As Cores

33 Capítulo 32


Quando a aula de História da Magia terminou, Narcissa recolheu suas coisas, ouvindo Clementine reclamar de seus pais, que queriam enfiá-la em um programa para Curandeiros no fim do sétimo ano, ignorando que ela quer trabalhar com moda. As duas saíram da sala, mas Narcissa mal deu dois passos. Um garoto alto e ruivo a esperava, de braços cruzados, encostado no batente da porta.

— Você sabe quantos sonserinos tive que matar para conseguir a grade do sexto ano? — Questionou, quase sorrindo. Cissy desviou o olhar, respirando fundo, dando um sinal para Clementine de que poderia seguir sem ela. Os burburinhos começaram ao redor dos dois no corredor movimentado, então Narcissa ajeitou-se.

— Vamos para outro lugar. — e começou a andar rumo a Sala de Duelos, e por mais que Billius Prewett e Narcissa Black não estivessem sequer próximos enquanto andavam, era como se estivessem de mãos dadas. A garota ficou tão atordoada com a quantidade de pessoas olhando e cochichando e que quase saiu correndo, apavorada com os olhos, como em suas crises que sequer conseguia sair e se deixar ser olhada.

Finalmente chegaram na Sala e Billius a destrancou, dando espaço para uma Narcissa apressada. A garota respirou finalmente, colocando sua bolsa e seus cadernos no palco de duelos, sentando-se no mesmo. Afrouxou seu uniforme, abrindo os primeiros botões. Billius fechou a porta atrás de si e encostou-se nela, fitando Narcissa.

A garota engoliu seco, morta de vergonha. Fugiu de Billius por uma semana e já era complicado responder às indagações dos outros, que não tinham nada a ver com aquilo, quem dirá responder algo à Billius.

— Você quer conversar? — perguntou o garoto e Cissy fechou os olhos, respirando fundo.

— Desculpa, eu não devia ter feito aquilo.

— Aquilo o que? — sorriu Billius, fazendo Cissy ficar mais nervosa ainda.

— Ter te beijado. — Os dois ficaram em silêncio e Narcissa observou o sorriso de Billius esticar-se.

— Por que? — A garota engoliu seco.

— Porque não tenho nenhuma pretensão em ficar com você.

Ele desviou o olhar, assentindo, parecendo vencido.

— Por que? — Cissy franziu o cenho.

— Porque eu sou comprometida?

Por que? — reclamou ele, fazendo Cissy segurar o riso, sabendo que ele não estava a levando a sério. Ele desgrudou da porta e sentou-se de frente para ela. O uniforme desarrumado, algo comum em Grifinórios, se tornava charmoso em Billius. Aliás, os garotos do sétimo ano parecem todos ter um charme a parte. O sol bateu no garoto e seu ruivo parecia fogo, nunca tinha notado o quão bonito era.

— Eu sou tão ruim assim? — Prewett ajeitou o cabelo, arrumando-se, fazendo Cissy rir. Ele não entendia.

— Não. — Cissy quase ficou sem ar ao olhá-lo. — Eu sou.

O garoto sorriu enormemente.

Meu tipo de garota. — Billius a fitou, ficando sério, mas ainda assim, não a ponto de deixá-la desconfortável. Ela sentia uma estranheza enorme ao conversar com ele, era… Gostoso, sua barriga ficava gelada, sua boca ficava boba como se tivesse tomado uma azaração. — Eu sei que você tem um contrato com o espiga de milho- — Cissy abriu a boca de horror ao ouvir a forma que se referiu a Lucius, para então cair na gargalhada. Billius também riu, encantado com a risada da garota. Quando ela se acalmou, ele continuou, paciente — Mas ele não é seu namorado.

Narcissa desviou o olhar, envergonhada. Todos sabiam que Lucius ficava com tantas meninas que já não dava mais para contar com os dedos da mão.

— Eu não sou minha irmã — esclareceu Narcissa. — Eu me mantenho leal ao que me comprometo.

— Acho que não fui claro. — Billius aproximou-se. — Ele não quer ser seu namorado. Eu quero ser seu namorado, ou seja lá o que podemos ter.

Cissy o fitou, sem palavras.

— Estamos quase no Natal, eu me formo em que? Oito meses? Não vou ficar esse meses me torturando, eu devia ter feito isso há três anos, quando fomos no Baile dos Fundadores juntos. — Ele molhou os lábios, a olhando com tanta admiração que a garota não conseguiu impedir de lhe dar o sorriso mais doce que poderia. — Por favor, me deixe te mostrar como é ser bem tratada. Você merece.

