As Cores
11 Capítulo 10
Os meses se passaram rapidamente até o Halloween.
Era a época preferida de todos, especialmente de Bellatrix. Ela sentia-se próxima de sua Deusa, dedicava sua noite inteira a rituais e orações de homenagem. Entretanto, naquela noite em especial, ela veria novamente o tão falado Tom Riddle. Ela estava tão ansiosa que mal conseguia se concentrar nas aulas, deixou acumular todos os seus trabalhos ansiando poder vê-lo de perto novamente, nem que fosse por alguns segundos.
Escolheu seu melhor vestido, penteou seu cabelo da melhor forma, beijou seu athame um milhão de vezes, sorrindo sem parar, quase morrendo de ansiedade.
Desceu as escadas de seu dormitório à meia noite em ponto, pronta para achar os outros. Enroscou seu braço em Scabior, que ainda estava receoso em levar Bellatrix ao famoso encontro. O pequeno grupo esgueirou-se pelos corredores escuros de Hogwarts, protegidos pelos Monitores da Sonserina, que trataram de manter os outros monitores longe dos locais que eles passariam.
Usaram a passagem secreta da estátua da Bruxa Corcunda. Após dizer o feitiço, a passagem estreita se abriu, onde Gibbon e MacNair se mataram nas cotoveladas para chegarem no porão da Dedosdemel, roubando alguns doces. De lá, os mais velhos aparataram com os mais novos. Bellatrix abraçou Scabior, sorridente, e em um segundo, eles estavam em uma rua das periferias de Londres.
— É esse o lugar? — indagou ela, enojada. — Me vesti pra isso?
O Nott rolou os olhos para ela, tomando a frente do grupo. Andaram pela rua feia e escura, mal cuidada e abandonada, até chegarem na frente de uma casa praticamente caindo aos pedaços. Bella começou a se arrepender de seu pedido, sentindo seu coração acelerar.
— Temos companhia. — sussurrou Nathan para a fresta da porta. Ouve um sussurro em resposta e a porta rangeu, abrindo-se. Scabior praticamente a fez andar, aproximando-se de seu cabelo, como se estivesse o beijando.
— Não fale com ninguém, não toque em nada, não olhe nos olhos... — sussurrou ele, apertando sua mão.
A garota tremeu ao finalmente passar pela porta, recebendo um calor quente concentrado no local. Era mais estranho que a Travessa do Tranco. Sentiu suas perna falharem quando seus olhos bateram em uma criatura de quase três metros de altura. Ela não sabia se era realmente um lobisomem transformado, mas suas características lupinas eram de assustar qualquer pessoa. Apertou o braço de Scabior, completamente encharcada de suor e medo. Passou a olhar apenas para suas botas enquanto ele a direcionava para algum lugar.
Ouvia risos e conversas, mas nada feminino. Sentiria-se mais segura se houssem mulheres no local. Apertou seu pentagrama, pedindo mentalmente por resguardo para sua Deusa.
Scabior parou para cumprimentar alguém e Bella peritiu-se levantar os olhos.
O homem que Scabior cumprimentou parecia estar sofrendo de dor, com seu braço esquerdo exposto, sendo tatuado com a varinha de um homem que Bella nunca vira na vida. Quando ele virou-se, ela retorceu o rosto de nojo ao ver seu olhos esquerdo branco, com a pálpebra deformada. Todos tinham uma vestimenta estranha, era formal, mas ainda assim pareciam um bando de mendigos.
— Quem é essa belezinha? — riu o homem que estava tatuando, revelando uma boca com alguns dentes de ouro.
— Bellatrix Black. — apresentou Scabior, apertando o ombro da amiga. Ela forçou um sorriso, dando a mão para ele, que em vez de apertar, beijou.
— Anthony Dolohov. — sorriu ele. Então voltou-se para Scabior. — Acabamos de voltar de uma chacina, rapaz!
— Onde? — interessou-se MacNair, aproximando-se.
— Na rua de Alastor Moody. — gargalhou ele, trazendo risos comunitários. — EI, AVERY, TRAGA O PRÊMIO!
