As Cores

27 Capítulo 26


House of Cards Soundtrack — Making History

Narcissa olhou o jardim dos Malfoy, de costas para a grande porta de mármore.

Seus olhos azuis analisaram aquela fortaleza, saboreando a ideia de que tudo aquilo seria seu muito em breve. Ouviu a bengala de Abraxas Malfoy através da porta, até ele abri-la. Ela o imaginou admirando o vestido rosé de Cissy, em um corte comportado, combinando perfeitamente com seu colar de diamantes. Ela não moveu o rosto, mas seus olhos observaram o lado para onde Abraxas mancava, posicionando-se ao lado dela.

Ela inspirou, dócil, sorrindo levemente para o portão, distante.

— Me lembro da jovem Druella, você é quase uma cópia. — sorriu ele, admirando a garota. — Herdou a delicadeza dela... O sangue de Cygnus parece não ter lhe tocado.

Talvez não tenha tocado, mas ele me ensinou tudo que devo saber, pensou Narcissa, ainda sorrindo dócil.

— Será uma ótima esposa para meu filho... Lucius tem sorte. — ela trancou a mandíbula ao sentir sua mão em suas costas, próximo demais de seu traseiro. Cissy virou-se para ele, ágil, ainda sorridente.

Eu sou a sortuda. — respondeu ela, amável. — Com licença, senhor Malfoy.

O sorriso da garota transformou-se em uma máscara de repulsa, com o tintilar de seus saltos sob o piso escuro do hall, colocou a mão delicadamente sob o corrimão, quase sentindo um orgasmo. Tudo aquilo seria dela, tudo aquilo seria apenas seu... Ela teria o total controle de uma família, sem familiares distantes para dividir. Ela seria a dona da família mais rica do mundo bruxo, Narcissa teria em suas mãos uma amostra do mais puro poder de deus. Caminhou pelo corredor em direção do quarto de Lucius, abrindo a porta sem bater.

O garoto tirou seus olhos do livro que lia e fechou, a analisando. Cissy fechou a porta e encostou-se nela, o olhando. Andou até onde ele estava sentado, ainda séria, olhando cada detalhe de seu rosto. Lucius levantou-se, cruzando os braços.

— Vamos dar a primeira dose do veneno neste almoço. — disse ele, com a voz suave. — Se o livro estiver correto, até o meio do ano que vem ele será incapaz de sair da cama. Estarei finalizando meu sexto ano, pronto para o sétimo.

Cissy olhou os olhos cinzas de Lucius, vendo um véu de crueldade e ganância que nunca vira antes. Eles iam construir um império juntos.

— Próximo dos meus últimos meses de aula, ele estará dando suas últimas piscadas. — Lucius sequer piscava. — Quando eu colocar meu pé fora de Hogwarts, ele estará morto.

Lucius e Narcissa se fitaram profundamente. Ele sorriu perversamente, tocando sua bochecha, sempre sentindo uma vontade quase incontrolável de apertar seu pescoço magro. Ela sabe que ele ainda não a ama, não como ela o ama, mas ela tem fé que ele irá amá-la. Quer que pense que está no controle. Cissy irá se grudar a ele como uma trepadeira que escala e se enrola até ter invadido cada parte dele e o tornado seu.

— Está com medo de meus pensamentos? — questionou Lucius.

Narcissa sorriu levemente, como a mais doce das crianças.

— Não. — sua voz parecia uma melodia dos deuses. — Você não viu os meus ainda.

...

Bellatrix sorriu ao ser envolvida pelo clima gélido da Salem, fechando lentamente os olhos, o vento grio rodeá-la. Um dos maiores centros de Artes das Trevas do mundo estava diante dela, naquele castelo monumental, feito de pedra vermelho-clara, um imenso contraforte, salões abobadados e pontes cobertas, casernas, masmorras e celeiros, gigantescas maciças de barragem, completamente rodeado por uma cidade bruxa.

Apertou-se em sua capa, sorrindo para o grande portão. Rodolphus estava ao seu lado, temeroso, mas não hesitou em acompanha-la. Ela envolveu-se mais ainda em seu casaco, indo em direção do grupo de homens que aguardavam no portão, esperando por Bellatrix. Assim que chegara perto de Tom, ela fez uma leve referência.

