As Cores
15 Um Jogo de Tabuleiro
Notas iniciais
Oi gente! Qual foi o problema do Nyah? Tentei entrar aqui por uma semana e não abria. A parte boa é que deu pra eu escrever vários capítulos e assistir Em Chamas duas vezes. Quem já viu? É muito bom.
Bom, voltando ao assunto, espero que gostem do de hoje e não deixem de comentar. Beijos Isabell
– Connor e Travis. – eu repeti pra mim mesmo em um sussurro. Sobre ter algo de familiar neles, mais uma vez, era só uma impressão porque eu nunca os vi em nenhum lugar antes, eu tenho certeza.
Olhei pras duas crianças e dei um sorriso forçado pra elas, então voltei para o meu quarto e me joguei de volta na cama. Eu fiquei ao que parece, uma hora olhando para o teto, pensando em coisas aleatórias. Até que Marie entrou no meu quarto. Ela me olhou com os olhos simpáticos e sentou na beirada da cama.– Você está bem? – ela perguntou – Parece um pouco triste. Você não gosta daqui?– Eu gosto. – respondi com sinceridade – Sua casa é ótima, juro. É que sinto falta de uma pessoa. Uma garota que conheci na rua.– Era sua namoradinha?– Não. Éramos só amigos, mas não somos mais. Eu a decepcionei. E me odeio por isso.– O que fez pra ela? Você é um menino tão bom.– Eu disse a ela que podia confiar em mim e traí a confiança dela. – contei – Não sou tão bom quanto parece.– Talvez você tenha feito pra protegê-la. Às vezes, as pessoas fazem coisas erradas pra proteger quem elas amam. Eu digo isso porque eu sei que eu poderia fazer qualquer coisa pela proteção de Connor e Travis, mesmo que eu não vá ter eles por muito tempo.– O que está dizendo? – perguntei confuso – Por que não vai tê-los por muito tempo?– Eu não sei. A mãe deles, minha filha, nunca está em casa, está sempre viajando. Ela trabalha com entregas no mundo todo e foi nessas viagens que ela conheceu o pai dos garotos e então eles nasceram. Ela ficou um tempo em casa com o homem e os meninos, mas pouco tempo depois do nascimento deles, o homem sumiu e nunca mais voltou. Minha filha teve que voltar ao trabalho, e eu fiquei com as crianças. Eu me apeguei muito a eles, mas ela disse que um dia, entre a infância e a adolescência deles, alguém vai vir busca-los para leva-los a um lugar especial onde eu não vou poder vê-los. Mas eu tenho que deixa-los ir, é para o bem deles. Eu só quero o bem de todas as crianças do mundo. Por isso te trouxe pra cá.Eu fiquei com pena daquela senhora. Os netos eram tudo o que ela tinha e um dia iria ter que deixa-los ir sem nem saber para onde. Ela ficaria sozinha, até porque não sei se eu estaria ali pra sempre. Estar sozinho é ruim, sei disso porque estive sozinho a vida toda, mesmo com tanta gente morando comigo.– Me conte Luke. E você? Qual sua história? – ela perguntou curiosa.– Minha mãe morreu quando eu nasci. E eu nunca conheci meu pai. Não sei muita coisa sobre mim. Só sei que morei a vida toda em um orfanato mal cheiroso até eu fugir a alguns dias. Eu fui morar na rua e conheci Thalia. Vivemos três dias juntos num beco, foram os melhores três dias da minha vida, até eu magoar ela. Então eu fui embora. E ai a senhora me encontrou. Isso é tudo sobre a minha vida.– No orfanato nunca lhe disseram sobre seu pai?– Não. – respondi – A única coisa que me disseram foi que minha mãe morreu no parto.Dessa vez foi ela que me olhou com uma cara de pena. Passou a mão de leve em meus cabelos e se retirou do quarto.Virei-me de lado na cama e em poucos segundos cai no sono. Eu devia estar exausto.O sonho que tive foi tão esquisito quanto o outro.Algo muito grande corria atrás de mim. Um gigante, eu acredito. Não sei, não me pareceu boa a ideia de parar de correr pra checar esse detalhe. Até que o gigante me alcançou. Ele me segurou com sua mão enorme como se eu fosse um bonequinho articulado. E então eu vi que não era um gigante qualquer, era um ciclope, aquele monstro de um olho só. Ele me encarava com aquele olho assustador e dizia alguma coisa do tipo: “Semideus malvado”. Então me lembrei da pequena adaga de bronze celestial, que por sorte, estava presa na minha cintura. Eu a puxei e apunhalei a mão do ciclope que me soltou imediatamente, fazendo-me cair de uma altura de mais de três metros.– Saia daí! – uma voz gritou. Quando virei-me, vi que era Thalia. Ela estava no final da rua, com uma lança em uma das mãos e um escudo estranho e assustador na outra.– Rápido Luke, saia daí. – mas agora a voz era outra.Em um pulo eu acordei e me levantei da cama. Estava escuro, não sei por quanto tempo eu dormia. A voz da minha consciência me mandava sair dali. – Anda Luke, vai embora, fuja. Monstros Luke. Vá embora. A voz falava um tanto desesperada, como se o que ela dissesse fosse custar a minha vida. Talvez fosse mesmo. Por isso resolvi fazer o que ela mandava. Peguei minha mochila no canto do quarto e fugi assustado, pela janela.Corri até o lugar de sempre: a praça. Mas dessa vez corri mais porque era mais longe. Cheguei lá já sem fôlego.Quantas vezes eu fugiria dos lugares, das pessoas e viria parar aqui? Isso já estava se tornando rotineiro. É como se eu estivesse em um jogo de tabuleiro e caísse o tempo todo na casa “volte para o início”, dai eu tentasse um novo caminho e novamente viesse parar nessa maldita casa.Mas o que eu não sabia era que, dessa vez, eu recomeçaria por um caminho já conhecido.
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