As Crônicas dos Semideuses: The Lost Mermaid
14 Capítulo XIV -- Reencontro
Notas iniciais
Capítulo IV
Mundo Inferior -- ???
Douglas PoV's
Estávamos quase chegando ao castelo quando ouvi vozes ficando cada vez mais altas.
– Como assim eu não posso entrar? Essa é a minha casa!
Uma voz feminina e familiar. Sorri largamente ao perceber de quem era. Jéssica.
– Ordens da Senhora, desculpe.
– Ta, você já me disse isso, e então? Você realmente vai me obrigar a me expressar de forma diferente?
A frente do castelo notei duas figuras ao longe. Uma risada alta se fez ouvir.
– E você dizendo que seria fácil entrar.
Um… Garoto? Ela sumiu durante um dia inteiro, e voltou com um garoto. E ele age como se a conhecesse bem…
Uma mão no meu ombro me tirou dos meus pensamentos.
– Douglas? Por que parou?
Murmurei um “nada” que eu mesmo quase não entendi e voltei a andar. Quando chegamos perto, nenhum dos dois havia realmente nos notado. Jéssica estava irritada demais com o guarda e o garoto parecia entretido vendo aquilo. Olhando bem para ele… Eu já havia visto ele em algum lugar… Vasculhei em minhas lembranças rapidamente. Acampamento, com certeza, mas quando? Deixei isso de lado por um tempo.
– Precisam de ajuda?
Jéssica se virou para mim assustada, mas sorriu logo depois.
– Doug! Pelos deuses! Você está bem?
Levantei uma das sobrancelhas.
– Eu que deveria lhe perguntar isso, não? O que são todos esses machucados?
Ela rolou os olhos.
– Você sabe, eu já tive dias piores. – ela se virou para Ivana, logo se soltou de mim e a deu um abraço. – Espero que não tenha te preocupado muito. Eu precisava ir com ela.
Ivana sorriu, dando um tapa leve em seu braço logo depois, que fingiu reclamar de dor.
– Não faça isso de novo e vai ficar tudo o.k.
As duas riram. Eu encarava essa cena até me dar conta, novamente, do garoto, que ficou calado o tempo todo com os braços cruzados em frente ao peito. Jéssica pareceu ter se dado conta disso também.
– Douglas, Ivana, esse é Jean, está conosco na missão. Ele fazia parte de outro grupo, mas assim como eu, foi capturado.
Estranhei. Capturados, os dois? Pra que? Por quem?
– Podemos te deixar a par de tudo lá dentro. E Perséfone? Ela fez alguma coisa?
Lembrei de alguns minutos atrás… Eu havia extrapolado os limites, droga! Eu deveria me controlar. Na hora eu só conseguia lembrar de tudo que ela tinha feito de ruim. Eu deveria ser o mais sensato dali, mas tudo que eu fiz foi perder o controle e decapitá-la. Nosso pai não ficará nada contente. Olhei para Ivana, ela estava apreensiva.
– Tentou, mas demos um jeito. Acho que ela não vai nos atrapalhar, pelo menos por bastante tempo.
Jéssica ficou um pouco preocupada também, eu pude ver isso nela.
– Ah, Doug. O que foi você fez?
Trinquei os dentes.
– O necessário. Podemos ir?
Elas assentiram. Passei pelo guarda, dando permissão para eles entrarem também. Em alguma parte do caminho, Jéssica assumiu o controle e nos levou em direção ao quarto dela. Assim que entramos, nos sentamos em círculo.
– E então? Quem vai começar?
Jéssica olhou para Jean, os dois se encararam por um tempo, até que ele tomou fôlego.
– Tudo bem, mas já vou avisando que não quero falar sobre os detalhes. – ele passou os olhos em mim e Ivana – Eu fui manipulado, quero dizer, meu gênio ajudou muito nisso, mas eu fui. Estamos lidando com Ceto, deusa dos perigos do mar. Ela me usou e me atraiu para longe do meu grupo, que era responsável pela chave no pântano. Fui capturado na esperança que eu lhes dissesse onde é a toca da sereia. Eles usaram de todos os métodos, sem sucesso. Até que Jéssica chegou. A princípio desconfiei dela, mas ela me contou o que estava acontecendo. Logo vi nela a chance de escapar. Formamos um plano para enganá-los e fugir assim que desse. – ele deu uma pausa – Depois disso eu voltei a minha missão de avisar aos outros grupos aonde era o ponto de encontro. Missão que me foi dada assim que separaram os grupos.