A garota sentiu puro pavor. Aquilo aconteceu com Andrômeda? Se sim, ela entendia agora, apesar de seu crime não ser o mesmo. Havia perdido seu pai, todos os olhos estavam em Sirius, o futuro da Casa Black estava nas mãos dele, não nas dela, ninguém ia perturbá-la por estar saindo com um Prewett, não era alta classe, mas era sangue puro, um verdadeiro grifinório.

— Eu mal te conheço, Billius…

— Ok, eu sou de capricórnio, gosto de Shirley Jackson- — Narcissa riu, cobrindo o rosto, não acreditando que estava agindo daquele jeito perto de alguém. — Meu Deus, você está apaixonada, viu? — Cissy sentiu o rosto queimar, ainda em crise de riso — Agora falando sério.

Ela o olhou, ainda vermelha, ele estava sério, próximo da garota.

— Depois que eu sair daqui, você seguirá sua vida como bem quiser. Eu vou estar formado, o senhor Malfoy também, mas você ainda estará em Hogwarts. E depois de Hogwarts, eu vou ser só um namoradinho de colégio. — e então ele sorriu, confiante. — Mas caso você mude de ideia, você vai saber onde me achar.

Eu estou namorando um Prewett?, pensou Cissy, admirando seu rosto repleto de sardas, tão imperfeito. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Billius encostou seu rosto no de Cissy, a beijando. A garota sentia seu corpo queimar, um toque era capaz de deixá-la mole, como se não tivesse ossos. Terminou o beijo, ainda tocando seu rosto, segurando um sorriso.

— Eu não posso me apaixonar por um… Prewett.

Billius sorriu, malicioso.

— Boa sorte com isso.





Andromeda fechou o Profeta Diário, trêmula.

Continuou passando a varinhas sob caixas e objetos que se embalavam sozinhos, levantando-se da cadeira, tão nervosa que podia cair para trás a qualquer momento. Sabia que Ted foi encontrar Arthur para combinar os últimos detalhes, mas a ansiedade parecia dominá-la, e assim como viu Bella a vida inteira descrever vozes que a perturbavam, também passou a ouvir coisas horríveis que sua mente sugeria, a deixando mais e mais ansiosa. Ele deve estar morto, pensou, embalando algumas coisas manualmente. Se ele estiver morto, estou sozinha com uma criança mestiça, respirou fundo, olhando Nymphadora dormir tranquilamente em cima do sofá.

Eu sou capaz de entregá-la para me salvar?, indagou-se, trêmula. Ofegou, com vontade de chorar. Foi até sua filha, a pegando no colo, chegando a apertá-la até demais tamanho desespero. Olhou o lindo rosto sonolento de Nymphadora, não acreditando que teve aquele pensamento imundo sobre a própria filha. Ela era capaz de matar alguém por Nymphadora, não o contrário. Foi até a janela, ver se conseguia ver Ted retornando para casa, mas tudo que viu fora um vulto esgueirar-se para trás de uma árvore.

Merlin, Merlin, gemeu Andromeda, mais desesperada. Fechou os olhos, respirando fundo. Pegou Nymphadora e abriu a porta do porão, a deixando em um berço velho. Subiu as escadas às pressas e amaldiçoou a porta de todas as formas possíveis. Tudo que ela pensou ter ignorado de magia negra em sua casa parecia surgir em sua mente como única saída. Respirou fundo, transfigurando-se, saindo pela porta dos fundos, dando a volta na casa, indo em direção da árvore, ainda concentrada na transfiguração, mas não era muito boa.

Continuou empunhando a varinha até chegar na árvore, não achando ninguém.

Olhou ao redor, paranóica, tendo certeza que viu um homem e aquela não era a primeira vez. Avistou alguém pela estrada, que cortava o campo e voltou para a porta da casa, esperando Ted. O homem aproximou-se quase correndo, tirando a boina. Selou os lábios de Andrômeda.

— Partimos essa noite. Vamos deixar as coisas aqui e vamos para os Weasley.

A garota assentiu, ainda trêmula. Ted olhou suas mãos e franziu o cenho.

— O que foi? O que estava fazendo aqui fora?

— Eu… Eu ouvi você chegando. — ela forçou um sorriso, abrindo a porta para o homem entrar. Passou a mão na boca, tensa, entrando novamente. Aquela era a terceira vez que iam se mudar e Andrômeda tinha a estranha sensação de que haveriam muitas outras depois dessa. Criaturas mágicas invadindo Londres, nascidos trouxas desaparecendo e bruxos sangue puro que fossem traidores de sangue não estavam mais sendo poupados.

