As Cronicas de Ivy Turner- O Predador
7 O Homem que Faz Tudo
IVY
1
Foi a primeira vez que Ivy observava o território em volta da casa com atenção. A vegetação era bem variada de forma que o garoto sequer ousava nomear, podia se encontrar qualquer cor nela. O mais estranho eram os coqueiros (que com certeza não deveriam existir ali) disposto de maneira aleatória à primeira vista, mas que se observados com atenção, podia-se notar que estavam dispostos pelo terreno em volta da casa, hora formando fileiras, hora mais dispersas. Ivy demorou para montar todos em sua mente e perceber que formavam a imagem de um vaga-lume. De tantos animais ameaçadores para representa-los por que escolher um inseto estupido que brilha. Mais estupido que isso foram os trinta segundos que ele desperdiçou pensando a respeito, Ivy se repreendeu.
Dessa vez o clima não era deserto como no dia anterior, os internos (membros, eram assim que gostavam de ser chamados) podiam ser vistos em várias áreas, metade deles parou para jogar queimado, e faziam muito barulho, provavelmente era uma distração. Além dos membros, Ivy consegui enxergar vários funcionários trabalhando na propriedade, cada um devidamente trajado para a tarefa que estavam executando, alguns tratando das plantas, isso dificultava na identificação delas.
Atrás do casarão se encontrava o lar de Tom, o faz tudo, tudo o que ele tinha que fazer era entrar lá, pegar um objeto e sair sem ser percebido, o garoto já tinha feito coisas como aquela centenas de vezes. Tudo parecia fácil de mais, especialmente quando Ivy se recordava do sorriso no rosto de Oliver quando lhe pedia o favor. Aquilo com certeza era um trote, algo que faziam com todos os novatos vaga-lumes (ele torcia para não ser chamado assim).
A porta dos fundos da casinha estava aberta, o que o garoto não estranhou. A casa estava desarrumada, a porta o levou a cozinha que estava cheia de garrafas de bebidas vazias espalhadas. Ivy escutava o barulho de uma TV ligada e estranhou quando viu o velho Tom sentado em uma poltrona no meio do dia assistindo um jogo de futebol americano enquanto segurava uma garrafa de cerveja e xingava algo. A casa não tinha quartos, não haviam muitos lugares para esconder a gaiola de Oliver. Ivy notou que o objeto que procurava estava numa mesinha ao lado da poltrona. O garoto se sentiu estranho por ter gostado disso, finalmente alguma dificuldade. Ele torcia para conseguir pegar aquilo enquanto o velho estava entretido com o jogo. Ele caminhou abaixado lentamente e com cuidado para que o senhor não o percebesse invadindo a casa, seria uma primeira impressão horrível já que aquelas pessoas lhe acolheram. Quando estava próximo o suficiente da parte de trás da poltrona, ele lançou sua mão com cuidado, aproximando-se da gaiola quando se distraiu com uma foto no porta retrato em cima da mesa. Ele conseguiu identificar apenas três pessoas na foto, Jack, Oliver (que parecia alguns anos mais novo) e Tom, que surpreendentemente estava sorrindo. Havia mais uma série de jovens na imagem. Deviam ser antigos membros, Ivy pensou. O que mais o intrigou era que Oliver não estava sorrindo nela, algo que era tão característico do garoto mesmo para Ivy que o conhecia a pouco tempo. No lugar do sorriso, o jovem se apresentava com expressão acanhada, parecia tímido, e um garoto mais velho, loiro e magro, lhe envolvia com o braço, sorrindo para a foto.
A foto tinha prendido a atenção do garoto por completo, ele demorou mais alguns segundo para notar que o barulho da televisão tinha sumido. Foi surpreendido pelo velho que estava inclinado olhando para trás da poltrona:
—-- O que pensa que está fazendo?
2
Ivy pegou a gaiola e a foto antes que a garrafa do senhor estourasse em sua cabeça e saiu correndo em disparada na direção da porta, ao som dos gritos do velho Tom sobre a invasão de sua casa.
Do lado de fora ele continuou correndo enquanto via o velho correndo de outra direção até ele. Ele pensou que o senhor devia ter saído pela porta da frente. O garoto se adiantou e correu o mais longe possível, dando a volta no casarão para despistá-lo. O velho parecia ter sido despistado quando repentinamente apareceu no correndo de frente para o garoto correndo em sua direção. Ivy ficou confuso, Tom vestia uma roupa diferente da que usava em casa, estava com uma roupa de tratador, macacão verde, segurando um enorme tesourão, pela expressão em seu rosto não parecia com receio de usá-lo.
Ivy continuou correndo até ter dado uma volta completa no casarão e a maior parte dos membros que jogavam queimado. Ele gritaram a aprovando e o Tom surgia de lugares totalmente desconexos das direções de onde supostamente deveria vir.
