As Cores
14 Nova Casa
Notas iniciais
Achei que ontem vocês iam descobrir sozinhos quem eram os netos daquela dona, mas vão descobrir hoje.
Espero que gostem. Beijos Bell
Uau! Era tudo, mas ao mesmo tempo, pouco do que eu podia dizer sobre a casa. Quando aquela senhora disse que morava em uma casa com os netos, eu imaginava que fosse alguma coisa simples, pequena. Quantos netos ela tinha?
Havia um jardim enorme na frente, muito bem cuidado com flores de várias espécies. Um caminho de pedras te levava até a porta da casa, impedindo-o de pisar na grama. A fachada da casa era pintada de um tom de amarelo claro e tinham dois andares.
Eu observava tudo perplexo enquanto a senhora terminava de pagar o taxista. Ela se aproximou de mim e tocou meu ombro.
- E então rapazinho. O que achou?
- É impressionante. É realmente incrível. – falei ainda com os olhos grudados em cada detalhe da casa. Se era assim por fora, imagine por dentro?
- Venha, vamos entrar.
Entramos na casa e eu não estava enganado. Era ainda mais surpreendente por dentro. A decoração da sala imitava um clássico, algo antigo. Não sei bem, não entendo sobre decoração. Os sofás eram de um couro velho e as paredes pintadas em cores clássicas. Mas haviam algumas coisas na sua devida tecnologia, como a televisão de plasma e um rádio bem moderno.
Thalia iria adorar isso. – pensei – Esse rádio é a cara dela. Ela poderia passar o dia todo aqui com os fones escutando Green Day e tentando reproduzir as músicas no violão, o Joe. – eu ri lembrando-me de quando brincamos sobre os nomes dos nossos instrumentos musicais. Eu sentia falta dela. Queria que ela estivesse aqui.
Como se pode conhecer uma pessoa por tão pouco tempo e já sentir tanta falta dela assim? Sentir como se precisasse de sua presença o tempo todo. Isso é estranho. Eu agora tenho uma casa pra morar, com uma senhora muito gentil que me oferece comida, roupas e proteção e ainda sim eu queria voltar pras ruas pra viver com Thalia. Sim, eu queria. Se por algum acaso ela viesse aqui, batesse na porta e pedisse pra eu voltar, eu iria sem pensar. Porque ela é a única amiga de verdade que eu tive, a única pessoa que se importou comigo e eu estraguei tudo, então eu não pensaria duas vezes antes de tê-la de volta.
- Venha, vou lhe mostrar o seu quarto. – a senhora disse.
Eu a segui até um quartinho que ficava exatamente no primeiro andar. Não era tão grande quanto se podia esperar, mas era perfeito. Melhor do que qualquer coisa que eu já tive na vida. Um guarda-roupa, uma cama de solteiro e uma escrivaninha, ocupavam todo o espaço. Coloquei minha mochila na cama e me sentei, olhando tudo em volta.
- É perfeito. – eu falei – Tão bom quanto eu esperava. – ela deu um sorriso simpático para mim e então se virou para sair do quarto.
- Senhora! – eu a chamei antes que ela passasse pela porta – Eu ainda não sei o seu nome.
- Marie. – ela respondeu com outro sorriso.
Saiu do quarto, me deixando sozinho, com a porta fechada. Deitei na cama com os braços apoiados atrás da cabeça.
Essa seria minha vida daqui pra frente? Eu ia viver aqui pra sempre? Eu ansiava por essa resposta. Queria poder dar uma espiada no futuro pra saber disso. Eu sinto que tenho muito que fazer lá fora, coisas importantes, mas ao mesmo tempo não sei o quê. Ou talvez eu saiba. Sei que tenho que fazer alguma coisa em relação a garota dos olhos azuis eletrizantes, a garota do estilo punk, aquela a qual tropecei nos pés naquela noite fria. Não posso ser covarde ao ponto de deixa-la sozinha lá, enquanto eu estou aqui. Mas não quero que ela grite comigo e diga que não acredito nela. Porque eu acredito. Mais que ninguém...
Algo interrompe meus pensamentos. Gritos. Mas eram gritos animados, de criança. Pelo que eu podia escutar pareciam ser dois e não deviam ter uma diferença muito grande de idade porque a afinação dos gritos eram praticamente idênticas.
Mas não me importava, eu não gostava muito de crianças. Virei de lado na cama, a fim de ignora-los. Foi em vão. Marie bateu na porta me chamando.
- Luke, querido, venha aqui. Venha conhecer meus netos.
Tenho a opção de não querer ir? Não, né? Pois bem. Levantai-me da cama e abri a porta. Atrás da velha estavam paradas as duas crianças. Eram dois meninos, gêmeos, absolutamente idênticos, daqueles que nem pelo cabelo dá pra diferenciar e usavam a mesma roupa pra dificultar as coisas. Não deviam ter mais que seis anos de idade. O pior de tudo é que eu sentia algo familiar neles, como se já os conhecesse.
- Esses são Connor e Travis. – a senhora falou.
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