Notas iniciais
Gente DarkDoll aqui! Postando o terceiro capítulo, espero que curtam e deixem comentários, plis. Sejam eles positivos ou negativos, assim anima a gente a continuar escrevendo. ;***

Havia subido as escadarias para chamar a irmã, afinal, ela estava demorando demais e os clientes continuavam chegando. Subiu as escadas um pouco cansada, os músculos doíam, as articulações reclamavam bastante. Céus, precisava dar um jeito naquilo, pois não conseguiria esconder por muito tempo os problemas que andava tendo. De certo que os treinamentos serviam como disfarce para as dores, todavia, não eram os culpados e isso não auxiliava muito visando que além de ter que lutar contra aquelas pessoas ainda tinha que treinar, ou seja, cansaço duplo!

Suspirou, adentrando a quarto sem fazer barulho, queria assustar a irmã, porém quando entrou viu que ela olhava vidrada para um ponto na janela, aproximou-se devagar, notando o objeto do pensamento de ambas se afastando e logo um suspiro vindo da boca de Kahina.

‘- Okita-sama...’ — Pensou, enquanto focava os olhos em uma parte qualquer do quarto, não podia pensar nele, não quando a irmã também fazia o mesmo e andava suspirando pelos cantos.

Se sentia uma traidora, além de tudo que fizeram por ela ainda ousava amar o mesmo homem que Kahina? Forçou um sorriso maroto e puxou os longos cabelos da irmã que fez um muxoxo reclamando.

- Kahina-nee, seu pai está te chamando! — Concluiu, retirando-se do quarto, quando desceu as escadas notou figuras peculiares ali, mordeu o lábio inferior nervosamente, será que eles tinham voltado? Não lhe dariam uma noite de paz? Se aproximou do balcão com um sorriso gentil.

- Otoo-san, já avisei a nee-chan, ela disse que já vem. — Sorriu gentilmente, encarando a face cansada do ‘pai’. Ele não era tão velho, todavia, quase nunca tinha tempo para descansar, cuidava de ambas, da hospedaria, sentia-se um pouco culpada por não poder fazer nada que pudesse aliviar a pressão que o pai sentia.

- Deixe-me ajudar, eu vou atender os novos clientes. — O homem sorriu, entregando algumas bandejas para Ayame que ajeitava as mesmas nos braços e caminhava calmamente até as mesas deixando-as ali.

- Espero que aproveitem a refeição, qualquer coisa só chamar. — Fazia uma pequena reverencia, virando-se de costas, porém antes que conseguisse sair das vistas daqueles homens um deles, o mais velho, tinha aproximadamente uns 30 anos, uma cicatriz enorme que podia ser vista na altura do pescoço e um dos olhos permanecia fechado, também com uma marca horripilante. A garota engoliu em seco, dando um passo para trás.

- O-o quê? — Sussurrou, sentindo a pressão no braço delicado.

- Fujiwara-san... — Sussurrou de maneira libidinosa, era fato que o jeito com que aquele ser balbuciava o nome da garota era realmente nojento, franziu o cenho, olhando-o com desprezo.

Ela não era Fujiwara, era Nakamura, todavia, aquilo fez com que se sentisse aliviada ao menos não iria arrumar problemas na hospedaria por conta do passado podre do pai. — Pode nos acompanhar um momentinho? — Sorriu, irônico, olhando a face irritadiça da mulher.

Ela soltou um muxoxo acompanhado de um suspiro e seguiu os homens, eram cinco na verdade. Notou a presença da irmã logo próxima ao balcão e piscou, querendo dizer que estava tudo bem. Ao sair da pousada notou que existiam mais dois homens lá fora.

- O que vocês querem comigo? — Resolvera continuar com a farsa, se pudesse afastar aqueles homens de Kahina seria ainda melhor.

- Bem, na verdade. — Se aproximou um outro, esse era mais jovem, porém o cheiro de álcool e o sorriso malicioso eram tão nojentos quanto o do outro.

Carregava uma katana na mão direita, Ayame olhou bem a lamina, não parecia ser uma katana muito boa, ao menos não naquele momento, talvez aquele estúpido não soubesse cuidar adequadamente da espada.

