As Crônicas De Nárnia - Expresso Londres
12 Mais Um Dia Comum?
Notas iniciais
POVs Lilian
Acordei na manhã seguinte totalmente esparramada naquela cama macia e confortável, porém sozinha. Sentei-me na cama envolvendo meu corpo com o lençol e chamei por Pedro que parecia não estar ali. Então vi uma rosa junto com um cartão sobre o piso próximo a escada e me levantei envolta no tecido branco andando até lá, onde me abaixei e apanhei tanto a rosa quanto o cartão que dizia: “Eu tive de sair antes que você acordasse, mas sinta-se a vontade para desfrutar do conforto do quarto o tempo que precisar. A noite foi maravilhosa! R.P”. Sorri ao perceber o quanto Caspian estava enganado sobre Pedro. Ele não era nada daquela imagem que meu vizinho pintou, ao contrário, o rei era gentil e cavalheiro sem perder “o jeito”. Sorri satisfeita e então procurei um roupão para me vestir e fui tomar um banho naquela ducha quente maravilhosa, e em seguida vesti o roupão e ouvi baterem a porta. Quando atendi, tratava-se do serviço de quarto trazendo meu café da manhã já programado por Pedro. Desfrutei do sofisticado lanche matinal e depois me joguei na cama de braços abertos com a barriga voltada para o teto olhando a bela estrutura do cômodo. Mas, como tudo que é bom dura pouco, logo eu me lembrei de que ainda teria de voltar ao trabalho e encarar a vossa majestade a rainha Susana. Procurei meu vestido, o vesti e logo sai daquele quarto deixando ali toda uma noite esplendida.
Alguns minutos depois, assim que cheguei ao meu prédio, eu subi as escadas e me dirigi ao meu apartamento passando antes pela porta do apartamento de Caspian, apenas olhando para a mesma e fui direto para o meu. Vesti minha roupa habitual de trabalho e logo segui com minha rotina diária. Quando cheguei dei pela falta de Lucia que sempre era a primeira a chegar:
– Hilary? Lucia ainda não chegou? –me dirigi a outra secretária com quem dividia a sala.
– Ah ela não vem hoje. Parece que sofreu um pequeno acidente e ficará de molho uns dois ou três dias...
– Acidente? –disse preocupada.
– Nada demais. Ela levou uma torção no pé... Ligou logo cedo pra avisar que está de atestado.
– Ah, menos mal. Eu vou ligar pra saber como ela está...
– Mais tarde... Por que a rainha mandou você ir até a sala dela assim que chegasse... –disse fazendo cara de “aí tem”.
– Como está o humor dela esta manhã? –perguntei com um sorriso um pouco sínico.
– Péssimo como sempre!
– Certo! Eu vou lá encarar a fera! –sorri e fui logo me dirigindo a sala da senhora estressada.
Assim que bati, e abri parcialmente a porta como sempre fazia notei que Susana estava com a mesa cheia de pastas e papeis, e usava seus óculos habituais de leitura.
– Entre e feche a porta Lilian. –disse sem nem me olhar.
– Algum problema majestade? –disse em pé diante da mesa.
– Minha mesa está cheia de documentos esperando minha aprovação e assinatura. E por algum motivo eu tenho que fazer isso absolutamente sozinha, já que o rei parece muito ocupado com sua boa vida para me ajudar... –ela estava mesmo uma fera.
– Há algo que eu possa fazer majestade?
– Pode começar me trazendo aqueles certificados. Você já fez as copias que pedi? –disse me olhando por alguns segundos.
– Sim, eu estou com eles na minha mesa.
– Ótimo! Então assim que puder se não muito incomodo pra você, traga-os pra mim.
– Sim senhora. Farei isso agora mesmo...
– E peça para Hilary me trazer um café... Ou faça isso você mesma...
– Claro majestade. Com licença...
