As Cores
12 Capítulo 11
Andrômeda Black fingiu pelos três meses restantes de aula que não estava perturbada.
Desviava os olhares de Tonks e usou sua habilidade impecável de ignorar a pessoa a ponto dela se perguntar se realmente existe. Focou-se em seus estudos, já até mesmo fazendo uma planilha de estudos para seus N.I.E.M’s, por mais que só fossem no próximo ano. Amaldiçoou o dia em que se dispôs a ajudar aquele ingrato, perdeu domingos de sua vida massageando aquela perna asquerosa, comida pela Varíola.
Passava pelo jardim, encolhida em seu cachecol verde e seu livro História das Mulheres Bruxas, também ignorando Personna e Longbottom, que a olhavam sem ressentimento, mas ainda assim Andrômeda era invadida por um sentimento estranho, qual ela não queria admitir que era vergonha e culpa. Na última semana de aula, Rabastan sentou-se diante dela na biblioteca, colocando sua pilha de livros perto dos dela. A garota ergueu seus olhos para ele, dando-lhe um sorriso falho.
— Eu vim te convidar para ser meu par no Baile dos Fundadores. — Andrômeda olhou Rabastan, com um sorriso formando-se em seus lábios.
— Bem... Eu aceito. — respondeu ela, mesmo que não tivesse sido bem uma pergunta.
Ele sorriu para a garota, começando a pegar os livros que estavam com ele. Os dois estudaram, em silêncio, durante toda a tarde. Quando a biblioteca começou a esvaziar, Rabastan sugeriu que fossem até a cozinha pedir um café. Andrômeda arrumou suas coisas e ambos saíram, com suas capaz negras tocando o chão e os cachecóis verdes enrolados no pescoço.
O vento pareceu mais forte quando eles passaram pelo corredor do jardim e Rabastan esgueirou sua mão esquerda para a de Andrômeda, sem olhá-la, dando um olhar inseguro para o caminho em que estavam seguindo. O corpo de Andie não reagiu ao toque, mas ela sentiu suas bochechas quase soltarem fumaça de tão quentes.
O tempo pareceu desacelerar quando Ted Tonks apareceu no corredor, em seu cachecol amarelo. A garota lançou seus olhos frios para seus olhos azuis, quentes e carinhosos, sem que nenhum dos dois piscassem. Ele olhou as mãos unidas e o tempo só voltou ao normal quando ambos passaram lado a lado, como desconhecidos.
— Sangue ruim. — resmungou Rabastan, aproximando-se dela.
Andrômeda sorriu para seu noivo.
— Sangue ruim. — concordou, com o mesmo tom de repulsa.
...
Nascissa colocou seu sobretudo nude comprado na França, olhando-se no espelho.
Tocou seus brincos de esmeralda, enojada com sua beleza. Alinhou o sobretudo e inspirou, não conseguindo amaciar seu rosto endurecido de raiva contida. Manteve os olhos abertos quando se deu um forte tapa no lado esquerdo do rosto, deixando a marca de seus cinco dedos. Sentiu sua mandíbula trancar-se, trêmula.
Às vezes, Cissy tinha total consciência de que seria diagnosticada como sociopata se fosse a um medibruxo. Mas sociopatas não amam, e ela ama Bellatrix e Andrômeda de uma forma que chega a doer.
Acariciou seu rosto dolorido e pegou suas malas, saindo do dormitório feminino. Saiu da Sala Comunal lotada após pedir para seu primo Evan levar suas malas para o trem, porque precisava achar uma pessoa. Andou pelos corredores, atenta. Avistou o garoto alto, enturmado, sentado no banco de cimento do pátio. Marchou na direção dele, chamando atenção de seus amigos, que começaram a cochichar.
— Posso falar com você? — indagou Narcissa, séria. Olhou secamente para seus amigos, até eles se tocarem e saírem de perto. Gilderoy Lockhart olhou para a garota, sorridente, mas não incomodou-se em levantar.
— A que devo a honra, senhorita Black? — o garoto pegou a mão direita de Cissy, depositando um beijo. Ela olhou o corvinal, enojada.
— Eu quero que me ajude a deportar uma bolsista. — Gilderoy Lockhart congelou, levou alguns segundos para retomar sua expressão cínica.
— Perdão? — A garota girou os olhos, sem paciência para jogos.
