As Cinzas de Kanto

9 O Senhor do Caos


Dia 38 — Viridian City, novamente

O mundo parece ter parado em Viridian. As ruínas da cidade que já conheci. O porto do passado. As ruas silenciosas lembram os fantasmas de todos os que partiram.

No topo do ginásio, uma sombra move-se. Giovanni.

Não o líder que eu conhecia. Não o homem que dava ordens à Team Rocket. Ele é o epicentro do apocalipse. O seu olhar atravessa tudo. Sabe que cheguei até aqui. E que cada passo que dei deixou marcas.

Rhydon. Nidoking. Dugtrio.

Não são apenas Pokémon. São armas. Símbolos da devastação que ele espalhou. Cada ataque carrega o peso de cidades desertas. Cada movimento é medido pelas memórias do que se perdeu.

O meu parceiro, exausto, mantém-se firme. O corpo treme, mas a determinação não vacila.

Quando Rhydon cai, Giovanni não se move. Quando Nidoking cai, ele sorri, um sorriso que não parece humano. Quando Dugtrio finalmente cai, tudo se torna silêncio.

Venci. Mas a vitória não é alegria. É cansaço. É um alívio sombrio. É sobrevivência.

Giovanni aproxima-se. Não diz uma palavra. Apenas observa. O mundo desmoronou, mas um último sobrevivente permanece. Ele vira-se e desaparece nas sombras do ginásio.

O apocalipse não terminou. Mas alguém ainda respira. E escreve.

Dia 39 — Reflexão Final

Se alguém ler este diário um dia, saiba isto: O mundo não acabou de repente. Corroeu-se lentamente, como veneno nas veias.

Cada cidade ensinou-me algo:

Pewter → resistência

Cerulean → responsabilidade

Vermilion → perda

Celadon → perspectiva

Fuchsia → adaptação

Saffron → mente

Indigo Plateau → sobrevivência

Giovanni → a realidade do caos

Sobrevivi. O meu parceiro sobreviveu. E juntos, ainda podemos existir. Mas nada será igual. O mundo mudou. E nós também.

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