Notas iniciais
Olá meus cupcakes! Como estão? Bem? Estou postando com mais frequência... Me gusta. Capítulo dedicado a Isabella, que fez aniversário, pessoa maravilhosa que está me incentivando a escrever. Te love migs. Espero que aproveitem desse capítulo. Digam-me se houver algum erro.

??? – Mundo Inferior

Ivana PoV's on.

Douglas pegou a chave! Quer dizer, não uma chave mas… Acho que era isso mesmo. Ficamos animados, mas Douglas disse que ainda estava longe de terminar. Assenti e me concentrei novamente.

O plano era voltar pelo caminho que viemos, voltar para o castelo. A partir dali, tentar nos comunicar com os outros para o próximo passo.

Caminhamos conversando pelas estradas escuras e disformes, até começarem os ladrilhos. De repente, Douglas parou de falar e sua expressão endureceu, seus olhos faiscaram e em seguida se tornaram vermelho escarlate. Não era impressão! Todo esse tempo os olhos dele realmente mudaram de cor! Porém, parecia um momento inoportuno para reparar em algo como uma mudança de cor. Douglas estava tenso.

Quando chegamos a uma bifurcação, ao invés de entrar a direita, em direção ao castelo, Douglas entrou na outra, que dava para o Tártaro. O que ele está fazendo?

Continuei seguindo ele, já com arma em mãos. Ele seguiu em passos duros e então parou no meio do caminho. Ainda bem longe da entrada do Tártaro. Mais a frente era um breu total, como se já não fosse escuro o suficiente.

– Eu vim até aqui, víbora. Sabia que era a culpada. Meu pai nunca falaria aquelas coisas.

Da escuridão surgiu uma mulher. Meus olhos se arregalaram, eu deveria ter desconfiado.

– Oh meu querido enteado, que bom vê-lo.

Douglas trincou os dentes, assim como eu.

– O que você quer?

Perséfone sorriu, tentando parecer bondosa, não funcionou. Troquei minha espada pelo arco e fiquei em defesa.

– Você sabe o que eu quero.

Ele assentiu.

– E por que? Com que propósito?

– Estou cansada de vocês, cansada de receberem toda a atenção que era para ser minha. Cansada dos humanos, raça frágil e problemática. Eu vou fazer do mundo a minha imagem. Esperei mil anos por isso, finalmente eu tenho a chance de sair por cima.

Ainda na posição de defesa, eu disse:

– Um plano muito complicado para você arquitetar sozinha não é? Quem te ajudou? Quem é a cabeça do plano?

Perséfone rugiu, demonstrando irritação.

– Não te interessa! Dê-me a chave! – ela respirou fundo, falando em um tom açucarado – Nós podemos dominar isso tudo juntos, nunca mais precisarão sofrer nesse mundo miserável. Você terá sua mãe de volta Douglas – ele vacilou e ela sorriu – e eu farei questão de que a sua sofra por tudo que fez. Vocês só tem a ganhar com isso, pensem bem.

Depois de tudo que aquela mulher fez comigo ela bem merecia um tempo em tortura, talvez a eternidade. Ela sofreria o inimaginável.

O que você está pensando? Quer se tornar sua mãe? Ou pior que ela?

Aí está, isso se chama consciência, estava demorando para ela aparecer. Suspirei fundo e olhei para Douglas, ele estava perdido em dúvidas.

– Você se lembra do que o seu pai disse para você, Douglas? – isso não pareceu ajudar – Você é melhor que isso! Eu mal te conheço a um dia e eu sei disso. Vamos, olhe para mim – ele estava voltando seus olhos para minha direção – Sabe que tudo depende de você agora, não sabe? Eu confio em você, não vai fazer isso, vai?

Douglas hesitou, senti minha respiração falhar, se ele não aceitasse eu sei o que eu teria que fazer, ao final ele sorriu.

– Jamais.

Perséfone desfez seu sorriso, se tornando irada.

– Tolos! Ofereci a vocês paz, vingança. Um mundo em que vocês não sofreriam, em que seriam soberanos, vocês recusaram isso, e pelo que? Vocês vão morrer aqui. E ainda assim eu prosperarei.

Sorri.

– Aí é que está seu problema Perséfone, você nos subestima demais. Eu não viveria em um mundo baseado na sua distorcida imagem de paz. Além disso, não seria paz, seria ódio e vingança, seria um banho de sangue. E eu não vou deixar isso acontecer.