— Não é todo mundo que acredita no seu talento em inventar feitiços. Qual era o nome do garoto egípcio que você mandou de volta pra casa depois de roubar o livro de feitiços dele? — Lockhart cravou seus olhos gélidos em Cissy, mudando completamente de comportamento após ter sido desmascarado. Ele levantou-se, olhando-a ameaçadoramente.
— Se você disser algo...
— ...Você vai ser expulso. Não ouse me ameaçar, Lockhart. — sibilou Nascissa, cortante como uma espada. — Você não me conhece.
O garoto olhou para os lados, passando a mão fortemente no maxilar, exaltado. Colocou as mãos na cintura, aproximando-se dela.
— O que você quer de mim? — sussurrou, com os olhos gritantes de desespero.
Narcissa assumiu um rosto doce, sorrindo para o garoto.
— Você vai me dizer exatamente como deportar Nikolina Briedz no próximo ano.
— Nikki? — indagou ele. — Impossível, ela tem notas excelentes. Alunos só são deportados se tiram notas baixas, tem mais de três detenções ou cometem algo grave. Eu tive sorte de Akbar ter notas péssimas...
— Algo grave? Como assim algo grave? — indagou Cissy.
— Sei lá, algo muito grave.
Narcissa olhou o corredor, ouvindo a risada de Lucius Malfoy. O garoto estava coberto por seu sobretudo negro, dando um destaque absurdo para seu cabelo platinado. Todos os garotos gostavam de olhar para ela, menos ele. O Malfoy nunca a olhava.
A mais nova das irmãs Black era quase uma atração veela, sua beleza, sua educação, sua aurea de garota legal atraía todos eles. Cissy é inteligente, mas não o suficiente para abalar a sua inteligência. Cissy é ambiciosa, mas não muito, porque você é o chefe e ela é a subordinada. Cissy nunca fica brava, e caso o sorriso saia de seu rosto, provavelmente está imunda e menstruada. Cissy adoraria ouvir suas piadas misóginas e racistas, elogiar sua inteligência por mais ignorante e acéfalo você seja, porque ela é uma garota legal.
Mas Lucius não quer a garota legal.
— Me diga o que fazer. — ordenou Narcissa, virando-se para Gilderoy.
...
Bellatrix colocou a mão no peito, assustada, quando a porta do banheiro abriu-se e trancou-se em seguida. Arregalou seus olhos para Rodolphus, levando alguns segundos para entender que ele simplesmente invadiu o pequeno banheiro feminino do trem.
— Esse é o banheiro feminino. — reforçou ela, não entendendo a atitude do garoto. Ela detestava ter que olhar para cima quando falava com o Lestrange, pelo fato dele ser muito alto. E nem pequena ela era, já que era do tamanho da maioria dos garotos com quem andava. Rodolphus tirou seu casaco, parecendo nervoso, sem tirar os olhos de Bella. A garota arregalou os olhos quando ele começou a tirar a camisa, encostando-se na pia do banheiro minúsculo. — O que está fazendo? Eu vou gritar!
— Por que? — indagou ele, visivelmente fora de si. — Você dá pra todos menos para seu futuro marido?
A garota engoliu seco, ainda apertando a pia atrás de si. Rodolphus estava ofegante quando tirou o cinto de sua calça, fazendo Bellatrix tentar planejar alguma saída do banheiro, decidindo-se entre gritar ou chutá-lo primeiro.
— Eu não sei do que está falando e é melhor se vestir se não quiser ser acusado de estupro! — ameaçou ela, procurando a varinha em seu bolso, mesmo sabendo que deixara em seu casaco na cabine. — Me deixa sair!
— Sabe, eu não me importei. — Rodolphus tinha os olhos marejados. — Em saber que não era mais virgem. Mas me sinto tão imbecil em ter acreditado que realmente sofreu uma fatalidade... E esse tempo inteiro estava dormindo com metade de Hogwarts!
Rodolphus agarrou o rosto de Bellatrix, encostando seu nariz no dela. Ele tinha uma força que ela desconhecia. O garoto era visivelmente apaixonado por ela e casar-se com Bella era mais que um sonho, mas um capricho. Ele sempre fora o único de seu ciclo de amigos em que a garota não gostava, não se oferecia, não compartilhava seus segredos.
Ele queria fazer um estudo em Legilimência em Bellatrix, como se fosse um neurocientista, abrindo cada camada de seu cérebro, desvendando cada segundo de cada pensamento de sua vida.
— Minha alma imunda agoniza de arrependimento. — sussurrou Bellatrix, com o rosto congelado em repulsa. Cuspiu no rosto de Rodolphus. — Vai ter que me aguentar, amor. Sua esposa é uma puta.
