As Cores

10 Capítulo 09


Bellatrix Black amava a Torre de Astronomia.

Era seu lugar preferido em toda Hogwarts. Passaria o tempo inteiro ali se pudesse, moraria, caso tivesse a chance. Tinha um impulso quase latente de pular dali, deixar seu corpo pender para frente até que caísse, e levasse horas e dias para que finalmente tocasse o gramado. Seria instantâneo e tudo que ela poderia ver naquele trajeto seria o céu.

Wendelin! — gritou Scabior, chamando atenção de Bella, que virou-se para o banco onde seus amigos estavam sentados. — Você está surda?

Ela riu.

— Não, Scabior, mas meu cérebro desenvolveu um mecanismo de ignorar sua voz irritante. — os outros riram e ela virou as costas para a paisagem de Hogwarts, encostando-se na cerca. Eles continuaram falando, mas a garota fixou seus olhos em Nathan, que parecia concentrado em acendeu seu charuto.

— Nathan... Lembra-se da vez em que tomei seu uísque no Cabeça de Javali? Antes das férias? Você estava com Yaxley e um homem estranho. — o garoto a ignorou. — Quem era ele?

O garoto tragou seu charuto, unindo as sobrancelhas, dando de ombros.

— Sei lá, eu não lembro.

— Ele estava no Baile que fomos nas férias... — irritou-se, aproximando-se do grupo de braços cruzados. — Você sabe de quem estou falando!

MacNair parecia perdido, mastigando seu sanduíche, olhando para os lados, confuso. Gibbon simplesmente tirou o cigarro da boca.

— O Riddle?

— Porra, Gibbon! Puta que pariu, cara! — Nathan lhe deu uma cotovelada que jogou o cigarro longe.

— Ai! Ai, por que me bateu? — indagou o garoto, acariciando o braço.

Bellatrix tentou-se lembrar de alguma família com esse nome, mas nada vinha a sua mente. Nunca ouviu falar daquele homem em toda vida. Pegou a varinha em sua capa e apontou para a esta de Nathan, o que além de assustar a todos, fizeram com que se afastassem dele, apavorados.

Bellatrix? — esganiçou Nathan, deixando seu charuto cair. — Abaixa essa varinha!

— Quem é esse homem? Quem é Riddle?

— Ei, ei, Wendelin... — Scabior levantou-se lentamente com as mãos erguidas — Abaixa a varinha.

— Fala logo! — gritou ela, fazendo Gibbon e MacNair apontarem suas varinhas para ela.

— Scabior, tira a varinha dessa louca se não eu a estuporo! E eu não estou blefando! — avisou Simon Gibbon, aproximando-se de Bella perigosamente. Mas a garota não conseguia nem piscar, olhando fixamente para Nathan, assustado.

— Quem é ele, Nathan?

O garoto olhou para os amigos, temeroso. Apertou os joelhos mais uma vez antes de falar.

...

Cissy sentou-se ao lado de Lucius no almoço.

O garoto olhou para o lado, lentamente, não entendendo a presença da garota loura. Ela pegou uma batata frita de seu prato e sorriu, mordiscando.

— Eu soube que você é o melhor em Poções.

Lucius continuou em silêncio, pegando seus talheres novamente. Ele cortou sua carne em silêncio absoluto enquanto Narcissa esperava uma resposta. Tomou um gole de seu suco de abóbora e respirou fundo, virando-se para a garota ao seu lado. A beleza dela o irritava, porque ela não tinha muito além daquilo. Era uma garotinha perversa e ele sempre soube disso, antes mesmo dela mostrar suas asinhas.

— Você me envergonhou na frente do meu pai. E agora quer minha ajuda. — ele olhou-a com escárnio e então voltou ao seu almoço. — Não.

— Lucius, por favor! Por favor, por favor! Eu sou horrível em Poções e todas as minhas notas são excelentes, por favor!

— Eu já disse que não! — ele não aumentou o tom de voz, mas seus olhos foram tão frios para a garota que ela lacrimejou na mesma hora. Segurou o choro, inspirando profundamente. Abaixou a cabeça, enxugando as lágrimas que fugiram. Lucius suspirou, ainda irritado, não se vendia pelo sentimentalismo barato de Narcissa.

Quando a olhou de canto de olho, viu o quanto tremia. Engoliu seco, desviando o olhar, um pouco preocupado.

— Se eu... — soluçou ela. — Se eu não tirar uma boa nota... Eu... Meu pai vai fazer o que fez com minhas irmãs.

Então Cissy o olhou, chorosa.

— Aquelas cicatrizes horríveis em Bellatrix... É por cada Aceitável que ela teve. — soluçou ela, tão ofegante que parecia estar sem ar. Lucius congelou, deixando o garfo cair. Se ele soubesse que Bella é esquizofrência, saberia que ela praticava auto mutilação em seus surtos, Cygnus jamais tocara nela.

Mas é claro que Narcissa não contaria esse detalhe.

