As Cores
26 Capítulo 25
NOBBY LEACH ESTÁ MORTO
A garota viu aquela frase em todos os jornais durante o mês.
Decidiram por manter as eleições e Eugenia Jenkins se tornou a Ministra da Magia, como uma segunda opção, já que Nobby Leach estava liderando as pesquisas. A ameaça constante de Magia Negra estava assombrando a todos, já que o corpo de Leach fora amaldiçoado e matou umas quatro pessoas que o tocaram antes deles perceberem que estava amaldiçoado. Tiveram que chamar um especialista para quebrar o encanto.
A população bruxa estava começando a sentir-se desconfortável em suas cadeiras, panfletos sobre como proteger sua casa, cursos oferecendo uma forma de aparatação mais eficiente, cursos de transfiguração começaram a surgir em todos os lugares, Andrômeda nunca vira nada igual em toda sua vida. Era uma ameaça invisível que já vinha se instalando em pequenos atos, mas agora mostrou-se para o mundo.
Trouxas desaparecendo com uma frequência assustadora, Clubes da Alta Sociedade sendo invadido por bruxos mascarados que matam sem dó qualquer um, políticos importantes desaparecendo... O terror estava instalado.
Entretanto, ela estava tendo outras coisas para se preocupar desde o casamento de Bellatrix. Seu mal estar apenas piorou e a semente da dúvida impregnou-se dela de uma forma que Andrômeda não conseguia dormir, comer, só pensava na possível desgraça que podia se instaurar em sua vida. Manteve-se sentada no sofá durante metade da comemoração do aniversário de seu tio Orion.
Sorriu levemente com as gargalhadas de Sirius, mais uma vez invejando sua juventude. Cobriu o rosto com a mão, ignorando Bellatrix sussurrando sacanagens no ouvido de Scabior, ao seu lado. Levantou-se e subiu as escadas, entrando no quarto da irmã.
— Merlin... — murmurou ela, tapando o nariz. Parecia um laboratório de Poções misturado a um Ritual Wicca. Desviou dos artefatos, plantas, e velas, indo até seu armário, onde uma vez achara uma Folha da Lua, o teste de gravidez. Achou a caixinha e pegou o pequeno frasquinho escrito “Chá da Lua” e sentiu-se inocente e burra... Quantas crianças Bella já abortara ou ela só tem aquilo como segurança? Pegou uma folha e fechou a caixa, saindo do quarto da irmã.
Trancou-se no banheiro e não teve coragem de se olhar no espelho. Não conseguia pensar em nada, nada conseguia grudar em sua mente, parecia ter apagado tudo que tinha nela. Sentou-se no sanitário de forma estratégica, colocando a folha de uma forma que tocasse sua urina. Após isso, sentou-se e terminou de urinar, fitando o nada. Passaram-se alguns minutos quando ela limpou-se e abaixou a tampa, sentando-se novamente.
Andrômeda olhou a Folha em silêncio, sentindo-se estranha.
Olhou para seus pés e para a Folha, quase anestesiada. Batidas irromperam seu silêncio, assustando-a. Tratou de pôr fogo na Folha de Lua e levantar-se do sanitário, dando descarga. Sua mãe a chamou e ela disse que já estava indo. Lavou as mãos trêmulas. Apoiou-se na pia, respirando fundo, seus pulmões estavam se apertando em volta do coração.
Saiu do banheiro e andou pelo corredor em direção do quarto de Narcissa, mas encontrou a irmã saindo do quarto, parecendo alterada. A festa de aniversário de Orion, tio das duas, estava animada no andar debaixo.
— Cissy... Preciso falar com você... — gaguejou Andrômeda, sentindo sua boca seca. Narcissa parecia a ponto de um colapso.
— Você não vai acreditar no que aconteceu, eu quero morrer! — choramingou ela, batendo o pé. — Aquele demônio quer acabar comigo!
— O quê? — indagou Andrômeda, molhando os lábios rachados, começando a ficar lenta. Tocou Cissy. — Irmã, eu preciso da sua ajuda...