Bellatrix apertou mais ainda o braço de Scabior, olhando com receio para o outro cômodo, separado apenas por alguns homens falantes. Um homem louro apareceu, encharcado de sangue, balançando parte da perna de um homem com as duas mãos, arrancando risos e gargalhadas coletivas. A garota cobriu a boca, horrorizada, sentindo seu estomago contorcer-se. Soltou Scabior as pressas e refez o caminho da entrada, empurrando quem estava no seu caminho.
Assim que pisou na rua novamente, seu estomago expulsou tudo que ela consumiu o dia inteiro. Afastou-se mais um pouco da casa, enojada. Ofegou, desesperada. Iria entrar e implorar para Scabior a levar para Hogwarts novamente. Não sabia que estava sendo levada para a toca de assassinos!
Apoiou-se em um poste, desabotoando a renda do vestido que ia até o pescoço. Enxugou o suor frio em sua testa, ainda enojada com o pouco que vira.
— Admito, é cruel. — Bellatrix virou-se, assustada. Seus olhos se iluminaram ao ver Tom Riddle, ali, na soleira da porta, tragando seu cigarro, admirando a lua crescente. Então, olhou Bellatrix, lhe dando um olhar frio. — Mas eu acho mais cruel queimar mulheres vivas em praça pública.
Ele jogou o cigarro fora e abriu a porta, arrumando seu sobretudo. Deu um último olhada em Bella, com um leve sorriso seco.
— Gostei do seu pentagrama. Nosso povo esqueceu nossa verdadeire religião. — ele colocou a mão no bolso, sorrindo para os próprios pés. Bellatrix tocou seu colar, sem ar, sentindo seu rosto arder em brasa. — Mas aqui não é um lugar para uma lady. Tenha uma boa noite, senhorita Black.
A garota abriu a boca para dizer algo, mas mesmo que ele não tivesse fechado a porta ao entrar, ela não teria dito nada. Tocou seu pentagrama, impassível, completamente envolvida pelo momento. Enxugou as lagrimas em suas bochechas, molhando seus lábios rachados pelo frio. Abotoou seu vestido até o pescoço novamente, apertando os braços com o frio.
— Eu não sou uma lady. — sussurrou, respirando fundo. Caminhou até a casa novamente e abriu a porta, entrando.
...
— ANDRÔMEDA BLACK! — a garota virou-se, assustada com o ultimato. Tirou seus óculos de leitura e observou Edward Tonks marchar até ela, sendo impedido por algumas pessoas. A garota levantou-se do banco as pressas, tocando a varinha em seu casaco. Quando ele chegou perto o suficiente, ela apontou sua varinha, andando para trás até bater na parede.
O garoto parecia uma besta em fúria, de olhos arregalados, deu um tapa em sua varinha, apontando o dedo no rosto de Andrômeda. A garota ficou tão sem reação que nem tentou pegar a varinha caída.
— Você é covarde! — urrou ele. — Covarde!
— Ted, chega, cara! — Arthur Weasley tentou afastar o amigo, assim como Keegan e Salinger. Entretanto, Molly Prewett estava de braços cruzados, olhando a colega com reprovação.
— Tire esse dedo da minha cara! — sibilou Andrômeda, dando um tapa na mão de Ted.
— Você é tão baixa assim? Não sabe resolver as coisas como mulher? Seu problema era com Alice, resolvesse com...
— Eu resolvo como eu quiser! — cortou Andrômeda. — Quem VOCÊ pensa que é para levantar o tom de voz...
— Porque eu sou um nascido trouxa imundo, não? — ironizou ele, abrindo os braços. Andrômeda assumiu uma face fria, que para Ted, era idêntica a de Bellatrix.
— Sim. — respondeu, impassível. Edward pareceu atordoado. Ele não esperava aquele tipo de comportamento racista de Andrômeda, de toda a sua família e amigos, mas ela parecia a mais consciente. Ele afastou-se um pouco, a medindo com nojo.
— Chamar seu pai para ameaçar o diretor parece muito puro e nobre. — sorriu ele, com uma voz falha. — Muito justo. Muito correto.
Andrômeda rolou os olhos, perdendo a paciência.
— Olha, eu tentei conversar com ela, com a Madame Pince, com a diretora da Casa dela, eu fiz de tudo...