Ela ia começar a gritar, atirei uma flecha de aviso que passou rente ao seu pescoço. Eu estava desafiando a morte, eu sei disso. Ela ficou furiosa, teríamos problema.

Douglas pareceu concentrado e esqueletos emergiram do chão, fiquei maravilhada com aquilo.

– Acham que isso pode me derrotar? Eu sou uma deusa milenar, pirralhos.

Sorri mais largamente, eu também tinha meus truques. Fechei meus olhos e me concentrei. Podia sentir a eletricidade correndo pelas minhas veias, me deixando ativa. Logo os pelos do meu corpo se arrepiaram devido à eletricidade estática que me envolvia.

Atirei mais uma flecha, ainda não para machucá-la, não queríamos uma luta agora, mas se fosse necessário… A flecha raspou profundo em sua perna, cortando um pouco o vestido negro que ela usava, lançando uma pequena corrente elétrica, o que pode ter machucado um pouco.

Ela sorriu de maneira sarcástica.

– É tudo que tens? – ela bateu a perna do vestido, vimos ele se refazer. – Sinto lhes dizer garotos, mas a morte de vocês será dolorosa.

Olhei para Douglas, ele estava confiante, puxou uma adaga da bainha que se transformou em uma espada de repente. Esse garoto era cheio de surpresas. Ele sorriu para mim.

– Dê-me cobertura.

Assenti. Comecei a disparar flechas elétricas em Perséfone, que desviava e as bloqueava, enquanto os guerreiros esqueleto se dividiam em pequenos grupos pela lateral. Douglas sumiu de vista.

Várias raízes surgiram do chão atacaram os guerreiros. Uma tentou me atacar pelo lado. Desviei e pulei. Me abaixei e lancei outra flechada. Comecei a me aproximar dela, desviando de suas raízes, lançando incessantes flechas encobertas em eletricidade.

Alguns guerreiros conseguiram chegar até ela. Perséfone tinha uma adaga e várias raízes espinhentas a ajudavam a dizimar os esqueletos. Chegando mais perto, com desespero, percebo que uma raiz prendeu meu pé, ela se apertava e machucava meu pé com seus espinhos, ela parecia se satisfazer chafurdando eles contra minha carne. Tentei me libertar, mas ela era muito forte. Com um puxão, eu fui ao chão, a planta lentamente começou a se enrolar em minha perna. Perséfone sorriu e se aproximou, agora com o caminho quase livre. Tentei me libertar das raízes, em vão. Pior ainda, percebi ter ficado sem flechas.

– Viu o que eu disse? Vocês não tem a mínima chance contra mim.

Vi Douglas saindo das suas sombras e se aproximando sorrateiramente pelas costas dela, Perséfone levantou sua adaga para mim, porém se virou para ele no instante em que ele iria atacá-la e bloqueou o ataque.

– Truques assim não funcionam comigo garoto.

Ela riu alto, zombando do rosto sério dele. Tirei silenciosamente minha espada da cintura e me suspendi um pouco, lutando contra as raízes que quase chegavam ao meu joelho.

– E esses? Será que funcionam?

Falei alto o suficiente enquanto cravava minha espada em suas costas. Enfiei ela até a base e depois soltei-a lá, me deixando cair ao chão. Douglas aproveitou a surpresa nos olhos da deusa, e, com ódio no olhar, decepou a cabeça de Perséfone, que caiu a seus pés, logo se desmaterializando acompanhada de todo seu corpo, a única coisa que restou foram algumas pérolas no chão. Suas plantas também desapareceram, deixando meu pé livre, finalmente. Douglas caiu de joelhos a minha frente, sorrindo e respirando ofegante, e pegou as pérolas, guardando-as no bolso. Caímos os dois de costas, exaustos.

– Sabe, eu queria fazer isso com ela a tempos.

Começamos a rir, como se fosse a piada mais engraçada do dia, como se não tivéssemos acabado de matar uma deusa.

Aliviados, levantamos.

– Como você sabia que não era o seu pai falando?

Ele deu de ombros.

– Ela usou um truque simples com a névoa para tentar nos enganar. Era ela o tempo todo, tentou fazer parecer como se meu pai estivesse contra nós, para que corrêssemos até ela em busca de ajuda e ela acabasse com a chave no final. Mas eu sou bom com manipulação de névoa, logo percebi que não era ela, só não pude te falar nada, podíamos estar sendo vigiados. Além disso, aposto que foi ela que pegou Jéssica e estava nos distraindo para que não prestássemos atenção no sumiço dela.