Rodolphus quase arrancou a cabeça de Bella de seu pescoço quando a virou bruscamente para a outra parede do banheiro, batendo sua cabeça e seu corpo bruscamente contra a parede. Soltou seu rosto, segurando o choro. Queria força-la a amá-lo. Queria que ela visse que ele poderia ser alguém bom para ela.
A porta abriu-se bruscamente, revelando Andrômeda Black. Rodolphus a olhou, ainda abalado, levantando as mãos rapidamente quando a garota quase tocou sua varinha na ponta do nariz do homem. Atrás dela, Narcissa o observava com o rosto endurecido, assim como o de Andrômeda. Ele olhou as três, assustado com a semelhança.
Os olhos pareciam soltar feitiços lacerantes.
— Não ouse tocá-la novamente. — ameaçou Andrômeda. — Se não eu mesma vou matá-lo.
— Não sem ajuda. — afirmou Narcissa.
Rodolphus Lestrange já estava com o rosto molhado de lágrimas e suor quando olhou uma última vez para Bella, que sorria para ele docilmente, como uma criança inocente. Empurrou as duas outras Black para fora de seu caminho, ofegante, saindo do banheiro caustrofóbico para o corredor vazio.
Mal conseguia sentir suas pernas.
...
O aniversário de Narcissa Black era sempre um evento.
O salão alugado tinha uma decoração pura e inocente perolada e rosé. Não era difícil acreditar que ela fosse a princesa da casa, uma vez que todos pareciam andar no seu cronometro, principalmente Cygnus Black. Para o aniversário de treze anos de Cissy, ele caprichou na decoração, alugando um salão gigante e um jardim maior ainda. Ele introduziu a garota aos diversos espaços da festa, mostrando que conseguira até mesmo contratar a Orquestra preferida de Cissy.
Entretanto, como sempre, a garota avaliava tudo com um olhar contido de “isso poderia ser melhor”, por mais que ela não visse nada para melhorar. O pai, desesperado, tinha certeza que conseguiria ganhar de vez o coração da filha quando, na hora do parabéns, lhe desse o belíssimo anel de diamantes que ficaria perfeito nas mãos delicadas de Cissy.
— Papai, eu gostaria de perguntar uma coisa. — disse a garota, com sua melódica voz infantil. Cygnus olhou para sua filha, apaixonado. Ela parecia ter o poder do Imperius em sua voz e seus olhos, mas quando ela usava seu poder de manipulação para com seu pai, parecia ser mil vezes mais efetivo. Narcissa e Cygnus observavam os diversos bruxos erguendo suas varinhas, construindo aos poucos o enorme palco no jardim da casa.
— O que quiser, minha princesa.
— Quero saber se o senhor já está pensando em me prometer para alguém. — Cygnus uniu as sobrancelhas para Cissy. Ele a achava muito jovem, não queria pensar em dá-la para ninguém ainda, não conseguia pensar na ideia de casar sua caçula, era muito apegado a ela. Ele suspirou, voltando a olhar o palco sendo construído.
— Bem, Abraxas tem oferecido Lucius para você. — Narcissa segurou o sorriso, sentindo seu coração disparar. — Mas vocês são muito jovens...
— Isso não é problema. — cortou Cissy, chamando atenção do pai. — Digo, Lucius é mais velho que eu e as garotas estão começando a prestar atenção nele... Posso acabar perdendo o pretendente.
— Narcissa, Abraxas quer que vocês se casem, a opinião de Lucius não tem efeito sob isso. Apesar de que eu detestaria que se casasse com alguém que não gosta de você. — Narcissa desviou o olhar, gélida, não conseguindo evitar os pensamentos de como Lucius a odeia. Mas ela sabia que poderia conseguir fazê-lo amá-la. Todos a amam, por que ele não amaria?
— Lucius gosta de mim, papai. — sorriu Cissy, agarrando o braço do pai docilmente. — E eu gosto dele. Acho que está na hora de oficializarmos esse contrato.
Os olhos de Cissy pareciam manter uma conexão invisível com Cygnus de uma forma que o homem só conseguia retomar sua consciência após alguns minutos afastado da filha. Assentiu lentamente, decidido a conversar com Abraxas naquela noite. O pai afastou-se ao ser chamado e o jardim pareceu enorme com Narcissa observando o palco sendo montado naquela imensidão verde.
...
