As Cores

13 Capítulo 12


Andrômeda estava entretida com a conversa dos amigos de Bella, rindo de algo idiota que Scabior dissera. Gibbon mostrou um feitiço novo que aprendera e quase tocou fogo no cabelo de MacNair, fazendo o grupo gargalhar. Eles gostavam de Rabastan, por mais recatado que ele fosse, sempre tinha uma piada inteligente para fazer. Ela estava começando a gostar tanto dele que sempre se pegava o observando, seus olhos claros, suas olheiras vermelhas como se ele fosse um vampiro.

Bellatrix deu um chute em Sirius quando ele tentou escalar seu vestido e Yaxley colocou o garoto nas costas, correndo com ele pela festa, que ainda estava animada no meio da madrugada. Nathan pegou um copo de Água de Gilly, ainda rindo de algo, mas seu rosto contorceu-se em uma careta assim que ele engoliu o conteúdo da taça.

— Mas o que é isso? Tem gosto de...

Isso tem gosto de porra! — gritou alguém, não muito longe deles. Aparentemente, só Andie havia ouvido, já que eles continuaram disputando a taça, dando goles e fazendo caretas. Ela arregalou os olhos quando viu ao longe, uma cabeça azul. Trancou o maxilar e afastou-se de seu grupo, marchando até o outro grupo, perto de uma árvore. Eles não notaram a garota se aproximando, e continuaram rindo de algo que Arthur Weasley dissera.

— Com licença! — cortou Andrômeda, gélida. — Posso saber quem deixou vocês entrarem?

O grupo olhou para Andrômeda, risonhos, provavelmente já bêbados. Nenhum deles estavam em trajes de gala, Molly Prewett estava com um vestido de verão e keds, e Arthur Weasley parecia estar de pijama. Nem mesmo Frank incomodou-se em colocar algo que não fosse seus chinelos e Alice já tinha seu batom borrado. Ted, que era o único de costas quando Andie aproximou-se, virou-se, risonho, visivelmente bêbado.

Ele sim estava vestido de gala, mas de um jeito completamente desleixado, com seu terno manchado de comida e uma camiseta de desenho animado, em vez de ser uma camisa social. Eles se entreolharam, querendo rir. Frank tomou a frente, pegando algo em seu bolso.

— Eu fui convidado. — mostrou o convite. — Longbottom e família. Meus pais não quiseram vir... Trouxe meus amigos então.

Andie congelou seu olhar em Ambroise Page, com seus cachos abundantes e armados, de braços dados com Edward.

— Bem, Longbottom e família foi bem especifico. — corrigiu Andie, cruzando os braços. Ted, desviou o olhar, dando um breve riso de escárnio, tomando o resto de sua bebida. Molly uniu as sobrancelhas, parecendo estranhar Andrômeda.

Ted admirou o vestido de Andrômeda, completamente imerso na visão que tinha de sua beleza. A garota notou seu olhar e lhe deu uma careta, fazendo com que ele risse, dócil.

— Andie... Nós não vamos acabar com a festa da sua irmã, só estamos nos divertindo! — esclareceu ela, tentando acalmá-la.

— Essa não é a questão...

— A questão é que nós somos mestiços, nascidos trouxas e traidores do sangue. — cortou Ted, sorrindo para Andie. — Então não somos bem vindos.

O maxilar da Black pareceu tremer, querendo avançar em Edward e estrangulá-lo. Ela adorava Molly, simpatizava com Arthur e Frank, céus, ela adorava Frank, mas não queria Edward Tonks perto dela nem mesmo a quilômetros de distância. Antes que ela pudesse esclarecer tudo, Rabastan apareceu atrás dela, tocando sua cintura.

— Tudo bem por aqui? — indagou ele. Ted o olhou, arrumindo uma pose violenta, olhando para a mão dele em Andrômeda.

— Sim, estamos bem sem você. — retrucou, seco. — A conversa é particular.

— Cala a boca! — cortou Andrômeda. — Quer saber? Eu vou falar bem claramente, eles ficam e você vai embora!

— Andrômeda, não faça isso... — chamou Frank, parecendo chocado.

— Você quer jogar desse jeito então, Andie? — sorriu Ted, debochado. Rabastan deu um passo a frente.

— Mais respeito, Tonks, você não está lidando com a sua raça. — Edward arregalou os olhos com um sorriso, aproximando-se de Rabastan, visivelmente pronto para atacá-lo.

— O quê? — sibilou Ted. O garoto foi ágil ao jogar longe sua taça e empurrar o peito de Rabastan com tanta força que ele acabou caindo na grama. Estavam começando a chamar atenção. — Seu idiota pretensioso!

— Chega! — Andrômeda perdeu a paciência e chocou a todos quando teve força para empurrar Ted longe. Agarrou o braço do garoto de cabelos azuis, o arrastando feito uma criança. — Você vai embora agora!

