— GRIS! GRIS! GRIS! GRIS! – todos gritavam.
Uma multidão de alunos estava no meio do pátio da escola Snoflinga, mas o que chamava mais atenção entre todos, era o garoto que se encontrava no meio de tudo, um menino que até então não poderia ser chamado de especial, mas depois dessa manhã, sem sombra de dúvidas Marcus Stor se encaixa no adjetivo especial.
Era uma manhã fria em Kiruna, a neve já estava alta lá fora quando o menino que dormia no quarto mais alto da pequena casa acordou. Marcus, assim que levantou, já queria ter voltado para cama, infelizmente aquele era o seu primeiro dia de aula do ano e ele começaria numa escola nova. Como sempre, o garoto se recusava a se levantar naquela manhã tão fria. Porém assim que seu cérebro começou a trabalhar, percebeu que sua mãe já estava na cozinha preparando o café da manhã, sentiu o cheiro de bacon e ovos preencher todo o seu quarto. Então resolveu descer.
— Bra dag, mamma! – disse Marcus ainda de pijama.
— Bra dag, Marc! – desse sua mãe toda sorridente já com um prato cheio de bacon, ovos e pão. – Hoje é seu primeiro dia na Snoflinga, estou muito animada, tenho certeza que você vai gostar da escola.
— Aham! Tenho certeza também. – disse ele sem nenhuma animação.
— Vamos. Anime-se! Você vai se enturmar.
O garoto se voltou para o prato e comeu todo o seu café. Enquanto comia, pensava em suas maneiras de passar despercebido no seu primeiro dia de aula. Uma coisa que aprendeu, foi que para sobreviver à escola, deve-se conhecer todos, mas que ninguém deve conhecer você.
Assim que terminou seu café, o menino subiu as escadas para se preparar para a escola. Quando chegou ao seu quarto começou a sentir fortes dores em seu estômago, vários puxões no abdômen, como se algo puxasse tudo dentro dele, uma dor tão forte que assim que ele começou a puxar a camisa do pijama, parou no meio, pois percebeu que todo o seu corpo estava vibrando e tremendo, sua barriga grande e branca estava se remexendo como se algo tentasse sair de dentro dele, então ele perdeu a consciência.
...
Assim que o garoto recuperou os sentidos, ele percebe que a dor ainda era presente, havia passado, mas ainda poderia ser sentida em todos os pontos do seu corpo. Logo ele corre para o espelho do seu quarto e a imagem que ele se depara é perturbadora. Desde muito novo, Marcus evitava espelhos, ele tinha a certeza que o que ele via não o agrava em nada. Tudo nele era grande, suas bochechas, sua altura, seus olhos e sua barriga principalmente. Quando completou 5 anos de idade, ele não parou mais de engordar, então começou com tratamentos e mais tratamentos que possibilitariam quaisquer pessoas emagrecer, porém com ele não funcionou. Por um longo período, o menino caiu numa enorme tristeza que ocasionou alguns anos perdidos na escola e uma grande massa corporal.
Assim que seus olhos entraram em foco, Marcus percebeu que sua grande massa de gordura tinha sumido. Ao invés de gorduras localizadas, agora se encontravam alguns músculos. Tudo nele tinha sido modificado, seu rosto redondo e cheio ainda era o mesmo, porém não tão redondo e cheio, sua barriga enorme e branca, ainda não era um exemplo de barriga, ele ainda estava acima do peso, porém ele sentia os músculos por cima da pouca gordura que restara. E, acima de tudo, sentiu uma onda enorme de energia pulsar nos seus músculos, sentia-se muito bem disposto e sua preguiça matinal havia sumido, ele tinha a sensação que poderia carregar até sua mãe nas costas.
— Marc!? Você está pronto, sonny? – grita sua mãe do andar debaixo.
— Já estou indo, mamma. – assim que ouviu sua voz, percebeu que até ela tinha mudado, estava mais grave e mais intimidadora.