Não queria compartilhar com Ted que andava vendo um vulto rodeá-la, pois achava que estava ficando doida como Bellatrix. Quebrou os feitiços do porão antes que Ted tentasse abrir e pegou Nymphadora, a colocando novamente no sofá. Continuou a pegar algumas coisas manualmente, pegando o calendário, surpresa em ver que era vinte e quatro de dezembro.

A Mui Antiga e Nobre Casa dos Black estava com todos presentes naquele momento, ela conseguia sentir o cheiro de comida sendo feita e uma sala barulhenta. Olhou seu anel da família Black e fitou o nada, quase sentindo seu espírito retornar para o Largo Grimmauld, nº12.





Sirius Black encarou o quadro de Cygnus Black enquanto roubava o uísque de cem anos de seu escritório, já que o que estava sendo distribuído na festa não era tão forte nem tão valioso. Encheu dois cantis com feitiços expansores e então brindou para o tio, dissimulado.

Saiu do escritório, dando de cara com uma mulher.

Encarou Bellatrix, fechando a porta atrás de si. Respirou fundo, não temendo a imagem horrível de sua prima mais velha, cadavérica, parecia um morto-vivo.

— Posso saber o que estava fazendo?

Ele sorriu, cínico.

— Lendo.

— Leitura não me parece algo do seu costume.

— Bem, cuidar da sua vida também não parece algo do seu costume — o garoto passou pela prima, voltando para a sala barulhenta, cheia de parentes. Deu um gole no cantil e fechou, colocando no bolso interno de seu terno. Teve o ombro tocado por alguém e virou-se, sorrindo ao ver Barty Crouch Jr. Abriu os braços para o garoto de sua idade.

— Quem é vivo sempre aparece! — riu Sirius, o abraçando, sentindo Barty colocar algo em seu bolso.

— Pode apostar, Black — sorriu, apertando o ombro do garoto de cachos. — E então, o que achou?

— Do que? — Sirius apertou seu bolso, sentindo o pequeno saco de pílulas. — O que achei do que?

Barty franziu o cenho, surpreso.

— Não te apresentaram? — ele agarrou os ombros de Sirius, apontando para uma garota não muito longe dos dois. Ele olhou a menina, parecia mais nova que Sirius, era pequena e tinha madeixas castanhas, conversava com Narcissa e outras meninas. É uma Greengrass, assustou-se, não acreditando que ainda existiam — É sua futura esposa.

Sirius soltou-se de Barty, que gargalhava de sua cara.

— Parabéns, é uma gracinha! — o garoto afastou-se, ainda rindo e Sirius tocou a testa úmida, não acreditando que mal fizera treze anos e já estavam lhe empurrando para alguém. Foi idiota em pensar que por ser o homem mais velho da nova geração pelo menos lhe dariam tempo de escolher alguém. Se escolhesse, pensou, morto de ódio de manipularem sua vida daquele jeito. Olhou a menina novamente, enojado em saber que por mais que fugisse, ele havia adquirido os hábitos imundos da família de conseguir cheirar o sangue de alguém de longe.

Foi até o outro andar, procurando seu pai, não se incomodando em empurrar as pessoas para fora de seu caminho. Tropeçou em Lucius, e o mesmo o olhou, irritado.

— Preste atenção por onde anda, Black — alertou, empurrando Sirius de volta, que o olhou, desacreditado.

— Se você me tocar de novo, eu quebro seu nariz. — ameaçou Sirius, pronto para voltar a andar, mas reconheceu o garoto narigudo na rodinha de Lucius. — O que essa aberração está fazendo aqui?

Não foi respondido, os outros empurraram Sirius para longe de Snape. O lugar estava tão cheio que Sirius não queria saber nem como iam conseguir colocar tanta gente pra jantar, apenas continuou procurando o pai. Orion Black entretia uma meia dúzia de homens grisalhos que Sirius apenas ignorou, entrando no meio, de braços cruzados.

— Que história é essa de Greengrass? — indagou, franzindo o cenho.

Orion congelou, virando o rosto lentamente para o jovem que o encarava, de braços cruzados, como se estivesse tirando satisfação com a gangue inimiga.

— Sirius… Educação. — sorriu, forçado, agarrando o ombro do garoto e o colocando ao seu lado. — Senhor Crabbe, com toda certeza se recorda do meu primogênito, caiu na Casa errada, mas as notas são inacreditáveis, vai ser um excelente Curandeiro, com toda certeza-

Sirius respirou fundo, forçando um sorriso, ignorando o que o pai tanto vendia, apertando a mão dos idosos, todos impressionados como se vissem um animal novo à venda. Olhou a tapeçaria onde algumas pessoas olhavam, impressionadas, e encarou o nome de Andrômeda.