Milorde. — disse ela, não contendo a emoção em sua voz.

— Senhorita Lestrange. — sorriu ele, tocando seu braço carinhosamente, ignorando completamente a crise de tosse de Rodolphus. — É ótimo que tenha chegado, estavamos pensando em chamar Charlotte, eu me esqueci que a senhorita Sawyer é extremamente excêntrica..

— Aquela puta misândrica não fala com homens. — interrompeu Avery, cruzando os braços. — Só com mulheres.

— Quem? — indagou Rodolphus, confuso.

— Elizabeth Sawyer... A Suprema do Salem. — apresentou Tom, parecendo ter dificuldades em falar da mulher em tom superior. — Ela tem métodos de ensino... Fascinantes, eu tive o prazer de estudar aqui durante uns meses, antes da minha viagem para a China.

China? — Bella arregalou os olhos de admiração.

— A magia oriental é... Mal consigo descrever. É brilhante. — sorriu Tom. — Mas não temos tempo para memórias, vamos fazer nossa matrícula!

O pequeno grupo de negro conseguira passar pelos portões retorcidos do Castelo apenas e unicamente por terem magia no sangue. O local por dentro lembrava Hogwarts, mas sem tantos quadros e parecia ser mais limpo e atual. Bellatrix observou como todos vestiam negro e forma como os bruxos americanos tinha suas varinhas mais retorcidas, assim como a de Bella. Olivaras fora temeroso quando lhe entregou a sua, perguntou-se se aquilo era comum na América.

Uma mulher de dois metros de altura abriu as pesadas portas de mármore assim que eles chegaram no corredor correto. Bellatrix apertou os olhos para a sala da bruxa, como era enorme e antiga. Havia tantos artefatos antigos que ela não conseguia piscar. Seus olhos foram para uma mulher branca sentada em um trono de galhos retorcidos. Ela tirou seu chapéu pontudo, revelando um rosto jovem, mas Bellatrix sabia que aquela mulher tinha séculos de idade.

Ela era tão bonita que até mesmo o mais apaixonado, Rodolphus, ficou desconfortável, completamente embasbacado pela beleza da mulher. Apenas Tom não se deixou afetar, a reverenciando, fazendo todos os Death Eaters imitá-los. Ela acariciou os apoios do trono, os avaliando com curiosidade.

— Quem é você? — sua voz era suave, mas havia uma frieza que fez Bellatrix tremer. Tom ameaçou abrir a boca e o que parecia ser sua Guarda Real feminina sacaram as varinhas e Elizabeth ergueu a mão levemente. — Homens não falam neste Castelo sem minha permissão.

Tom assentiu, falso, parecendo fazer uma força quase monumental para abaixar a cabeça. Olhou lentamente para Bellatrix, para que ela tomasse a frente. Ela engoliu seco, dando um passo, reverenciando a Suprema mais uma vez.

— Este é Lord Voldemort, Sua Majestade, o Lorde das Trevas, o Prometido. — Elizabeth olhou Bellatrix como se fosse um filhotinho bonitinho. — E estes são seus seguidores. Viemos da Inglaterra em busca de sabedoria.

— Lord Voldemort e eu já nos conhecemos. Eu perguntei quem é você, minha pequena. — reformulou ela, paciente. Bellatrix ofegou, envergonhada.

— Eu sou Bellatrix Black Lestrange, a Senhora Lestrange da Suécia, herdeira de Cygnus Crabbe Black, Ordem de Merlin, Segunda Classe, Grande Feiticeiro, Sua Majestade. — recitou ela, ainda de olhos baixos.

Ela os avaliou, virando a cabeça levemente para ouvir algo de uma de suas Guardas. Ela era escura e tinha um cabelo crespo armado. Todas as suas guardas usavam um chapéu pontudo tão grande que cobria o rosto, de forma que a única coisa que era capaz de diferenciá-las era a cor.

— Como vai Albus Dumbledore? — sorriu Elizabeth, apertando os olhos para Bellatrix. A jovem olhou para Tom, mas ele apenas semicerrou os olhos levemente para ela.