- Não enrole! Diga logo de uma vez. — Indagou, olhando-o de forma desafiadora, não estava carregando a espada, apenas uma pequena faca, que estava presa por baixo do kimono, na coxa direita com uma pequena faixa. Não podia usar a espada dentro de casa e nem queria chamar atenção, pois não era bem visto uma mulher trocar os afazeres domésticos por uma espada.

- Huhuhu, garotinha atrevida! Vou te ensinar uma lição, deve aprender a ficar calada na presença de homens ou pode se machucar. — Retorquiu o homem que até agora se mantinha afastado dos demais, ele tinha os cabelos longos, presos em um coque, carregava uma lança o que de fato fez a garota arquear as sobrancelhas não sabia que existia outro portador de lança na região, além é claro de Sanozuke, imaginou que ele ficaria feliz em lutar contra alguém que manuseava uma arma semelhante a dele.

Ela viu-se cercada, tinham-na arrastado para um beco atrás da hospedaria, o que deixava o espaço um tanto ‘limitado’, mas pior para eles, visando que ela não tinha uma espada no momento. Olhou em volta e se viu encurralada.

- Tsc... — Sussurrou ao notar o homem indo na direção dela, a mão do outro agora já tinha sido retirada, deixando-a livre para agir, rapidamente sacou a adaga, virando-se de maneira ágil e evitando o ataque com a lança o que fez o homem irritar-se ainda mais.

Ele estava prestes a atacar novamente, quando um homem muito bem vestido apareceu, sacando a espada e começando a ‘enfrentar’ aqueles meliantes. Ela por sua vez apenas arqueou a sobrancelha, sabia que aqueles movimentos eram um tanto quanto ‘combinados’ dava para notar.

Não que o homem fosse ruim, mas não teria habilidades suficientes para vencer se eles realmente estivessem lutando a sério. Foi então que a figura lhe despertou uma pequena lembrança, aquele era um dos filhos dos Kobayashi, mais precisamente o terceiro filho, um jovem mulherengo, beberrão e extremamente convencido, ele havia proposto casamento a Kahina alguns dias atrás, obviamente foi recusado. Um sorriso enfeitou os lábios da Nakamura, tão óbvio, não pôde evitar rir.

- Kahina-chan, você está bem? — Se aproximou, não percebendo o erro, pois estava muito escuro, ela por sua vez ergueu a face, denotando o brilho avermelhado dos orbes da mesma, o que fez o rapaz recuar alguns passos. Os olhos dela sempre causavam aquele impacto, suspirou, cansada.

- Oh, é Kobayashi-san, né? — Moveu os lábios de forma calma, não deixando transparecer a vontade que tinha de rir e mandar aquele desgraçado pro inferno naquele momento. Tinha que ser educada, não podia envergonhar a nova família.

- Hein? Er... Ayame-chan? I-isso é... Um engano, eu não... — Anuiu confuso, tinha tido todo aquele trabalho por nada? Havia pagado muito para aqueles mercenários, a idéia era simples, puxar a garota para fora e fazer parecer um assalto ou tentativa de estupro, claro, não permitiria que nenhum deles a tocassem, apenas queria assustá-la para que fosse mais fácil ganhar a confiança da garota e assim sendo conseguir se casar.

De fato a família da garota era bem conhecida a hospedaria era um negócio prospero, ele por sua vez era o terceiro filho da família, era péssimo em quase tudo, o pai havia dito que ele deveria se casar logo do contrário iria deixá-lo sem nada.

- Hai! Acho que você me confundiu com a minha irmã, agradeço por me salvar, nem sei o que faria sem você por perto. — Sorriu, divertindo-se com a expressão desesperada do rapaz.

- Né... Agora só me fica uma pequena dúvida, como sabia que minha irmã estaria sendo atacada nesse exato momento e aqui? Porque você mesmo confundiu... Estava tão escuro, isso é tão estranho... — Um sorriso quase sádico surgiu no canto dos lábios da morena que dava um passo a frente, caminhando até o homem que por sua vez dava um passo para trás. Não demorou muito e ela estava bem próxima e ele encolhido com as costas sob a parede.

