As Crônicas de um Gatinho Medroso

5 V. Em cada pessoa há uma história


Notas iniciais
Olá, pessoal! Pensei em fazer um bônus de dia das mães (pois a mãe do nosso protagonista é um caso perdido e eu queria muito trabalhar com ela falando da infância do Victor), mas como está tarde e não tenho muito tempo não irei mais fazer. Não demorei dessa vez, acabei sendo bem rápida e trouxe um capítulo bem grande. Se estiver entediante por ser muito enorme, me avise. Boa leitura! ~

Eu não sabia o que fazer, chegava até a parecer um louco correndo de um lado para o outro tentando pensar em uma maneira de cumprimentar o Lucas assim que ele chegasse. E meu pai se deliciava com a situação, rindo, pois já tinha conhecimento de que eu não era muito bom em me socializar com pessoas.

Tentei limpar o quarto inteiro e dar um jeito na bagunça espalhada por ele. Uma boa impressão era o que eu queria. Tudo bem que se trata de um amigo vindo para cá, não de uma tia, presidente, príncipe ou rei; no entanto eu tinha que deixar tudo em bom estado para que ele não pensasse que sou um desleixado que vive na cama comendo biscoitos e lendo (Apesar de que era meio isso que eu fazia na realidade). Seria horrível!

— Deveria chamar mais amigos de vez em quando. Adorei sua iniciativa de limpar o quarto, Victor! — Meu pai começou a provocar em um ar zombeteiro.

— Pai, você poderia me dar privacidade? — Empurrei-o até a porta. — Antes de dizer que não limpo o quarto, deveria olhar em volta e limpar o seu. — E fechei-a. Até parece que meu pai limpava a casa!

Suspirei, olhando em volta do meu quarto para ver se estava tudo pronto para a chegada do meu amigo.

Havia mudado até mesmo o meu papel de parede do computador, já que iríamos mexer lá e deixar aquele meu de um jogo não iria dar certo! Coloquei, então, uma garotinha moe de anime, super sexy, embora não fizesse muito meu estilo.

Pensei também poder esconder minhas figuras de ação. Ele havia dito a mim que jogava alguns jogos, mas isso não significa que ele colecione bonequinhos relacionados aos mesmos. Talvez seja um pouco constrangedor ele saber que eu tenho um hobby tão nerd quanto esse.

Eu confesso que estava muito ansioso e que ao mesmo tempo eu havia me arrependido de ter o convidado. Vai que ele fica desconfortável no quarto ou que fique com fome e não tenha algo que ele queira? Ou então que ele fique entediado por eu não dizer nada legal?

Sinto que eu deveria ter ido à internet e treinado algumas frases legais e cheias de gírias brasileiras para eu falar para ele. Aposto que eu ficaria bem na fita.

Cada barulho de carro passando na rua era um sinal. E eu me arrepiava de medo quando os ouvia. Pensava: “É agora, é agora, eu preciso me preparar!”. Sabia que se minha mãe soubesse que um amigo se ofereceu para ir à minha casa para vadiar, ela ficaria orgulhosa.

— Victor! — Meu pai gritou do outro lado da porta. Já estou vendo que ele quer me dar conselhos bobos ou me pedir para cuidar da loja dele amanhã.

— Que foi? — Gritei de volta, já esperando uma resposta besta de que ele queria entrar para me atazanar. Não vê que eu estou esperando um amigo, pai? Não enche.

— O síndico tocou a campainha e disse que seu amigo chegou. Então vá lá para atendê-lo.

Gelei naquele momento. Eu estava ansioso, sim. Mas agora eu não sabia o que fazer. Por exemplo: Que tipo de cumprimento eu dou? Um “oi” frouxo? Um “e aí?” maneiro? Um “oi!” alegre e espontâneo? Um gesto com a mão querendo expressar “Come on!”? Ou um “entra logo!” típico de pessoas frias de anime? Ai, meu Deus! Eu chegava a me descabelar só de pensar na situação constrangedora que seria se eu ficasse gago quando o visse. Merda de timidez!

Desci as escadas do prédio correndo, simulando mil e uma cenas na cabeça de o que eu poderia fazer quando o encontrasse. Claro, eu não poderia demorar. Ele ficaria irritado e iria embora, com certeza! E não posso correr o risco de perder a chance de ter um amigo em minha casa, não mesmo.

