As Bruxas do Bosque
2 Capítulo II
Notas iniciais
As salamandras, animadas pelos silfos, dançam no círculo de poder. Nessa noite, estão à vontade, pois são bem-vindas no coven — e fora dele também. Às vezes, uma iniciada alimenta as chamas, enquanto as demais dedicadas bailam ao redor — semelhante as chamas.
Essa cena está sendo observada pelas duas amigas, escondidas atrás de um arbusto, a alguns metros do círculo de poder. Dali elas conseguem escutar melhor o canto e viam também melhor a dança delas — um círculo de poder humano, iluminado pela deusa.
O bosque é o lugar perfeito pra isso, pois fica a alguns metros da velha estrada do vilarejo. Além de pouco movimentada, é rodeada e coberta pelas árvores. Uma caverna protegida pela parede natural, parede feita de troncos e arbustos, cercando o coven.
Os archotes, pendurados nos troncos das arvores ao redor, iluminam o sacro local das sacerdotisas presentes no ritual de iniciação de algumas neófitas. Isso explica o porque alguns maldizem o lugar, dizendo ser perigoso passear a noite — é muito ermo.
— O que deve ser aquilo? — apontou pro pequeno pote de metal carregado pelas sacerdotisas.
— Aquele é o caldeirão. — olhou-a surpresa e pergunta: — Vai dizer que você nunca viu um antes?
— Não lembro de estudar sobre as cozinhas antigas! — respondeu e continua aos risos: — Devo ter faltado.
— É mais ou menos isso! — apontando alguns potes, diz: — Nos menores estão as ervas dos balsamos.
— Os temperos, chás e remédios naturais também devem estar no livro de receita delas?
— Estes são os bálsamos antigos! Isso diferencia as sacerdotisas dos alquimistas e magos.
— Vou tentar lembrar disso tudo, quando estiver aprendendo a cozinhar em casa. E...
— Olha ... — as duas tiveram a atenção voltadas pro início do que seria um ritual de iniciação.
A fogueira, agora, aquece as ervas aromáticas no caldeirão, tendo três sacerdotisas preparando o banho de iniciação das neófitas. A primeira realiza a leitura solene do ritual, enquanto a segunda lança as ervas dentro do caldeirão e, por fim, a terceira mistura as ervas.
— Sabe qual ritual é esse? — perguntou aos risos e confessa: — ainda não tenho a coleção da Eddie.
— Acho que estão preparando um banho de limpeza e dedicação pra iniciar nos mistérios da deusa.
— Dedicação pra ficar aqui!? No meio do parque da Vila, distante da civilização!?
— Olha! — após se se ajeitar entre os arbustos, indica: — Aquela parece ser a anciã do coven.
Depois de prepararem o banho iniciático, as outras assistentes foram chamar a anciã do coven, esperando as na erma cabana do bosque, onde, há muito, vive uma existência meio que solitária, sendo assistida pelas aprendizes, passando pelas fases da vida.
Ao chegar no círculo de poder, somente a anciã fica sem capuz para iniciação das neófitas no caminho. As outras, em pleno desenvolvimento, ocultam a beleza coberta pelo capuz da roupa ritualística, onde o reino do espírito só é revelado pra alguns iniciados.
Ao redor do caldeirão, elas formam uma meia lua atrás da anciã, deixando a cena livre pras duas amigas assistirem tudo detrás dos arbustos. Assim, após o toque do sino, as neófitas se aproximam do caldeirão para receber a iniciação e serem dedicadas a deusa.
— Ih? — as duas olham assustadas após ouvir o barulho de gravetos quebrando perto delas.
— Vocês vêm ou não vem participar também desse ritual de iniciação? — disse após descobri-las.
Sem palavras, as duas amigas se entreolham por alguns instantes. Mesmo em meio aos sons ritualísticos, feitos pelo coven, o silencio toma conta do momento. As duas, agora, sem reação, aguardam amedrontadas a melhor maneira de sair desta enrascada.
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