As Cores

17 Capítulo 16


— Narcissa! — Druella segurou-se em Cygnus, arregalando os olhos. — Que diabos você fez com seu cabelo?

— Você parece a Cruella de Vil... AI! — berrou Sirius após levar um beliscão de sua mãe. As garotas abraçaram seus parentes na estação enquanto Druella olhava o novo cabelo da filha, chorosa. O cabelo estava disforme até Andrômeda cortar corretamente, deixando em um ângulo que era mais curto na nuca e aumentava até seu queixo.

Bellatrix desviou o rosto quando seu pai tentou beijá-la e abraça-la, seca. O homem respirou fundo e foi para Andrômeda, abraçando a filha. Bellatrix olhou para Kreacher, ainda com o rosto congelado de ódio. O elfo assentiu lentamente e ela desviou o olhar, acariciando o pentagrama em seu peito, olhando as outras famílias.

Ela passou seus olhos em seu grupo de amigos conversando com alguns homens e arregalou os olhos. Viu a boina de Tom Riddle e agarrou o braço de seu pai, desesperada.

— Pai, eu preciso que conheça alguém! — ela agarrou a mão de seu pai, abrindo caminho entre a plataforma, em direção do grupo de homens. Dolohov notou que Bella ia na direção deles e cutucou Tom, que desviou seus olhos de Avery e olhou em direção da garota, arregalando os olhos rapidamente, surpreso. Ela finalmente chegou ao grupo, que abriu espaço para ela e Cygnus.

— Ei, senhor Black... — cumprimentou os amigos de Bella, desconfortáveis. Tom, Avery e Dolohov tiraram suas boinas quase em sincronia, receosos. O Riddle tomou a frente de seus amigos, oferecendo a mão para Cygnus.

— Senhor Black, muito prazer. — sorriu Tom, extremamente educado. — Meu nome é Tom Riddle, sou um grande admirador dos seus artigos, utilizei muitos deles para meus estudos pessoais.

— É um prazer conhecê-lo. — Cygnus o avaliou, desconfiado. — De onde você e Bella se conhecem?

O grupo ficou impassível, em silêncio. Tom abriu a boca para falar, mas ainda parecia sem saída. Olhou para seus amigos, colocando a mão no bolso, sem graça.

— Um amigo em comum nos apresentou. — sorriu Bellatrix. — Mas eu queria que o conhecesse, papai, porque Tom tem um sonho...

Senhorita Black... — interrompeu Tom, prevendo o que Bella faria.

— Mas ele precisa de financiamento. Ele também acha que a Grã-Bretanha tem um sistema de ensino falho e quer expor isso. Ele também acha que estamos deixando os ratos entrarem na casa... — ela focou seus olhos no pai, séria. — Como sempre conversamos, o senhor sabe que tenho o sonho de estudar a Artes das Trevas após Hogwarts. Bem, ele é um excelente professor.

O grupo se entreolhava, completamente embasbacado, mas Tom estava tenso e vulnerável, olhando para seus próprios pés. Cygnus desviou os olhos da filha e avaliou o homem próximo de seus quarenta, impressionado com a resenha da filha.

— Não vejo porque não. — disse Cygnus, colocando uma mão nas costas de Bella. — Não é todos os dias que encontramos bruxos consicentes. Seria um prazer que fosse jantar conosco quando puder, senhor Riddle.

Bellatrix olhou para Tom, sorrindo lentamente. O homem reprimiu um sorriso, abaixando os olhos.

...

— Por que cortou o cabelo? — Cissy irritou-se de vez e apontou sua varinha para Sirius, que tropeçou para trás, assustado.

— Não esqueça que eu tenho varinha e você não. Pare de me encher a paciência! — ordenou ela, abaixando a varinha. Continuou limpando seu malão, tirando suas roupas. O garoto de dez anos sentou-se em sua cama, novamente colocando os pés sujos na colcha cor de rosa de Cissy.

— Eu também já vou ganhar minha varinha, então vou poder jogar vários feitiços nessa sua cara de quem comeu bosta. — Cissy arregalou os olhos e então riu, impressionada como o garoto tinha criatividade para ofendê-la. Sirius estranhou a tia estar rindo, mas riu, aos poucos, inseguro.