O garoto correu para o armário para pegar uma roupa, mas assim que segurou a porta, a mesma saiu voando de suas mãos e a maçaneta ficara. Um espanto enorme colou no seu rosto, ficou fitando os estilhaços que sobrara da porta do armário, de repente ouviu sua mãe chamá-lo novamente. Ele pegou uma roupa qualquer e correu para baixo onde sua mãe estava.
— Vamos, Marc. Você está atrasado. – ele esperava uma expressão de surpresa de sua mãe ao vê-lo assim, modificado. Mas a mulher estava tão ocupada com sua bolsa que não percebeu a mudança de seu filho. – Querido, bata a porta depois de sair e vamos logo.
Ele segurou a maçaneta com todo o cuidado possível para não se repetir o ocorrido com a porta do armário. Então entrou no carro e sua mãe partiu para escola.
Assim que chegaram, sua mãe o deixou parado na frente daquele prédio enorme e coberto de neve, cheio de crianças entrando pelos enormes portões de ferro. O garoto já estava preste a entrar na escola quando decidiu ir primeiro ao grande pátio ao lado da escola. Assim que ele seguia andando, ele não percebeu um grupo de garotos andando na sua direção.
— Ei, para onde você vai? A entrada é por ali. – disse um garoto ruivo com um nariz tão grosso que poderia ser confundido por uma batata.
— Desculpa, eu estou querendo resolver umas coisas primeiro. – disse Marcus tentando se livra do grupo.
— Quem sabe a gente pode te ajudar? Vamos! Fala conosco.
— Não precisa mesmo. Obrigado!
— Hahahahaha! Vamos, gris, fale o que você precisa. Está procurando um chiqueiro pra se divertir. RONC, RONC, RONC...
Marcus os ignorou e seguiu seu caminho, dando as costas para os meninos. Mas assim que ele se virou, sentiu algo molhado descendo por sua camisa, o chocolate que os garotos estavam tomando foi jogado nele. Assim que ele se vira para olhar, todos os outros jogaram chocolate nele. Suas roupas, seu rosto a até seus tênis estavam sujos de chocolate. Então num momento de fúria, Marcus agarra o garoto ruivo pelo colarinho da camisa, suspendendo-o no ar como se o menino fosse feito de papel. Percebendo que o grupo restante observava seu feito, ele larga o garoto.
— Não quero machucar você. Por favor, me deixem em paz. – ele se vira novamente.
O garoto ruivo então joga neve em Marcus e começa a gritar.
— Vejam. Venham ver, o gris não achou o chiqueiro, agora está se satisfazendo com neve. GRIS, GRIS, GRIS, GRIS...
Então uma multidão de alunos grita a ofensa para Marcus. Ele, percebendo o acontecido, corre atrás do garoto ruivo, mas o menino vai até as arquibancadas do pátio e se esconde lá. Percebendo isso, Marcus soca a amurada que sustenta os assentos. Assim que seu punho toca a parede de tijolos, ele percebe que sua energia de logo mais cedo tomava conta de todo o seu corpo. Então com o impacto de seu soco, a estrutura vem abaixo. A quantidade de cimento e blocos cai, fazendo uma enorme onda de poeira.
Enquanto o menino ouvia todos os alunos gritando e correndo, sentiu sua mão formigar, ele ergueu seu braço e viu que na palma da mão estava um símbolo, uma pequena bola com pontas tortas em forma de galhadas, percebeu que era o símbolo do signo, Touro.
De repente a grande onda de poeira parou no ar, o espaço em volta dele se torou visível e a figura de uma mulher iluminada por uma luz banca apareceu do nada.
“Jovem Marcus, filho de Touro. Você, meu querido, a décima segunda geração do teu signo, conhece hoje a força da constelação Tauros. Venha me encontrar. Venha para Ilha Astral...”
Percebendo que a figura desapareceu, Marcus é tomado por uma grande onda de cansaço que extingue todas as suas forças, fazendo-o desmaiar no meio dos escombros da arquibancada.
Fale com o autor