O garoto continuou até ser parado por Tom que saiu do meio dos arbustos com macacão verde, reclamando os artefatos que lhe haviam sido roubados. Quando Ivy se virou para correr e viu o velho atrás dele com a roupa que vestia na pequena casa. o garoto olhava de um lado para o outro e não tinha dúvidas, eram duas pessoas exatamente iguais. Como se não bastasse, mais e mais dele continuavam aparecendo com uniformes diferentes e então Ivy finalmente notou que todos os funcionários que tinha visto mais cedo eram Tom. Era impossível que fossem irmãos, haviam mais de quinze correndo de várias direções até ele. Ivy tentou correr assustado com o que via quando uma chave de fendo passou voando quase lhe acertando o rosto e o garoto a segurou. Tudo tinha ficado mais lento e o garoto se sentia com cada vez mais raiva, primeiro o senhor tinha tendado acertá-lo com a garrafa e agora com a chave de fenda, obviamente não estava nem um pouco preocupado em machucá-lo naquela tentativa de captura. O garoto ergueu a chave e lançou na direção de um dos “Tons” com o máximo de força que conseguiu. O objeto lhe atingiu no joelho e o velho urrou de dor se lançando ao chão e todos os outros Tons lhe acompanharam, gemendo e passando a mão em seus joelhos
até que Jack chegou até eles com vários membros em seu encalço.
—-- Chega! --- Ordenou Jack com quase o traje completo do personagem Jack Sparrow do filme Piratas do Caribe, só lhe faltava os ornamentos no cabelo. --- O que você fez?
—--- Como assim o que ele fez? Ele me acertou no Joelho com a intenção de quebrá-lo! --- Tom acusou.
—-- Isso é uma piada? você quase me matou duas vezes! --- respondeu o garoto.
—-- Não seja estupido, você sentiu essa intenção vindo de mim? --- disse o velho ofegando --- Se eu lhe quisesse morto você estaria morto! Eu sabia que não iria acertar, estava tentando apenas para-lo!
—-- Ja chega! --- repetiu Jack enquanto todos ficaram quietos inclusive o restante dos internos. --- O garoto saberia de suas intenções se eu tivesse lhe introduzido ao ramo da magia.
—-- A culpa foi minha --- Interveio Oliver --- eu não deveria ter lhe pedido algo tão cedo.
—-- Ele deve pagar! --- gritou Tom.
—-- E ele vai --- continuou Jack, suspirando. --- Eu vou mostrar a “Verdade” a ele agora mesmo.
3
Dentro da sala do mestre no ultimo andar estavam Josh, Oliver, e a garota ruiva, Barbara. Jack levou Ivy até um tapete branco no meio da sala e ambos se sentaram.
O alvorosso havia passado, Tom tinha sido levado a enfermaria dentro da propriedade. Todos no recinto estavam apreensivos.
—-- Isso vai doer tipo... muito. --- Disse Jack. --- por isso a escolha é sua, não terá mais volta depois.
—-- Estou acostumado com dor, vá em frente. --- Disse Ivy.
—-- Acredite em mim, essa é provavelmente a pior experiencia que você vai passar. --- disse Josh.
—-- Você via me dizer como usar magia agora?
—-- Não posso fazer isso. A manipulação de magia é extremamente complicada e não pode ser posta em palavras, seria como tentar explicar o mundo para uma pessoa que nasceu cega. --- respondeu Jack --- Eu vou lhe mostrar. Vou por toda informação que precisa de uma vez só diretamente em sua mente e é muita coisa, mas quando eu o fizer você será capaz de enxergar as coisas com um pouco mais de clareza, e então verá a verdade por trás do mundo.
Ivy assentiu e o mestre foi em sua direção enquanto o restante das pessoas saiam da sala.
—-- Quando a dor passar, o que você vai sentir terá feito tudo valer a pena eu prometo. --- disse Oliver fechando a porta.
Os outros não mentiram, quando Jack pôs suas mãos na cabeça de Ivy, o garoto sentiu tanta dor que arqueou suas costas e gritou tão alto que sentou dor nos pulmões. o chão sob seus pés cedeu, o teto sobre sua cabeça se partiu e ele foi levado ao ar em alta velocidade na direção dos céus, gritando em pânico. O casarão e a propriedade ficavam cada vez menores a medida que se afastava, em seguida foi a vez do território americano até que Ivy conseguiu ver todo o planeta Terra, que por sua vez também se encolhia dando lugar a galaxia que se afastava ainda mais. Ivy poderia ter se maravilhado com a vista se não fosse a dor e o panico. Em seguida nada mais que ele via fazia sentido. tudo a sua volta eram formas indestinguíveis até que ele apagou.
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