Retirei-me da sala saindo de fininho na ponta dos pés, enquanto controlava meu sorriso para não chamar atenção desnecessária. Por um momento quando Susana se referiu ao rei, eu tive receio que meu ato suicida tivesse sido desmascarado, mas ela não sabia de nada. O restante do dia pra variar, seguiu naquele clima agradável com o péssimo humor da rainha, cujo o qual não conseguiu afetar o meu bom humor celestial. Hilary apenas teve de me tirar dos meus devaneios toda vez que eu olhava para uma rosa vermelha que enfeitava minha mesa. Fora isso eu tentei deixar os pensamentos sobre a noite passada fora da minha mente para não atrapalhar meu dia de trabalho.
...
Lá pelas sete horas, já passando do meu horário de expediente eu fui chamada a sala da rainha para que a mesma me desse sua última ordem do dia. Ajudei a organizar sua mesa enquanto ela arrumava sua pasta escura com o restante dos documentos que ainda necessitavam de sua atenção, e dizia:
– Liliandil eu quero que organize os convites para o jantar social que pretendo oferecer no palácio para o governador e para os deputados. Espero contar com a presença dos mesmos com suas respectivas esposas... Deixe isso bem claro sem se prolongar no convite. –dizia me olhando algumas raras vezes.
– Sim majestade.
– Se trata de um jantar amigável, onde discutiremos assuntos de praxe. Deixe claro que será um jantar simples, não havendo assim a necessidade de muito luxo.
– Trajes formais, porém não tão requintados. Certo.
– Alguns amigos pessoais do rei também estarão presentes, mas estes não carecem de convites. Também quero que leve um acompanhante Lilian. –disse próxima a uma estante.
– Perdão majestade? –disse como quem não tivesse ouvido.
– Quero que me acompanhe na reunião que pretendo fazer ao final do jantar no escritório do palácio.
– Claro majestade, mas... Eu pensei ter ouvido...
– Que quero que leve seu acompanhante? Ouviu exatamente isso. –ela me lançou um olhar profundo daqueles que ela sempre dava quando queria que eu adivinhasse seus pensamentos. – Leve seu namorado! Como eu disse se trata de um jantar social, e até que eu precise dos seus serviços pode ficar entediada.
– Perdoem-me majestade, mas eu não tenho um namorado...
– Tem certeza? –disse com um sorriso investigativo e malicioso.
– Eu acho que me lembraria deste detalhe majestade.
– Estamos falando daquele seu amigo repórter Lilian! –ela sorriu andando ao redor de sua mesa.
– Fotografo...
– Isso! Como é mesmo o nome dele? É Caspian não é?
– Sim majestade. –engraçado não lembrar, pra quem estava gritando o nome dele feito uma louca.
– Leve-o com você.
– Perdão majestade, mas pra ser sincera, nem sei se ele saberia se portar em um jantar como este...
– Metade dos amigos do rei também não sabe! Ele se sentirá a vontade no meio deles.
– E caso ele não queira ir?
– Diga a ele que a rainha faz questão da sua presença! Tenho certeza que ele mudará de ideia! –ela sorriu com ar superior.
– Está certo... –vaca.
– Bom, por hoje é isso Lilian... Pode ir pra casa! E tenha uma boa noite... –disse passando por mim e me deixando em sua sala.
Bufei enquanto apanhava o restante dos papeis para guardá-los nas gavetas da minha própria mesa. Susana era imbatível, quando eu menos esperava ela conseguia destruir o meu dia. Ela esperou até o ultimo segundo para cagar com a minha noite. Agora além de eu ter que falar com Caspian, coisa que eu estava evitando devido as grosserias que ele me disse outro dia, ainda teria que me envolver no encontro daqueles dois.
– Ótimo. –bufei me virando e saindo da sala.
...