— Sirius mandou uma calcinha minha para Lucius! Por coruja e tudo! — disse ela, a ponto de cair no choro. — E era calcinha usada! O que eu faço agora? A minha vida acabou! Ele vai pensar que sou uma aberração... Eu odeio Sirius, eu vou mata-lo! — a irmã mais nova desceu as escadas abaixo, ainda chorando, sem dar chance de sua irmã falar. Andrômeda respirou fundo e desceu as escadas, procurando sua irmã mais velha.
Adentrou em um dos corredores, provavelmente ela estaria no escritório com alguns amigos, ela costumava fazer isso. Andrômeda abriu a porta do escritório de seu pai e deu um passo para trás, chocada com a imagem. Bellatrix estava com metade do corpo deitado em cima da mesa, sendo que tudo que estava em cima fora jogado para o chão, enquanto Scabior simplesmente metia nela sem dó. A irmã mais velha estava tão concentrada que nem notou a irmã na porta.
— Bella! — sibilou Andrômeda, ainda chocada. Bellatrix olhou a irmã, um pouco assustada, mas nem ela e Scabior pararam.
— Drômeda... — gemeu ela, sorrindo maliciosa. — Sempre intrometida... Fecha essa porta!
A garota seguiu as ordens da irmã, ainda atordoada. Poucos minutos depois, Bellatrix saiu do escritório, arrumando-se. Sorriu para a irmã assim que Scabior saiu, dando um olhadinha para a irmã mais velha de Andrômeda.
— Eu não acredito! Podia ter sido Rodolphus a abrir a porta...
— É, mas não foi. Olha, eu estou casada, mas não morri, ok? Ao contrário daquele eunuco do Lestrange...
— Você fala como se você não fosse uma. — lembrou Andrômeda.
— E não sou. — murmurou Bella, com seus olhos verdes analisando pelo corredor. Andrômeda assustou-se com as olheiras profundas da irmã, provavelmente ela estava sem tomar seus remédios. — Então, o que você quer?
— Meninas! — chamou o homem no corredor. Elas se viraram para o tio Alphard. — Venham, o bolo já será cortado. Fiquem perto de Ciça e os meninos.
Bellatrix sorriu para o tio, agarrando a irmã, andando em direção da festa. Andrômeda não estava se sentindo nada bem, na verdade, estava péssima. A sensação de enjoo tornou-se mais forte quando ela bateu seus olhos nas comidas e bebidas nas mãos das pessoas. Avistou Evan ao longe, que acenou para ela, mas Andrômeda já estava sem forças até mesmo para sorrir. Posicionou-se entre Bellatrix e Narcissa, que esforçava-se para não chorar:
— Eu odeio você, eu odeio... — murmurou ela, choramingando. O pequeno Sirius girou os olhos, parecendo irritado.
— Já passou, que droga, ele vai ver suas calcinhas de qualquer jeito, ok? Só adiantei o processo!
— Bella... — sussurrou Andrômeda, apertando a mão da irmã. Sua visão começou a embaçar. Entretanto, a irmã mais velha estava ouvindo Narcissa relatar o que Sirius havia feito.
— Eu vou contar tudo para sua mãe! — ameaçou Cissy, mas Sirius apenas riu. — Ela vai te bater que nem daquela vez que você deixou o cabelo de Bella azul!
— Ohhhh, estou com tanto medinho! — riu ele, fazendo Bella se irritar.
— Não vai ser tia Walburga a te castigar, praga, vai ser eu! — ela arregalou seus olhos, calando Sirius.
— Meninas... — gemeu Andrômeda, agora apertando a mão de Cissy, mas ninguém estava prestado atenção nela, que já estava sem sentir seus pés.
— Eu não tenho mais medo de você, agora eu também tenho uma varinha! — defendeu-se Sirius, fazendo seu irmão mais novo rir.
— Grande coisa! Você me perguntou ontem se feitiços era com ‘s’ ou ‘ç’, quer que acreditemos que você sabe fazer alguma coisa com a varinha? — debochou Regulus, fazendo Narcissa rir, mas irritou seu irmão mais velho, que deu-lhe um soco no braço. — AI!
