As Cores
6 Capítulo 05
Ela garrou-se no armário, escorregando pelo local com suas costas suadas.
A expressão de prazer no rosto de MacNair começou a desconcentrá-la, então ela desceu de seu colo e pegou sua cabeça, praticamente o obrigando a chupá-la. Bem melhor, pensou Bellatrix. Ela, diferente de suas irmãs, não tinha que preocupar-se com exame nenhum de virgindade para poder casar-se após o seu “acidente” de vassoura, então ela aproveita como pode, já que estava marcada para a morte.
Estava quase lá quando lembrou-se que estava na casa dos Malfoy e evitou gritar, assim os outros descobririam onde estavam. Bellatrix deu um sorriso amolecido após seu orgasmo, com um riso bobo, encostando-se no armário apertado. MacNair levantou-se, com os lábios molhados, pronto para beijá-la, ela o afastou.
— Oh, não querido, guarde de presente. — ele não entendeu que ela se referia ao gozo dela. Os dois se vestiram no armário apertado e saíram de fininho do guarda-roupa de Lucius Malfoy. Ela sentiu-se um pouco culpada quando passou pelos brinquedos pelo chão.
Ele foi em direção do banheiro como combinado e Bella desceu em direção da sala para encontrar os outros.
Os garotos eram apaixonados por Bellatrix, verdade seja dita, mas ela nunca gostou de nenhum deles. E nem ela entendia porque. Sentia-se contrariada quando transava com os garotos que viviam falando que só queriam transar e as meninas se apegam demais e no fim das contas, eles ficavam seguindo-a, implorando por uma chance.
Meninos idiotas.
— Onde você... — perguntou Andrômeda, mas a pergunta morreu quando ela notou as bochechas avermelhadas e o cabelo assanhado. — Você não tem vergonha na cara.
Bella sorriu docilmente para a irmã e aproximou-se da orelha dela.
— Meu acidente traz privilégios, guarde sua frigidez, maninha. — Bella terminou de sussurrar o deboche e olhou Rodolphus com malícia. Sentou-se no braço da poltrona de Drômeda. — Então, o que está rolando?
— Estávamos rindo porque Lucius chamou Andrômeda de Drômerda. Sem querer, segundo ele. — explicou Scabior fazendo Bellatrix gargalhar assim como toda a sala, menos Andrômeda e Lucius, que parecia estar envergonhado.
— E você, onde estava? — indagou Rodolphus assim que MacNair apareceu. Bellatrix desviou o olhar, irritada, o garoto praticamente escrevia na testa que acabou de fazer algo errado. Bella sorriu, dissimulada.
— Passeando. Você tem uma linda casa, Lucius. — elogiou Bella. Entretanto, o Lestrange levantou-se.
— Preciso falar com você. — Ele foi em direção de Bellatrix e agarrou pelo braço. Ela ficou tão chocada com a atitude que sequer defendeu-se ou protestou, sendo levada para o saguão. Quando finalmente se tocou que tinha um homem apertando seu braço, ela fez o mesmo que fazia com o pai, mas pior.
Sua varinha empurrou Rodolphus para longe em um lampejo enquanto ela arrumava o cabelo, guardando a varinha entre os seios.
— Você é louca? — esganiçou ele, levantando-se.
— Você que é louco de tocar em mim sem permissão! Quem pensa que é?
— Seu futuro marido. — disse ele, arrumando seu terno. Bella fechou os olhos lentamente, controlando-se. Aproximou-se de Rodolphus.
— Eu tenho péssimas notícias se pensa que terá uma escrava para chamar de esposa, Rodolphus. Você vai comer com medo, dormir com medo, viver com medo, porque sim, eu sou louca. Então é melhor você rever seus planos.
Rodolphus hesitou, olhando os olhos verdes da futura esposa. Naquele ponto, nem ele sabia se realmente queria aquele casamento. Ele engoliu seco, desviando o olhar.
