina os via sempre, mas se preocupava com a irmã já que os sentimentos por aquela pessoa em questão serem iguais. Assim ficava muito difícil de pensar em casamento, ela deu um suspiro irritado.
- Algum problema, Kahina-chan? – Sanozuke perguntou e ela saiu do transe.
- Iie... nenhum tenha uma boa refeição.
Kahina se curvou e pediu licença, estava com o rosto corado. Tirou o avental e foi para a parte de cima da hospedaria, entrou no quarto e deitou na cama pensativa. O que sentia era algo impossível e tinha Ayame que também sentia o mesmo... ficou um tempo deitada e abriu a porta da sacada e pode observar eles deixando a hospedaria e deu um suspiro entristecido, realmente era impossível. Ficou observando Okita de costas com o olhar triste e não percebeu que haviam entrado no quarto... só quando sentiu alguém lhe puxar o cabelo e isso só significava uma pessoa.
- Ayame... doeu. – Ela fez uma careta mostrando a língua para a irmã e fechou a porta. – Odeio quando faz isso. — Kahina olhou a adaga que tinha no quarto, já fazia alguns anos desde que treinou.
- Kahina-chan... seu pai está chamando para ajudar lá embaixo. – Kahina arrumou os cabelos e começou a descer a escada.
- Já vou.
Tinha ficado tanto tempo fora assim? Ao chegar na parte inferior, notou clientes novos provavelmente visitantes. Kahina acomodou todos, mas o jeito deles não lhe agradava de modo algum e estava tendo um péssimo pressentimento quanto aqueles homens, por isso sempre tinha uma adaga no balcão caso precisasse ser usada. Kahina anotou os pedidos e ficou observando eles de longe, com o canto do olho. Tinha uma sensação de que aquilo não era apenas uma visita.
Notas finais
Mais um capítulo, curtinho dessa vez... hmm, o que será que esses supostos visitantes querem na hospedaria da Família Fujiwara?
Só lendo o próximo capítulo para saber.
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