— Bem... Ele está bem. Mas não... Não somos enviados por ele. — Elizabeth sorriu.

— Claro que não, Dumbledore despreza Magia Negra. Castrou toda a Grã Bretanha. — retrucou ela. — Não vieram aqui apenas para aprender, e eu não tenho tempo para jogar fora.

Tom olhou para Bellatrix, fale que viemos porque há uma guerra chegando. Diga que vamos tomar o mundo para quem realmente pertence. Bella congelou ao ouvir a voz de Tom em sua mente, mas manteve-se firme.

— Há uma guerra chegando. Precisamos de aliados... Vamos tomar o que é nosso. — disse Bellatrix, esforçando-se para que sua voz não saísse trêmula. Elizabeth a olhou, dócil.

— O que faz este homem pensar que quero que o mundo descubra nossa existência? — sibilou ela, ainda incrivelmente suave. — Caça às Bruxas foi mais que um ato misógino, foi um leve exemplo do que aqueles seres mal evoluídos fazem com o desconhecido. Eles irão nos escravizar, estudar e exterminar. Humanos são a pior espécie que já pisou neste lugar.

Bellatrix abaixou a cabeça, mas não esperou para ouvir o que Tom tinha para dizer.

— Somos mais fortes que eles. — disse Bellatrix, agora trêmula. — Temos tudo a nosso favor...

— Nossa raça está morrendo ou está sendo castrada por escolas que ensinam as crianças a levitarem uma pena e abaixar a cabeça para quem nos exterminou por décadas. É uma guerra perdida, nossa própria raça é nossa inimiga.

— Já está acontecendo, já estamos limpando o terreno. — Bellatrix deu mais alguns passos. — Nós vamos ganhar esta guerra, Sua Majestade. É certo.

Elizabeth levantou-se de seu trono e Bellatrix sentiu suas pernas tremerem, mas não vacilou em seu lugar. A mulher aproximou-se como se fosse beijá-la. A jovem teve a chance de ver cada poro de seu rosto, fascinada em como eram da mesma altura. A Suprema a olhou com uma espécie de carinho avaliativo.

— Homens neste Castelo não falam, nem mesmo entre si. Meus escravos irão acomodar seus amigos e você... — ela tocou o rosto de Bella, a olhando de forma quase sexual. — Será minha aprendiz.

Bellatrix parou de respirar quando a mulher pousou seus lábios nos dela, mesmo que por segundos.

— Eu vejo potencial em você... — sussurrou ela. — Mas há um demônio em suas costas.

Tom não sorriu para Elizabeth enquanto retribuía seu olhar, com o queixo sob o ombro de Bella.

...

Andrômeda observou a mãe pegar seu pincel bastão, o colocando na pequena xícara. Ela olhou como as cerdas absorveram o sangue onde foram afundadas e como deslizavam delicadamente pelo rosto de Druella Black, que se olhava no espelho de forma determinada. A garota passou todas aquelas semanas agonizando em silêncio, remoendo seus erros, incapaz de pensar no futuro. Agora faltava apenas uma semana para Hogwarts e ela ainda não fazia ideia do que fazer. Desejava morrer toda vez que fechava os olhos durante a noite, sonhando em nunca acordar, e se acordasse, aquilo tudo fora um pesadelo terrível. Olhava-se nua diante do espelho, sentindo que engolira uma bomba, vitima de uma brincadeira de mal gosto.

— A beleza é algo... Cruel, Andrômeda. — sussurrou Druella, com o rosto coberto de sangue de virgem. — Cruel.

A garota abaixou os olhos, cobrindo-se mais ainda. Desde a morte de seu pai, ela dormia com sua mãe, esperando apaziguar sua solidão, já que ela e tia Walburga se falavam apenas para trocar farpas. Sua mãe era tão perversamente bonita que ela achava cruel sua beleza ter ido apenas para Cissy. Ela parecia mais com tia Walburga do que com qualquer outra pessoa, herdara a real beleza dos Black e não dos Rosier.

