Notas iniciais
Eu demorei bastante para postar. Espero que ninguém tenha ficado bravo comigo, viu? Não pretendo abandonar essa história. Aliás, já tenho várias coisas planejadas para ela. Só vou ficar na espera de que gostem dessas minhas ideias, hahaha. Não revisei esse capítulo. Tem riscos de ter erros e fragmentos na história, portanto peço-lhes que me avisem se tiverem dúvidas, se o desenvolvimento estiver lerdo, se você quiser criticar ou se avistarem algum desses erros. Tudo bem... Chega de blábláblá e boa leitura, pessoal!

Fechei meu livro de mistério e fantasia, satisfeito com o final de uma obra tão grandiosa. Suspirei fundo e guardei-o em minha estante, já pensando na possibilidade de relê-lo em algum outro dia. Agora que terminei eu estava disposto a me aventurar pelas profundezas do tão conhecido “Facebook”.

Liguei o meu computador e esperei séculos para que ele ligasse. Assim que ligou, abri o navegador já entrando no Facebook, ansioso para ver se havia notificações naquele negócio.

E havia? Sim! Um novo recorde de quatro curtidas em minha imagem de perfil! E de quem era? Nada mais nada menos que as quatro malucas da escola: Lindsay, Carla, Milena e Alemanha. Eu ficava feliz ou triste?

Enfim, eu então passeei por lá para ver se eu encontrava algo de caras legais que eu precisava ter conhecimento. Fui ver o perfil de Lucas. Não que eu esteja invadindo sua privacidade, mas se existe redes sociais e perfis nelas, é para se ver, certo?

Passei as fotos e notei que havia um número de curtidas que jamais alguém como eu teria, porém ele era muito fotogênico então havia vários motivos para tais curtidas (Diferente de alguns que eu passava o olho e via que era impossível ter tantas). Como é que ele havia ficado tão popular em tanto pouco tempo? Eu preciso é acelerar com meu processo, isso sim!

Vi também alguns perfis aleatórios, percebendo a presença de várias garotas bico-de-pato (Aquilo era moda, não é possível) de pescoços tortos tirando fotos em frente a um espelho, empinando a bunda e estufando o peito como galinhas; e vários garotos com óculos esquisitos e bonés mal encaixados em suas cabeças. Em geral, tiro a conclusão de que o mundo é realmente muito estranho...

Acabei curtindo várias páginas relacionadas a anime, livros e jogos, entretanto muitas delas acabaram me decepcionando. As de anime e jogos a maioria colocava coisas como: “Com 100 curtidas Goku manda uma Genki Dama em cima dos funkeiros”, “Funk só olha, rock compartilha”, “Se você não conhece isso, você é poser”, “Curta a página acima se você já viu esse anime/jogou esse jogo”, “Rock, rock, rock”. Além de que eu via um horrível português dos administradores das páginas, piadas sem-graça cheias de palavrões e ecchi em excesso. Isso tudo se não fosse uma página divulgando outra com o mesmo conteúdo lixo. Aquilo me irritava!

Já nas de livros eu até apoiava! O problema era que o assunto estava todo naquela mesmice. Eles focavam em específicas sagas famosas, não divulgando e opinando outros livros que liam. Isso acabou me decepcionando, no entanto havia algumas páginas que salvavam todas as outras que eu havia curtido.

Joguei-me em minha cama, um pouco frustrado comigo mesmo. Mais ainda por não ter conseguido coragem para abrir o bate-papo para conversar com alguém. Eu havia amigos no Facebook, mas não quer dizer que eu falaria com todos.

[...]

Na segunda-feira amanhecera um dia cinza e chuvoso, chegando até trovejar. Estava um dia extremamente frio comparado aos outros da semana passada.

Mas, bem, eu sempre odiei frio e calor, assim como as chuvas também. O frio porque eu fico doente rapidamente e não tenho disposição em fazer nada, exceto ficar hibernando debaixo do cobertor. E o calor porque nós soamos muito e vemos aqueles velhos gordos sem camisa na rua. O ideal é estar fresco e nada de garoas!