— É A PORRA DE UM LIVRO! — gritou Edward, assustando Andrômeda. — Sua família pode comprar a autora se eles quiserem! Ela pode perder a vaga no programa de bolsistas por sua culpa. Por causa do seu egocentrismo doentio!
Andrômeda continuou dura, praticamente sem respirar. Não ousou desviar o olhar de Ted, ergueu o queixo e continuou, pronta até mesmo para receber um soco. O garoto pareceu exausto, dando as costas para ela. O grupo a acompanhou, mas Molly ficou. Andrômeda finalmente respirou, como se tivesse retirado uma espada de seu peito. Abaixou-se e pegou sua varinha, sentindo vontade de chorar.
Virou-se para a garota ruiva, com os olhos inundados de lágrimas.
— Ficou para me humilhar também? — questionou ela, com a voz embargada.
— Você não é racista. — afirmou Molly. — Você não é preconceituosa como sua família. Você sabe disso. Você fez isso por capricho.
Andrômeda continuou firme, mesmo com seu rosto molhado de lágrimas que lhe fugiram do controle. A Prewett suspirou, colocando suas madeixas atrás da orelha.
— Peça desculpas à Alice. — disse ela, antes de ir embora. Andie ignorou os olhares e cochichos, recolhendo suas coisas, pronta para esconder-se em seu dormitório até o dia seguinte.
NATAL
Cissy sentou-se ao lado de Lucius novamente, após pegar mais um copo de suco.
O garoto continuou em silêncio, observando os familiares convidados conversarem entre si. Ele voltou a brincar com a barra de seu sobretudo, completamente entediado. Narcissa virou-se para ele, definitivamente irritada com sua passividade e desinteresse:
— Quando vai me dar o anel? — Lucius uniu as sobrancelhas, não entendendo. Ela sorriu, tirando suas madeixas lisas do rosto. — Gostaria que fosse de diamante.
— Do que está falando?
— Estou falando do futuro. É sobre isso que gosta de falar? Por que você tem que gostar de falar de algo. — Lucius deu um riso seco, olhando ao seu redor sem entender Narcissa. Aproximou-se dela, definitivamente não divertido:
— Eu não faço a menor ideia do que está falando, garota. — retrucou, quase que num sussurro. Narcissa o olhou docilmente, com a cabeça pendendo para a esquerda. Tocou o cabelo de Lucius, como sempre quisera fazer.
— Seu pai está na minha casa todo fim de semana. Seu lugar a mesa é sempre posto ao meu lado. — Cissy aumentou seu sorriso. — Vamos ser prometidos um ao outro. Hoje, daqui um mês, daqui dois anos, não sei, mas vai acontecer.
Lucius sentiu-se um completo imbecil quando percebeu que a garota estava certa. O pânico tomou conta de seu corpo. Não queria se casar com aquele projeto de demônio. Olhou seu pai ao longe, apoiando-se em seu cajado, rindo de algo que Evan Lestrange estava falando.
You Always Hurt The One You Love — The Mills Brothers
— Não vou me casar com você. — afirmou Lucius, frio. — Pode ter certeza disso.
A garota abaixou os olhos quando o menino levantou-se do sofá bruscamente. Odiava Lucius Malfoy com todas as suas forças, mas não por sua estupidez e silêncio mórbido, mas porque o adorava. Ele era diferente. Ele não era enfeitiçado como um animal por seu rosto angelical e sua voz doce. Ele não se deixava enganar por suas palavras virtuosas, ele conseguia ver o veneno por trás dela.
E Cissy não queria se casar com alguém que amasse sua máscara, que não conseguisse ver sua carcaça podre. Porque ela sabia que era uma pessoa sórdida, ela sempre teve consciência de sua perversidade.
Encostou-se no sofá, sozinha, querendo chorar de verdade, mas só conseguia se fosse uma atuação. Era quase oca por dentro.
Observou a festa ao seu redor, em silêncio.
...
Cygnus colocou sua xícara na mesa, fascinado.
Bellatrix e ele sempre tiveram um relógio biológico em que acordavam cedo independente do dia. A garota havia acabado de tomar banho e estava com o rosto limpo iluminado pelo sol nascente daquele domingo, com as madeixas molhadas. O homem apoiou seu rosto em sua mão esquerda sob a mesa, admirando a beleza de sua filha.