Quando estava chegando à portaria eu notei que Lucas estava lá, falando algo com o síndico. Logo que me viu acenou. Ele estava com um gorrinho preto cobrindo seu cabelo ruivo e suas típicas roupas xadrez de garoto legal que ele usava na escola, acompanhadas com uma mala em suas costas. Cara, como isso me dava inveja! Por que é que mesmo me esforçando não consigo chegar ao nível dele em questões de moda? Não que eu ligue para moda! Mas isso é um dos elementos para chegar à popularidade e vida social ativa, creio eu.

Enfim, agora é a verdadeira hora! A batalha começou! Vamos lá, Victor, se aproxime do tesouro e o leve até o seu território, desarmando todas as armadilhas e ultrapassando todos os obstáculos!

— V-vamos subir? — Perguntei como um retardado, apontando para a escada. Não é assim que obtemos a vitória! É meio óbvio que subimos pela escada.

Lucas apenas riu de minha cara, o que já estava se tornando comum em minha rotina com ele.

— Ei, Madeira. Você não precisa gaguejar. Eu sou seu amigo, esqueceu? — Ele me repreendeu, dando um leve soco em meu ombro. Aquilo havia doído, admito. — Vamos subindo então.

— Tá.

Isso! Objetivo completo! Embora Lucas estivesse se demonstrando um pouco incomodado com os meus gaguejos. Pois é, eu sabia que precisava parar com isso, o problema é que meu arqui-inimigo é mais forte do que eu (A minha timidez...).

Fomos juntos subindo a escada, e quando finalmente chegamos, torci para que meu pai não estivesse na sala fazendo suas maluquices de sempre. E ele realmente não estava maluco! Do jeito que ele é, teria pulado em cima de Lucas para cumprimentá-lo, mas somente o cumprimentou.

Enquanto eu levava Lucas para o quarto, notei que ele olhava por cada canto da casa. A única coisa que eu queria saber era o que ele pensava naquele momento.

— Sua casa é legal, Madeira. — Quando chegamos a meu quarto, ele colocou sua mala no chão e pegou o seu celular do bolso. — Seu quarto também.

— Ah! É? Obrigado... — Eu agradeci um pouco sem-graça, como sempre. Já ligando o computador.

— Você gosta de que tipo de música? —Ele perguntou, mexendo em seu celular.

Eu nunca havia pensado nisso. Para falar a verdade a música nunca fez parte da minha vida como as das pessoas que vivem de fone de ouvido. Sempre admirei as trilhas sonoras de anime, filmes e jogos, portanto vivi sendo um leigo nas músicas populares de atualmente.

— Não sei. Acho que todo o tipo. Por quê?

Não era todo o estilo também!

— Para ouvir música agora, oras! — Ele disse, colocando o celular em cima da escrivaninha do computador. — Como você não me disse o que gostava, coloquei o que eu curto. — E completou se sentando na cadeira giratória da escrivaninha, fazendo giros pelo espaço pequeno do quarto.

A música começou. Era um estilo pesado, lembrava-me rock, mas não era. O som era ótimo, deixava-me empolgado, apesar de ter um tema mais para baixo. Os cantores gritavam mais que cantavam, mas esse foi um dos fatores que deixou a música mais impactante. Eu já havia ouvido várias músicas como aquela em aberturas e encerramentos de anime, todavia essa era um pouco diferente.

Eu nunca imaginaria que Lucas tinha esse gosto musical. Não sei, ele tinha cara de quem gostava de músicas eletrônicas ou pop! Bem diferente de metal pesado.

— Se quiser, eu troco! — Ele alegou, parando de girar na cadeira.

— Não! Eu gostei dessa, pode deixar. Só deixe-me pegar uma cadeira da cozinha para mim.

Ele deu uma risada.

— Tudo bem, vai lá. Quero logo ver seu perfil do Facebook.

Fui até a cozinha e peguei uma cadeira. Meu pai já estava com aquele seu sorriso que ia de orelha a orelha. Nem quero saber o que ele está planejando!

Voltei ao quarto e a música parecia ter aumentado o volume e Lucas estava ainda girando para lá e para cá com a cadeira giratória. Creio que ele havia gostado daquele negócio.

