Notas iniciais
Foi mals pela demora ;-; hey, vou tentar mostrar a Reddie pra vocês, só que minha habilidade pra isso é tipo a da minha avó, então, por favor, avisem nos comentários se conseguiram abrir a imagem ou nas notas ou no texto. Boa leitura! :v file:///C:/Users/Windows%208/Pictures/37514d3a42ca618dbc3920238f3e61f4.jpg

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— Você está quase perdendo a cabeça...

— Olha que fracasso, mal consegue achar Edward. É um desperdício de tempo.

— Calem a boca! – Gritei colocando as mãos nos ouvidos. – Eu estou tentando!

— Suas tentativas são inúteis!

— Eu juro que estou procurando!

— Do que adianta se está falhando? Devia se matar, você não serve pra nada! – Disse Guilherme, seu rosto tão ossudo e ensangüentado quanto no primeiro pesadelo me deu náuseas.

— Preciso acordar, preciso acordar... – Sacudi minha cabeça violentamente, mas era inútil, eu ainda estava no corredor, e o pesadelo só acabava com o rosto de Patrick desaparecendo em chamas.

Eu corri pelo mesmo corredor, queria que acabasse logo. Era um roteiro que eu não conseguia fugir. Sempre que tentava por outros corredores, as portas estavam trancadas, me deixando sem opção.

Me vi novamente cercada pelos mortos. Todos se empurrando para me atacar com se eu os tivesse matado. Eu tentava me acalmar, mas nunca dava certo. Por mais que o pesadelo não fosse tão vívido quanto antes, ainda me dava ataques de pânico, me deixando sem ar e com a mente enevoada.

— Reddie? Reddie, acorda!

Por que alguém estava me chamando? Ninguém nunca me chamou. A voz estava distante, quase imperceptível entre os acusamentos que sibilavam nos lábios rachados e pálidos, mas começou a ficar mais alta e então eu acordei com leves sacudidas nos meus ombros.

Eu me sentei na cama suando frio, e embora minha preguiça matinal tenha me cegado um pouco, era Bryan que estava ali me acordando.

— Mas o quê...? – Resmunguei sonolenta esfregando os olhos.

— Eu vim te acordar pra tomar café... E você estava gritando, acho que estava tendo um pesadelo.

— Ah. – Eu cocei um pouco minha nuca – Bom, vamos tomar café.

Bryan abriu a boca como se quisesse perguntar algo, mas preferiu ficar calado, o que agradeci mentalmente. Eu não iria explicar o motivo dos meus pesadelos pra um desconhecido.

Ele já ia chamar Ethan, porém fiz um sinal pra ele se calar. Minha perna não estava latejando tanto quanto no dia anterior. Coloquei as pernas para fora da cama e mesmo me apoiando na parede, estava doendo muito, mas era mais digno mancar do que ser carregada por um convencido até a cozinha. Calcei um par de chinelos pretos.

— Você está mesmo bem...?

— Tô ótima. – Mentirosa do ano: Eu. Podem dar um Oscar. – Tá esperando o quê?

Ele arqueou uma sobrancelha, como se pensasse “Que pressa hein?”. Ele andou mais devagar pra me acompanhar. Eu ia me apoiando na parede, arrastando o meu pé, até que Bryan ofereceu seus ombros pra me apoiar e eu aceitei, o que diminuiu um pouco a dor. Ele devia ter uns 14 anos.

— Também é caçador?

— Eu? Nem – Ele riu – Sou o perito de missões, digamos assim. Eu procuro os casos. E hackeio o sistema do governo pra saber o que estão fazendo.

— Quantos anos você tem? – Franzi o cenho.

— 17.

— ...

— Tá. Eu já sei que a puberdade não me deu aquela cara de homem. Não precisa jogar na cara!

— Eu não falei nada...

Ele riu um pouco e continuou me guiando até a cozinha pelos corredores. Aquilo ali parecia um labirinto.

Chegamos a cozinha e eu realmente tive a esperança que tivesse algo saudável. Tinha suco de laranja. Acho que da torre de panquecas de chocolate com calda somente as amoras e mirtilos em cima eram a parte saudável. Já nos ovos com bacon e queijo e chocolate quente eu não via tanta coisa.

Céus. Eles querem me engordar ou o quê?

Eu sentei na mesa e eu REALMENTE esperava que não estivesse com aquela cara de zumbi faminto. Luna estava com um avental lavando os pratos e Ethan estava esfregando as mãos diante de seu prato com panquecas.

— Bom dia – Luna disse – Espero que goste do café. Gosto de tratar bem as visitas. E eu deixei roupas pra você no banheiro.