— Você é tão parecida com Walburga. — sorriu ele para a menina séria. — É tão linda.
Ela abaixou os olhos claros, respirando fundo.
— Se você me ama, não me case com Rodolphus, papai. — exclamou Bella, com a voz rouca. O homem tomou ar em seu pulmão, desviando o olhar, voltando para seu café. — Se fizer isso, estará me matando. Terá uma filha morta-viva.
— Então terei uma filha morta-viva. — A garota tentou segurar as lágrimas em seus olhos. — Estou fazendo isso para o bem da família, Bellatrix. Só temos Sirius e Regulus...
— Por que eu sinto tanta culpa em ser mulher? — indagou ela, chorosa. — Porque eu não posso ser sua herdeira, eu sou a sua filha mais velha!
— Bella, eu não posso mudar... — a garota ignorou o pai, saindo da cozinha, o deixando falar sozinho. Odiava o mundo dominado pelos homens. Voltou para seu quarto e encontrou Kreacher, colocando dois frascos de poções em sua cabeceira. O elfo e a menina se olharam, compartilhando mil informações em segundos. Kreacher saiu do quarto e fechou a porta delicadamente, enquanto Bella pegava a poção negra e guardava na última gaveta.
Sentou-se em sua cama, fitando a parede, em silêncio.
JANEIRO
O capitão da Sonserina estava conversando com seu reserva quando Andrômeda Black tocou seu ombro. Walden MacNair virou-se para a garota, olhando para baixo, apoiando-se em sua vassoura:
— Pequena Bella, o que foi? — Ela detestava o apelido, mas estava focada em seu objetivo. Ela amarrou suas madeixas com firmeza mais uma vez, já em seu uniforme de Batedora.
— Eu tenho uma nova proposta. — ele uniu as sobrancelhas. — Eu estudei os movimentos do Apanhador da Lufa-Lufa, podemos sabotá-lo.
MacNair riu.
— Lufa Lufa não é nossa maior inimiga.
— Você está com medo daquela idiota da Yang da Grifinória? A Corvinal tem aquele paspalho do Lockhart, ele é rápido, mas impulsivo, não avalia o campo. Mas o Tonks... Ele é estrategista. — MacNair olhou sua batedora, prestando mais atenção. — Ele está com a perna machucada, se move com dificuldade... Então está fazendo armadilhas, ele está treinando para nos enganar e assim ganhar.
— Como você sabe disso tudo? — questionou Gibbon, aparecendo ao lado de MacNair. Andrômeda manteve seu olhar firme:
— Eu sou a melhor estrategista que a Sonserina já viu. — respondeu ela, fazendo os garotos compartilharem um sorriso maroto. Mas ela não sorriu nas semanas que treinou o time contra Edward Tonks. Ela foi idiota em confiar nela, em sua memória fotográfica, em seu cérebro lógico e rápido. Ela observou neles coisas que Ted nem sabia que tinha, como a forma em que ele sempre estava correndo desesperado pelo ar, como se tivesse achado o pomo.
Então o adversário correria atrás dele, pensando que ele tinha o pomo. Ela ensinou seu time tudo sobre ele, cada pensamento. A Sonserina tinha o costume de espiar o treinamento de outros times, normalmente, era Andrômeda que o fazia, sozinha, afinal, ela era a estrategista. Ela nem perdia seu tempo vendo a da Corvinal porque Gilderoy Lockhart era uma vergonha ambulante, e a Grifinória, apesar da apanhadora ser boa, seu time era um fracasso como um todo.
ALGUNS MESES DEPOIS
Narcissa sorriu da arquibancada para o Lucius Malfoy conversando com o time da Sonserina.
Olhou sua irmã mais velha, sentada, sendo paparicada por Rodolphus, com uma expressão de ódio mortal controlado. A garota loura estava tão ansiosa para vê-lo jogar que foi uma das primeiras a chegar no campo. Ela acenou assim que o garoto olhou para a arquibancada, mas Lucius virou-se de costas, estúpido como sempre. O time da Lufa Lufa entrou em campo do outro lado, confiante, levantando o apoio da Grifinória com eles. Clementine finalmente apareceu, posicionando-se ao lado da amiga.