- Kobayashi-san, vou te dar só um aviso... — Colocou ambas as mãos sob o muro, prendendo-o ali, claro, não aproximou o corpo muito, pois odiaria ter que ficar muito perto daquele homem e também não pegaria nada bem que ele achasse que ela queria alguma coisa com ele.

- Fique... — Pausou, umedecendo os lábios, enquanto virava o rosto para ver a expressão surpresa e assustada do homem pelo tom de voz frio que escapava dos lábios da mesma. — Longe da minha onee-chan... — Complementou, afastando-se dele e tomando o caminho de volta, saia do beco, olhando mais uma vez para trás, ele continuava no mesmo lugar, ainda surpreso pelo que ocorrera.

- Se eu ver você se aproximar dela novamente eu acabo com a sua raça. — Piscou para ele, andando calmamente até dentro da hospedaria. Quando encontrou a irmã, ela parecia bem preocupada, muito provavelmente por conta daquelas figuras peculiares, seria muito ruim se ela tivesse que passar por aquilo.

Ayame estava acostumada, mas Kahina? Não que fosse fraca, nunca pensou isso da irmã, mas sabia que ela era mais delicada e saber que os pretendentes seriam capazes de fazer coisas tão terríveis para conseguir um ‘sim’ talvez fosse fazê-la sentir-se culpada.

Afinal, se chegavam a contratar homens para ir até lá, o que impediria de um deles acabar machucando o pai de ambas?

- Nee-chan, o que foi? — Sorriu, tentando demonstrar que não tinha nada a temer. — Olhe, aquela mesa. — Apontou para uma das mesas que ficavam no canto direito. — Acho que querem mais sakê. — Complementou.

- Ayame o que foi fazer lá fora com aqueles homens? — Perguntou irritada, tentando afastar a tentativa de mudar de assunto da morena.

- Ah, isso... Bom, eles vieram até aqui procurando ‘diversão’, você sabe e eu disse para que fossem embora, pois aqui não existem gueixas, somos apenas ajudantes do otoo-san né? — Mentiu, torcendo para que ela acreditasse.

- Como se isso não fosse um jeito de você tentar me poupar né? — Fez um bico infantil, encarando a morena. — Conte a verdade, por favor! — Insistiu.

- Não é de todo mentira, o caso é que você precisa parar de destruir os corações dos rapazes de Kyoto, nee-chan. Seu ‘noivo’ Kobayashi-san acabou de te salvar lá fora. Seria realmente muito corajoso da parte dele se não fosse ele a contratar os bandidos. Mas relaxe, eu já conversei com ele gentilmente e ele me garantiu que nunca mais vai te incomodar. — Deu um sorrisinho maldoso, não foi exatamente ‘gentil’ e nem foi bem uma promessa, mas depois do susto sabia que ele não iria mais incomodar.

- Vamos, temos muita coisa pra fazer, papai deve estar cansado. Logo será hora de fechar a cozinha. — Nem deu tempo para discutir a respeito, apenas foi em direção da mesa que indicou anteriormente e serviu o que pediram.

A garota acordou com um barulho incomodo embaixo da janela, se levantou a contragosto, arrastando-se até a mesma. O sol já estava brilhando, nada de chuva, nada de nuvens, só mais um dia ensolarado e quente como de costume. Suspirou ao notar a pequena confusão que se iniciava logo pela manhã, não sabia direito quem estava brigando, mas já podia ver ao longe roupas azuis claras se aproximando.

- Shinsengumi... — Nem deu tempo para que tudo ocorresse, apenas vestiu-se rapidamente e ajeitou o melhor que pôde os cabelos. Não queria perder a chance de ver aqueles homens, adorava vê-los trabalhando e claro, quem sabe Okita estivesse junto. Recriminou-se pelo ultimo pensamento, mas não se deteve, desceu rapidamente as escadarias, quase tropeçando nos últimos degraus. — Droga! — Exclamou baixinho, quase que para ela mesma.