Assim que cheguei ao meu prédio, subi as escadas e me dirigi ao meu apartamento, onde tirei aquelas roupas que estavam grudando no meu corpo, depois tomei um bom banho. Vesti um short jeans desfiado com uma camisa larga que estampava a torre Eiffel por cima, prendi meus cabelos com um bico de pato e coloquei meus óculos de leitura para ver se conseguia terminar meu livro favorito. Sentei-me no sofá, mas não consegui prestar atenção nas linhas daquela estória, então joguei o mesmo sobre as almofadas, e sai do apartamento atravessando o pequeno corredor e batendo na porta do apartamento de Caspian. Ele demorou a atender e quando apareceu estava, como não era surpresa alguma, vestindo o mínimo de roupa possível, ou seja, mais especificamente ele estava enrolado numa toalha de banho e com os cabelos molhados. A me ver Caspian escorou o cotovelo no alto do marco e me olhou apertando os olhos:
– Que surpresa! Você era a ultima pessoa que eu esperava vir bater na minha porta!
– Tá sozinho? –disse encarando ele com cara de poucos amigos.
– Depende! Por quê? Veio me pedir desculpas? –ele sorriu com aquele arzinho sínico que eu odeio.
– Eu pedir desculpas pra você? Por que eu faria isso, foi você que saiu do meu apartamento me dizendo um monte de besteira... –franzi a testa.
– Então o que? –disse cruzando os braços e parando na minha frente.
– Você por acaso é alérgico a roupas? –tive que dar um passo atrás ou minha cara ficaria colada no peito dele.
– Te incomoda me ver sem camisa?
– Não, me incomoda te ver sem calças... Mas não foi pra falar do seu problema com roupas que eu vim aqui, eu só vim te avisar que a rainha deseja tê-lo em um jantar... –disse em tom formal e irônico.
– Me ter em um jantar? –ele riu. – Por que essa agora?
– Ah faz de conta que você não sabe o que aquela rainha fogosa quer com você... –disse revirando os olhos.
– Hum!
– Recado tá dado. –torci a boca e me virei.
– Como foi? –disse ele me fazendo parar e encará-lo.
– Como foi o que?
– Seu encontro com o rei?
– Quem te disse que eu me encontrei com ele? –desconversei.
– Você saiu ontem usando seu melhor perfume, sapato novo, vestido justo mostrando as pernas! A feira é que você não foi...
– Nossa! Se não fosse o numero de mulheres que entram e saem do seu apartamento eu diria que você tem tendências a ser gay. Agora deu pra reparar nas roupas que eu visto? –disse sendo sarcástica.
– Foi como você esperava? –disse no seu jeito malicioso.
– Eu não vou discutir sobre isso com você no meio do corredor... –eu ri e me virei.
– Até passou a noite fora! Deve ter sido muito bom...
– Você ficou cuidando pra ver a hora que eu chegava? –me virei e o encarei de onde estava.
– Caso não tenha reparado, eu estava meio ocupado. –ele deu ênfase a palavra: ocupado. – Só não ouvi o bater da porta!
– Não que seja da sua conta... –eu me afastei da porta e andei na direção de Caspian. – Mas sim! Foi uma noite maravilhosa, e pra sua informação, Pedro não é o imbecil que você pintou. Ele é um homem muito gentil, e carinhoso.
– Que bom pra você. –disse me encarando com ar sério cerrando os olhos.
– Ótimo! Melhor do que isso, maravilhoso! Eu diria magnífico! –disse diante dele.
– Hum. –disse me olhando de cima.
– Agora se você me dá licença, eu vou voltar pro meu livro. –disse me virando enquanto Caspian mantinha os olhos em mim. – O jantar será daqui a dois dias, então vai se preparando... –disse ao abrir a porta. – Boa noite.
Entrei no meu apartamento e deixei ele lá, com aquela cara de bunda me olhando, ou me julgando sei lá. Não importava também, ele não tinha um pingo de moral pra me julgar. Me sentei no meu sofá, agarrando minha almofada fofinha e fiquei lendo meu livro...
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