As pessoas na mesa começaram a cochichar, preocupados com Narcissa, que chorava copiosamente ao lado de Lucius. A garota jogou-se contra o garoto, o abraçando fortemente, mas ele sequer se moveu, sentindo-se profundamente culpado por não tê-la levado a sério.

— Eu vou te ajudar... Eu vou te ajudar. — consolou ele, dando-lhe uns tapinhas nas costas de Cissy, que ainda afundava seu rosto no peito de Lucius, mas não haviam lágrimas saindo de seus olhos azuis, e seu soluço dolorido era uma arte muito bem praticada por Cissy desde que aprendera a se usar para ganhar as coisas.

Sorriu para o uniforme do garoto, ainda ofegante.

...

— Você! — Alice Personna virou-se ao ouvir o chamado, dando de cara com Andrômeda Black. Os alunos estavam saindo da sala, mas ela parou, temerosa. Deu uns passos para trás ao ver a garota de olhos arregalados para o livro que ela tinha nos braços. — Foi você quem alugou meu livro!

Seu livro? — questionou ela, irônica. — Esse livro é de Hogwarts.

— Eu loquei esse livro meses atrás! Mas aquela louca da Madame Pince alugou para você, sendo que eu estava na fila da devolução! — Andrômeda segurou o impulso de arrancar o grosso livro da História das Mulheres Bruxas do braço de Alice Personna. A garota era tão dócil e bonitinha, que nos conceitos de Andie, ela sequer podia ser chamada de bruxa. Provavelmente nem era Wicca.

— Bem... Não tenho nada a ver com isso, eu estava lá, pedi pelo livro e o tive. — deu de ombros, dando para Andie um sorriso simpático. Mas a Black não moveu um músculo da face.

— Ok, você já terminou de ler? Eu preciso dele.

— Na verdade, eu vou reler. Eu li um texto de apoio muito bom e agora eu acho que minha leitu...

Você não pode relocar o livro! — Andrômeda estava começando a ficar irritada e era fascinante o quão parecia com Bellatrix nesses momentos, o que assustou Alice, que tinha péssimas lembranças da irmã Black mais velha.

— Não é você quem decide isso. — retrucou Alice, abaixando a voz. Andrômeda semicerrou os olhos, dando-lhe um sorriso lento e pouco espaçado. A Personna finalmente respirou quando a garota saiu da sala de aula vazia.

Andrômeda Black marchou até a Gárgula, pronta para falar com Dumbledore, entretanto, achou Minerva McGonagall descendo as escadas do escritório. Tirou o cabelo do rosto, tentando não parecer desesperada.

— Professora, a senhora tem um minuto? — indagou ela, segurando sua bolsa.

— Pode falar, senhorita Black.

— Eu pedi para reservar há mais de seis meses um livro na biblioteca e quando eu finalmente fui busca-lo, a Madame Pince havia locado o livro para uma pessoa que sequer estava na fila de reserva. — Andrômeda escondeu as mãos trêmulas, irritada com o olhar de descaso da professora McGonagall. — E agora, a pessoa que está com o livro não quer manter a locação e que eu saiba...

— Senhorita Black, — interrompeu a mulher. — eu sei de quem está falando. A senhorita Personna não havia tido uma boa leitura quando locou o livro, que eu recomendei, então lhe dei um material de apoio e indiquei que ela relesse. Se a senhorita conseguiu aguardar seis meses, sei que mais três semanas não irão mata-la.

— Mas é injusto! — Andrômeda arregalou os olhos, indignada. — Eu tive que esperar, por que ela não pode esperar?

— A senhorita Personna estava com dificuldades...

Não me interessa! — gritou Andrômeda, descontrolando-se. A professora deu um passo para trás, atordoada. A garota tapou sua boca, assustada consigo mesma. — Me desculpe, professora... Me perdoe, eu não tive a intenção...

Salt – Crim3s

— Recomendo que passe na Ala Hospitalar e peça uma poção calmante, senhorita Black, porque eu não gosto de alunos estressados. — sibilou ela, medindo a garota com desgosto. Andrômeda ainda estava trêmula enquanto fitava seus próprios pés, envergonhada. Assistiu a professora sumir no corredor pouco movimentado e tomou outro caminho, cega de ódio. Passou pelo jardim, onde Alice Personna parecia relatar o acontecido para um grupo de amigos.

Eles olharam Andrômeda, há quilômetros de distância, e cochicharam.

A garota olhou para eles, sentindo vontade de chorar. Continuou andando pelo corredor, tentando manter sua compostura. Ela sempre fora calma. Ele sempre manteve a educação. Ela nunca teve a liberdade de surtar como Bella ou manipular como Cissy. Mas os boatos sobre os Black são verdadeiros.

Você não deve enfurecer um deles.

Notas finais
EITA, COMEÇOU O PLOT DA ANDRÔMEDA Voldemort finalmente está chegando, eu estou escrevendo um ponto da história que ele aparece em quase todos os capítulos e me dá agonia em ver como eu guardei ele nos primeiros caps. Estamos finalmente saindo da fase de apresentação pra hora que o circo pega fogo, então vamos lá, quero minhas avaliações hahaahha Beijos! ;)