As Crônicas De Nárnia - Expresso Londres
3 Entrando em uma fantasia
Notas iniciais
Depois de mais um dia longo e cansativo que se iniciou muito bem, aliás, relembrando meu ato suicida logo cedo no quarto da rainha Suzana com o rei Pedro. Eu finalmente pude voltar para o meu apartamento onde eu poderia ficar em paz. Joguei os sapatos o mais longe que pude assim que entrei, e desabotoei meu terninho jogando ele sobre o braço do sofá. Depois fui para meu quarto, onde liguei meu aparelho de som dando play na música que tinha sido tocada por ultimo.
Play: E.T. Futuristic Lover – Katy Perry
–Kiss me, K-K, kiss me
Infect me with your loving
Fill me with your poison
Take me, T-T, Take me
Wanna be your victim,
Ready for abduction
Boy, you’re an alien,
Your touch so foreign
It’s supernatural
Extra-terrestrial.
Eu ia cantando junto com a música enquanto tirava minha roupa já diante da cama fazendo meu showzinho particular, como se fosse uma striper. Joguei minha saia e a camisete em cima da mesma, ficando apenas de calçinha e sutiã, preto, louca pra tirar tudo aquilo e me jogar na banheira com água bem quente pra relaxar daquele dia complicado. Enquanto me livrava da meia calça, também remexia os quadris no ritmo da musica. Quando joguei a meia na cama, estendendo os braços para o alto e me virando para a porta, dei de cara com Caspian, escorado no marco com os braços cruzados e me olhando como se fosse me morder.
– Caspian! –dei um berro. – O que ta fazendo aqui? –tratei de catar um travesseiro e me cobrir com ele.
– Vim dar um oi! –disse na maior cara deslavada.
– Como entrou aqui?
– Você me deu a chave esqueceu? –disse entrando no quarto.
– Dá pra fazer o favor de sair? Eu to trocando de roupa... –disse indignada.
– Eu notei! –ele riu. – Sempre faz essa dancinha quando ta trocando de roupa? –ele se sentou na beira da minha cama colocando uma das pernas sobre ela.
– Caspian sai da minha cama, e do meu quarto. Eu quero tomar banho...
– Eu mal cheguei e você já ta me mandando embora! –ele se jogou pra trás colocando os braços sobre meus travesseiros e os dois pés em cima do meu colchão.
– Há quanto tempo tava ali, me espiando? –franzi a testa.
– Não tava espiando! –ele me olhou de lado. – Tava só... –ele olhou para minhas pernas. –Olhando! Não quis atrapalhar a dancinha! –disse com aquele sorriso debochado.
– A minha mão é que vai dançar na tua fuça se não levantar agora da minha cama e dá o fora do meu quarto... –era só o que me faltava ter que responder as piadinhas do Caspian depois do dia cheio que tive.
– Nossa! Que mau humor! –ele se levantou.
– Eu tive um dia péssimo Caspian, não to a fim das tuas piadinhas.
– Aconteceu alguma coisa? –disse fazendo a volta na cama. – A rainha ta te deixando com dor de cabeça?
– Não só ela como o rei também... –droga eu falei demais.
– O rei? –ele franziu a testa andando na minha direção.
– Quer saber? Não quero conversar, só quero tomar um banho e dormir posso? –o encarei.
– Tá bom! Eu só vim dar oi.
– Oi... Agora pode ir... –estendi minha mão direção à porta.
– Boa noite pra você também...
– E faz o favor de não entrar mais no meu quarto...
– Tá... Estressadinha. –disse indo rumo a porta.
– Saco!
Assim que ele saiu eu joguei o travesseiro na cama, e entrei no banheiro. Abri a torneira da banheira, e deixei a água quente encher a mesma enquanto tirava o resto da roupa. Depois entrei na água, e tentei relaxar, mas enquanto fechava os olhos só conseguia me lembrar do corpo quente de Pedro pressionando o meu contra aquele móvel. Aqueles olhos azuis me olhando daquele jeito totalmente despudorado, como se não tivesse absolutamente nada de errado em flertar comigo no próprio quarto real. Eu até poderia fingir que nada daquilo aconteceu, se conseguisse evitar cruzar com ele outra vez, mas o problema era que Edmundo tinha nos pegado no flagra, e acho por fim que isso foi um golpe de sorte, caso contrario eu teria feito uma tremenda besteira. Só de pensar naquele momento, nos beijos de Pedro, na maneira como ele tocou meu corpo e na tensão que senti temendo ser pega, e tentando contrariar a razão que me pedia pra parar enquanto meu corpo desejava continuar. Todo aquele frenesi, que me virou a cabeça causou uma sensação estranha e ao mesmo tempo deliciosa que passava por toda minha pele. As lembranças do que passou pela minha cabeça naquele quarto, e das coisas que imaginei que Pedro faria comigo naquela cama, ou mesmo de pé encostados aquela estante me deixou arrepiada.
