As Crônicas De Nárnia - Expresso Londres
13 Bem Vindos ao Jantar - Parte I
Notas iniciais
POVs Lilian
A noite do maldito jantar finalmente chegou e lá estava eu tentando fechar o zíper do vestido preto diante do espelho. Ouvi baterem a porta, então fui abrir. Era Caspian, já estava pronto e a minha espera.
– Ah é você... –resmunguei.
– Tava esperando mais alguém? –disse enquanto entrava.
– Não. Só achei que você não ia aparecer. Na verdade eu estava contando com isso. –disse e me virei voltando pro quarto.
Caspian como sempre não se fez de rogado e foi atrás de mim. Nem adiantava pedir pra ele esperar na sala, ele nunca ouvia mesmo, então nem liguei apenas continuei me aprontando enquanto ele se escorava no marco da porta e dizia:
– Que tipo de jantar é esse? Não sei se to bem vestido pra ocasião. –senti a ironia.
– Tanto faz, a rainha não liga pra sua roupa e sim pro que está debaixo dela. -retruquei.
– To curioso pra saber o que Susana pretende com esse jantar.
– É um jantar social. -revirei os olhos.
– Por que exatamente eu fui convidado?
– Não sei. Mas vai ter que bancar meu namorado... –o encarei e ele sorriu.
– Isso é sério?
– Exigências da rainha. Provavelmente pra encobrir o verdadeiro motivo pra você estar lá...
– Isso vai ser divertido! -ele riu e se aproximou de mim.
Caspian parou nas minhas costas e me olhou através do reflexo do espelho depois levou as mãos ao zíper do meu vestido que estava emperrado e o fechou devagar deslizando seus dedos ao longo da minha espinha. Senti um arrepio passando por todo meu corpo me causando uma sensação incomoda no estomago. Notei que os olhos dele acompanharam o percurso até que eles novamente se cruzassem com os meus.
– Obrigado. –foi tudo que consegui dizer.
– De nada. –ele disse enquanto me encarava.
– Eu só preciso dos meus sapatos e minha bolsa e agente já pode ir... –disse me afastando e seguindo até a cama onde me sentei e calcei os sapatos meia pata.
...
Quando estava pronta espirrei um pouco de perfume no pescoço e entre os seios e depois fui até a sala onde Caspian me esperava enquanto fuçava nas minhas coisas.
– Pronta. –eu disse.
Ele ergueu os olhos pra me olhar e então passei por ele e nos dirigimos a porta. Descemos as escadas e pegamos um taxi. Apenas paramos quando chegamos a frente a escadaria da entrada do grande palácio real. Ainda dentro do carro sentada ao lado de Caspian, buscando espaço no banco sendo que ele sozinho ocupava quase o automóvel inteiro com suas pernas sentado com as mesmas abertas todo espaçoso, eu me virei pra ele e disse:
– Por favor... Vê se não faz nenhuma gracinha desnecessária tá bem? Apenas concorde com tudo que eu disser e evite falar.
– Que tipo de namorado eu sou? Bonito e burro? –ele franziu a testa.
– Pode ser do tipo bonito e calado. Ajudaria muito mais.
– Como você quiser... Amor.
Revirei os olhos e sai do carro. Caspian pagou a corrida e depois me seguiu enquanto eu subia os degraus. Antes de chegar a porta ele me chamou:
– Hey! Espera aí se vamos fazer isso... –ele pegou minha mão. – Vamos fazer direito! –ele sorriu e então a porta se abriu.
O mordomo do palácio nos convidou a entrar. Passamos pela entrada principal, e fomos conduzidos a sala de recepção onde os demais convidados estavam reunidos. Caspian soltou minha mão e levou-a para o meio das minhas costas e disse:
– Retiro o que eu disse isso vai ser um saco.
– Só precisa fazer o que combinamos.
Eu forcei um sorriso e então nos unimos aos demais. Pedro me fuzilou com os olhos assim que me viu entrar na sala acompanhada por Caspian. A rainha disfarçou bem seus olhares para meu acompanhante, mas mesmo assim não deixou de averiguar bem o material que se aproximava. Fomos devidamente apresentados formalmente a todos no geral e nos unimos a conversa. Caspian passou todo o tempo sentado ao meu lado pra variar com as pernas bem abertas ocupando todo o espaço no sofá branco reduzindo o meu próprio espaço a um pequeno quadrado, fazendo assim com que minhas pernas ficassem coladas nele. Ele também não tirou as mãos de mim, ficava me tocando o tempo todo e isso deixou Pedro que observava tudo de pé num canto da sala, bastante irritado. O pior era que eu não poderia dizer a ele o motivo por Caspian estar ali, afinal, era por causa da sua excelentíssima esposa que Caspian estava se passando por meu namorado. Caspian evitou conversar muito como combinamos por pelo menos metade da noite. Pouco antes do jantar, eu me afastei dele pela primeira vez e encontrei Pedro que se aproximou pelas minhas costas segurando uma taça de champanhe e disse:
– Quando pretendia me dizer? –ele disse olhando ao redor.