— Sirius, não bata no seu irmão... — Andrômeda sequer sentia a voz saindo de sua boca. Antes que pudesse terminar a sentença, seu corpo foi levado para trás por uma força forte o suficiente para apaga-la. A festa pareceu parar por um momento quando Drômeda dava suas últimas piscadas, com o Salão ficando cada vez mais escuro, com toda a força que tinha, aproximou o ouvido das duas irmãs ao seu lado, desesperadas, e contou seu segredo antes de apagar:
— Eu estou grávida... Estou grávida...
...
A primeira coisa que Andrômeda viu quando abriu os olhos, fora o rosto preocupado de Cissy, parecendo afagar sua testa com um pano úmido. Ela sorriu para a irmã, afastando-se. Andie respirou fundo, abrindo os olhos de vez, sentindo uma tontura horrível ao tentar se sentar as pressas. Bellatrix estava andando pelo quarto de braços cruzados, séria.
— Está se sentindo melhor? — indagou Cissy, assustadoramente semelhante a Druella.
Andie sentou-se, assentindo, ainda tonta.
— Não temos uma virgem nessa família. — Bellatrix finalmente parou de andar, ainda de braços cruzados. — Cissy também fez o favor de abrir as pernas.
— Ei! — cortou Narcissa, virando-se para a irmã, com raiva. Bella aproximou-se da cama, olhando para Andie de um jeito que fez a garota querer chorar, era idêntica a Cygnus e seu olhar de peso.
— Você vai ter que casar logo. Ou tirar isso daí. — ela olhou para a barriga de Andrômeda. A menina teve uma forte enxaqueca ao se tocar que as garotas estavam deduzindo que ela estava grávida de Rabastan. Molhou os lábios secos, absorvendo a ideia.
— Eu...
— Você não precisa tirar o bebê. — disse Cissy, apertando sua mão. — É só se casar com ele e resolvido. O filho é dele de qualquer jeito.
— É melhor você tomar um bom Chá da Lua. — cortou Bellatrix, gélida. Narcissa olhou a irmã com escárnio.
— Não é porque você toma um por mês que Andie tem que seguir seus passos. — debochou ela, venenosa. Bellatrix olhou os olhos azuis de Narcissa com um olhar tão maligno que assustou Andrômeda, que tentou mudar os rumos da conversa.
— Onde está mamãe?
— Dissemos que cuidaríamos de você... A festa ainda estava rolando quando subimos a escada, não lembra? — Andie uniu as sobrancelhas, confusa. — Nós levantamos você... Você estava fraca, mas conseguiu subir as escadas.
— Não lembro. — Andie cobriu o rosto, estava tão assustada em estar passando mal que pensou que estava morrendo, foi um erro ter contado para elas. Precisava ver Edward o mais rápido possível.
— Olha, eu quero estar aqui para saber o que você vai decidir. — disse Bella, finalmente sentando-se na cama, apertando a panturrilha da irmã. — Já faz um mês que Rodolphus e eu estamos adiando a viagem para Salem, não posso demorar mais que isso.
— Pode ir, Bella. — sorriu Andie, ainda fraca. — Cissy vai estar aqui.
— Oh Merlin, e Hogwarts? — indagou Cissy, cobrindo a boca com a mão. A garota lembrou-se de Hogwarts e foi como levar uma facada. Sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e Narcissa levou um tapa de Bellatrix por fazer Andrômeda chorar. As duas abraçaram a irmã, chorosa, completamente chocada com a burrice que fizera.
...
Andrômeda estava dura no sofá de Edward, com toda a arrogância da família Black estampada em seu rosto. Ele continuou falando sem parar, ignorando a face dura de Andie, o olhando com seriedade. Ted finalmente terminou de contar sua muito engraçada história de trabalho e reencostou-se no sofá, olhando-a. A única coisa que os separava era a mesinha de centro. Admirou seu cabelo sedoso e bem tratado, e suas roupas impecáveis, das melhores e mais caras marcas bruxas.
— Você é perversamente linda. — sorriu ele.
A garota continuou com o rosto duro.
— Eu estou grávida. — disse Andrômeda, ainda séria.
Ele pareceu não ouvir. Aos poucos pareceu digerir, esboçando um sorriso trêmulo, com os olhos molhados. Andie semicerrou os olhos, como se olhasse um assassino.
— Por que está sorrindo?
— Eu... — Ted sorriu para o nada, visivelmente emocionado. — Eu acho que estou feliz.