Andrômeda pegou a taça de champanhe, observando o quão lindo era a decoração do Salão.
Tudo foi simetricamente feito para ser delicado, dando uma impressão de estar em uma espécie de paraíso adocicado. Ela estava com um vestido verde de seda, presente de quando entrara na Sonserina. Sentia-se um pouco exposta demais, mas o vestido era assustadoramente lindo. Bella estava ao seu lado, visivelmente entediada com o vestido de cetim azul escuro.
O decote era tão absurdo que nem Andie conseguia parar de olhar. Narcissa estava muito ocupada com seu vestido rosé brilhante, rodeada de convidados desesperados para respirarem o mesmo ar que ela. Andie adorava a classe que a irmã tinha, sempre com um ar arrogante levemente simpático.
— Eu vou procurar Scabior. — anunciou Bella, pegando uma nova taça de champanhe e deixando Andrômeda sozinha. A garota estava tão animada com o clima da festa que aventurou-se ao pegar um copo de uísque, olhando ao seu redor como uma foragida, rezando para que sua mãe não a pegasse no flagra.
O salão estava cheio tanto com famílias nas diversas mesas espalhadas pelo local como andando pelo salão em grupos enormes de conversa. O bar já se encontrava totalmente lotado, e bandejas de coquetéis parecem flutuar ao longo dos jardins e do salão, aumentando cada vez mais as conversas e gargalhadas. As luzes tornam-se mais brilhantes conforme o tempo passava e não parava de chegar gente, aos gritos de cumprimento, varinhas soltando jatos para cima, em comemoração.
Parou perto de seu tio Orion e ouviu sua conversa com outros homens de idade. Só terminou o conteúdo em seu copo após ouvir um relato inteiro de Sirius, sentado em seu colo, falando o quão chato era ficar em casa sem ninguém para brincar já que Regulus, segundo ele, era um tapado medroso.
Andie levantou-se e andou pelo salão mais um pouco, encontrando primas de outros países. Riu de algumas histórias e admirou o cabelo ruivo de sua prima preferida, adorando tocar sua enorme barriga grávida. A garota pegou mais um copo com um garçom que passou ao seu lado e gargalhou com o galanteio de seu primo, que sussurrou algo a mais em seu ouvido.
Bellatrix estava no jardim, olhando as pessoas dançando sobre a lona instalada na plataforma do jardim. Eram jovens, velhos e de meia idade, os casais dançavam agressivamente em passos únicos com a loucura que a orquestra estava tocando em cima do palco. Conforme as horas se passavam, a euforia aumentava cada vez mais. A festa estava lotada de famosos, desde atores, intelectuais a cantores de jazz e políticos.
O jardim escureceu quando a música mudou, voltando em apenas pontos altos da música, como se fossem flashes de câmeras. Bellatrix sentiu alguém aproximar-se dela, mas não virou o rosto para conferir.
— Eu nunca fui em uma festa tão grande, estou um pouco assustado, confesso. — ela congelou com a voz, o reconhecendo imediatamente. Virou-se lentamente, assustada em como flash tinha o poder de deixar seu rosto mais malévolo do que já parecia ser. Seus olhos verdes pareciam quase brancos e o smoking lhe deu uma classe que nem mesmo o Abraxas Malfoy já conseguira ter.
— Minha irmã é exibicionista. — disse Bella, virando-se para a pista novamente. O homem deu um riso leve, olhando seus próprios pés.
A luzes batiam cada vez mais rápido e parecia uma sequencia de fotos a mão de Tom Riddle encostando levemente no ombro de Bellatrix e descendo, quase a matando sem ar, até o meio de sua cintura. Ele aproximou-se de seu ouvido e Bella sentiu a mesma sensação de quando era dominada pelo demônio de sua doença. Havia uma quentura tão grande entre suas pernas que ela jurou estar tendo um orgasmo apenas com um toque.
— Espero lhe ver em nossa próxima reunião. — sussurrou. Bellatrix virou-se, impulsiva, queria agarrá-lo para si, mas ele desaparecera assim que terminou seu mandato. Era como se tivesse aparatado. A garota tocou seu pescoço, ofegante, sentindo seu corpo inteiro queimar.
Andie estava girando na pista, enlouquecida de tanto dançar com suas primas. Bellatrix apertou sua taça, com um sorriso explodindo em seu rosto. Tomou todo o conteúdo e colocou a taça em um canto, indo em direção da irmã, cada vez mais rápido. Abraçou Andrômeda por trás, no meio da multidão, rindo de felicidade. A castanha gargalhou para o céu, apertando os braços de Bella contra si. A duas dançaram na pista com seus parentes, felizes.