Narcissa fechou o malão vazio, ainda rindo, e o guardou debaixo da cama. Sentou-se na cama respirando fundo, passando a mão em suas madeixas curtas. Chamou o menino com as mãos, pegando seus cachos e desembaraçando com os dedos. O menino deitou a cabeça em seu colo, adorando o carinho.

— Sirius, o que você acha de mim? — questionou ela, dócil, o garoto a olhou, unindo as sobrancelhas.

— Eu te acho chata e metida. — disse ele, simples.

— E bonita?

— Sim, muito bonita.

— Você acha que Lucius gosta de mim?

— Lucius é tão idiota. — Cissy riu, tapando a boca. — Ele tem uma cara de que está segurando pum vinte e quatro horas. E uma vez eu vi Abraxas lhe dar um tapa na cara e ele parecia um cachorrinho choramingando.

O quê? — sussurrou Cissy, sentando Sirius em segundos. O garoto gemeu com as mãos firmes da prima apertando seus braços, a olhou, confuso. — O que você disse?

— Me solta! — o garoto conseguiu se livrar das mãos da tia, acariciando o local apertado. — Eu disse que Lucius apanha do pai, por que você acha que ele só falta mijar nas calças quando Abraxas está por perto?

Cissy pareceu montar um quebra cabeça em sua mente. Olhou Sirius, querendo enchê-lo de beijos. Ergueu o garoto, o abraçando em um riso estridente, assustando o menino.

...

— Você acha que vai ser a primeira pessoa a casar-se contra vontade? — questionou Cygnus, após minutos fitando o rosto da filha. Bellatrix e Cygnus estavam em seu enorme escritório, onde também tinha vastas prateleiras, lotadas de livros. Em sua mesa, seu prêmio da Ordem de Merlin, e outras homenagens. Ele era tudo que Bellatrix quer se tornar.

Era incrível como a mente de ambos funcionava da mesma forma, sendo que a de Cygnus era mais matura, algo que Bellatrix teria com a idade.

— Você está me vendendo. — retrucou Bellatrix, impassível.

— Sim. — respondeu seu pai. — O mundo é feito de negócios, não de amor e arco-íris. Você devia se sentir agradecida em estar se casando com um homem da família que controla toda a Suécia. Quando se tornar uma Lestrange, eles se tornaram nossos vassalos e os Black tomaram a diretoria do Sagrado Vinte e Oito como a casa mais poderosa.

Bellatrix enrugou o rosto, com repulsa.

— Eu vou me matar. — sibilou Bella suavemente, sem piscar. — E você vai carregar meu sangue nas suas mãos imundas o resto da sua vida.

Cygnus pendeu a cabeça para o outro lado, com um sorriso de descrédito no canto da boca.

— Eu pareço assustado? — indagou ele, acomodando-se em sua poltrona, semelhante a um trono, brincando levemente com seus dedos, com seu anel do Diretório Sangue Puro no dedo médio. A garota estava controlando seu ódio com tanta força que chegava a tremular. — Você sabe o que significa legado?

Ela desviou o olhar, fria.

— É o que você passa de geração para geração. Algo que os faça honrá-lo quando estiver debaixo da terra. Seu avô foi... — Cygnus serviu-se de uísque. — Um imprestável.

Bellatrix voltou a olhá-lo, ainda irritada. Olhou o homem encher seu copo de gelo e tomar um gole em seguida, saboreando o gosto forte da bebida.

— Eu ressuscitei nosso sobrenome das cinzas após ele vender Cedrella para os Weasley, que maldito... Desperdício. — ele suspirou, fitando o nada. — Druella irá morrer. Eu irei morrer. Você, suas irmãs, Sirius, Regulus... Todos nós iremos apodrecer debaixo da terra. Mas nosso nome irá sobreviver. Nosso legado, é tudo que temos. Não sua glória, não sua ganância, mas sua família. Entende?

Ele sorriu para Bella, tomando mais um gole. Pousou o copo novamente e colocou os cotovelos sob a mesa, olhando a filha com ternura.

