As Cores

5 Capítulo 04


— Você está na minha frente. Mova-se. — sibilou ela.

— Você é grosseira comigo e acho que está afim de mim. — Os rostos de Andrômeda e Ted estavam próximos no corredor vazio do trem. Os olhos azuis tentavam não rir dos escuros, tentando manter uma pose de arrogância, que, na opinião de Ted, eram totalmente falhos.

— Na verdade, grosseria indica aversão.

— Aversão é uma consequência de tensão sexual. — Andrômeda segurou o riso e Ted sentiu-se um vencedor. —Um desejo muito bem controlado pelo desconhecido.

— Então eu tenho Tedfobia?

— Com certeza — sorriu ele quando Andrômeda gargalhou. Ela não sabia porque estava rindo, no fundo ela estava triste. Mal fez um ano que começou a menstruar e estava prometida a alguém. Seu destino tinha sido assinado, como um contrato. — Então, como vai ser?

— Como vai ser o que?

— Nosso treino! É férias, mas na primeira semana que voltarmos tem jogo e eu preciso estar... Pelo menos andando sem mancar. — Andrômeda conferiu o corredor vazio mais uma vez e marcou com Ted um lugar para que treinassem Quadribol. Seus pais não podiam nem sonhar que ela estava dando aulas particulares a um nascido trouxa. E pensando bem, não era tão ruim assim treiná-lo. Ele até que era aplicado e sério, mas ainda assim, ele a tirava do sério. Assim que se separaram, procurou pelo corredor a cabine onde sua irmã poderia estar.

Ela abriu uma das cabines em que eles normalmente ficavam e ficou surpresa em ver apenas Narcissa e Bellatrix nela.

— Onde está todo mundo? — questionou Andrômeda.

— Bella expulsou todo mundo quando começaram a falar sobre o casamento dela com Rodolphus. — explicou Ciça, lixando suas unhas. Ela focou seus olhos azuis na irmã. — Bateu em Scabior e tudo.

Bellatrix estava com a expressão emburrada que a semelhava a Narcissa, encostada na janela, com os cachos caindo no rosto. Andrômeda sentou ao seu lado e pensou em algo para falar, mas não conseguiu pensar em nada. A situação era horrível e não tinha palavras para amenizar isso.

...

— MEU AMOR! — gritou Andrômeda, pegando Sirius Black no colo. O garoto de cinco anos gargalhava no colo da tia enquanto Bellatrix e Narcissa abraçavam seus pais e tios. Andrômeda e Sirius giraram pela sala entre gritinhos de animação. — Eu senti tanto sua falta!

— Olhe só o desenho que eu fiz para você. — mostrou Sirius, sacudindo o pergaminho. Andrômeda sorriu enormemente para o desenho dela mesma (meio sem forma, mas ela julgou ser ela) rodeada de flores e corações. Bellatrix olhou para o garoto, séria, ele notou o olhar da tia e mostrou a língua em uma careta, fazendo Bellatrix lembrar o porque detestava o pirralho.

— Ahhhh, é tão lindo, você desenha tão bem.

— Parece um ogro, está horrível. —disse Narcissa.

— Ninguém te perguntou nada, cara de palmito! — respondeu Sirius, sendo empurrando por Bellatrix pelo pé, que foi em direção da sala. —Baguncei seu quarto inteiro, joguei bombas de bosta em cima da sua cama!

— MÃE! — esganiçou Narcissa, já com a voz embargada. Druella rolou os olhos para a filha.

— Narcissa, você é estúpida ou se faz? Ainda acredita no que esse pirralho fala?

— Andy, Andy, Andy, brinque comigo, eu tive que brincar sozinho todo esse tempo, brinque comigo por favor... — Sirius puxou a mão de Andrômeda incansavelmente.

— Eu já vou, Sirius, espere um pouquinho. — Ela abraçou o garotinho quietinho no sofá, apenas observando a recepção das irmãs Black. Régulo era uma criança quieta e calma, ao contrário de Sirius, que acordava a casa inteiro com berros e uma choradeira infernal de birras.

A sala estava uma confusão com toda a família, mas Cygnus escapou, indo atrás da filha mais velha, escondida na cozinha. Ela estava sussurrando algo com Kreacher quando sentiu a presença do pai. Os olhos verdes dela foram para o pai de forma seca e impiedosa.

— Um ser inferior pelo jeito é mais importante que os familiares que ficou meses sem ver. Suas prioridades sempre me foram um mistério, Bellatrix. — disse Cygnus. A garota torceu o pescoço, controlando-se.

— Minhas prioridades nunca foram importantes para o senhor, não vejo porque o incomodo. — ela não desviou o olhar. Ela não tinha medo do pai.