Posicionei a cadeira na escrivaninha e logo o computador ligou.

— Os japoneses são engraçados. — Lucas disse, fitando o papel de parede do computador. Talvez trocá-lo não tenha sido bom. — Uou! Você tem bastantes jogos aqui! Bem que você me disse. Depois quero jogar algum deles. Aliás, a gente pode jogar no seu console em multiplayer, vai ser bem mais legal.

Só de ouvir a palavra jogar, eu fico empolgado. Nunca joguei com amigos. Eu que nunca tive a oportunidade de jogar com alguém que queira jogar comigo! Mas, é claro, que eu vou vencer. E também nunca imaginei que Lucas quisesse jogar comigo. Isso me deixava um pouco orgulhoso de meus feitos para uma vida sociável. Por que eu nunca fiz isso quando morava em Portugal?!

— Depois das lições a gente pode jogar.

Depois das lições, Victor? Fala sério. Eu sei que eu precisava fazer as lições e não deixaria de fazer isso, mesmo porque eu nunca deixei de fazer uma. Mas... Mas agora eu estou com meu amigo! Não posso gastar o tempo dele para me satisfazer, certo?

— Tudo bem. — Ele respondeu um pouco desanimado. — Agora entra aí no seu Facebook para eu te ajudar nos negócios.

Assenti com a cabeça e entrei no meu Facebook, com uma internet bem fodida, para variar. Lucas abaixou a música e ficou concentrado em ver o que eu fazia. Em meu perfil não havia nada, nem foto, nem capa, nem mesmo publicações ou amigos. Eu não queria mexer em nada sem a ajuda de Lucas. Eu queria deixar tudo nas mãos dele, pois vai que eu fazia algo errado naquilo! Iria passar uma má impressão a todos.

— Nada?

— É. Eu não coloquei nada ainda.

— Então espere um pouco. — Lucas pegou seu celular e tirou a música que estava tocando. Juntou a cadeira giratória junto da minha e pôs seu celular acima da gente, perante nossos rostos. — Vamos tirar uma foto! — E tirou uma foto com sua câmera frontal. Eu não estava preparado!

— E-e-ei, Lucas. E-e-eu não estava preparado para uma foto. — Eu disse tentando pegar o celular dele para apagar a foto. Aposto que eu estava com o rosto em tom ruborizado naquele momento.

— Fica tranquilo. Você ficou fofo. — Ele riu. Mexendo no celular percebi que ele estava em um tal de “instagram”, parecendo editar aquela foto que acabara de tirar. — Se você quiser, pode usar de foto de perfil no seu Facebook que eu deixo. Eu coloco para você, só me passa a senha.

— Certo...

Ele falando que eu estava fofo estava tudo bem, eu até aceitava aquela foto ir para o meu perfil, já que não era só eu que estava nela. Não que eu queira parecer fofo! Eu queria ficar gostoso, mas acredito que se eu levantasse a camiseta e tirasse foto só iriam ver um corpo fraco de um garotinho desnutrido. Iriam é ficar traumatizados!

Passei minha senha para Lucas e ele cuidou de colocar a imagem no perfil. Digo que não havia ficado ruim a foto, digo que ele dava mais destaque que eu mesmo.

Após isso ele foi adicionando o povo da escola, inclusive ele e a Lindsay. Eu não queria adicionar logo todo mundo, pois eu não conhecia praticamente ninguém de lá. Fomos vendo os perfis de algumas pessoas e rindo, pois algumas eram realmente mais estranhas do que eu! Fiquei feliz, feliz mesmo. Feliz ao ver que eu estava fazendo meu amigo se sentir em casa e também mais feliz ainda ao ver que uma pessoa dedicaria o tempo dela para vir me ajudar em algo. Cada vez mais que eu conversava com Lucas, mais livre me sentia para conversar e compartilhar de meus interesses.

— Aí você pode curtir as coisas que você gosta para compartilhar no seu perfil. Só não vá curtir seu próprio status. — Ele avisou, rindo. — E depois procure a Victória, já que gosta dela...

— Eu não gosto dela! — Exaltei-me, corado. Ele riu.

Logo meu pai veio trazendo lanche, com aquele seu sorriso de sempre. Eram coxinhas e biscoitos sem recheio, de bebida tinha suco de abacaxi e refrigerante.