O jogo estava prestes a começar quando os jogadores começaram a subir em suas vassouras, dando algumas manobras de aquecimento. Cissy colocou a mão no peito, sorrindo bobamente para o cabelo esvoaçante de Lucius pelos ares.
— Ele está se amostrando para a Briedz. — riu Clementine, fazendo Narcissa quase quebrar o pescoço ao virar-se para a menina.
— Quem?
— Nikolina Briedz. — disse Clementine, assustada. — É a menina que ele gosta. Eu pensei que você soubesse...
Narcissa nem se assustou com o disparo de inicio do jogo, queria berrar em um choro escandaloso e raivoso, queria quebrar tudo e estrangular Clementine por ser tão burra e inútil. Não conseguiu se concentrar no jogo, passou quase o tempo inteiro avaliando a garota do ano de Lucius, em que ela nunca prestara atenção. Sua família era sangue puro na America Latina, isso explicava seu cabelo crespo, e a cor escura.
A garota estava prestes a explodir de raiva, não conseguia entender como Lucius podia achar aquela menina mais bonita que ela. Suas mãos apertaram a madeira da arquibancada com tanta forma que ela sentiu as farpas entrarem em suas mãos e apenas as forçou para que entrassem mais ainda. A Sonserina marcou o primeiro ponto.
Lembrou-se de seus surtos de raiva, onde ela trancava-se no banheiro, diante do espelho, estapeando-se e socando-se, mordendo a toalha para que não berrasse.
Ted Tonks pediu tempo, parecendo gritar algo no meio do ar para Andrômeda Black, gesticulando agressivamente. A irmã de Cissy retrucou mandando um balaço em sua direção, que despedaçou as cerdas de sua vassoura. O jogo teve de ser interrompido e Ted Tonks foi subistituido, no campo. O garoto berrava, vermelho, para uma Andrômeda debochada, amarrando seu cabelo mais firmemente.
O jogo voltou e não demorou muito para MacNair conseguir o pomo, fazendo a arquibancada vibrar. Naquele ponto, Narcissa já estava imersa em pensamentos. Seguiu Clementine para fora da arquibancada por instinto, pois sequer estava vendo onde estava pisando. Passaram por Nikolina próxima da saída do vestiário, provavelmente esperando Lucius. Cissy congelou no caminho e foi em direção da garota, tocando seu ombro.
Ela virou-se e Cissy chocou-se com o quão bonita ela era. Olhou seus olhos verdes, tentando engolir o choro.
— Tudo bem? — indagou Nikolina, unindo as sobrancelhas para Cissy.
— Lucius e eu vamos nos casar. — disse ela, fazendo a Briedz sorrir docilmente para Narcissa.
— Você só tem doze anos. — disse ela, dócil. — E eu não sei o que quer dizer com isso.
— Fique longe dele. — pediu Narcissa. Mas não fora uma ameaça, foi um conselho. Ela disse aquilo como se ela mesma fosse o monstro que deve ser evitado. Voltou para Clementine, apertando-se em seu cachecol, dando um último olhada em uma Nikolina curiosa.
Se fosse cristã, Nascissa diria que conseguia sentir o demônio em suas costas.
...
Andrômeda penteou seu cabelo molhado, séria.
Ela sabia que estavam fazendo Hogwarts tremer dentro da Sala Comunal da Sonserina, mas ela não estava com pressa. Colocou suas botas e sua jaqueta de couro, olhando-se no espelho. Ficou daquela forma por alguns segundos. Olhou suas olheiras fundas, e a forma como elas se assemelhavam ao rosto cadavérico de Bella. Estava exausta. Andie nunca foi um exemplo de afetuosidade, ela tinha suas dificuldades em pensar no coletivo, e apesar de lutar pelos diretos de todos os seres mágicos, sua mente era naturalmente individual.
Não gostava de ninguém que chegasse muito perto.
Pegou suas coisas e saiu do vestiário, subindo o pequeno morro em direção de Hogwarts, respirou fundo quando seus olhos bateram em Ted Tonks a esperando, encostado em uma árvore. Ele tinha os olhos inchados e vermelhos, o que a incomodou, mas ela manteve sua máscara fria. O garoto jogou seu cigarro fora e colocou as mãos em seu casaco, indo em direção de Andrômeda, passando a mão em seu rosto, apagando os vestígios de lágrimas. Ele parou, alguns centímetros de distância dela, a olhando de cima, uma vez que estava na parte alta do morro.