– Pedro é uma longa história...
– Há quanto tempo estão juntos?
– Não é nada sério.
– Deve ser sério o suficiente pra trazê-lo em um jantar como este. –ele me encarou sem medo.
– A rainha nos viu juntos e eu não quis fazer feio dizendo que ele não era meu namorado.
– E o que ele é? Por que vocês parecem bem íntimos...
– Agente pode falar sobre isso depois? –eu estava nervosa. – Aqui não é o lugar mais apropriado.
– Tudo bem Liliandil. Eu não tenho o direito de te cobrar nada. –ele disse me encarando friamente.
– Não faz isso Pedro. Eu já disse, é uma longa história. Eu prometo que explico tudo depois, mas agora eu não acho que seja adequado...
– Amor! –ouvi a voz de Caspian atrás de mim logo senti suas mãos na minha cintura. – Eu tava te procurando! Majestade! –ele cumprimentou Pedro com um ar dissimulado e sínico.
– O rei e eu estávamos conversando Caspian. –eu tentei fingir tranquilidade.
– Já estávamos terminando na verdade. Já que devo trocar algumas palavras com o senador. Mas fique a vontade. –Pedro respondeu mantendo a educação, mas fuzilando Caspian com os olhos.
Assim que ele se retirou, eu encarei Caspian que mantinha um sorriso sínico na cara e disse:
– O que tá fazendo?
– Você não vai querer que a rainha e seus convidados desconfie da sua conversinha particular com o rei vai?
– Não vem com essa que tá fazendo isso por mim. Pra começar, por que aceitou o convite afinal? Poderia estar aproveitando uma das suas noitadas assim teria me livrado dessa palhaçada.
– E perder a oportunidade de ver a cara daqueles dois sentadinhos elegantemente a mesa com suas máscaras honradas enquanto seus casos conjugais dividem a mesma mesa? Não isso é muito mais divertido!
– Eu pareço estar me divertindo Caspian?
– Relaxa Lilly! –ele sorriu me aproximando á ele. – A rainha não disse pra você fingir? Então... Empenha-se mais pra manter o seu emprego.
– Eu não vou fazer o jogo de vocês. –disse empurrando ele discretamente.
– Você não tem outra escolha Lilly. –ele disse me segurando. – Se não entrar no jogo, logo todo mundo vai desconfiar. Eu só to fazendo o que você pediu...
– E ta adorando essa encenação né?
– Pra ser sincero? To... To adorando ver a cara de bunda do Pedro. To curtindo ver a rainha desviando olhares nada discretos na minha direção. E principalmente... To adorando ver como você ta fazendo papel de boba no meio disso tudo.
– Que bom que você ta se divertindo as minhas custas... –franzi a testa.
– Agente não devia tá aqui Lilian.
– Você não devia.
– Não, mas eu sei disso não to tentando me encaixar. Eu sei de onde eu vim e tenho orgulho disso... Não to fingindo ser o que não sou...
– Eu não vou discutir com você agora, muito menos aqui... –me afastei de Caspian e dei alguns passos, mas ele simplesmente veio atrás de mim.
Caspian me segurou pela mão e me puxou logo me arrastando pra um corredor assim que saímos da sala. Ninguém percebeu nossos movimentos, pois estavam entretidos demais entre si, debatendo projetos etc. Caspian me sequestrou abrindo a primeira porta que viu pela frente e nos enfiando numa sala que devia ser uma das bibliotecas do palácio. Não era muito grande, mas estava vazia. Ele passou a chave na porta e depois me encarou enquanto eu dizia:
– O que tá fazendo? Eu não posso sair da reunião assim.
Caspian não disse nada, apenas avançou na minha direção me olhando fundo nos olhos e então segurou meu rosto com força e me puxou pela nuca me beijando subitamente. Eu tomei um susto com aquela ação e fiquei quase sem reação. Ele me apertou contra o corpo dele me envolvendo pela cintura de um jeito que eu não pude me desvencilhar enquanto me forçava a retribuir o beijo. Senti os lábios de Caspian se chocando contra os meus com uma fúria intensa e rápida enquanto tentava respirar. Sentia a barba dele arranhando a pele ao redor da minha boca me machucando, mas eu simplesmente não consegui me afastar, eu deixei que nossas línguas se encontrassem e brigassem entre si enquanto eu segurava os ombros dele e me inclinava para trás trazendo ele junto comigo. Senti que dava alguns passos pra trás enquanto ele vinha comigo então minha bunda tocou a mesa e senti os quadris de Caspian prensando os meus. Não sei por que não o empurrei, eu simplesmente não podia, na verdade isso sequer passou pela minha cabeça, pelo menos até eu sentir uma das mãos dele tocando minha coxa e apertando-a de modo a envolver minha perna a sua. Nesse momento eu tive um estalo de consciência e o afastei de mim. Ambos nos encaramos ofegantes sem dizer nada, então eu me manifestei:
– Por que você fez isso? –eu disse franzindo minha testa.