— Trouxe comida! Mas se você gosta de bolacha de recheio, eu digo que não tem! Porque o fresco do Victor não gosta muito de doces.

— Valeu, tio! — Lucas agradeceu, pegando uma coxinha para comer.

Ele colocou na escrivaninha e foi saindo todo alegrinho. Ainda bem que não ficou louco e começou a contar meus segredos a ele!

— Opa! Tem até coxinha, Victor. Seu pai é muito maneiro. Se você fosse na minha casa, eu é que teria que pegar a comida para você.

— Meu pai é meio maluco, mas eu gosto dele.

Peguei um biscoito e molhei no suco, Lucas tinha achado aquilo um pouco estranho, senti isso! Mas eu disse a ele que ficava bom e ele fez o mesmo. Disse, então, que eu era um maluco e que aquilo era muito ruim.

— Além de colocar a bolacha no suco não gosta de muito doces, nem de coxinha e nem de refrigerante. Você é engraçado, Madeira!

— Eu só tenho meu gosto. Sou vegetariano também.

— Você é fresco.

E rimos.

Após comer fomos fazer as lições como o prometido. Na maioria das vezes eu acabava passando a lição para Lucas, pois ele não mesmo um bom aluno. Mas digo que foi bem divertido! Conversamos sobre a escola e um pouco sobre nossas vidas.

Agora estávamos indo jogar vídeo game. O que eu mais queria fazer! Há, há, há! Eu vencerei todas, estou ciente disso.

Resolvemos jogar um jogo de pancadaria. Eu já sabia um monte de truques e macetes em que eu poderia usar, mas pensei em pegar leve primeiro já que Lucas era um iniciante nos jogos.

Expliquei como se jogava e começamos a jogar assim que ele entendeu tudo. E como o esperado: Eu estava ganhando mesmo sem usar meus truques. Eu era um gênio dos jogos! Embora nunca tenha jogado pessoalmente com alguém (Exceto minha mãe), eu vivia jogando online e quase sempre tinha uma vitória. Claro, para honrar o nome Victor, que creio que deve vir de vitória.

— Caramba! Já é a décima vez que você me vence nesse negócio. Não é possível. — Ele reclamou largando o controle no chão, frustrado com sua derrota. Há, há, há!

— É porque você não gasta o tempo precioso de sua vida nos jogos. — Pausei o jogo e virei-me a Lucas, que estava desentendido.

— Como assim?

— Sabe... Eu sempre fui um fracassado por ficar só no meu mundo e não seguir o que os outros fazem. Vivi dos jogos, anime e livros, pouco me importando com o mundo afora. Nunca tive amigos por essa causa.

— Fracassado? Tem certeza? Pois eu te acho um cara legal, independente do que você seja. Aqueles que evitaram você só podem ser idiotas! Não sabem realmente o que esconde dentro de você.

— Você pensa assim? É... que... É que você é meu primeiro amigo. Sou grato por isso. Por você ser o único a me ouvir.

— É claro que eu penso bem de você, Madeira! Já percebeu o quanto de idiotas tem no mundo? E quase todos esses idiotas estão cheios de amigos falsos por aí.

— Nunca vi por esse lado. O-obrigado...

Lucas suspirou e deu um sorriso a mim. Eu fiquei corado, senti isso. Aquela foi a primeira vez em que eu desabafei algo a alguém, e também a primeira vez que alguém fez-me sentir bem por ser como eu sou.

Por alguns segundos o silêncio dominara, mas logo Lucas o cortou:

— Sabe... Eu também já fui como você, Madeira.

— S-sério?

— Sim. Faz dois anos, quando eu ainda estudava em escolas particulares. Eu sempre vivi no canto da sala às vezes chorando, desenhando e escrevendo histórias; isso acabou fazendo com que eu me excluísse do mundo real, por mais que eu quisesse me juntar àquelas pessoas. Então, certo dia, quis me juntar a algum clube para receber destaque, mesmo sendo um pouco tímido. Escolhi teatro! No qual me encaixei e conheci pessoas maravilhosas. Em especial uma pessoa que administrava todo o grupo do teatro, que não vou citar o nome. Essa pessoa me fez ver o mundo de outra maneira e fez com que eu me extrovertesse com as outras pessoas.