- Eu não fiz nada! — Exclamou um jovem de aproximadamente vinte anos de idade, ele utilizava um kimono comum, duas katanas na cintura, os cabelos eram curtos, olhos negros como a noite, frios de certo modo.

- Ei, chega de escândalo! — Exclamou Sanozuke, segurando a lança que costumava carregar para todo lado. Um sorriso irônico adornava os lábios do lindo rapaz. — Se você quiser lutar eu posso resolver seu problema, isso claro, se você for bom o suficiente para me enfrentar.

- Mate... — Disse a morena, encarando ambos, enquanto os outros já pareciam ter parado de discutir, apenas observando com expressão emburrada. O rapaz olhou estranho para ela, todavia, logo abriu um pequeno sorriso o que confirmou a idéia de Ayame.

- Aya-chan, o que foi? — Sanozuke perguntou um pouco confuso com a intromissão da garota.

- Iie, mas ele não é problema, Sanozuke-san. — Sorriu gentilmente se aproximando do briguento. — Ei, essa hora e você já está fazendo confusão? Quantos anos fazem hein? Você nem me avisou que ia voltar... — Repreendeu magoada.

- Demo, eu queria te fazer uma surpresa! E eu não comecei a briga, o caso é que eu estava com pressa e acabei esbarrando nesses caras aí eles começaram a berrar e reclamar dizendo pra eu olhar por onde ia e quando vi já estava todo mundo em volta de nós e aí esse aí apareceu. — Apontou para Sanozuke.

- Oee, ‘esse aí’? Olha como fala! — O baixinho de cabelos vermelhos exclamou irritadiço.

- Calma, calma... — Okita se aproximou, olhando para todos, Ayame por sua vez se encolheu, ficando mais vermelha que uma rosa em seu ápice, o capitão não compreendeu exatamente o motivo, mas decidiu ignorar.

- O-Okita-sama... Gomen! Ele não, ele não vai mais brigar, eu prometo! — Fez uma pequena reverência, puxando o garoto pela manga do kimono.

- Aya-chan, eu não fiz nada! — Fez um muxoxo.

- Imagina! Baka, você não sabe quem são eles não é? Eles fazem parte do Shinsengumi, eles cuidam das coisas por aqui. Acho que você não sabe, porque foi embora com seu pai, não arrume encrenca, por favor. — Fez uma careta azeda que logo se desmanchou em um lindo sorriso quando Okita voltou a falar com ela.

- Ayame-san, nos vemos mais tarde. — Sorriu, galante, enquanto se retirava do local com os companheiros. Ela sabia que eles provavelmente iriam beber de noite na hospedaria. Como não sorrir com aquele sorriso lindo que ele tinha? Suspirou, quase derretendo de tanta felicidade.

- Credo! Você fica mais de cinco anos sem me ver e não dá um sorrisos desses pra mim, que horrível, Aya-chan. — Cutucou o amigo notando que uma pequena veia saltava na testa da garota.

- Baka! — Quase gritou, dando um cascudo na cabeça dele. — Você devia tomar cuidado, não sabe como as coisas estão difíceis por aqui? E se eles te matassem, hein? Você é um idiota mesmo! — Virou de costas, emburrada, quase chorando.

- Eu sei me cuidar, mas olha só pra você... Que saudades, você está linda! — Abraçou a garota, envolvendo-a pelos ombros por trás, recostou a cabeça no ombro da mesma.

- Baka, não diga bobagens! E er... Você cresceu muito, Shiro-kun! — Corou pelo elogio e acabou se deixando levar notando o quão alto ele havia se tornado. Antigamente ele era da mesma altura que a pequena, ele realmente tinha ficado bonito e forte. Se soltou do abraço meio sem jeito.

- Cresci, fiquei forte e bonito né? — Disse convencido notando outra veia saltando na testa da menina, todavia, dessa vez não deixou que ela batesse nele, segurou o pulso firmemente, impedindo que ela alcançasse o objetivo.

- Baka... — Suspirou, vencida. — Né, vamos entrar, Kahina-nee vai gostar de ver você.

Notas finais
Eis o fim do terceiro capítulo, espero que tenha ficado legal. See ya. ;**