Entretanto, Rabastan levantou-se da grama e apoiou-se no ombro de Ted, o girando e enfiando seu punho em seu nariz. A confusão deu-se inicio: Molly, Alice e Ambrose pularam em cima de Rabastan, o afastando, enquanto Andie, Frank e Arthur tentavam segurar Ted, que parecia um animal enfurecido.

— Parem com isso! — sibilou Andrômeda, irritada. — Chega!

— Você vai casar com ele??? — indagou Ted, tentando se soltar, de olhos arregalados e o sorriso de escárnio, mesmo com seu nariz sangrando. — Vai casar com um facista?

A garota deu-lhe um tapa no rosto, empurrando os garotos para que soltassem Ted e estava dominada por um ódio tão grande que teve força de segurar seu braço e praticamente arrastá-lo. Deu um berro em Rabastan, que ameaçou segui-los, e marchou por todo o Salão, até a saída, ainda caminhando pela rua pouco movimentada, em direção da avenida. Ted gargalhava, limpando o sangue em seu rosto, até a garota largá-lo, o empurrando para longe dela.

— Fique longe de mim! — ameaçou ela.

— Ou o que? — riu Ted, cruzando os braços. Ela aproximou-se as pressas, dando um soco em seu peito, o garoto tentou se proteger, enquanto ela lhe enchia de tapas e chutes. — Andrômeda! — gemeu, desesperado.

FIQUE LONGE DE MIM! — urrou ela, socando seu ombro e estapeando sua cabeça. — ME DEIXA EM PAZ!

— Mas você vai me deixar em paz? — gritou ele, empurrando-a para longe dele. — Você vai sair daqui?

Ele bateu na própria cabeça, fazendo a garota arregalar os olhos.

— Que caralho você está falando? — gritou ela. Ted arregalou os olhos, impressionado.

— Deus, você é burra? — indagou ele, ignorando as pessoas andando pela calçada e os carros pra lá e para cá em alta velocidade. Ele cobriu o rosto, gargalhando para o céu, parecendo exausto. Fialmente parou, olhando Andie. Ela só conseguia ver seu rosto por conta da iluminação amarelada da rua, e dos faróis dos carros. — Eu gosto de você. Por que você acha que eu insistia em continuar no Clube de Xadrez, mesmo sendo uma anta em Xadrez? Ou adorava te seguir durante os jogos, te fazendo gargalhar, e... Deus, as chances que eu tive de ficar perto de você quando sua irmã finalmente deixava o traficante dela aproximar-se de seu precioso grupo de amigos.

Andrômeda não conseguia se mover, parecendo estar presa. Ele finalmente parou de andar em círculos, cansado, colocando as mãos na cintura, exausto.

— É quase... Masoquista... Mas aqui estou eu... Olha... Eu sei que você... Deus, eu nem consigo me expressar! — riu ele. — Você não é igual a elas, eu sei disso porque eu vi... Eu vejo! Você não é falsa como Narcissa e nem louca que nem Bella, você é violenta e irritada, mimada e... Tão teimosa!

A garota finalmente conseguiu se mover e deu as costas para Edward, caminhando em direção da festa, abraçando seu corpo, apavorada. Ele começou gritá-la, mas não ousou ir atrás. Ela entrou no Salão, desesperada, sentindo-se sem ar. Foi até o jardim e ignorou os chamados de Rabastan e Molly, afastando-se o máximo do centro da festa. Enfiou-se entre as árvores, ignorando os vultos de casais, encontrando a fonte destruída entre as árvores.

Sentou-se na base, sufocando aos poucos. Tocou seu rosto, gélida, sentindo que o mundo estava apertando-se a ponto dela ficar sem saída. Apertou seus joelhos, apavorada. Queria chorar, mas não sabia o porquê. Odiava Ted Tonks com todas as suas forças, odiava tudo nele.

Odiava seu poder de fazê-la sentir coisas erradas, de fazê-la questionar o mundo ao seu redor, fazendo-a duvidar de tudo que fora ensinada desde pequena. Tinha medo da dúvida que brotava em seu peito e parecia estar lutando com uma Andrômeda desconhecida, a que duvida, a que não concorda, a que sente-se uma estranha no ninho. A que fazia questão de sentar-se com Ted Tonks todos os dias, mesmo que ele fosse ruim em Xadrez. A que aceitou ajuda-lo a montar novamente em uma vassoura.

Sentiu sua cabeça rodar quando tocou seu rosto, o cobrindo.

— Tia Andie, você está chorando? — ela virou-se, assustada. Mas era apenas Sirius, o garotinho aproximou-ser da tia, sentando-se ao lado dela. Invejou sua juventude.

— Não, meu amor. Só estou cansada. — beijou suas madeixas negras, pegando sua mãozinha. Sirius assentiu, abraçando a tia.

— Também estou.

— Brincou bastante?