— Eu estou tentando ser seu amigo, só isso. — declarou ele. Bellatrix suspirou, afastando-se em direção da porta principal. O garoto finalmente respirou, completamente devastado. Não sabia o que fazer. Não podia pedir para que seus pais lhe arranjassem outra esposa, até porque ele gostava de ideia de imaginar um futuro com aquela garota tão... Excêntrica. Mas ao mesmo tempo, ele morria de medo do desconhecido. Bellatrix parecia um demônio vestido de mulher e isso aterrorizada Rodolphus. — Vá ao baile comigo.
Bellatrix virou-se lentamente, ainda com o olhar injetado de raiva.
— Eu... Você deveria ir ao baile comigo.
— Deveria? — ela deu alguns passo de volta, deixando Rodolphus nervoso. Ele sentiu vergonha de si mesmo... Aterrorizado por uma garota! Ela sorriu levemente. — Desconheço essa palavra.
E saiu da Mansão, fechando a porta delicadamente. Rodolphus limpou o suor da testa com seu lenço, parecendo que acabara de ter uma descarga elétrica.
Merlin que o ajude.
...
A irmã estava começando a ficar irritada com a irmã mais velha andando de um lado para o outro em seu quarto enquanto ela tentava ler. As duas estavam esperando os meninos chegarem para leva-las a um local especial, segundo eles. Mas Bella parecia pensativa quando jogou-se na cama, espalhando seus cachos bagunçados:
— Qual o centro do mundo para você?
Andrômeda uniu as sobrancelhas, olhando Bellatrix. Tentou pensar em algo.
— Não sei... O amor? — Bellatrix sorriu.
— Engraçado. Eu teria dito ‘eu’. — Andrômeda analisou a irmã.
— Isso seria algo que Narcissa diria. — murmurou ela, fechando seu livro com o marcador e indo até o espelho, conferir se ainda estava arrumada. Ela não gostava muito de seu cabelo, não tinha personalidade como o de Bella ou Ciça, era neutro, assim como a cor e tudo nela. Uma mistura das duas.
Bellatrix apareceu atrás dela, aproximando-se, e as duas se analisaram em silêncio.
O rosto de Bellatrix era naturalmente... Malicioso, ela tinha olhares e expressões capazes de envergonhar as pessoas, uma façanha que Andrômeda não tinha, sempre com um olhar irritado, analítico, Bella está certa, ela pensa demais. Mas Ciça... Narcissa é a pior de todas. Pelo menos elas tinham uma característica, mas Narcissa se transformava mais que matéria química: Mil máscaras, completamente dissimulada. Podia ser doce como um recém-nascido e ruim como um assassino em série.
Tudo em minutos.
— MENINAS! — Evan gritou da escada, despertando as duas. Elas colocaram suas capas e desceram as escadas, indo atrás do primo. Eles saíram da casa, encontrando um grupo de mais de dez pessoas esperando do lado de fora. Andrômeda ficou nervosa ao notar que só tinha garotos, mas Bellatrix não parecia diferenciar gêneros, misturando-se entre eles. Andrômeda sentiu vontade de rir quando notou que Bella provavelmente já dormiu com todos ali, menos Rodolphus e Evan. Todos de capa negra e capuz, caminharam pela rua. A garota ficou em silêncio, apenas ouvindo a conversa dos outros, ansiosa pelo local.
— O que vai ter lá? — perguntou ela a Evan, que conversava com MacNair.
— Uma pequena comemoração com um amigo nosso, vou te apresentar a ele. — Andrômeda assentiu para o primo, ainda caminhando atrás dele. Olhou Bellatrix sussurrar coisas no ouvido de Gibbon, colocando a mão dele nos seios dela. Andrômeda sentiu suas bochechas esquentarem, desejando chegar logo no local.
Eles finalmente chegaram numa mansão completamente abandonada e caindo aos pedaços, quatro quarteirões da casa das meninas. Evan abriu a porta para todos e eles entraram. Andrômeda abaixou seu capuz, impressionada. Tinha muita gente dentro da casa. Uma música estranha ressonava pelo local enquanto as pessoas conversavam, dançavam e bebiam. Evan pegou a capa da prima e Andrômeda tocou seu vestido brevemente, insegura.