A Black manteve o olhar dele, mesmo com o clima frio que se instaurava em Hogwarts e o céu estar tão cinza que dava a ilusão da grama também ter perdido sua cor. Ela não estava arrependida, essa era a pior parte. Ela não sentia vergonha.
— Por que fez isso? — perguntou ele, quebrando o silêncio. Sua voz estava rouca e ele visivelmente se controlava para não cair no choro.
— Porque é isso que os Sonserinos fazem. — retrucou ela, seca.
— Traem seus amigos?
— Não somos amigos.
— ENTÃO QUE PORRA NÓS SOMOS? — Urrou Ted, não abalando a expressão de Andie. — Eu confiei em você! Eu compartilhei minha vida com você, meu tempo, meu espaço... Isso significa amizade, você não tem amigos?
Andrômeda desviou o olhar, focando-se no castelo ao ver os olhos de Ted se encherem de lágrimas.
— Você é fria e calculista... — Ted aproximou-se, sussurrando, como se suas palavras fossem facas. Andie deu-lhe um sorriso gélido e falso.
— Você não vai conseguir me magoar porque não é importante pra mim. — retrucou ela. — Você é indiferente para mim.
— Não... — sorriu Ted, entre lágrimas. — Não sou.
— Por que você insiste? — alterou-se Andrômeda. — Eu sou uma Black, Sonserina, racista, preconceituosa, egoísta, você já disse isso! Então por que não me deixa em paz? Eu nem queria ficar perto de você pra começo de conversa. Você foi o idiota, você que foi o imbecil que acreditou em mim. Eu não fui falsa em nenhum momento, eu peguei o que precisava e é isso.
— Por que você finge ser ruim? — ele aproximou-se, violento. — Hein? Por que? Que aparências são essas que você quer tanto manter?
Andrômeda irritou-se de vez e empurrou Edward com força, querendo soca-lo.
— Qual a porra do seu problema? — gritou ela.
— Qual a porra do seu problema? — gritou ele, empurrando-a. Andrômeda caiu, segurando-se na grama. Pegou sua varinha no bolso e soltou um jato cortante na direção de Ted, que rolou na grama, protegendo-se. Ele caçou a varinha no bolso enquanto a garota se levantava, pronta para estuporá-lo. Ted correu em sua direção e tentou arrancar a varinha de sua mão, fazendo os dois caírem, soltando jatos verdes em todas as direções. Ela o chutou, gritando, tentando afastá-lo, mas Ted tinha o controle de suas duas mãos, tentando prendê-la no chão com o cotovelo.
— ME SOLTA! — berrou Andrômeda, contorcendo-se brutalmente. — ME SOLTA!
O garoto conseguiu sentar-se no estomago de Andrômeda, não a impedindo de berrar com todas as forças de seus pulmões, fazendo corvos voarem diante de seus olhos, no céu. O garoto, ainda prendendo as duas mãos dela, colocou a ponta da varinha de Andie em sua testa, ofegante e vermelho, tão cansado quanto ela.
— Vamos. — sussurrou ele, ofegante. — Me machuque!
Andrômeda recebeu no rosto algumas lágrimas de Ted, batendo a ponta da varinha dela em sua testa, violento.
— ANDA! — urrou ele. — MATE O SANGUE RUIM!
— NÃO! — gritou ela, começando a chorar. — Não, eu não quero... Eu não quero...
Andrômeda começou a chorar tão violentamente, que parecia seu primeiro choro. Ted saiu de cima dela, jogando sua varinha ao seu lado. A garota virou-se de lado, chorando desesperadamente, sentindo a grama em seu rosto. O observou voltar para o castelo, quase arrancando os cabelos fora e encolheu-se no chão, sentindo uma dor quase física.
Soluçou mais uma vez, sentindo uma solidão crua a revestindo, como se a grama a embalasse para o mundo. Arrependeu-se amargamente do que fizera com Alice e Ted, cobrindo o rosto molhado e inchado. Sentou-se, ainda chorando, e guardou sua varinha no bolso, levantando-se.
Apertou sua jaqueta contra o corpo e recomeçou seu caminho para o castelo.
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