As Cronicas de Ivy Turner- O Predador
5 Tenho um Pedido a Fazer
IVY
1
O sorriso de Oliver era um misto de simpático e travesso. Parecia ser o tipo de pessoa que constantemente fazia piadas para chamar atenção dos outros e podia tirar você do sério com suas piadas se quisesse. Esse era exatamente o tipo que incomodava Ivy. No instante em que viu o garoto loiro, teve certeza que mais cedo ou mais tarde perderia o controle e o arrebentaria.
VAMOS COM CALMA ELE NÃO FEZ NADA, AINDA, pensou Ivy. Ele apenas acenou com a mão esquerda. Oliver usava uma camisa xadrez verde de flanela e shorts marrom escuro. Estudou o novato com perícia e fixou seu olhar nos olhos de Ivy, o que o deixou desconfortável.
—-- Quem sabe dessa vez um oponente digno. --- disse Oliver.
--- Você quer saber se pode me derrotar? Por que não tenta? ---Ivy imediatamente entendeu aquilo como um desafio.
--- Você sabe que estou falando do jogo certo?
Ivy se sentiu um idiota. Ele havia feito uma promessa para sua irmã sobre fazer as coisas darem certo e no instante em que chegou já formou uma opinião sobre aquele garoto sem que tivesse feito nada. SEJA AMIGÁVEL, repetiu para si mesmo.
--- Claro que é do jogo, do mais seria? --- respondeu finalmente.
--- Ótimo então pode ir se sentando por qu-
--- Quer parar com isso? --- Ele acabou de chegar nós nem nos apresentamos ainda. --- disse uma garota dando um passo a frente.
--- Exato Caitlin. --- interveio Jack. --- Vocês vão acabar assustando ele.
--- Ele não um bicho ou coisa do tipo --- retrucou Oliver.
--- Primeiro ele se acomoda, foi uma viagem longa, ele toma um banho, arruma as malas --- ele olhou para trás e percebeu que Ivy só carregava uma mochila --- mala, e encontra vocês no jantar.
--- Ok. Mas está marcado, você não vai fugir dessa tão fácil.
Ivy achou estupidez Jack tê-lo levado até o cômodo só para dizer que não teriam tempo de se conhecerem naquele momento.
As pessoas estavam caladas de maneira estranha. Assim como acontecia com todos que o viam pela primeira vez. Por mais que estivesse acostumado com a situação aquilo ainda o irritava.
Jack saiu dando as costas para a sala e indo na direção das escadas mais uma vez. Ivy o seguiu e enquanto olhava por cima do ombro, Oliver e a garota, Caitlin, acenaram.
No terceiro andar foram para o segundo cômodo a esquerda das escadarias. Era um quarto espaçoso com duas camas dispostas em lados opostos no interior. Havia um criado mudo ao lado de cada uma e a da direita tinha um notebook em cima.
—-- Eu vou dividir quarto com alguém? --- perguntou o garoto.
—-- A sim. Você tem algum problema com isso?
Ivy de fato não tinha, ficou apenas surpreso. A diretora do orfanato se empenhara tanto para deixa-lo sozinho que ser posto nessa situação tão banal lhe causou estranheza.
—-- Tudo bem. --- respondeu.
—-- Então é isso. Tudo a direita do quarto é seu.
Ivy mais uma vez estranhou. No instante em que soube que dividiria o quarto com alguém, achou que o lado vazio seria o seu.
Jack o deixou sozinho. Ivy quase teve certeza que não dormia ninguém lá até, por curiosidade, abrir a gaveta do criado mudo esquerdo e encontrar uma única muda de roupas. O garoto parou de circular pelo cômodo e foi até a porta que ficava na frente da entrada do cômodo presumindo que fosse um banheiro. Lá dentro lavou o rosto. Notou que seu cabelo estava mais longo que o de costume, parte das mexas lhe caíam na altura do peito.
Depois que tomou banho, pôs apenas uma camiseta regata branca e calças jeans antes de descer e conhecer, de fato, as pessoas me moravam ali. Ele se sentou nervoso ao encostar na maçaneta da porta para sair pois tinha a sensação de que não teria mais volta, pois no instante em que os conhecesse seria oficialmente um deles.
2
Ivy sabia exatamente para onde ir dessa vez, embora não soubesse como. Foi para o térreo, na primeira porta no lado esquerdo da entrada. E lá entrou todos em um enorme salão, com duas grandes mesas que conseguiam acomodar todos com facilidade. A comida já estava posta na mesa e todos faziam piadas e riam enquanto comiam. Oliver acenava com uma enorme coxa de frango na boca para Ivy que ainda estava parado na entrada do salão. Uma das pessoas já estava de saída quando Ivy foi na direção da primeira mesa, onde Oliver estava. Reconheceu o garoto, era Josh, o cara que tinha perdido o jogo. Ao se cruzarem ele pôs a mão em seu ombro com um sorriso simpático e sussurrou o que Ivy achou que fosse um “seja bem-vindo”.