— Ah, bom dia. Você fez tudo isso? – Gesticulei com uma mão para a mesa. Lutei para que um rubor não aparecesse em minhas bochechas.

— Que nada, ela foi na cafeteria e comprou tudo – Riu Ethan – Essa daí mal sabe fazer um miojo.

— Cala a boca, Ethan! Eu sei fazer miojo, só não fica no ponto – Ela cruzou os braços. Quis rir, mas continuei séria.

Ethan deu uma risadinha quando olhou pra mim e arqueei a sobrancelha.

— O que é engraçado?

— Seu cabelo. – Ele riu mais – Você parece um porco espinho.

— Você tem algum tipo de preconceito com porco espinho?

— Não.

— Então pronto – Dei de ombros.

Estava com vergonha de perguntar se tinha alguma fruta. Luna tinha se dado ao trabalho de comprar um café da manhã. Eu estou sendo educada, meu povo! Não é porque tá criando baba na minha boca. Eu só estou sendo educada e nem tô olhando pra minha torre de panquecas feito um gato de botas. Okay? Okay.

Espera, isso é da a culpa é das estrelas, não é? Foi mal, não me processem.

Juro, eu juro que quando minha perna estiver 100% e eu sair daqui, farei cinqüenta flexões.

Estava determinada a comer só uma panqueca. Mas pela educação... Eu acabei comendo a torre inteira. E na boa, aquilo despertou meu espírito faminto e a lombriga na minha barriga. Eu fiquei tentada a pedir mais um prato, porém me controlei. Chega de gorduras por hoje.

Auto controle, Reddie... Ignora o bacon. Lembra das vezes que você ignorou o doce de leite nas prateleiras do supermercado? Faz isso de novo. Só que com o bacon.

Respirei fundo. Sem descontrole. Beleza. Já bastam as panquecas. Tomei um copo de suco.

— Quer mais, Reddie?

— Quero – A palavra saltou da minha boca praticamente e Luna riu me servindo mais um prato que eu comi com prazer.

— Ethan, leva a Reddie pra sala.

— Agora virei burro de carga ou o quê?

— Burro você já é. De carga é uma qualidade a mais. E eu já consigo mancar. – Cruzei os braços.

— Você não deve se esforçar, sabia? Já ouviu falar da palavra descanso? – Luna me olhou por cima do ombro. Engraçado que ela nem me olha feio por insultar o irmão dela a torto e direito.

— Não está incluído no meu vocabulário.

Ethan terminou de comer e me carregou pra fora da cozinha. O que me fez revirar os olhos.

— Hey, pode me levar para o banheiro? – Ele me levou até lá e eu desci dos seus braços, mancando para dentro do banheiro e fechei a porta.

Mesma cor dos corredores, preto e branco. Me olhei no espelho e tomei um susto.

Caralho, eu estava um horror.

Geralmente não ligo pra estéticas de beleza da sociedade, mas aquilo ali era um fracasso de ser humano. Eu parecia um porco espinho mesmo, com olheiras, lábios um pouco rachados, mais pálida que o normal, provavelmente porque boa parte do meu sangue foi fervido para fora do meu corpo e estava com a cara amassada de sono.

Avistei as roupas que Luna havia citado em cima da pia. Agradeci mentalmente por ser uma calça moletom preta e uma camiseta de mangas compridas. Aquele lugar era meio frio. Tomei um banho, o que deu trabalho, considerando que tive que passar um plástico nos meus curativos e meu braço estava doendo pra cacete e resolvi lavar o cabelo, porque contando com os dias que fiquei desmaiada com os dias antes disso eu estava a uma semana e três dias sem lavar.

O que foi? Eu ia lavar depois de derrotar a alcateia. Parar aqui foi um contratempo.

Escovei os dentes e penteei o cabelo, secando com uma toalha, tirei minhas lentes, só que eu não tinha a caixinha, então coloquei em cima de um chumaço de algodão. Substituto inadequado? Sim. Não façam isso em casa. Vesti a roupa e me senti revigorada.

Abri a porta e vi que Ethan estava impacientemente encostado na parede.

— Poderia ter me avisado que ia demorar.

— E do que adiantaria?

Ele franziu o cenho quando focou o olhar em mim.

— Mas que porra...?

— Espere aí... – Eu comecei a falar e tentei gesticular pra ele não avançar, mas no segundo seguinte, com um velocidade surpreendente até pra mim, Ethan estava atrás de mim segurando uma lâmina contra meu pescoço e seu braço estava me apertando abaixo da área da clavícula contra ele. Ora, ora parece que alguém além de mim vive armado – Aff.