— Feliz? — sua voz era digna de um psicopata. — Que caralho você está pensando, Edward? Eu estou fodida até a borda! — sibilou a garota gesticulando violentamente, tentando conter-se.
— Por que? — Andrômeda deu um grito de frustração, não acreditando no que estava ouvindo. Ele sempre foi burro ou ele virou de uma hora para a outra? — Andie, está tudo bem...
— Nada está bem! — cortou ela, seca. — Eu cometi o maior erro da minha vida e agora estou em beco onde nas duas saídas eu me ferro!
— Não, você só tem uma saída. — corrigiu ele, chamando atenção dela. Ela uniu as sobrancelhas para ele. Ted detestava ver Andrômeda irritada porque ela arregalava os olhos de uma forma que ela e Bellatrix pareciam a mesma pessoa. — Temos esse bebê e é isso. A vida segue.
A garota o fitou por segundos intermináveis e então gargalhou, psicótica. Edward olhou para os lados, constrangido. Quando ela finalmente terminou, ela o olhou de forma fria e sarcástica.
— Você está brincando comigo, caralho? — sussurrou ela, gélida. — Você esqueceu quem eu sou?
— Não, milady! — retrucou Ted, agora irritado. — Eu não esqueci a porra do seu sobrenome que você tanto lustra para os quatro ventos! O que você quer que eu te diga, afinal? Que vou roubar um vira tempo e evitar isso?
Andrômeda respirou fundo, fechando os olhos. Tirou as madeixas do rosto, parecendo decidida.
— Eu tenho duas opções. — disse ela, calma. — Transo com Rabastan e anuncio a gravidez daqui umas semanas ou... Ou o aborto.
Ted arregalou os olhos.
— Você quer tenho o meu filho com outra pessoa? — esganiçou ele, alterado. — Você é louca?
— Ok, Ted, qual é a sua grande ideia então, hein? — gritou Andrômeda. — Nos mudamos para o seu barraco e nos alimentamos de água e sol? É essa sua grande ideia?
— Se esse bebê for metamorfomago? Qual vai ser a sua grande desculpa?
— Eu vou procurar metamorfomagos em ambas árvores geneológicas. E milagres acontecem, esse bebê pode ser o primeiro.
— Não. — Ted cruzou os braços. — Você não vai criar meu filho com outra pessoa.
— Ótimo, porque eu já estou treinando como fazer o Chá da Lua. — retrucou ela, seca. Edward deu um passo para trás, olhando-a com um nojo extremo estampado no rosto.
— Você vai matar uma vida? — indagou ele, abalado.
— Tire a sua boca mísogina do meu útero. — sibilou Andrômeda.
— Andie, por que você não considera por um segundo, só por um segundo, nós dois simplesmente criarmos essa criança? — Andrômeda passou a mão no rosto, como se estivesse tentando ensinar matemática para uma mula.
— Puta que pariu! — gritou ela, violenta. Ela levantou-se e foi até o garoto, quase colocando seu rosto no dele. — Será que dá pra você sair do seu conto de fadas e vir para a vida real? Eu não estou na porra do Orgulho e Preconceito! Nós não vamos sair cavalgando em um cavalo branco por aí...
— Vai se foder! — retrucou Edward, furioso, com os olhos marejados, levantando-se de supetão. Ainda olhava um pouco para cima, já que a garota era alguns centímetros mais alta. — É preciso muito mais do que altura ou a arrogância de me intimidar... Especialmente vindo de você.
— Vai se foder você! — respondeu Andrômeda, agressiva. — Eu não preciso de um garotinho chorão agora, eu preciso de um homem!
A garota afastou-se, trêmula e enraivecida, sentindo vontade de socar tudo que estava na sua frente. Ted enxugou as lágrimas, magoado. Andrômeda virou-se, vendo o garoto fungar e o olhou com descaso, mais irritada ainda.
— Nós podemos fazer isso funcionar. — soluçou ele, realmente abalado. — Eu amo você e...