– Por que eu quis.
– V. Você pirou de vez? –eu reclamei franzindo a testa. – Por que me beijou, o que tá pensando? –sai de perto da mesa e andei pelo cômodo.
– Eu to me privando de fazer isso há muito tempo. –ele disse se aproximando de mim.
– Não. Fica aí... –eu estendi a palma da mão.
– Você sabe por que eu tô aqui? –ele parecia indignado. – Pra provar pra você que isso tudo é besteira. Isso tudo aqui é uma grande merda Lilian. E você tá se afundando nela com gosto.
– Você não podia ter feito isso. –eu mal conseguia raciocinar, o meu rosto ainda estava ardendo com os arranhões.
– Foi só um beijo.
– É... Exatamente... –disse com os olhos cerrados. – Pra você é sempre só um beijo, só uma transa, só uma garota. É tudo simples pra você... –me irritei e passei por ele indo até a porta.
Assim que tentei abrir a mesma Caspian segurou-a e me encarou com os olhos arregalados.
– Não com você...
– Do que...
– Lilian... –ele me segurou pelos ombros e me encostou contra a porta. – Pra você eu não passo de um galinha, um aproveitador o diabo que for, mas me escuta... Nenhuma mulher com quem fiquei até hoje me fez sentir como eu me sinto com você...
– Do que tá falando?
– Me escuta droga! –ele franziu a testa me apertando contra a porta. – Eu só to dizendo que todo o tempo que eu passei com você nesse ultimo ano. Cada café da manhã, cada filme, cada conversa descompromissada me fez sentir como eu nunca me senti antes com ninguém. Eu não preciso ter te beijado ou transado com você pra saber... Que me sinto diferente quando agente tá junto.
– Você não sabe do que tá falando. Você não se apega a ninguém... É do tipo de cara que só se importa consigo e com seu próprio prazer.
– É verdade, eu era assim. Eu sou assim. Com qualquer uma... Menos com você... –ele cerrou os dentes e seguiu. – Você não tem ideia da raiva que fiquei quando você jogou na minha cara que tinha transado com aquele babaca e que tinha adorado. Quando eu queria isso todo esse tempo... Eu te quero Liliandil, muito mais do que aquele idiota engomado.
– Você não tá dizendo coisa com coisa. Você tá louco? Como me diz isso assim, agora?
– Sabe quantas vezes eu já fechei meus olhos enquanto transava com outra e imaginava que era você?
– Eu não quero ouvir isso... –eu apertei meus olhos e Caspian me prensou com mais força contra a porta.
– Eu queria você... Muitas dessas vezes... Era você que eu queria na minha cama, não por uma noite, não uma única vez. Eu quero você pra mim. Inteira só pra mim. –ele voltou a cerrar os dentes enquanto dizia. – Só de pensar que você transou com aquele idiota e não comigo...
– Me deixa sair Caspian. Eu não quero mais ouvir... Me deixa sair.
– Você retribuiu Lilian... –ele disse tocando meu rosto com seus lábios perto dos meus. – Quando eu te beijei você me beijou de volta.
– Isso não quer dizer nada...
– Quer dizer que você também queria. Não vem dizer que não... O seu corpo inteiro reagiu... –eu sentia o calor da boca dele. – Eu senti...
– Isso não é lugar Caspian... Eu vou voltar pra reunião...
Ele tentou me segurar enquanto eu o afastava, mas eu fui mais rápida e destranquei a porta logo saindo por ela e batendo-a atrás de mim. Respirei fundo ao chegar no corredor e passei as mãos no rosto e nos cabelos.
– Lilian? –disse Susana me tirando do meu estado de pânico.
– Majestade! –eu tentei disfarçar.
– Tudo bem? –disse em tom sério.
– Sim. Precisa de alguma coisa majestade?
– Venha comigo até a sala com os convidados. Quero que me ajude a explicar uma pauta em discussão...
– Claro...
Eu acompanhei Susana até a sala principal mesmo sem cabeça alguma pra discutir sobre política. Eu ainda estava tremendo por conta da minha conversa com Caspian e o gosto da boca dele ainda estava nos meus lábios. Enquanto eu explicava qualquer coisa que vinha na minha cabeça diante daqueles homens, notei que Caspian passava pela grande porta e me encarava com semblante sério. Ignorei a presença dele o que era foi de fazer durante o restante da noite e continuei minha péssima explicação até ser interrompida pela rainha. Minutos depois estávamos todos nos dirigindo a mesa para o jantar. Caspian seguiu logo atrás de mim, mas não tinha jeito de nenhum dos dois mudar a cara. Por sorte todos estavam ocupados demais falando e discutindo pra prestar atenção no casal que mais parecia ter saído de uma D.R.
[...] Continua...
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