— O que você é? Como conseguiu entrar aqui?

— Humana. Sei lá. Eu não lembro nem a hora que entrei aqui – Revirei os olhos – E meus olhos são naturais e blá, blá, blá.

Ele empurrou a faca ainda mais contra minha garganta.

— Pare de mentir.

— Cara, eu sou humana. Pronto, merda!

— Todo o lugar está cheio de feitiços e selos, nada sobrenatural pode entrar aqui.

— Então por que ainda me pergunta, criatura? – Em um movimento rápido tirei a faca da minha garganta e me afastei de Ethan. – Agora se me der licença...

Odeio quando pessoas se aproximam demais de mim. Já basta ele me carregando feito um saco de batatas.

— Por que seus olhos são vermelhos?

— Porque o universo quis! Sei lá, nem eu sei, porra.

— Para de ser grossa, garota, só estou perguntando.

— É que até sua voz é irritante.

— Tem algo em mim que não te irrite?

Parei de mancar, embora nem soubesse aonde estava indo, e me virei para olhá-lo.

A aparência dele me irritava, por que ele tinha de ser bonito sendo que caga tanto pela boca? A idiotice dele me irritava. O fato dele ter me salvado me irritava.

— Sinceramente, até sua existência me irrita.

— Ai – Ele colocou a mão no peito fazendo uma careta, mas não parecia verdadeiramente ofendido.

Esse aí é osso duro de roer. Revirei os olhos novamente e bufei. Caramba. Acho que uma semana aqui vai fazer meus olhos desistirem de voltar pro lugar.

Pensei que Ethan me deixaria em paz, mas ele se aproximou e me carregou de novo.

— Não sei se percebeu, mas eu já consigo andar! – Tentei me debater, mas tive que conter um gemido pela minha perna.

— Se você chama rastejar como uma lesma de andar... Não posso fazer nada. – tentei socá-lo no peito – Se não parar com isso, eu vou te derrubar aqui no chão.

— Vai se ferrar.

— Só se você ir junto, filhote de chupa cabra.

— Seu repertório de insultos está de parabéns! – Bati palmas com um sorrisinho cínico. – Cabeça de fósforo, filhote de chupa cabra... Quanta criatividade!

Ele revirou os olhos e me levou pra sala onde me colocou num sofá muito confortável. Haviam três deles, com uma TV de plasma gigante acoplada na parede aberta na Netflix, tinha uma mesinha de centro com uma vasilha com jujubas e outros doces. Um tapete felpudo enorme estava sob a mesinha e todos os sofás cor de marfim.

Jujubas...

Não sabia que o inferno tinha tanta tentação. Ethan literalmente se jogou num outro sofá e pegou o controle.

— Me diga pelo menos qual a sua série favorita.

— Não assisto Netflix.

— Sua vida deve ser muito triste.

Imagina... Pensei melancólica.

Ethan clicou em Grey’s Anatomy.

Aliás, eu gostaria de passar um aviso pra vocês, fãs dessa série.

Assistir 13 temporadas de Grey’s Anatomy não te forma em medicina.

E eu sei disso porque uns meses atrás, salvei uma adolescente de um lobisomem e quando viu meu braço arranhado ela falou “Deixa que eu te ajudo, sou formada em 13 temporadas de Grey’s Anatomy”. Ela desmaiou quando chegou perto do ferimento. Eu recomendo a vocês uma faculdade de verdade, um estágio e um cursinho. É excelente.

Começou o episódio e Luna e Bryan entraram na sala.

— Opa, hora da maratona! – Disse Luna e ela e Bryan se sentaram ao meu lado com um balde temático de Guerra Civil lotado de pipoca amanteigada e uma garrafa de dois litros de coca-cola, a garota com orelhas de panda (Que parecia nunca tirar, me perguntei se ela não sentia dor de cabeça) encheu a boca com um punhado – Quer um pouco?

Aceitei um pouco de pipoca e fiquei olhando a abertura da série.

Quatro temporadas depois...

Por que série é uma coisa tão maravilhosa? Sério. Séries são a solução para a paz mundial! Quem quer jogar bomba na Síria se estiver assistindo uma artéria explodir em Grey’s Anatomy? É uma grande perda de tempo. Pra quê se drogar se você pode assistir The Vampire Diaries de boas comendo chocolate? Netflix, seja a salvação do planeta Terra.