— E você ainda tem contato com essa pessoa?

— Não, não tenho com mais ninguém do teatro. Essa pessoa foi importante para mim, mas teve um dia em que me decepcionei com ela.

— O que aconteceu nesse dia?

— Era no fim do ano, o dia em que faríamos uma apresentação no teatro para nossos familiares e alunos que quisessem ver. Usaríamos elementos perigosos como fogo, mas já havíamos ensaiado bastante para aquela cena, não teria como dar algo errado. Infelizmente, deu. Na hora da cena em que usaríamos fogo, ele acabou incendiando as cortinas fazendo com que o fogo ficasse maior. Foi um terror total aquilo, e o ruim é que estávamos no camarim, esperando por nossas aparições.

— Aconteceu alguma coisa com vocês?

— Espere, uma coisa por vez! Então, quando ficamos sabendo que deu tudo errado, aquela pessoa quis ir salvar aqueles que estavam próximos do fogo. Nós fomos e conseguimos salvar todos, mas voltamos para ver se não havia mais ninguém. O lugar estava prestes a cair aos pedaços e escombros caíram naquela pessoa, fazendo com que não pudesse mais andar. Eu levei para saída de emergência, mesmo me ferindo e com muito esforço. Depois disso, fomos ao hospital, no qual teve que ficar por lá por estar inconsciente.

— Nossa, então você foi um herói junto com essa pessoa.

— É, bem... Quase isso! E eu ia lá para ver essa pessoa todos os dias até ela se recuperar, assim como todos que foram salvos. Até que um dia eu percebi que estava apaixonado.

— Apaixonado?

— Sim, e resolvi me declarar pela primeira e única vez em minha vida. Mas a resposta dessa pessoa foi fria, alegando que estávamos em mundos diferentes e que nunca daria certo. Não irei entrar em detalhes... E depois disso eu nunca mais vi ninguém do teatro, pois mudei de cidade com minha família. Após isso, eu cresci e aprendi a ser uma pessoa mais legal e forte, parando de chorar. E é só isso.

— Nossa... Eu... Eu não sabia que você escondia algo tão triste. Fiquei um pouco... Um pouco triste ao saber de sua história.

— Heh, não precisa! Isso já passou! — Ele disse descabelando meus cabelos. — Agora tomei outro rumo, assim como você está fazendo, não é?

— É-é!

— Quero jogar outra partida agora. Sei que vou ganhar!

Passamos o resto da tarde jogando, e é claro, eu venci mas acabei deixando Lucas ganhar uma vez. Até tinha ensinado os códigos legais para que ele fizesse os combos. Depois perdi minha vergonha na cara mostrei a ele minhas figuras de ação. Ele achou-as muito legais e queria até que eu desse uma a ele, no entanto é óbvio que eu neguei. Se ele soubesse o preço, aposto que não pediria.

E... Bem... Hoje eu descobri que por trás de uma pessoa sempre há uma história. E que não posso ficar me lamentando de minha vida sem pensar que há outras em que pessoas sofreram mais do que eu. Realmente o Lucas é o verdadeiro exemplo que eu deveria seguir.

No fim do dia Lucas teve de ir embora. Levei-o até a portaria do prédio, um pouco triste por ter que me despedir.

— Já estou indo, Victor. — Ele acenou para mim, colocando sua mochila nas costas.

Em uma ação involuntária, abracei-o. Eu era tonto mesmo.

Mas, por incrível que pareça, Lucas não se afastou de mim. Respondeu acariciando meus cabelos. Confesso que corei naquele momento.

Aquele era um abraço caloroso. Não queria desgrudar nunca mais dali. Era como aqueles abraços quentes que meu pai me dava ao raramente vir me visitar em Portugal. Era uma emoção dificilmente sentida.

Contudo, tive que me conter. Se eu continuasse ali, provavelmente ele me acharia muito estranho. Caras costumam se abraçar, não costumam?

— Certo. — Respondi Lucas. — Até outro dia!

Ele se foi com um sorriso nos lábios.

Foi um sucesso?

Notas finais
Até mais pessoal! Espero que tenham gostado. Talvez eu demore para colocar o próximo, não tenho muita certeza. E feliz dia das mães para as mães de vocês!