As Cores

3 Capítulo 02


— Aí ele estava tipo, super empolgado beijando meus peitos e eu tipo: “Isso aí, garoto”. – Bridget parou de falar assim que viu a cara de Molly Prewett. A ruiva apenas deu uma breve olhada nelas, ignorando as expressões de cinismo, e entrou em uma das cabines. Bella tragou seu cigarro, olhando a irmã com desgosto, que entrara no banheiro conversando com Molly.

— Você tem mesmo espirito de pobre. — debochou ela, fazendo Bridget rir. Andrômeda a ignorou, lavando suas mãos.

— Me deixa em paz. — murmurou, secando suas mãos.

O banheiro ficou em silêncio enquanto ela esperava sua amiga sair da cabine. Molly finalmente saiu, suspirando. Observou Bellatrix fumar maliciosamente com os olhos grudados nela. Assim que secou suas mãos, virou-se para a Black mais velha, tentando se controlar.

— É proibido fumar aqui, Black.

— É? – debochou ela.

— Sim, querida. — disse Molly com cinismo. Bella jogou a fumaça na cara de Molly, fazendo aquela expressão que deixava Andrômeda nervosa... Ela sentia que a irmã era alguém que não conhecia, alguém que ela não pudesse controlar. Nessas horas ela sente como se visse a doença da irmã, e não ela.

— Estou muito preocupada. — sussurrou ela, séria. Molly ficou com as orelhas vermelhas, como todas as vezes que está irritada.

— Vai ficar muito mais com os pontos que vou descontar da sua casa. — Bella ergueu o queixo, apagando o cigarro centímetros da mão de Molly, que não se moveu. A Prewett virou-se e saiu do banheiro, sem esperar Andrômeda. Bellatrix olhou para a irmã como se ordenasse que ela não fosse atrás de Molly. A mais nova sentiu vontade de contrariá-la, mas tinha medo dela surtar ou fazer alguma loucura.

Acabou ficando.

...

Andrômeda deu a mesma volta no corredor da biblioteca, não aceitando que o livro que ela reservou meses atrás fora simplesmente locado, assim, de repente.

Quem poderia se interessar pela História das Mulheres Bruxas além do seu grupo de amigas? Tudo bem que Hogwarts é gigante, mas ainda assim, ela reservou o livro, deveria estar lá! Irritada, voltou para a mesa onde Amélie fazia sua lição. Batucou a mesa, olhando Madame Pince com fogo nos olhos. Queria fazer uma rebelião por aquela velha burra ter locado seu livro reservado.

— É só você esperar ele voltar, calma... — sussurrou Amélie, parando os dedos malucos da amiga, que não paravam de batucar a mesa.

— Acontece que eu reservei o livro. De quer serve reservar as coisas nesse lugar se ela simplesmente deixa outras pessoas pegarem? — indignou-se Andrômeda, virando o rosto para Madame Pince, que deu-lhe um olhada de repressão. A Black levantou-se bruscamente e saiu da biblioteca em passos barulhentos, fechando a porta com violência. Iria falar nesse exato momento com o professor Slughorn.

Andromeda empurrou os primeiranistas para fora do seu caminho enquanto marchava em direção da sala de Poções, mas, de repente, sua capa fora simplesmente puxada por algum imbecil, quase a fazendo cair.

— Oh, pensei que era Bella, desculpe. — ela virou-se para Edward Tonks, não acreditando que aquele demônio ainda estava vivo.

— Você está fazendo o que aqui? — questionou, ainda sem acreditar no garoto diante dela. Ele tocou sua gravata da Lufa Lufa, risonho.

— Estudando? Não sei, talvez... Isso é uma escola, certo?

— Não seja idiota, você sabe do que eu estou falando.

— Ok, eu posso te contar se... Você vier comigo. — ele aproximou-se de Andrômeda, sorrindo, mas ela de um passo para trás. Não gostava de Edward Tonks. Ela teve o desprazer de ter que lidar com ele durante dois anos no Clube de Xadrez e ela tem péssimas lembranças: Ele é desorganizado, bagunceiro, infantil e completamente irresponsável.

— Eu não vou a lugar nenhum com você! — avisou Andrômeda, firme, mas o sorriso de Edward apenas cresceu.

ALGUNS MINUTOS DEPOIS

— O que você quer beber? — perguntou Edward. Andrômeda o fitou cheia de ódio no Três Vassouras pouco movimentado. Eles estavam ali por uma passagem secreta muito usada por Bellatrix e seus amigos, mas na verdade quem descobriu o local fora Edward, que provavelmente apresentou a Bella.

— Uma Água de Gilly. — disse Andrômeda, colocando as mãos no bolso de seu casaco. Eles trocavam de roupa quando iam fugir de Hogwarts, mas com toda certeza Madame Rosmerta sabia que adolescentes em seu bar eram de Hogwarts tanto quanto sabia que as identidades eram falsas.