Eu, pelo menos, vejo guerras como perda de tempo. Basicamente são pessoas que não querem respeitar a opinião alheia e dão chilique se elas entram no seu país (É assim que se fala as causas da guerra quando não contextualiza). Odeio discutir sobre religião. Caramba, é esse o motivo do Oriente Médio estar em guerra. Por favor, eles poderiam estar assistindo ao Ian Somerhalder e a Nina Dobrev. Mas nãããoooo, tinham de aterrorizar a vida dos outros. Beleza né.

Luna estava deitada na frente de Bryan e eu estava na outra extremidade do sofá com vergonha de colocar meus pés nele. Esses caras devem ter diabetes. Luna havia bebido a coca-cola sozinha e tinha buscado por mais uma garrafa. Eles ficavam apostando o que iria acontecer, e embora me perguntassem o que eu achava e eu já tinha meus palpites próprios, apenas dava de ombros.

Não queria criar intimidade com eles. Exceto Ethan, eu gostava deles. Porém eu não estou precisando de distrações. Peguei mais um punhado de pipoca fuzilando a vasilha com jujubas. Já basta a manteiga da pipoca. Se eu comer uma, já era. Eu vou mandar o pote todo pra dentro se isso rolar. E isso não vai rolar.

Foco no fitness.

Crianças e adolescentes, eu sou um exemplo! Sigam uma dieta saudável, porque mesmo se você for magro, a diabetes e o colesterol aparecem do nada.

É. Acho que agora entramos na categoria livro educacional. Nossa. No dia que isso virar livro educacional, meu cabelo fica loiro e eu uso salto alto. É capaz de uma criança ficar traumatizada lendo isso aqui. EU estou traumatizada! Não sei nem porque alguém se interessa por uma desgraça atrás da outra nessa merda.

Continuamos assistindo e só depois de muito tempo terminamos a maratona. Luna havia pegado uma tigela de sopa pra mim ás vezes. Ela realmente não sabia cozinhar. Não é que a sopa estivesse ruim, é que dava para saber que era enlatada mesmo. Minha perna e meu braço haviam parado de latejar, embora ainda sentisse uma dor excruciante a cada passo. Mas já era o suficiente pra eu não precisar de Ethan me levando no colo para todos os lugares.

Eu não conseguia sair do meu quarto sozinha porque eu não conhecia o lugar. Eu só queria ir ao banheiro e acabei no arsenal de armas, onde Luna estava afiando uma katana. Contive um sorriso prepotente ao ver que meu arsenal era melhor que o deles. Ah, qual é? Não posso me achar um momento nessa vida?

Eu tinha uma quantidade maior de facas e revólveres, tinha sangue e ossos de várias criaturas à minha disposição.

— Como você veio parar aqui? – Ela perguntou confusa.

Acho que eu parei muito longe pra ela me perguntar desse jeito.

— Hã... Eu só queria ir ao banheiro. – Estreitei o olhar.

Ela me levou ao banheiro e com uma guia foi bem mais fácil ir escovar os dentes. Eu estava ansiosa para voltar a caçar. Meu tempo sendo desperdiçado quando eu poderia passar mais um dia caçando e treinando. Mais uma noite procurando sem parar o maldito do Edward.

Os pesadelos pareciam ter ficado mais vívidos como uma espécie de aviso e lembrança. A não ser que alguém me acordasse, eu ficava presa naquela falsa dimensão, assustada e com medo, feito um roedor num ninho de cobras. Não havia só lado negativo em ficar aqui. Confesso que é bom quando alguém me acorda. Luna, Bryan ou até mesmo Ethan. É um alívio, um tipo de quebra daquele roteiro mórbido.

Também há o lado positivo do Ethan sem camiseta perambulando pela casa. Brincadeira, são os livros de ficção científica mesmo, mas o Ethan não deixa de ser uma excelente decoração, embora faça merda pela boca. Quando ele apareceu desse jeito pela primeira vez, Luna ralhou um pouco com ele. Eu fiquei de boas (Pelo menos, preferi deixar transparecer isso), um corpo é um corpo afinal.

— O que custa você esperar a Reddie ir embora?

— E qual o problema? A garota já usou todos os insultos possíveis comigo.

— Não duvide da minha criatividade – Pisquei pra ele. – Eu ainda não usei meu vocabulário todo.

Uma tatuagem tribal preenchia desde o seu cotovelo direito até metade do peitoral e ocupava boa parte das costas. O símbolo protetor de anti-possessão estava no seu peitoral esquerdo. Ele tem um abdômen definido e um bronzeado que fez eu me perguntar se ele tinha nascido na Califórnia.

Eu poderia zoar Ethan a respeito dele ser chato, ingrato, lerdo, irritante, mas não tinha o que falar de sua aparência. Como eu disse, a beleza é vida louca e se infiltra em quem quer.