— Sim, joguei diversas bolinhas explosivas nos casais escondidos nas árvores. — Andrômeda gargalhou, apertando Sirius, o sentando em seu colo, o embalando. Fechou os olhos, sentindo o pavor deixar seu corpo lentamente, sentindo Sirius aquecê-la.

O problema… O problema não estava na cozinha ou nas tulipas, mas apenas em minha mente... Apenas na minha mente¹. — recitou Andrômeda, baixinho, colocando seu queixo sob o topo da cabeça de Sirius, sentindo-se mais sozinha do que nunca.

¹Poema de Anne Sexton.

MESES DEPOIS

Edward estava adorando o tempo livre de seu sexto ano, então era normal vê-lo pelos corredores, sempre acompanhado dos amigos. Entretanto, na sexta, ele resolveu fazer suas lições acumuladas na biblioteca e voltou tarde para a Sala Comunal. Pulou os degraus das escadas, ansioso para pedir um lanche na cozinha. Sentiu seu relógio cair de sua capa gasta e furada, agachando-se para pegar.

Aquelas roupas de segunda mão já estavam tão tensas que ele, que nem ligava para nada, estava começando a se incomodar com sua calça gasta e velha. Decidiu tentar vender para alguém umas Poções do Amor para conseguir comprar novos rolos de pergaminho e uma calça. Terminou de descer as escadas, desesperado de fome, mas deu de cara com Andrômeda, no centro do último piso. Ela parecia devastada, como se tivesse falhado em um exame importante.

Flume – Free

O garoto soltou o corremão, um pouco acanhado. Não podia nem entrar na Sala Comunal por ela estar ali, e nem ir na cozinha, já que era quase um esconderijo onde, praticamente, apenas os alunos da Lufa Lufa sabiam. Esperou que ela falasse algo, mas ela parecia exaurida e abatida. Seu uniforme sonserino era impecável e novo, muito bem arrumado, diferente da bagunça rasgada e puída que era a de Ted.

Andrômeda abriu a boca para falar algo, mas não conseguiu dizer nada.

Ted finalmente desceu o último degrau e colocou as mãos no bolso da calça, pronto para recitar um texto do quão odiável Andrômeda era, e que apesar de gostar dela, a garota era uma completa escrota sem coração. A garota olhou para seus próprios pés, parecendo estar a ponto de abrir o berreiro. Tonks aproximou-se, assustado.

— Eu sinto tanto... — soluçou ela. — Eu sinto... tanto!

Ele assentiu, desesperado. Quis tocá-la, mas guardou suas mãos, tenso. Ela soluçou no silêncio, parecendo ter guardado o choro por décadas.

— Está tudo bem, Drômeda. — ela enxugou as lágrimas, não o entendendo.

— Não estou me desculpando com você. — soluçou ela. — Estou pedindo perdão a Merlin, Salazar e todos os seres acima de mim.

Ted uniu as sobrancelhas confuso.

— Estou cansada disso tudo. — confessou ela, ainda chorosa. — Estou tão exausta... Tão... Cansada de te odiar.

Os olhos azuis e os olhos verdes pareciam trocar informações no ar enquanto se fitavam. Edward quis tocar Andrômeda, mas a garota fora mais ágil.

O garoto vacilou quando a garota aproximou-se de supetão, lhe dando um beijo. Ted agarrou os braços de Andrômeda como se fosse uma oportunidade única da vida, retribuindo o beijo com todo o vigor que fora capaz. Ela enfiou as unhas em sua nuca, com seus corpos tão próximos que ela queria beijá-lo e bater nele ao mesmo tempo. Ted soltou um gemido de dor sentindo as unhas da garota quase arrancarem sua nuca e apertou-a contra si com todas as suas forças, querendo jogá-la longe ou simplesmente enfiá-la dentro de si, como uma segunda alma.

Eles se afastaram, ofegantes, e a garota não lhe sorriu como Ted fizera. Largou o garoto e começou a subir as escadas, com uma paz pesada em seus ombros, como se tivesse se entregado ao diabo depois da tentação. Tonks tocou sua boca, com o coração quase atravessando as costelas e berrando para o mundo o que ele estava sentindo.

Ver um mundo em um grão de areia e o paraíso em uma flor selvagem, segurar o infinito na palma da mão, e a eternidade em uma hora... ²— recitou, sorrindo para o nada.

Deu um berro de felicidade que deve ter acordado o castelo inteiro.

²Poema de William Blake.

Notas finais
Andrômeda estava sofrendo de tesão reprimido este tempo inteiro, resumidamente. Como eu avisei no cap anterior, agora terão três capítulos focados para cada uma delas (só esses três, não é o resto da fanfic) já que serão meio que o ínicio da segunda fase da fanfic. Então a Andie abriu esse ciclo, a próxima é a Bella e por último, mas não menos importante (na verdade é a chave de ouro), a Cissy. Comentemmm, acharam sem sentido wtf, gostaram, já tão sofrendo adiantado, me falem os sentimentos. Beijos ;)