Eu me lembrei dele. Era ele que acompanhava a loira pela qual Adriano ficou bobo. Quíron o levou para longe do grupo. Eu também o vi mais umas duas vezes, ele estava partindo para missões em ambas, Quíron me disse, uma vez que o perguntei, que ele era um dos melhores guerreiros, por isso sempre era escolhido para missões. Mas eu havia ouvido falar de alguma coisa que aconteceu a ele em uma delas, me disseram que ele nunca mais foi o mesmo.
Quando voltei a mim, Jéssica estava me encarando.
– Doug? – tentei sorrir confiante, ela não pareceu muito convencida – Minha vez. Quando chegamos aqui eu já havia notado algo diferente. De alguma forma eu já sabia que algo ia acontecer comigo, sexto sentido de filhos de Hades, não se preocupem. Mas sabe, por isso eu fiquei tão desconfiada com você, Ivana, eu não poderia deixar meu irmão sozinho com alguém que eu não pudesse confiar. Assim que eu me tranquilizei com sua questão, eu tinha que tirá-los de perto. Não podia pô-los em risco, por isso os tranquei para fora do quarto. Eu tinha certeza de que algo iria acontecer comigo, se vocês estivessem por perto… Oh deuses, eu nem gostaria de saber. Por isso quando Perséfone apareceu em minha porta, eu não estava mais tão preocupada, a missão estava garantida, ao menos. Ela me contou que eles estavam com a minha mãe, que eu poderia colaborar, para mantê-la a salvo, ou recusar e submetê-la a tortura. Você sabe que eu não faria isso com ela, Doug. Fui levada a um tipo de prisão. Eles me explicaram a situação, me queriam para que eu pudesse arrancar as respostas dele – ela apontou para Jean – A partir daí vocês já sabem. Conseguimos escapar com a minha mãe, levamos ela para um lugar relativamente seguro e aqui estamos.
Assenti, satisfeito com a explicação prestes a explicar a minha parte quando Jean interrompeu.
– Claro que você omitiu o fato de que desmaiou de exaustão depois da viagem, não é? – ele a encarou como se a repreendesse – Porque seu estado físico e mental durante isso tudo não importa, não é?
Arregalei os olhos.
– Você desmaiou? E não ia me dizer isso? – me exaltei um pouco – Jéssica, isso é sério, se você desmaiou por causa das viagens é porque você está fazendo muito esforço. Você precisa parar com de achar que é normal, principalmente quando você ainda não dominou o seu poder. Eu sou seu irmão, você precisa me contar isso.
Ela revirou os olhos.
– Não venha me dar sermão. Eu sou mais velha que você, se lembra disso? – ela suspirou, tentando se acalmar – Eu não me incomodo que se preocupem comigo, da mesma forma que me preocupo com vocês, mas não venham fazer o meu papel nessa história. Conheço muito bem os meus limites. – ela se virou para Jean – Eu sei quando parar, não devo explicação a ninguém. Não interessa o que você viu, ou ouviu.
Ao invés dele ficar ofendido ele simplesmente sorriu e estendeu as mãos em rendição. Já eu, por outro lado, fiquei sem palavras. Ela nunca havia falado comigo assim.
Ivana decidiu tomar a palavra, antes que o clima ficasse mais estranho do que estava. Ela explicou exatamente o que aconteceu. Desde a visão que ela teve até a hora da luta. Eu havia contado para ela o que havia acontecido no julgamento, o que tornou a explicação mais rápida. Antes que ela terminasse de narrar a luta, minha irmã a interrompeu.
– Você matou ela? – Jéssica estava séria. Não respondi de imediato. – Douglas, eu estou falando sério. Você matou ela? – assenti – Droga, como vamos explicar isso para ele?
Rolei os olhos.