As pessoas pareciam mais à vontade dessa vez pois agiam naturalmente e até direcionavam comprimentos com a cabeça e acenos para o novato. Abriram espaço para que Ivy se sentasse no meio deles.
Oliver tirou a coxa da boca, mastigando metade dela sem preocupação alguma com etiqueta, o que fez Ivy se sentir mais à vontade.
—-- Sem interrupções dessa vez --- disse Oliver olhando para todos.
Oliver apresentou cada pessoa sentada a mesa, apenas os internos, como se tivesse fazendo a chamada na escola. Caitlin não se contentou em cumprimentar Ivy, ela se levantou, deu a volta na mesa e o abraçou, dando as boas-vindas. Usava uma blusa azul clara, calças dias e deixara os longos cabelos pretos longos soltos. O garoto Josh voltou a mesa trazendo uma Jarra de suco. Todos pareciam receptivos, exceto uma garota ruiva, que Oliver havia apresentado como Barbara, que estava no fim da segunda mesa.
—-- Cara --- iniciou Josh --- Você não tem sorte. Poucos de nós são apresentados a esse mundo sendo atacados por criaturas famintas.
—-- Ele tem razão, você nasceu na melhor geração de transcendentes. --- apoiou Caitlin. --- passamos séculos desunidos, sem ter ideia alguma de quantas pessoas do nosso tipo existiam por aí. Todo tipo de informação sobre magia era escasso. Antes de fundarem a Ordem a única coisa que conseguíamos era tentar nos desenvolver por conta própria no meio dos ignorantes.
—-- Eu ouvi Jack usando esse termo. O que quer dizer? --- perguntou Ivy, curioso.
--- Bem o conhecimento que nos permite sentir e manipular magia é chamado de Verdade. Sendo assim todos que não conhecem a verdade são Ignorantes. —-- respondeu uma garota loira (seu nome devia ser Chloe, mas o garoto não tinha certeza) ao lado Ivy. --- acredite nossa geração tem acesso a uma infinidade de conteúdo que vem sendo composto pela Ordem. Temos potencial para superar o nome muitos membros importantes do nosso povo, como Hércules talvez. --- Encerrou a garota brincando.
--- Ela está certa. --- confirmou Oliver balançando a cabeça sorrindo (como esse cara está o tempo inteiro sorrindo?).
--- Você foi atacado por uma criatura olhos vermelhos? Grande coisa. Antes de parar aqui um grifo me envolveu em suas garras e me levou até o Grand Canyon. --- Disse um jovem de cabelo castanha com sardas no rosto, Peter.
--- Quantas vezes você vai vir com essa história? Essa ideia do grifo não cola --- argumentou Chloe.
--- Vocês falam do quanto somos incríveis, mas não vi nada de impressionante vindo de ninguém aqui até o momento. --- disse Ivy pondo um fim a discussão inútil do grifo.
Uma flecha flamejante passou bem perto do rosto do garoto. Enquanto ele desviava, se inclinou para trás e viu a parede sendo acertada e atravessada como se tivesse a força de um fuzil. Quando voltou a olhar para frente viu a garota ruiva, Barbara, de pé, caminhando na direção da saída.
Quando a porta bateu, Oliver tentou quebrar a perplexidade no rosto de todos que permaneciam em silencio até então:
--- Ela sabia que desviaria. Eu acho.
Ivy achava o oposto, aquele disparo havia sido um alerta para que não tentasse desafiá-la ou até zombar dela, como havia feito com o comentário, ele precisava tomar cuidado. Mas de fato a intenção dela não era de machucá-lo, ele sentia isso. Ivy começava a confiar cada vez mais em sua intuição.
--- Bem, estou meio sem jeito, por você ser novo aqui e tal --- continuou Oliver --- mas tenho um favor para te pedir.
CLARO QUE TEM, pensou Ivy. Haviam dado um teto para ele, comida e até um notebook. Nada daquilo poderia vir de graça.
--- Não é nada demais --- continuou Oliver --- É só que, sabe aquele velho senhor que foi seu motorista?
--- Sim --- respondeu Ivy analisando exatamente o que iria lhe custar.
--- Ele é uma espécie de faz tudo, e não gosta nada de mim por causa de algumas ah... brincadeiras. A alguns dias ele pegou uma pequena gaiola de metal que pertence a mim e a mantem na casa dos fundos onde ele deita a cabeça. Você pode pegá-la para mim?
--- Por que você mesmo não pega? Ou qualquer um aqui?
--- Por que ele nos conhece a muito tempo, conseguiria sentir qualquer um de nó chegando antes mesmo que pisássemos no chão da casa. É um item muito importante para mim. --- Apesar do tom sério da conversa o garoto ainda tinha um leve sorriso no rosto enquanto falava. --- Você pode fazer isso para mim?
Ivy se lembrara mais uma vez da promessa que fizera para sua irmã Alice. FAÇA AS COISAS DAREM CERTO, repetiu para si mesmo.
—-- Pode ser --- finalmente respondeu --- É só me dizer quando.
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