Eu estava radiante, apesar de estar um dia muito cinzento. Fui até saltitando para fora de casa com o guarda-chuva em minhas mãos e mascando chiclete para parecer alguém maneiro. Se não tivessem pessoas na rua, eu estaria cantando alegremente alguma música de dia feliz, fazendo pausas para fazer aquelas bolas com o chiclete.

Todavia, quem disse que o infortúnio não atrapalharia a vida de um jovem contente?

Com todo aquele meu desatento às coisas, minha mochila caíra em uma poça de água. Para salvar todos meus queridos materiais fui logo a pegando e desencharcando ela, e com o desespero engoli o maldito chiclete! Com certeza eu iria morrer engasgado! Por essa causa que eu nunca havia comido sequer um chiclete. E realmente aconteceu de eu o engolir!

O ônibus que eu pegava havia acabado de chegar e eu não podia me preocupar com um chiclete travado em minha garganta. O problema é que sempre o desespero fala mais alto! E subindo para o ônibus, tossindo para aquele negócio sair, eu deixei o meu guarda-chuva cair no chão. Ele foi pisoteado por inúmeros pés e não consegui recuperá-lo. Até o perdi de vista depois daquilo!

Eu não sabia se eu ficava mais preocupado com o chiclete ou com a bela chuva que eu ia tomar após sair do ônibus. Por isso que odeio dias chuvosos!

[...]

Cheguei à escola atrasado e encharcado, tendo que ouvir uma bronca horrível do professor Watson (Por que logo ele estava dando aula?!) e ouvindo risinhos dos alunos, inclusive de Lucas. Ele era meu amigo, não era? Que bosta! Além disso, aqueles espirros idiotas haviam começado.

Felicidade é um pecado.

[...]

“Por que diabos Lucas acha graça de tudo?”, eu perguntava a mim mesmo enquanto estávamos no intervalo da escola. Eu havia trocado de roupa por uma dos “achados-e-perdidos”, e elas eram extremamente desconfortáveis e ridículas, fazendo com que eu fosse o alvo de bullying de uns garotos idiotas. E o chiclete na garganta? Nenhum sinal dele! Então era uma mentira que engolir chiclete matava?

— Cara, como é que conseguiu engolir um chiclete? Você é por acaso um retardado? — Lucas perguntou ainda dando mais risadas e comendo seu lanche.

— Foi no desespero...

Cruzei os braços tentando disfarçar meu acanhamento e tentei me concentrar em apenas comer meu lanche em silêncio. Já havia tido uma manhã terrível, e não estava com vontade de que outra coisa ruim me acontecesse. Mas, logo pude avistar aquelas quatro insanas vindo até nós. Aquilo já havia virado rotina!

O engraçado é que Alemanha não estava com seu típico panda na mão. Estava com um tigre! E para acompanhar a bizarrice tinha uma tiara de gatinho em sua cabeça.

— Que foto foi aquela do perfil do Victor?! — Carla já chegou “chegando”, se sentando em uma das cadeiras livres e se aproximando de Lucas.

— Pois é! Super kawaii! — Alemanha concordou com a amiga, fazendo gestos com seu tigre. Ela era uma maluca. E utilizar “kawaii”? ...

— Deu um nosebleed até! O Victor é muito uke, meu Deus! — Lindsay conversou como se não estivéssemos ali. Uke? Sangramento nasal? Que tipo de linguagem esquisita é essa?!

— E o Lucas serve muito bem para ser seme, não é? — Milena completou, arrancando um “Com certeza” em uníssono das colegas.

— Afinal, que conversa é essa? — Lucas questionou. — Vocês são meio engraçadas.

Engraçadas? Elas são doidas, Lucas! Você não percebe? Estão até criando mensagens em códigos para planejar nossas mortes!

— Ah, não! Lá vem ela, Lindsay. — Alemanha sussurrou para Lindsay, que fez uma cara de tédio.

Neste momento Victória chegou perto delas abraçando Milena. Ainda bem que veio pelo menos uma pessoa normal!