Quando seu pai se cansou, arrastou o garoto para longe, em direção de sua mãe, que entretia outras visitas.

— Senhoritas… — cumprimentou Orion, fazendo com que se afastassem. — Cuide dessa peste, Walburga, ele consegue me envergonhar até de longe.

— Bom, aparentemente eu sou um homem requisitado- — começou Sirius.

— Impossível, você não foi nem mesmo uma criança desejada — cortou Walburga, curvando-se para seu tamanho, o que já não era mais tanto, Sirius parecia esticar como chiclete. — Pare de nos envergonhar!

— Sirius estava roubando bebida do escritório de meu pai. — chegou Bellatrix, entrando na roda.

Walburga arregalou os olhos apertando mais ainda o braço de Sirius, que bufou, agora realmente irritado.

— Obrigada Bella, como se eu precisasse de ajuda! — agradeceu, olhando a prima com ódio. Quando Cissy e Regulus também entraram na roda do que era para ser uma conversa particular, Sirius bateu palmas, soltando-se da mãe. — Ótimo, reunião de família, porque nada pode ser resolvido sem virar um circo!

Circo? — indagou Regulus.

— É igual a nossa família, mas pelo menos as pessoas pagam pra ver! — retrucou Sirius, tendo a orelha puxada por Orion.

Pare de gritar!

— Devia estar feliz Sirius, ela é tão bonita! — sorriu Cissy.

— Merlin, eu realmente preciso de paciência. — ofegou Sirius, soltando-se do pai. Bellatrix sorriu para o primo, não se segurando e apertando seu nariz.

— Você deveria pedir forças. — Sirius deu um tapa na mão de Bellatrix.

— Se ele me der forças eu mato você! — o menino virou-se para o pai. — Podem cancelar isso, eu não vou casar com ninguém! Eu não vou fazer o que vocês estão pedindo dessa vez!

Dessa vez? — questionou Orion. — Você nunca fez nada que pedimos!

— Sirius, você não pode se rebelar contra tudo-

— Eu vou me rebelar contra qualquer coisa que você disser, se você falar que o céu é azul eu vou fazer ele ficar rosa! — Ele sustentou um olhar odioso para mãe e então abriu espaço para sair da roda, mas apontou o dedo para o pai. — É melhor nem contarem pra ela, se não eu desminto agora mesmo.

Ele me ameaçou? — ouviu Orion questionar, mas não ficou para ouvir o resto, desceu as escadas, pegando o cantil novamente e o saquinho em seu bolso, entrando em seu quarto rapidamente. Pegou uma pílula e engoliu com o uísque, respirando fundo. De jeito nenhum vou encarar isso sóbrio, pensou, saindo do quarto novamente, guardando tudo em seu bolso interno. Desceu as escadas, encostando-se na parede perto da porta, observando os convidados, sabendo que todos eram supremacistas de sangue. Tinha vontade de morrer em ser conivente com aquilo, já que não tinha muita saída, se aurores entrassem aqui, ele também ia rodar por associação.

Scabior parou na sua frente e lhe ofereceu a carteira de cigarros, Sirius o olhou, desconfiado, e pegou, já pegando um, tragando quando Scabior acendeu com o fósforo. Olhou a tatuagem de cruz em sua testa e segurou um sorriso, pegando um dos cantis em seu bolso interno e lhe passando, como combinado.

— Quem é seu tatuador? — perguntou Sirius, dando um longo trago.

Scabior sorriu com os dentes de ouro, secando a boca com o filtro do cigarro antes de acender.

— Eu tenho um novo, mas acho que não vai querer conhecer. — ele subiu a manga da blusa, mostrando para Sirius uma marca de uma caveira com uma cobra saindo da boca. O sorriso do garoto morreu na hora, era igual a marca que o Profeta Diário fotografou no céu, em cima dos locais de atentados. Assentiu, engolindo seco, fingindo um sorriso seco para Scabior.

— Vou pegar um ar. — apontou para a porta e saiu, quase vomitando.

Sentou-se na escada do Largo Grimmauld, soltando a fumaça, observando a rua vazia. Pegou novamente o cantil em seu bolso e vacilou, temeroso. Quando James brincou que ele poderia desenvolver um problema com bebidas, Sirius riu, mas no fundo sentiu medo. Ele não conseguia ficar um segundo dentro daquela casa sem fumar algo, usar algo ou beber algo. Não era por diversão como seus amigos, mas por necessidade de dissociação. Fumar e beber eram coisas comuns em sua casa, e no fim do dia Sirius era um Black, e aos poucos ele entendia porque sua família cultivava aquele traço, não era fácil conviver com tantos vermes.