É tipo o crush bonitão que não te nota. Ele não merece aquela beleza toda. Ele merece é uns socos na cara por visualizar e não responder suas mensagens.

Tenho minhas tatuagens, mas prefiro escondê-las. O símbolo de anti possessão também está no meu corpo, mas na base da barriga. Como uso moletons ou camisetas um pouco longas, ela nunca aparece. Há sete pequenas estrelas circundando meu pulso, que geralmente está coberto pelas pulseiras de couro. A outra é a pequena silhueta de um gato atrás da minha orelha. Discretas, mas gosto delas.

É quase obrigatório ser caçador e ter o símbolo de anti-possessão. A não ser que eu queira ser possuída por um demônio.

Foi uma semana bem pombo. E que passou bem devagar, mas finalmente minha perna voltou ao normal. O que significou que eu poderia correr atrás de Ethan quando quisesse bater no cabeça oca, quero dizer, que eu poderia finalmente sair dali. Um dia acordei e simplesmente não senti mais dor, embora quando tirei os curativos, haviam cicatrizes enormes. Testei minha perna, correndo no quarto e dando pulinhos e agachamentos. Estava praticamente perfeita, o que me levou a um gemido de alívio.

Eu estava pronta para partir. Tomei um banho. Fui em direção a cozinha, único lugar que aprendi a ir por conta própria. Luna estava discutindo com alguém no telefone e pela primeira vez a ouvi quase descontrolada de raiva.

— Por que eu te ajudaria? Como assim? Eu não sou sua filha há anos! Agora que precisa de ajuda eu presto, é?

Uh, treta de família. Me senti uma invasora escutando o que não lhe cabia. Porém ao mesmo tempo também não movi minhas pernas até uma distância segura.

— Eu não quero saber, Harold! Se vire! Não era você que vivia se gabando por seu grupinho? Ah, morreram? Bom, não estou nem aí! Não vou aparecer aí só porque você precisa! Eu não sou a garota incompetente? – A ouvi respirar fundo – Dinheiro? – Ela riu pelo nariz – Harold, você nem tem onde cair morto. Eu sei que Ethan também não vai querer ir!

Ela discutiu no telefone por um bom tempo, mas aparentemente Harold ganhou.

— Eu vou tentar trazer reforço, tem uma garota que pode ajudar – Opa. Eu sou a garota? Eu quero saber realmente como ela irá me convencer, eu não pretendo ficar nesse lugar um dia a mais agora que estou bem – Bryan te odeia também! Não espere nada.

Ouvi o bip do telefone sendo desligado e esperei um tempo pra entrar na cozinha, onde Luna estava com os dedos enfiados no cabelo castanho bagunçado. Ela estava nervosa e me olhou assustada quando entrei, provavelmente se perguntando se eu a tinha ouvido praguejando o pai no telefone, completamente diferente da habitual contente e gentil Luna que ela me mostrou enquanto estive aqui.

— Bom dia – Falei, decidida a usar meu talento de atriz para disfarçar que tinha ouvido o que não devia – Hey, olhe só, estou ótima! Irei embora hoje – Sorri um pouco, o que realmente não fiz com frequência na minha estadia.

Me servi de uma xícara de café posta na mesa.

— Preciso te pedir um favor. – Ela me olhou suplicante.

Que merda. Eu já ia negar, mas ela cuidou de mim a semana inteira, trocando meus curativos e me dando remédios.

— Qual seria?

— Você quer voltar a caçar logo, certo?

— Certo. – Estreitei os olhos.

— Que tal em grande estilo? Meu... Um cara quer ajuda pra caçar uma alcatéia de monstros que ele nunca ouviu falar. Maior parte do grupo dele está morto.

— Bom, eu acho que... – Tomei mais um gole, e ela me interrompeu.

— É em Londres.

— Mas o quê? – Engasguei, por pouco não colocando pra fora o café. – Caramba, você quer que eu vá pra Londres, Luna? Aí já é difícil! Não sou o tipo de pessoa que trabalha em equipe.

— Eu sei que estou pedindo muito, mas pense! Para o cara estar me pedindo ajuda... Ele deve estar realmente na merda – Ela abaixou a voz e pareceu triste e melancólica por uns instantes, até lembrar que eu estava ali – Por favor, me ajuda. Já vai ser difícil convencer Ethan e Bryan, preciso saber que pelo menos alguém está nessa comigo.

A olhei e suspirei fundo. É cada uma que me aparece.

— Está bem. – E tomei mais um gole da xícara de café, que me desceu amargo.