— Mãe... — chamou Andrômeda, odiando aquele ritual noturno de Druella, sempre demorava-se no banheiro para perder a mãe passando sangue no rosto e não conseguia conceber a ideia de que ela sequer se preocupava de onde aquilo realmente saiu toda vez que ela fazia sua encomenda na Travessa do Tranco.

— Hoje eu me lembrei da vez que seu pai ganhou a Ordem de Merlin. — ela riu levemente, se levantando, envolvida por seu roupão de seda. — Você nunca acreditaria nas coisas que tive de fazer para que ele subisse naquele palco.

Ela deitou-se ao lado de Andrômeda, sorrindo levemente para a filha, como alguém que viveu demais. Druella desviou o olhar, abrindo seu livro de cabeceira.

— Atrás de um grande homem, há uma mulher com sangue nas mãos, Andie. — ela sorriu para o livro. — Merlin, como sinto falta dele...

Andrômeda continuou olhando sua mãe, mesmo depois dela focar-se em sua leitura. Suspirou, fitando o quatro gigante e a cama absurdamente grande. O cheiro de sangue a deixou enjoada, mas Andie manteve-se firme. A garota sentiu uma súbita vontade de chorar, mas controlou-se, sua mãe retorceria o rosto de asco caso chorasse, não suportava fraqueza. A morte inesperada de seu pai foi a única vez que viu sua mãe expressar sentimentos de forma tão clara. Nunca esqueceria o desespero em seu rosto, agarrando-se a Cygnus como se pudesse mantê-lo vivo aos gritos.

— Mãe... — chamou Andie, sentindo-se fraca. — O que você faz quando... Sabe que cometeu um grande erro?

Druella virou uma página.

— Não cometo erros.

— Mãe...

— E se os cometo... — Druella acariciou o queixo, concentrada. — os enfrento e garanto que serão resolvidos.

— Mas e se é algo... Muito grave? — Druella virou mais uma página e parou, parecendo ter parado de respirar. Seus olhos tremeram levemente ao olhar Andrômeda e a garota engoliu seco... Sua mãe era excelente em Legilimência e a garota esqueceu completamente daquele detalhe. Nunca deu importância para os ensinamentos de Oclumência de sua tia Walburga. Tentou fechar sua mente, mas algo a dizia que era tarde demais. Druella cravou seus olhos frios nela, como se pudesse mata-la. Fechou o livro lentamente, sem tirar os olhos da filha.

Andrômeda estava tremendo.

— Todos cometem erros, Andrômeda. — sussurrou a mulher, com seu rosto vermelho. A menina mal conseguia respirar. — O que importa é o que você vai fazer em seguida.

A garota soltou um grito de susto quando Druella agarrou seu rosto, o apertando, afundando suas unhas na carne da menina, ofegante, atordoada demais para tentar se soltar. Andrômeda estava arfante, apavorada, tentanto soltar-se da mãe, soluçando em um choro desesperado. Os olhos azuis de Druella se destacavam no rosto vermelho que se aproximou da garota.

— Não devia ter medo do seu futuro... Devia ter medo de mim. — sibilou Druella, afundando suas unhas profundamente em Andrômeda, fazendo a garota gritar de dor. — Você sabe o que fazer... Porque se não o fizer...

Druella tirou lentamente suas unhas de dentro de Andrômeda, fazendo a garota gemer de dor, contorcendo-se. Não se importou com seus dedos sujos de sangue, apenas abriu o livro. A garota tentou se levantar da cama, mas ela puxou o cabelo da filha, a fazendo cair para trás.

— Você vai dormir aqui, imunda. — sibilou Druella, fria. Andrômeda não conseguia parar de chorar, levantando-se e sentando na cama novamente, tremendo violentamente. A garota deitou-se, soluçando, apavorada, sentindo suas bochechas latejarem de dor. Druella riu levemente de alguma passagem do livro como se nada tivesse acontecido e Andrômeda continuou tremendo debaixo das cobertas, soluçante.

Notas finais
Esse diálogo da Cissy e do Lucius é tirado de algo que eu vi no tumblr, só que eu juro que esqueci, essa parte que ele pergunta se ela teme os pensamentos dele, é algo relacionado com a Hera, eu procurei na internet inteira, ai 3 Enfim, você ainda estão ai???? Beijos!