Vi que todas as garotas reviraram os olhos com sua presença. Desde o primeiro dia de aula, eu percebi: Elas não gostavam de Victória.

— Olá! — Ela berrou nos ouvidos da coitada da Milena. Não consigo acreditar que ela virou amiguinha dessas malucas! — Fui comprar lanche, mas não tinha o que eu queria...

— Ai, que pena, Vick! — Milena disse em um tom meio falso, se soltando do abraço dela como se estivesse repugnada. — Por que a gente não vai se sentar lá para conversar um pouquinho. Vamos, meninas?

— Fazer o quê. — Carla murmurou de braços cruzados, se levantando e acenando para nós logo em seguida com uma cara muito suspeita.

— Depois me chame no Facebook, Victor. Eu ainda não falei com você. — Lindsay disse para mim, dando uma piscadela esquisita, enquanto saía com seu bonde e a Victória. Aquelas meninas nem receberam a resposta da pergunta inicial, só vieram para falar, endoidar e depois se despedir.

Assim que as perdi de vista, dei um suspiro, satisfeito. Minha popularidade estava me cansando, meu Deus! Essas meninas não saem do meu pé!

— Elas são engraçadas, admite. — Lucas disse tentando conter as risadas. Ele tomava gás de riso, não é possível! — Viu a cara delas para a Victória? Nada indiscreto!

— Elas são problemáticas, Lucas.

Menos a Victória, claro.

[...]

No último período teremos uma aula interativa por conta do teatro que iremos fazer futuramente. A professora de Artes, Daiana, irá nos ajudar com simples dicas para atuação. Estive a todo o momento um pouco aflito, eu não sabia de nada de atuação. O único papel que me servia era ser uma árvore intacta no canto, utilizada como apenas uma decoração do cenário.

Já Lucas parecia que ia explodir de tão radiante que estava. Ele realmente gostava de atuar.

Por um outro lado eu estava contente. Essa aula era para ser a primeira de educação física, mas, felizmente, está chovendo o que nos impede de usar a quadra descoberta. ISSO!

Estávamos todos reunidos na quadra coberta, esperando a professora.

Quando ela finalmente chegara, eu arrepiei com medo. Eu sabia que iria me fazer de idiota nessa aula.

Daiana silenciou os alunos (Com muito esforço, obviamente) e pediu para que fizéssemos um círculo. Achei isso coisa infantil, que legal. Será que a aula vai ser de ciranda-cirandinha? Espero!

— Então, pessoal. A peça será apenas no final desse semestre, contudo precisaremos correr com os treinamentos para que a peça fique algo apresentável para os familiares, professores e alunos. Peço-lhes desde já para que procurem também alguma peça para interpretarem, para começarmos a ensaiar após alguns treinamentos. Alguma dúvida?

— A peça pode ser de que gênero? — Um aluno perguntou.

— Bom... Em todas as outras vezes aqui nessa escola os professores escolhiam as peças para que não houvesse algum tipo de discussão, e sempre eram os clássicos infantis ou uma peça de marco histórico. Porém, nós deixaremos vocês escolherem contanto que não haja muita confusão e seja algo decente.

— Nos romances pode ter cena de beijo, fessora? — Perguntou a líder das meninas bico-de-pato, com os olhinhos brilhando.

— Depende. Creio que será mais realista se isso ocorrer, mas é uma opção do aluno. Vamos supor que você é a protagonista que terá que beijar um garoto, no entanto você não gosta nada dele. O que você faria?

— Eu não o beijaria, né?

— Exatamente. Mas como eu sempre digo: O show tem que continuar. Portanto, não importa com quem você vai fazer a cena, é apenas uma encenação. Tenham isso na cabeça, pessoal.

— Ei, professora. — Um garoto chamou atenção. — Quem não sabe atuar pode cuidar de outras coisas?

— Claro! Pode cuidar do áudio, dos figurinos ou dos cenários e decorações. Bem... Pessoal... Vamos logo começar?