Finalmente abriu o cantil e deu um longo gole, guardando em seguida, pendurando o cigarro em sua boca.

A porta se abriu e Regulus saiu, fazendo Sirius revirar os olhos.

Puta que pariu — jogou o cigarro longe. — O que tem que fazer nesse lugar pra ter paz?

Regulus sentou-se ao seu lado, o olhando, mas Sirius ignorou o garoto um ano mais novo, negando-se a olhá-lo. Os dois olharam a rua e o garoto mais velho lacrimejou, sentindo seu coração apertar. Foi idiota de pensar que estavam apenas lhe sacaneando, Sirius não era mais uma criança, casá-lo é o grande negócio da família, seu pai estava envelhecendo em pouco tempo ele seria o Senhor Black.



Teho Teardo & Blixa Bargeld — Still Smiling



Olhou o anel em seu dedo, pensando em Andrômeda. Será que ela teve medo?, pensou, lembrando-se da menina do outro lado da sala, tentando imaginar-se casado com ela. Apesar de ter passado dez anos de sua vida achando tudo aquilo uma imbecilidade, não conseguia negar que parte da lavagem cerebral havia sido feita. Sirius às vezes se pegava com um termo racista na ponta da língua, ou algum comentário imundo do gênero. Sentia uma vergonha consumi-lo como se tivesse gritado e todos tivessem ouvido, sentia-se impuro, como se tivesse tomado se banhado em sujeira. Tinha ódio deles, e de si, como se fosse indissociável.

— Falta muito tempo para vocês casarem — Regulus pareceu ler sua mente. Sirius riu, pegando a carteira de cigarros.

— Eu não vou casar com ninguém — e seu corpo se fechava. Sirius não conseguia se permitir vulnerabilidade perto de ninguém com o mesmo sobrenome que ele. — Pode apostar nisso.

— Como se você tivesse escolha. — Sirius olhou a tempo de ver o sorriso dissimulado no rosto de Regulus — Não aprendeu nada com Andrômeda?

Sirius levantou-se, agarrando o terno do garoto que estava ao seu lado, o levantando também.

Mais que você, aparentemente! — Sirius apontou o dedo para o rosto de Regulus, tão próximo que poderia sussurrar e ainda sairia como um grito. O mais novo segurava o punho do irmão, que não parecia nem perto de soltá-lo. Tinham tanto ódio compartilhado que qualquer respiração próxima já era o suficiente para uma briga — E tenha muito cuidado em abrir sua boca pra falar dela.

Soltou Regulus que foi para trás, quase caindo. Sirius pegou a carteira de cigarro que tinha deixado cair quando levantou, paralisando ao ouvir:

— Lealdade não é o lema da sua Casa? — debochou Regulus, ajeitando-se.

Você ainda está falando? — Chocou-se Sirius — Quer que eu te amaldiçoe de novo? Esqueceu da última vez?

Regulus procurou a varinha no bolso, dando alguns passos para trás enquanto Sirius se aproximava, de olhos arregalados. Se o irmão mais novo tivesse coragem da fúria que viria a seguir, diria que ele ficava simplesmente idêntico a Bellatrix, Walburga e todos os Blacks antes dele quando estava irritado.

— Eu sou tudo que você tem medo de ser, Regulus. — Sirius sorriu como um verdadeiro Black. — E é por isso que eu era, eu sou, e sempre vou ser melhor que você.

Sirius virou o rosto quando lampejos apareceram não muito longe das escadas, revelando o que parecia aurores. O garoto colocou as mãos na cintura, os olhando de cima.

— Boa noite. — cumprimentou um deles, mas Sirius não respondeu. — Residência dos Black?

O garoto sorriu, dissimulado.

— Noite de sorte, achou dois de uma vez. — O homem quase sorriu, tirando o chapéu, dando alguns passos em direção de Sirius. Ele olhou Regulus e então Sirius.

— Falo com o senhor Black?

Ele encarou a mão que o Auror ofereceu para que apertasse e então o olhou, engolindo seco. E então olhou Regulus rapidamente. O que você sabe sobre lealdade?, pensou, ainda irritado.

Apertou a mão do homem, assentindo.

— O próprio.

Notas finais
Essa música me deixou 100% Sirius Black das ideias, espero que tenham gostado.