— Eu amo você, Bellatrix, mas amo nosso nome ainda mais. Não voltarei atrás em minha palavra porque sou leal ao que digo. Não voltarei atrás porque eu quero que esta seja a família mais poderosa do mundo bruxo. — a garota surpirou, não conseguindo manter contato com os olhos frios do pai. — Você será Bellatrix Black Lestrange, a Senhora Lestrange da Suécia, filha de Cygnus Crabbe Black, futuro Senhor Diretor dos Sagrado Vinte Oito, Ordem de Merlin, Segunda Classe, Grande Feiticeiro.

Bellatrix abaixou os olhos quando seu pai ergueu-se de seu trono, retirando-se. Ela apertou as mãos com tanta força que sentiu suas unhas invadirem a palma da mão. Olhou para frente, com os olhos marejados, respirando lentamente, controlando todo o seu ódio.

Virou o rosto lentamente para seu lado esquerdo, ouvindo a porta fechar-se atrás dela.

...

— Papai está certo, você não devia ter escolhido um vestido para enterros. — sussurrou Andrômeda, a abraçando por trás. Ela sorriu levemente ao sentir o perfume da irmã, mas continuou observando seu futuro marido. Terminou o uísque em sua taça e soltou-se delicadamente da irmã, virando-se para ela. — Bella, você pode fazer a vida de Rodolphus um inferno, não precisa amá-lo.

Andrômeda não tinha raiva dele, e sim pena. Ele estava apaixonado, seus atos não faziam sentido de qualquer jeito. Entretanto, Andie estava se dividindo em preocupar-se com a irmã e sentir culpa por Rabastan, que ainda a tratava como uma princesa. Não suportava nem que ele a tocasse, sentindo a mentira ser escrita em seu rosto toda vez que o olhava.

Bellatrix terminou sua taça, seca. Andrômeda estranhou a irmã, mas ela nunca fora um exemplo de normalidade. O casamento de Bellatrix com Rodolphus era um tratado de paz da família Black e Lestrange, que através dos anos, sempre estiveram em lados opostos apesar do Sagrado Vinte e Oito¹. Paz não era uma palavra comum entre muitas famílias de sangue, ainda mais na politica. Na luta pelo poder, não existiam laços verdadeiros, apenas interesses.

— Minha noiva não falou comigo a noite inteira. — Bellatrix virou-se para Rodolphus, firme. Andrômeda admirou seu porte físico forte e imponente, e suas madeixas lisas que iam até o pescoço.

— Com licença. — disse a garota antes de se afastar. Bella continuou olhando Rodolphus, inexpressível. Seria hipócrita se dissesse que ele não era bonito, os Lestrange preservaram seu sangue por anos apenas casando entre si, raramente abrindo exceções, e se houvessem, eram apenas para famílias do Sagrado Vinte e Oito. Seus filhos provavelmente teriam os olhos verdes claros e o nariz aristocrático.

— Eu sei que não gosta de mim. Mas eu vou fazer de tudo... Tudo para que me ame. Lhe darei o mundo se pedir. — sorriu ele. Bella forçou o sorriso, mantendo as aparências para o púbico. Ele tinha um ar manipulado e contido que não disfarçava nem um pouco suas reais intenções, beijou a bochecha de Bella delicadamente, apaixonado.

— Você é doce... — Bellatrix sorriu, analisando Rodolphus com irônia. — Mas eu como garotos como você no café da manhã.

Rodolphus assumiu uma face fria, afastando-se. A garota pegou a tempo o olhar seco de Margareth Lestrange, avaliando a nora. Bellatrix desviou o olhar e saiu do ambiente, arrastando o vestido negro.

Notas finais
Pessoinhas, eu atualizei o tumblr porque novos personagens estão chegado, e agora pequenos pedaços de capítulos futuros também são postados lá, deem uma exploradinha, eu acho minha descrição muito falha (tenho problemas com descrições, não foi atoa que nunca consegui terminar Senhor dos Aneis), então acho mais confortável para vocês já terem a imagem pronta do personagem. Estou amando os reviews e as recomendações, muitissimo obrigada mesmo! Não tenham medo de fazer criticas! Obrigada por terem lido! ;)