Respirei fundo e abri os olhos ao ouvir o telefone tocando e me tirando daquele transe maravilhoso. Como havia levado-o para o banheiro e deixado ao lado da banheira, pude atender no banho mesmo. Eram algumas amigas me chamando pra sair, mas como estava um caco preferi dispensar. Desliguei o aparelho e voltei a relaxar tentando não pensar em Pedro.
...
Uma semana depois, eu estava sentada a minha mesa do escritório que ficava a frente da mesa da secretaria do senador. Estava cuidando dos meus afazeres enquanto ouvia Hilary falando ao telefone com alguns assessores de imprensa marcando um evento social do qual o senador participaria naquele final de semana.
Voltei a baixar a cabeça focando nos meus papéis, enquanto via alguém se aproximando da minha mesa. Quando ergui os olhos, vi aquela menina de cabelo castanho claro, quase ruivo de olhos grandes e azuis e pele branquinha, parada diante da minha mesa.
– Oi Lucia! –sorri encarando-a.
– Oi Lil, a rainha Suzana pediu pra vir chamar você. –disse em dom suave e dócil.
Lucia era tipo minha secretária, ela cuidava dos assuntos menos importantes dos quais eu mesma não tinha tempo pra tratar. Como a rainha queria exclusividade nos meus serviços, ela mesma se encarregou de escolher uma garota mais nova pra me ajudar naquilo que eu precisasse, e não ficasse tão atarefada a ponto de deixá-la na mão. Um ato bastante generoso da sua parte, já que eu vinha me matando pra fazer o que ela queria e mal tinha sido reconhecida até então.
– Sabe o que ela quer? –perguntei logo me levantando.
– Acho que é sobre a tal inauguração do museu que vai acontecer daqui duas semanas... –ela sorriu ajeitando a franja atrás da orelha, enquanto segurava um caderninho e uma caneta. – Pelo menos era sobre isso que ela estava conversando com o ministro.
– Certo! –passei por ela. – Já conseguiu resolver aquele probleminha pra mim Lú? –sorri encarando-a.
– Já! Se quiser eu deixo na sua mesa... –ela sorriu de volta.
– Você é um anjo! –toquei seu cotovelo. – Me lembre de comprar um presente pra você!
– Só to fazendo meu trabalho!
– Muito bem, aliás! Agora me deixa ir lá falar com a rainha antes que ela dê um pití como o daquele dia!
Nós duas rimos, e então me afastei rumo ao gabinete da rainha, enquanto Lucia ficava na minha mesa. Assim que entrei no gabinete a rainha ergueu seus grandes olhos azuis na minha direção, me lançando um olhar fulminante como se eu tivesse usado uma calçinha dela.
– Entre e feche a porta. –ordenou.
Fiz o que ela mandou, e depois andei até sua mesa rezando pra que ela não tivesse descoberto sobre meus agarramentos com o rei há uma semana. Fiquei diante de sua mesa, enquanto ela terminava de assinar alguns documentos importantes. Então ela se manifestou sem fitar minha face, apenas seguiu com o rosto abaixado:
– Como estão indo os seus preparativos para o dia da inauguração do museu? –uffa, eu respirei aliviada.
– Meus preparativos, majestade?
– Sim, você estará lá não é? –ela ergueu o rosto. –É minha secretária pessoal, deve me acompanhar aonde eu for...
– Sim, mas a que preparativos exatamente a rainha se refere?
– Já alugou um bom vestido? –ela cruzou seus dedos sobre os papéis.
– Ah, bem... Eu... Acho que consigo algum vestido emprestado para a ocasião.
– Nada disso... –ela abaixa o rosto e apanha um talão de cheques da gaveta. – Vai estar ao meu lado boa parte do tempo, e não quero que se vista com uma roupa qualquer... –ela assinou o cheque e estendeu a mim. – Pegue... Essa quantia pagará um vestido adequado.
Apanhei o cheque e me assustei com os zeros enfileirados ao lado direito do primeiro numero. Não pude deixar de arregalar os olhos, e ficar muda. Depois de alguns segundos acabei dizendo quase sem querer:
– Isso deve pagar uns três meses do meu aluguel! Dá pra comprar uns cinco vestidos com essa quantia majestade... Ou mais.
– Não quero que vista roupa de liquidação Lilian. –disse com ar de desdém. – Quero que vá até a Di Mônaco, e peça a Julius que a ajude a escolher um vestido discreto, mas elegante. –aquela era simplesmente a loja mais cara da cidade, só vendia roupas de grife.
– Se faz tanta questão... Majestade. –odiava quando me esquecia de me referir a ela assim, e ela sempre me olhava com aquele olhar de desaprovação.
– Agora pode voltar pra sua mesa. Tenho muita coisa pra fazer... –dito isso ela baixou o rosto novamente.
– Com licença, majestade...
Torci a boca encarando ela, como uma boa secretaria insatisfeita que detesta a patroa e depois sai do gabinete voltando a minha mesa. Guardei o cheque na minha bolsa, e depois cuidei do meu trabalho.
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