Os olhos de Cissy brilharam quando ela notou que Abraxas e Lucius Malfoy finalmente tinham chegado.
Ela despediu-se da meia dúzia de pessoas que conversava, os deixando decepcionado e desesperados por perderem sua presença. Ela tinha uma aurea tão adulta e brilhante que todos queriam pelo menos alguns minutos perto dela. Lucius estava tão bonito em seu traje que Cissy suspirou, segurando o sorriso. Abraxas beijou sua mão quando chegaram perto o suficiente:
— Céus, toda a beleza do mundo fora colocada em você! — elogiou Abraxas. Lucius analisava Cissy, tentando conter seus olhos, mas a garota estava fenomenalmente linda e nem ele conseguia desviar os olhos. — Feliz aniversário, Narcissa, consegue ficar mais perfeita a cada ano.
— O senhor é tão gentil. — sorriu ela. — Obrigada, senhor Malfoy, eu já estava começando a me preocupar com a ausêncie de vocês...
Ela focou seus olhos em Lucius e então ele se lembra de sua alma podre, é fácil se encantar pela carcaça de ovelha.
Abraxas notou o clima entre os dois e disse que iria cumprimentar o resto da família, dando-lhe um sorriso cativante ao se afastar. A banda no palco começou um ritmo alucinante enquanto Lucius sentia um constrangimento quase sólido. Olhava com pesar seu pai conversar com Cygnus, provavelmente definindo sua vida contra sua própria vontade. Olhou ao seu redor, com diversos rapazes fitando Cissy, ansiosos para tirá-la para dançar, mas Lucius parecia uma pedra no sapato.
Jack White – Love is Blindness
Ele tocou-se que deveria convidá-la para dançar e então ofereceu o braço, ainda seco. Narcissa olhou-o sorrindo enormemente, enquanto caminhavam em direção da pista. O local pareceu abrir espaço para eles e Narcissa sentia que poderia cair desmaiada a qualquer segundo. Lucius tocou sua cintura e girou Cissy, embalado pela música violenta e lacerante. Ela não conseguia parar de olhá-lo, completamente apaixonada, sendo que o garoto sequer suportava focar seus olhos nela.
— Essa é minha música preferida. — confessou ela, apertando a mão de Lucius durante a dança, chamando sua atenção. — Eu pedi que só tocasse quando você estivesse aqui, porque eu queria dança-la com você.
Lucius olhou para o pai ao longe, que assentiu lentamente, dando um olhar que podia perfurar qualquer pessoa. O jovem Malfoy girou pela pista com Cissy, sentindo sua pressão baixar cada vez mais, a garota, encantada, mal conseguia sentir as pessoas ao seu redor, extremamente focada em Lucius. Ele olhou-a gélido, no ápice da música e simplesmente parou.
Cissy olhou-o, confusa, e arregalou os olhos quando o jovem Malfoy ajoelhou-se no chão, com a delicada e pequena mão de Narcissa entre as suas. A música não parou, mas a festa inteira congelou. Bellatrix cobriu a boca, abafando o riso, completamente chocada com o que estava prestes a acontecer. Andie, ao seu lado, ria da irmã, que realmente parecia surpresa e emocionada. Rabastan apareceu ao seu lado e apertou sua mão, a fazendo sorrir, ansiosa.
— Narcissa... — Lucius pegou algo em seu bolso interno, sentindo a mão de Narcissa tremer, ele abriu agilmente a caixinha, mostrando o belíssimo anel de diamante. Entretanto, completamente sem emoção, o garoto parecia estar fazendo um dever de casa. — Aceita?
A garota sorriu, lisonjeada, parecendo o anjo mais doce que Deus já conseguira criar, mas o olhar malicioso e ambicioso que deu a Lucius ao pegar o anel, confirmou ao garoto que ele estava se comprometendo com o desconhecido.
Essa garota vai me matar, pensou Lucius, beijando docilmente sua bochecha após levantar-se, ouvindo os aplausos animados. A garota deu seu sorriso mais doce para o futuro marido, explodindo de felicidade. O que você está pensando, Cissy?
Ela apertou sua mão quando ele tentou afastar-se. O garoto a olhou, e ela lhe deu um olhar ameaçador, mesmo com seus lindos dentes brancos formando um sorriso.
Quem é você, Cissy?
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