Oh, iríamos brincar de ciranda-cirandinha? Não! Daiana foi bem direta. Ordenou que primeiro tirássemos os sapatos.

Eu inicialmente não havia entendido o motivo daquilo, porém, obviamente ela explicaria o que deveríamos fazer.

— Esse é um exercício de foco. No palco, se você não há foco, você não atua. — Ela jogou rapidamente seu sapato para Lucas e ele o apanhou. — Quando se há foco, nada te impedirá.

Após isso, ela pediu para que lançássemos os sapatos sem deixa-los cair, alegando que isso nos daria foco. Eu não me saí muito bem no começo, já que sou péssimo nessas coisas de atenção e foco, mas depois de receber várias sapatadas na cara eu peguei o jeito.

No segundo exercício ela mandou escolher um parceiro e sentar na frente dele. Nesse um da dupla teria que rir e o outro chorar, sem perder o foco da sua ação. Ela disse que no palco você não precisa rir ou chorar de verdade, é apenas a interpretação e dramatização. Ao chorar não é necessário se derramar lágrimas, apenas demonstrar que há tristeza em sua ação. E ao rir atuando, você apenas precisa fazer com que arranque risadas reais da plateia.

Aquele exercício foi engraçado. Lucas parecia estar bem sério sobre aquilo, e era o que me fazia rir muito. Portanto posso dizer que foi meio que um fracasso.

[...]

Era um pouco triste sair da escola em uma garoa. Além do mais, eu já estava estressado de tanto espirrar. Provavelmente ficaria resfriado por conta do ocorrido de manhã.

— Ei, Madeira. — Lucas me chamou enquanto eu estava em dúvida em sair ou não sair da escola. — Não vai embora hoje, não?

— Meu guarda-chuva. Eu esqueci...

Eu não ia dizer que ele foi pisoteado por pessoas.

— Oh, certo. — Lucas se aproximou de mim e abriu seu guarda-chuva. Eu corei um pouco porque não queria depender das pessoas novamente, mas realmente me senti agradecido. — Agora vamos embora, cabeção.

Caminhamos um pouco juntos e eu me senti muito tímido naquele momento. Estávamos muito perto um do outro, embora nossos ombros estivessem sendo atacados pela garoa gélida. O clima estava ótimo naquele momento, a única coisa que atrapalhava eram os espirros que eu estava dando.

— Resfriar-se não é legal. — Lucas puxou minha cintura para que eu me aproximasse mais e ficasse debaixo do guarda-chuva. Meu rosto começou a ruborizar com tal ação inusitada. — Segure no guarda-chuva também, assim não perderemos o rumo.

— C-certo... — Fiz o que ele pediu, colocando minha mão no guarda-chuva também. Estive um pouco preocupado, pois Lucas esteve com a maior parte da chuva o atacando, eu também não queria que ele ficasse resfriado.

Ele sorriu para mim e eu involuntariamente virei meu rosto. Eu estava envergonhado e um pouco sem ação naquele instante. Ninguém nunca tinha dividido um guarda-chuva comigo.

— Então, Madeira, você gostou das aulas de teatro?

— Ah, sim... Foram legais. Eu gostei do modo maluco da professora dar aula. E você?

— Eu também. Já tive exercícios como esses na minha outra escola... Foi um pouco nostálgico relembrar, sabe?

Notei que a fisionomia de Lucas mudou um pouco. Ele deve ter relembrado aquele incidente que havia me contado. Achei melhor não mencionar no assunto.

— Sim...

— A minha casa fica por ali. — Ele apontou. — Estou indo já, Madeira. — Lucas tirou as mãos do guarda-chuva.

— Ei, mas e o guarda-chuva?

— Resfriar-se não é legal. — Lucas repetiu e descabelou meus cabelos, saindo e acenando. Isso não estava certo! O maluco ia se resfriar sendo que diz que isso não é legal!

Olhei para o presente deixado e voltei a caminhar, perdendo-me em meus devaneios.

Quer saber? Eu gosto de chuvas.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Venho com outro capítulo em breve.