– Contando a verdade. Falando exatamente o que ela pretendia. Isso vai chateá-lo, mas é preciso. Ele não vai ficar menos furioso conosco contando do que ele descobrindo sozinho. E mesmo que ele não se irrite, devemos isso a ele. – suspirei – Quem vai contar para ele?
Jéssica hesitou um pouco, mas levantou seu olhar para mim, confiante.
– Vamos os dois, na hora do jantar. Partiremos amanhã cedo. Temos um “transporte” mais rápido que os outros, não precisamos ter pressa quanto a isso, eles ainda vão demorar um tempo para chegar no local.
– Por falar nisso, onde devemos nos encontrar? – Ivana perguntou.
– Bermudas. Lá tem uma caverna de cristais. Muito pouco visitada, para preservar o local. No bolsão de ar, existe uma espécie de calabouço mágico. Quíron me disse que dentro dele está a sereia.
Me levantei. Tinha alguma coisa errada acontecendo.
– Doug?
Tem alguma peça faltando aqui. Não deveria ser tão fácil derrotá-los, é como se estivéssemos batendo em peões. Perséfone não iria nos contar tudo tão fácil, ela não é estúpida. Além das súcubos não desconfiarem de nada com Jéssica. Ceto está a mostra também. Tem alguém sendo encoberto, eu sinto isso, como se estivesse e ao mesmo tempo não estivesse no controle. Ele não quer ser descoberto.
– Eu vou falar com o nosso pai agora, irmã. – ela se levantou – Sozinho. Eu fiz, eu vou assumir a responsabilidade do que aconteceu. Você fica aqui com os dois. Já deve estar quase de noite, leve Ivana para comer alguma coisa, eu encontro vocês lá. Tudo bem?
Jéssica assentiu.
– Boa sorte.
Agradeci, mas eu não ia precisar. Meu pai iria entender o que aconteceu, assim eu esperava, mas eu precisava da ajuda dele para lidar com essa pessoa oculta.
Sai do quarto seguindo para o escritório dele. Torcendo para que desse tudo certo. Quando cheguei, parei em frente a sua porta, estava emanando uma aura estranha.
– Eu sei que você está aí, entre.
Ele parecia especialmente irritado com alguma coisa, percebi isso pela voz. Prendi a respiração em ansiedade e entrei, encontrando ele sentado em frente a sua mesa de mogno escura. Quando eu ia começar a falar, ele levantou a mão, eu sabia o que aquilo significava. Calei-me e sentei na cadeira de frente a mesa.
– Eu sei o que aconteceu, tudo, você não precisa me falar nada. Eu não posso me meter nos assuntos dos semideuses, então não pude impedi-la. – ele levantou seus olhos para mim. Parecia cansado. – Eu realmente tentei não deixar ela de lado, mas acho que não foi o suficiente. Não estou com raiva de você, ou dela. Era ela ou vocês, eu já deveria ter previsto isso tudo. Mas saiba que ela não vai perdoá-lo tão fácil. É possível que ela tente se vingar. – assenti – Ótimo. Tem mais alguma coisa para me dizer? Se não, pode se retirar.
– Pai – me apressei em dizer –, você não acha que tem algo estranho? Você não acha que tem algo que estamos perdendo?
Ele assentiu.
– Estamos todos preocupados, ainda não sabemos com quem estamos lidando. Ceto está envolvida, é óbvio, mas… – ele se recostou na cadeira – O Olimpo está começando a ficar uma droga. Estão todos esperando uma resposta de Apolo. E mesmo se eu soubesse, eu não posso intervir livremente nas missões de vocês, ou seja, eu não poderia falar nada.
Suspirei, mas entendi.
– Vamos viajar amanhã e eu vou usar as pérolas. Jéssica não está em condições de viajar, fez muito esforço.
Ele não pareceu surpreso.
– Ela se esforça muito e tem pouco retorno, igual a mãe dela. – ele passou as mãos pelo rosto – Eu realmente preciso continuar o trabalho. Se não se importa, nos vemos no jantar. – levantei-me, quando estava prestes a sair ele completou – E diga para o filho de Ares para não discutir com os guardas, não quero ter que repô-los a toa.
Sorri, aquilo pelo menos me deu mais ânimo.
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