Compreendi o plano dela. Realmente, não parecia ser uma coisa que Perséfone faria. Ela sempre foi retratada como uma deusa bondosa. Douglas virou para mim.

– Os deuses ficam chateados muito fácil, ficam com raiva muito fácil. Para Perséfone, ser traída tantas vezes, ter que conviver com o fruto das traições de seu marido, cujo pelo qual ela desistiu de boa parte de sua vida no mundo exterior, a deixou cada vez mais e mais amargurada com tudo e todos. Ela não era mais a deusa inocente que foi mostrada nos contos.

Eu não sabia o que dizer. Certo, o que ela fez foi errado, mas ela não merecia ter passado por aquilo tudo.

Suspirei, os deuses eram mesmo muito complicados. Com esse pensamento em mente, começamos a caminhar de volta para o castelo.

__________________________________TheLostMermaid________________________________

15:35 – Crowley

Jéssica PoV's On

Eu estava deitada em algo macio, quente e surpreendentemente aconchegante, fazendo-me ter vontade de permanecer eternamente lá. Remexi-me ao sentir um afago em meu cabelo, ele fazia uma sensação engraçada brotar no meu peito. Abri meus olhos e senti uma felicidade imensa ao ver que era minha mãe. Seus olhos brilhavam, do jeito que eu me lembrava quando era criança.

– Olá querida, está se sentindo bem?

Assenti, ainda recebendo o afago dela. Logo me lembrei do que tinha acontecido, levantei-me aos poucos, ficando sentada na cama. Olhei ao redor, procurando onde estava, parecia um quarto de hotel, meio decadente, é claro.

– Estamos em Crowley, Lousiana. Você nos trouxe até aqui, filha, chegamos em frente ao hotel. Peguei um quarto com meu cartão. – ela parou, seus olhos se encheram de lágrimas – Eu fiquei tão preocupada, mi hija, você desmaiou de repente, e, meu Deus, está tão machucada!

Sorri e a abracei, tentando acalmá-la. Ela me abraçou bem forte, me causando um desconforto por causa dos machucados, assim que ela percebeu isso, me soltou pedindo desculpas.

Ouvi um barulho de porta e me virei para ver o que era. Jean saia do banheiro, enxugando o cabelo molhado, como se fosse a melhor sensação do mundo. Claro que depois de tanto tempo, tomar uma ducha decente seria um alívio para qualquer um, mas ele parecia até mais saudável. Diferente do moribundo que encontrei dentro da cela.

Camiseta verde e uma camisa de botões quadriculadas branco e vermelho, calça jeans e tênis. Aquilo deveria ser cômico, era uma aparência muito simples para alguém que havia escapado de uma prisão protegida por súcubos. Eu acabei esperando, involuntariamente, que ele a qualquer momento tirasse uma espada e começasse a brigar com todos os que aparecessem pela frente. Ele percebeu que eu o encarava.

– Tome um banho, ainda temos um longo caminho até o ponto de encontro. Acha que aguenta viajar pelas sombras de novo?

Hesitei. Eu acho que depois de um banho bem caprichado eu conseguiria levar alguém, o problema é que era muita gente. Eu não conseguiria levar minha mãe.

– Filha, eu não vou. Se preocupe apenas em levar seu amigo. Eu posso pegar um avião, é até mais recomendado.

Minha mãe falou sorrindo, como se tivesse lido minha mente e soubesse das minhas preocupações.

– Você vai ficar bem? Elas não virão atrás de você?

Ela sorriu.

– Dificilmente querida, e se vierem, eu saberei me defender, não estou mais despreparada como antes.

Tentei sorrir, mas estava muito preocupada. Tentei falar o mais firme possível:

– Para onde quer ir?

Jean me olhou, parecia me analisar minuciosamente. Isso me incomodou.

– Mundo Inferior. Preciso avisar o outro grupo. Acha que consegue?

Suspirei. Na minha condição, era complicado, mas eu iria tentar. Assenti e me levantei.

– Vou tomar um banho. Tem alguma roupa para mim? – minha mãe apontou para um montinho de roupas. – Obrigada.

Peguei as roupas e entrei no banheiro. Era um banheiro bem simples, tinha uma pia e um espelho logo ao lado da entrada, o vaso sanitário ficava um pouco mais a frente da pia e o chuveiro no final, de frente para a porta. Fui para a frente do espelho, eu estava mal. Meus cabelos sujos de poeira, minhas roupas com sangue seco e meu rosto demonstrava cansaço. Todas essas viagens estavam me exaustando. Decidi tomar meu banho logo.

