As Cores
4 Capítulo 03
O primeiro ano de Ciça estava acabando e ela estava dando graças aos Deuses por isso.
Os garotos eram completos bobocas e as meninas não gostavam de Narcissa por algum motivo desconhecido. Sua única amiga além de suas irmãs e as amigas delas era Clementine. Ciça ousaria dizer em voz alta que elas são as garotas mais bonitas do 1º ano da Sonserina. Mas também haviam coisas interessantes, por exemplo, Augustus Rookwood.
— Ele é tipo, super lindo. — disse Ciça, o observando no jardim. — Aliás, vamos lá com os garotos.
— Não acho que seja uma boa ideia. — disse Clementine, acariciando suas madeixas ruivas. Ciça enrugou a testa para ela.
— Por que?
— Bem, os garotos não vão nos deixar brincar com eles. — Ciça pareceu chocada. — Eles dizem que não é brincadeira pra meninas.
Narcissa levantou-se decidida e atravessou o pátio em direção de Lucius e seus amigos brincando de Snap Explosivo. Aproximou-se o suficiente para o Malfoy bater seus olhos nela e fazer a mesma expressão de “O sol poderia brilhar mais se você não estivesse aqui”.
— Posso brincar? — pediu Narcissa, forçando sua voz para que ficasse mais doce e suave do que já era. Deu seu melhor sorriso convidativo para os meninos, que a olharam com descaso.
— Não. — disse Louie, melhor amigo de Lucius.
— Por que não? — indagou Narcissa, com o sorriso já desfeito.
— Porque não queremos, simples. — exemplificou.
— Mas eu quero brincar também! — Ciça bateu o pé como sempre fazia quando sentia-se contrariada e Lucius deu um leve riso, desviando o olhar. Narcissa o olhou com raiva. — Algum problema?
Ele deu de ombros.
— Nenhum, eu só esqueci por alguns minutos que você é mimada. — os garotos riram, até Clementine, mas ela calou-se com o olhar da amiga. Narcissa ficou vermelha, mas seu corpo inteiro tremia de raiva. Apontou sua varinha para o jogo no chão e gritou:
— GLACIUS! — o jogo congelou-se rapidamente e Narcissa cravou seus olhos em Lucius antes de aproximar-se. — Se eu não vou brincar, ninguém vai.
E pisou no jogo, quebrando em mil pedaços. Os garotos entraram em desespero enquanto a Narcissa Black simplesmente pisoteava o Snap Explosivo congelado. A garota deu as costas para os garotos, andando em direção do Castelo com Clementine ao seu lado.
— Ciça... Por que você quebrou o brinquedo dos meninos... Nós podíamos ter jogado só nós duas...
— Porque eles não me deixaram entrar, simples. — explicou Ciça. Então virou-se para a amiga, agora sorridente e descontraída. — Vamos fazer tranças nos cabelos e maquiagem?
...
— Finalmente achei você. — Oh, Merlin, não. Bellatrix desejou saber aparatar para outro planeta só para fugir do garoto que vinha em sua direção. Girou os olhos enquanto acendia um cigarro, analisando Rodolphus Lestrange com uma expressão de nojo. Ela odiava a cara dissimulada dele, odiava seus olhos verdes e sua voz nauseante. Ele era presunçoso a ponto de dar dor de cabeça. — Eu fiquei sabendo que foi mandada para a sala do diretor. De novo.
Ele riu de forma arrogante assim como seus amigos idiotas também riram. Puta que o pariu, em um raio eu partiria esse imbecil em dois.
— Obrigada pela preocupação, vou mandar flores como agradecimento. Se me dá licença. — começou a andar pelo jardim, respirando fundo ao notar Rodolphus a seguindo. Virou-se lentamente. — Você não se toca?
— Por que me trata tão mal, eu te fiz algo além de nascer? — indagou ele, parecendo ofendido. Bella ficou em silêncio absoluto. Rodolphus passou a mão no maxilar rapidamente, colocando as mãos no bolso em seguida. — Tenho más noticias.
— O que? — jogou o cigarro fora, o tornando em cinzas em seguida com minha varinha.
— Nossos pais vão nos casar. — Bella sentiu uma leve tontura. — Na verdade, não só nós dois. Mas Rabastan e Andrômeda também.
— O QUÊ?
ALGUNS MINUTOS DEPOIS
— O QUÊ?