Procurou a irmã, mas ela já estava muito bem enturmada, já com um drinque na mão. Andrômeda então decidiu explorar o local, antes pegando uma taça de vinho em cima de uma das mesas de bebida.
Observou os detalhes do local, parecia uma festa proibida naquele local caindo aos pedaços cheio de adolescentes tão bem vestidos. Drômeda tomou um gole da bebida, sentindo o álcool descer por sua garganta lentamente. Alguém a empurrou.
— Perdão. — ela virou-se para a pessoa, e ficou surpresa com quem era. — Você.
— Você. — Frank Longbottom sorriu para Andrômeda.
— Não me surpreende estar aqui. É uma festa para fascistas. — ele tomou um gole de seu vinho, olhando as pessoas com arrogância, o que fez Andrômeda rir.
— E você está aqui! — retrucou ela, ainda sorrindo. Frank deu de ombros, dando-lhe um breve sorriso.
— Você me pegou. — disse ele. Então aproximou-se como se fosse contar um segredo. — Sabia que tem um feitiço na porta onde somente sangue puros podem passar?
Andrômeda ficou impressionada, não haviam tantos sangues puros assim...
— Mas é claro, minha belíssima e inteligente Andrômeda, que não há tantos sangues puros assim. — Sorriu Frank, malicioso. — É quase a mesma coisa que... Judeus nazistas! Organização é para rebanhos, certo? Queremos o anarquismo.
Andrômeda riu com Frank. Ela gostava dele, apesar de nunca ter conversado muito com o mesmo, apenas no Clube de Duelos. Ela tinha que assumir que tinha uma... Quedinha pelo representante da Grifinória no Clube de Xadrez. Ele era bonito e muitíssimo inteligente, ela se perguntava o porque dele andar com um analfabeto funcional como Ted Tonks, talvez porque fossem do mesmo ano. Ela não percebeu que estava o encarando até ele começar a fita-la também.
— Está sozinha? — perguntou ele.
— Ah... Não, eu vim com minha irmã e os amigos dela.
— Bellatrix, certo? — Andrômeda assentiu. — Vocês se parecem.
— Só em aparência, creio eu. — disse Andrômeda, andando ao lado de Frank. — Ela tem uma personalidade muito forte.
— Eu vejo. — disse Frank, analisando as pessoas. — Mas vamos falar de nós dois.
Andrômeda rubesceu, envergonhada pelos olhos dele grudados nela. Ele percebeu que ela estava envergonhada e não parou de fita-la. A música praticamente entrou na mente de Andrômeda, deixando-a desconcertada.
— Hm... Não estou me sentindo muito...
— Sexy?
—... confortável. Não estou me sentindo confortável. — Andrômeda queria abrir um buraco no chão.
— Bem, então fique confortável, Andy... Ou pense em algo que lhe deixe confortável. — Ela molhou os lábios, rindo feito uma boba. Desviou o olhar, pensando.
— Um banho quente... Ler um bom livro no frio... Dormir...
— Você gosta de mim? — Andrômeda ficou completamente sem ação. Ele não tinha um pingo de timidez. Ela não conseguiu desviar o olhar.
— Não sei. — disse, sincera.
— Você me acha bonito?
Andrômeda ficou em silêncio, completamente enterrada em embaraço. Frank apenas sorriu docilmente.
— Olhe, eu acho você bonita. Muito bonita. — Ele aproximou-se como se fosse beijá-la, então Andrômeda quase fechou os olhos, pronta para seu primeiro beijo, mas ele apenas roçou sua bochecha na dela, encostando seus lábios em seu ouvido. — Você já viu um corpo morto?
Só o meu, quis responder. Ela fez que não com a cabeça.
Frank pegou sua mão.
Fale com o autor