Assim que a água encontrou meu corpo, eu senti o alívio tomar espaço em minha mente. Era relaxante não ter pressa ou risco de morte, pelo menos por enquanto. Lavei meus cabelos, limpei meus ferimentos, que eram mais arranhões que ferimentos profundos, e, depois que acabei, me enrolei na toalha, saindo para me vestir logo depois. Vi as roupas que minha mãe havia pego para mim. Jeans, tênis, blusa regata preta e camisa de botões. Simples e prático para o clima lá fora.

Sai do banheiro, minha mãe estava brigando com Jean, que agora se encontrava deitado preguiçosamente na cama. A camisa quadriculada jogada sobre seu rosto.

– Você precisa me deixar cuidar dos seus machucados. Estão feios e podem infeccionar.

Ele bufou, parecendo impaciente com aquilo, e virou de costas pra ela.

– Já lidei com coisa pior, acredite. Deixe-me em paz com isso.

Ela insistiu novamente, segurando as bandagens.

– Não seja teimoso, vamos. Eu prometo que não vai doer. – ele continuou ignorando ela. Minha mãe largou as bandagens em cima de uma poltrona – Ótimo, vou pegar algo pra comer.

E saiu batendo a porta do quarto.

– Ela tá certa. Você precisa cuidar disso. – ele me olhou.

– Você também? Sério?

Peguei as bandagens da poltrona e me aproximei, sentando no chão perto da cama.

– Não vai ajudar muito na missão se não conseguir se mexer por causa dos machucados.

Ele bufou e se sentou sobre a cama.

– Vamos logo com isso.

Ele deixou exposto os machucados, realmente, era terrível. Os braços lanhados, o pescoço, mesmo um pouco melhor, ainda estava vermelho em uma linha que continuava até depois da camisa. Comecei passando álcool pelas feridas abertas, o que fez ele soltar uns grunhidos estranhos de dor, enfaixei-as logo depois. Passei a pomada que tinha ali para as queimaduras, ele fez uma careta, acho que estava ardendo. Tinha uns furos estranhos pela extensão do pescoço, decidi enfaixá-los também, melhor prevenir do que remediar… Apesar de ser o que eu estava fazendo naquele momento.

– Pronto – bati uma mão na outra – Trabalho feito. Sente-se melhor?

Ele passou a mão pela bandagem no pescoço, fazendo uma careta.

– É, quase isso.

A porta se abriu e minha mãe passou segurando caixa fina.

– Quem quer pizza?

__________________________________QuebraDeTempo________________________________

Estávamos os três sentados em cima da cama, dividindo a pizza.

– Vocês vão partir quando?

Jean olhou para mim como se me perguntasse a mesma coisa. Suspirei, acho que estava pronta depois daquele descanso.

Olhei para o relógio, eram 5 da tarde.

– Partimos em 30 minutos. Tudo bem para vocês?

Jean assentiu, mordendo mais um pedaço da pizza que tinha em mãos.

Minha mãe se aproximou de mim me dando um abraço.

– Eu vou sentir sua falta, querida. Quando terminar, venha me ver. Eu me preocupo com você sabia? Não adianta reclamar – corei um pouco com a demonstração de afeto – Tome cuidado, eu não sei o que eu faria sem você.

Retribui o abraço, mas não demoramos muito.

Logo acabamos de comer. Já saciados, levantei e fui polir minha espada e minha adaga, enquanto minha mãe se despedia de nós, sobrando só eu e Jean no quarto.

– Ok, essa será uma viagem curta. Não sei como o castelo está desde que Perséfone me levou para aquela prisão, ela pode ter tentado enganar meu irmão, mas duvido que tenha funcionado com ele. Você só precisa ter consciência de uma coisa: Essa é a última viagem de sombras que eu conseguirei fazer durante um bom tempo. Elas me cansam demais para que eu possa fazer elas diversas vezes, principalmente quando eu tenho um acompanhante. Entendeu?

Ele assentiu e se levantou, se aproximando de mim. Eu também me levantei, embainhando minhas armas.

– Segure-se firme, não vai demorar.

Ele me deu sua mão, segurando a minha num aperto firme, quase doloroso. Ele tinha levado aquilo muito a sério.

Em pouco tempo, nos encontrávamos em frente a um castelo enorme.

– Lar, doce lar.

Notas finais
Mais um capítulo chega ao fim. Se gostaram ou não, comentem. Lembrando que críticas construtivas são bem-vindas. Kissus kissus. Até Mais.