— Ah, Deusa, eu não consigo. — Andie curvou-se ao tocar seus joelhos, exausta. Ergueu-se novamente e tirou seus cabelos da frente do rosto, ignorando os soluços chorosos de Edward. Olhou para o garoto como uma professora do fundamental. — Amor não tem nada a ver com isso. Eu não almoço amor. Eu não bebo amor. Eu não durmo em cima da porra do amor. Esse bebê não vai cagar em cima do amor. Ele não vai estudar amor. Ele não vai sobreviver de amor! Será que você não consegue entender que VOCÊ e EU não vamos conseguir sustentar uma criança? Eu tenho dezessete anos! Eu nem terminei a escola. Você trabalha em uma cafeteria, pelo amor de Merlin!
Andrômeda pressionou as temporas, procurando palavras.
— Eu tenho sonhos... Eu quero ser uma Curandeira! Eu tenho um nome... Eu não sou qualquer uma... Minha família vai me deserdar!
— Claro... — Ted chorou mais ainda. — Eu sou um sangue ruim, eu esqueci desse detalhe.
— Sim, você é. — Edward a olhou, chocado. — Você é, seu sangue ruim, é o que você quer ouvir? Seu sangue é imundo, pare de se vitimizar. — sibilou Andrômeda, inacreditavelmente maldosa. — Mesmo eu tendo essa criança e fingindo que é de Rabastan, eu não vou conseguir, eu vou morrer. Eu não vou conseguir conviver com a culpa, nem que eu quisesse.
Edward assentiu, limpando o rosto com a camiseta. Olhou para Andrômeda, sério e decidido.
— Se você tiver essa criança com Rabastan, ou matá-la, eu vou contar pra todo mundo. — Andrômeda arregalou os olhos.
— O quê? — indagou ela, com a voz falha.
— Eu vou contar pra Deus e o mundo que eu fodi Andrômeda Black em todas as posições fisicamente possíveis desde 196... — o rosto do garoto virou-se brutalmente após o tapa que Andie lhe dera, quase quebrando seu pescoço. A marca dos cinco dedos da menina estavam em seu rosto quando ele a olhou, com os olhos marejados. — Seu monstro.
— Você que é o monstro. — retrucou ela, de olhos arregalados. — Por tentar me fazer sentir culpada por ser coerente e não ser irracional feito um animal que você é!
— Eu odeio você!
— Ah, vá se foder! — a garota virou-se, afastando-se. — Eu vim aqui pedir ajuda e só passei raiva, só me serviu de certeza que homens não tem nenhuma utilidade.
Andrômeda colocou seu casaco, irritada, pegando sua bolsa no chão. Arrumou seu cabelo e tentou forçar seu coração a bater mais devagar, trêmula. Ted apenas limpou as lágrimas, ainda fungando. A garota virou-se para ele, pronta para ir embora. Ele a olhou, assentindo.
— Ok. — disse ele, com a voz rouca. — É com você, é sua decisão.
A Black sentiu um pouco de alívio ao ver que ele não era tão burro.
— Mas vão haver consequências. — disse ele, levantando-se. — Esse bebê... Ele é uma porta. Você está certa, não somos crianças, não somos a mocinha e o mocinho. Você pode ter esse bebê com Rabastan, mas nunca mais vai ouvir falar de mim. Você pode abortar esse bebê, e também nunca mais vai ouvir falar de mim. Acabou. É isso, acabou. Mas...
Andrômeda sentiu seus olhos queimarem, mas negou-se desviar os olhos.
— Você tem a mim. E a trilha difícil. Porque não vai ser fácil. Eu não posso te dar a vida de rainha que Rabastan pode lhe dar e nem manter sua vidinha de princesa, mas eu sou o idiota romântico com a cética maldita que você é. — Andie abaixou os olhos, sentindo seu rosto molhar-se. — Eu amo você. Eu não sou sangue puro... Eu não tenho um nome nos Sagrado Vinte Oito Otários, mas eu amo você. E Rabastan nunca vai te amar como eu te amo.
Edward foi até a porta e a abriu bruscamente, olhando para a garota.
— Faça sua escolha. Se você voltar, as portas estão abertas. Se você não voltar... — Edward não terminou a frase, apenas virou o rosto para que ela não o visse chorar. A garota saiu da casa, sentindo a porta bater nas suas costas segundos depois.
Limpou o rosto e respirou fundo, seguindo seu caminho, de queixo erguido.
Fale com o autor