— Oh meu Merlin... — murmurou Edward, quase rindo. — Ok, uma Água de Gilly e um Uísque de Fogo, por favor.

— Do que está rindo? Uísque é muito forte. — disse a Black, ajustando seu relógio.

— Água de Gilly? Quer um guarda-chuva rosa para acompanhar?

— Não entendi a graça. — disse Andrômeda, colocando seus cotovelos na mesa, com o olhar ameaçador que o Tonks conhecia de cada Black.

— Minha bisavó bebe isso. — Andrômeda deu um sorriso cínico para Edward enquanto ele recebia a bebida.

— Bem, então eu e sua bisavó deveríamos sair um dia. Obrigada. — disse ela para Madame Rosmerta.

— Lésbica. — sorriu ele, tomando seu Uísque. — Sempre desconfiei.

— Ok, vamos logo ao ponto, ok? O que você quer? — O azul do cabelo do garoto começou a ficar mais escuro conforme ele tentava achar palavras para falar com Andrômeda. Ele chamou-a com o dedo, fazendo com que os dois aproximassem-se em cima da mesa.

— Preciso da sua ajuda.

— Minha ajuda? Eu nem falo com você. Não sou sua amiga.

— Por que você sempre fala isso? Não precisa me lembrar que não estou na sua preciosa listinha de amigos!

— E por que eu te ajudaria? Você é um encosto. Um peso. Uma cruz. Um chiclete...

— Eu nunca te fiz nada, Drômeda! — ela tomou um gole de sua Água e fez uma careta para ele, como alerta.

— Não me chame de Drômeda!

— Então não me chame de Edward. — disse ele, encostando-se na cadeira. Andrômeda suspirou, começando a ficar nervosa.

— Ok, Ted... Eu não gosto de você porque você sabe que Bellatrix tem um problema e ajuda a piorar. — O garoto riu da cara de Andrômeda, mas ela não estava achando nem um pouco engraçado, pelo contrário. Ele finalmente parou de rir e molhou os lábios rapidamente, olhando Drômeda, ainda risonho. Aproximou-se.

— Sua irmã é louca. Eu não tenho nada a ver com isso. — esclareceu, tomando seu Uísque.

— Não? Não tem nada a ver com isso? Enfeitiçando capas invisíveis para ela, vendendo drogas e bebidas, contrabandeando livros de Artes das Trevas! — Andrômeda arregalou os olhos e Ted sentia-se falando com Bellatrix.

— Eu preciso de dinheiro pra viver e sua irmã paga muito bem, lide com isso. E esses livros devem ter de sobra na sua casa, não sei porque tanto alvoroço! — Ted terminou seu uísque e ajeitou-se na cadeira. — Olhe eu não vim aqui discutir os problemas psicológicos da sua irmã, ok? Eu vim pedir sua ajuda para algo muito importante.

Andrômeda terminou sua Água de Gilly enquanto Ted preparava-se para falar.

— Você sabe que Varíola de Dragão deixa... Sequelas, não é? — Andy assentiu, ainda irritada. — Bem... A doença foi bem cruel.

Ele sacudiu sua cabeça levemente para sua perna, um sinal para que Andrômeda olhasse debaixo da mesa. Ela suspirou e olhou, levando um susto. Ted segurava sua calça até o joelho para que Andrômeda visse sua perna quase em pele viva. Sentiu seu estomago embrulhar-se enquanto sentava-se direito, tentando não olhar Ted. Sentiu um pouco de pena do babaca.

— Olha, eu nunca te pedi nada, eu posso pagar se não quiser fazer de graça, mas você precisa me ajudar. — Ted inclinou-se na mesa. — Você é a melhor estrategista do seu time e a melhor batedora que já vi... Sem contar que você quer ser Curandeira, se ouvi certo... Então, pode treinar em mim.

— Edward...

— Ted — corrigiu.

— Ted. — disse Andrômeda, olhando seus olhos azuis. — Não posso fazer isso... Eu tenho muita coisa pra fazer...

— Você está no 3º ano! Você literalmente não tem o que fazer! Drômeda, por favor... Eu te imploro!

— Não... Olha... — Andrômeda não sabia que desculpa dar. Ela não queria ter que passar tempo da sua vida com Ted e nem trair sua casa. Ted era um ótimo jogador de Quadribol e era vergonhoso a Sonserina ter um pouco de dificuldade para vencer a Lufa Lufa nos jogos. Aquela era sua chance de se desfazer do Apanhador do time. Torceu seus dedos, nervosa, tentando olhar todo o bar, menos os olhos de Ted. Ele pegou sua mão e pediu por favor mais uma vez. Andrômeda fechou os olhos com força, quase agonizando.

Odiava aquilo.

— Tudo bem, eu te ajudo.

Notas finais
Um pouquinho de Andrômeda, que é a personagem que mais gosto de escrever sobre hahahaha Espero que gostem! ;)