— Presumo que já saiba...

— Do seu contrato? Parabéns, vendeu sua propriedade inútil de 15 anos, deve ser uma vitória.

— Bellatrix...

— Eu me pergunto se isso é uma vingança por eu não ter um pau entre as minhas coxas ou algo do gênero. — o silêncio prevaleceu. O homem ficava desarmado sempre que ousava discutir com a filha. Estava acostumado com a mulher submissa e sempre levava tapas verbais para lembrar-se que Bellatrix puxou sua personalidade. Desviou o olhar da garota.

— Só quero o seu melhor. Os Lestrange são...

— Não me interessa o que eles são ou deixaram de ser, me interessa o futuro que você destruiu. Eu tinha planos e você sequer perguntou por eles. Podia pelo menos ter me deixado escolher alguém... Mas não... São apenas negócios, não é? Obrigada pela sua consideração, papai, aprecio suas prioridades. — Bellatrix bateu em seu braço antes de sair, subindo as escadas as pressas, em direção de seu quarto. Fechou a porta antes de finalmente explodir em lágrimas.

Aquele era o único lugar onde podia se descontrolar por completo.

Enfiou a cara em sua almofada, sentindo que ia morrer de tristeza. Sua vida era uma bagunça e ela sentia que só conseguiria arrumá-la após Hogwarts e agora... Há muitas coisas que não conseguia entender, mas ainda queria que sua vida tivesse significado. Queria realizar seus desejos e não deixa-los morrer com ela. Como conseguiria isso sendo uma escrava? O relógio em seu pulso começou a vibrar fortemente, um aviso para a vida real.

Ainda fungando, ela enfiou a mão no bolso da saia, pegando suas pílulas. Tomou seu remédio e continuou chorando, sentindo-se ainda pior após lembrar de Scabior a chamando de Wendelin, a Estranha.

Ela estava mais para Bellatrix, a Esquizofrênica.

...

Narcissa olhou-se no espelho, impressionada.

Ela sempre ficava chocada com o quão linda ela é. A fina penugem em suas pernas, a cor única de seu cabelo, seus olhos semelhantes a linda cor do giz azul em contato com pergaminho branco, a forma de seu nariz, sua boca rosada... Ela ficava admirada, apaixonada, tocada. Podia ficar horas olhando a si mesma.

— O que você está fazendo? — seu quarto foi invadido por um garoto de cinco anos que sentou na cama com suas botinhas sujas, quase fazendo Narcissa ter um ataque nervoso. Ela esqueceu-se que ele fazia isso, e como em todas as vezes, desejou jogá-lo escada abaixo.

— Nada, sai daqui! — ordenou.

— Não, por favor, não tenho o que fazer! — choramingou ele. Narcissa girou os olhos, guardando sua escova de cabelo.

— Ok, então vem aqui. — Ela pegou a mão grudenta de Sirius e os dois foram até o banheiro, onde Narcissa brincou de boneca. Sirius no começo odiava aquilo, mas ele era tão sozinho que brincar com Narcissa era sua única opção. Ela era chata, mas ele até que gostava dela, e a tia tinha a mesma opinião sobre ele.

Ela deu banho nele como se fosse um bebê, penteou seu cabelo, escolheu a roupa mais bonita para que vestisse, tirou a sujeira de suas unhas, ela adorava fazer isso. Sua mãe sempre disse que Ciça sempre fora muito materna, com suas bonecas, com seus bichinhos de estimação e com seus primos. Ela desfez o penteado de Sirius, fazendo outro em seguida enquanto contava tudo sobre Hogwarts:

— Não é difícil?

— Não. Os professores são bons. Mas tem alguns que são irritantes, como, os admiradores da Grifinória.

— Grifinória? O que é isso?

— É uma casa, Sirius, eu já disse. É a casa vermelha.

— Ahhh, sim. — assentiu o garotinho, olhando a prima. — E se cair na casa errada, o que faz?

— Você não vai cair na casa errada, Sirius. — Ela apertou os ombros do sobrinho. — Você é um Black. Seu sangue é mais puro que água do mar, você tem o sangue de pessoas poderosíssimas que sempre pertenceram a Sonserina. Não tem erro.

— Mas e se acontecer? E se o chapéu errar? — Narcissa o mandou calar a boca, irritada, mas na verdade não tinha resposta.

Não sabia o que aconteceria se um dia um Black fosse para qualquer casa que não fosse a Sonserina. Acho que deserdam, pensou ela, aliviada por ter caído na casa certa.

Notas finais
Já respondo vocês, calminha. Beijos ;)