— Eu sei. — Bellatrix assistiu a irmã tomar toda sua Água de Gilly em um único gole enquanto cacheava seu cabelo, observando o Cabeça de Javali. Ela tentou se imaginar de noiva, casando com Rodolphus. A ideia dava arrepios, o pior castigo que poderia receber na vida.
— Por que sempre que querem me dar uma péssima notícia me tiram de Hogwarts? — esganiçou Andrômeda, passando a mão em sua testa suada. — Eu não quero me casar, Bella! Que tipo de feminista eu sou...
— Quê?
— Papai quer nos vender! Isso é um negócio! Não podemos deixar isso acontecer! — determinou ela, com a voz embargada. Andrômeda era muito parecida com Bella, tirando o detalhe que ela parecia estar constantemente irritada ou com vontade de falar. Seu cabelo não conseguia se decidir entre cacheado e liso, por tanto era os dois, diferente de Ciça e Bella, sendo que Ciça tinha madeixas lisas como água e Bellatrix cachos firmes e quase indestrutíveis. Ela roeu suas unhas, nervosa — Vamos fazer uma greve.
— Greve? — indagou Bellatrix, tomando seu Uísque. — Por que tudo que sai da sua boca soa tão idiota?
— Se fizermos uma greve de fome, papai vai esquecer isso. — ela sorriu, parecendo uma louca. Bella rolou os olhos, esquecendo da irmã que tinha: Andrômeda era uma pseudo revoltada. Ela participava de tantas manifestações em Hogwarts que nem ela sabia mais pelo o que estava lutando. Lembrou-se da vez que ela fez greve de banho quando descobriu que Dumbledore não disponibilizava uma renda para os centauros que viviam na Floresta Negra.
— Ele vai nos deixar morrer, é isso que vai acontecer. — retrucou Bellatrix.
— Ok, qual é a sua ideia então, gênia? Por que só eu estou colocando a cabeça pra funcionar aqui! — estrilou, ficando irritada. Fitou o bar em silêncio, tentando pensar em algo. — Talvez se... Não sei, arranjarmos pretendentes...
— Não. — retrucou.
— Não? Você tem uns mil namorados por Hogwarts! — Bella assustou-se com a irmã histérica. Acabou rindo.
— Que mentira!
— Você acha mesmo que mamãe acreditou no seu “acidente”? — questionou Andrômeda, séria. Bellatrix gargalhou, como toda vez que lembrava: No ano passado, simulou um acidente de Quadribol enquanto estava menstruada e disse para a mãe que rompeu seu hímen com a vassoura na queda. Druella não pareceu muito convencida, mas não questionou.
— Bem, eu posso usar meu hímen como desculpa. Ohhhh, quem vai querer a impura e desvirginada por uma vassoura, Bellatrix Black... — debochou, ainda rindo, mas Andrômeda não tem nada de senso de humor. Os olhos de Bella finalmente pararam em um homem de capuz, conversando aos sussurros com alguém que parecia... Yaxley e Nott? Ignorou Andrômeda enquanto o observava.
Ficou impressionada com os olhos verdes e como seu cabelo era escuro. O homem notou seu olhar e retribuiu por alguns segundos, voltando para os meninos. Yaxley virou-se rapidamente e conferiu se realmente era Bella. A garota não se segurou e levantou-se, indo até eles. Apertou o ombro de Yaxley.
— Tudo bem, meninos? — questionou ela, olhando o homem. Ele pareceu um pouco incomodado, virando o rosto enquanto os meninos falavam com Bellatrix.
— Bella... Falamos com você depois. — Bellatrix sequer moveu-se. Continuou olhando o homem. Pegou o copo de Uísque de um dos garotos e deu um gole, o que chamou a atenção dele. Ela sentiu uma sensação estranha por todo seu corpo quando finalmente olhou seus olhos. Eram perturbadoramente verdes... Sentiu-se constrangida de forma brutal. Colocou o copo na mesa. Ele a analisou de uma forma que sentiu-se completamente nua.
Respirou fundo, erguendo o queixo.
Ele estendeu a mão.
Bellatrix não apertou a mão.
Ele abaixou-a, seus lábios tornaram-se uma fina linha passiva, onde ela não sabia identificar se ele ficara constrangido.
— Ela é retardada, desculpe. — explicou Yaxley. Ela finalmente se libertou da tensão de seu corpo e voltou quase correndo para a mesa onde Andrômeda ainda agonizava com a notícia. Elas pagaram a conta e saíram do bar em silêncio, de braços dados, cada uma com a mente em um lugar.
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