As Bruxas do Bosque
3 Capítulo III
Notas iniciais
As duas, entretidas assistindo o ritual, não notaram no que estava acontecendo ao redor delas. A cena ritual, passada a certa distância, é encantadora, o desenrolar lembra muito as páginas ilustradas da revista wicca, embalados aos encantos do pagan goth.
Assim que perceberam o que estava acontecendo ao redor delas, tentaram, em poucos segundos, se explicar. No entanto, as sacerdotisas sugeriram pra manterem somente a reverência porque estão em meio a um ritual — próximas da anciã, a líder do coven.
— Não é nada disso do que vocês estão pensando! — disse a mais nova, enquanto a mais velha pensa em algo.
— Não!? — após olhá-las amigavelmente, uma delas, na tentativa de acalmá-las, diz: — Fiquem tranquilas!
— Vocês chegaram bem na hora! — completou a outra e, com certa cordialidade, continua: — Esperávamos por vocês também!
Enquanto as duas amigas caminham na frente pela trilha, as sacerdotisas observam as duas visitantes. A movimentação na trilha chamou a atenção pro grupo, antes ocultado pelas sombras dos arbustos e arvores — iluminadas pelo luar e, agora, pelos archotes.
— Aonde estamos indo? — sussurrou a mais nova, andando pela trilha, enquanto a outra seguia calada.
— Hey! — disse baixinho uma sacerdotisa, fazendo o sinal pra silenciarem, pois estão num ato solene, estão no curso de um ritual de iniciação.
Os passos vacilantes na trilha, mesmo tentando não transparecer, revelam certo nervosismo delas. As outras sacerdotisas encapuzadas, após avistarem os sinais nas sombras da antiga trilha, voltam a atenção pro grupo — inquietas e encabuladas sob os olhares do coven.
Ao entrar no círculo de poder, em silêncio, olham o caldeirão cheio de ervas misturadas, exalando um aroma agradável — lembrando o aroma adocicado de algum incenso da índia. Este, pensou a mais velha das visitantes, deve ser o banho de iniciação nos mistérios.
As demais iniciadas continuam também em silêncio, em reverência ao local sagrado, ao ritual solene. Após alguns poucos segundos, passando o impacto da visita não programada, a líder do coven, a mais velha do coven, deu início as boas-vindas, dizendo:
— Que a deusa esteja com vocês, minhas visitantes! — disse a anciã do coven, segurando um cajado.
— Estas duas não iniciadas estavam nos observando atrás daqueles arbustos – disse uma delas, apontando local, onde as duas estavam ocultadas.
— Fiquem tranquilas! — disse a anciã — deixem que elas falem sobre o motivo dessa oportuna visita.
Enquanto se entreolharam por alguns instantes, o silêncio invadia a alma das jovens em busca das palavras certas, mas o nervosismo não permitia organizarem as ideias. Assim, notando que a mais nova não saberia usar as palavras certas, ela iniciou a explicação.
— Tenho um crescente desejo de conhecer mais sobre os mistérios do vilarejo, os encantos do bosque.
— Entendo perfeitamente este seu desejo! — disse a anciã, olhando pra outra, pergunta: — E você, donzela?
— Tenho também! — respondeu a mais nova, se sentindo mais a vontade pelo tom amigável da anciã.
— Estou muito feliz pela visita! — informou a anciã e continua: — Já esperava por vocês também.
Após acalmar as duas visitantes, a anciã caminha na direção duma assistente. Após as duas trocarem algumas palavras, a assistente caminha na direção da cabana e, passado alguns minutos, retorna trazendo um livro ritual, contendo orientações pro ritual.
As duas visitantes e também as demais sacerdotisas, em silêncio, observam a anciã recebendo e consultando os antigos escritos no livro ritualístico. Sua expressão serena e amigável, acalmou ainda mais as visitantes e alegrou as demais iniciadas nos mistérios.
— A visita, como havia dito, confirmou algumas das orientações que recebi dos nossos oráculos.
Quando ouviram na dizer estas palavras, sentiram arder uma chama no espírito delas e crescer o desejo de conhecer e desvendar os mistérios do vilarejo e os encantos do bosque. Este é, na verdade, um chamado pra iniciação na irmandade do bosque.
Um misto de alegria e dúvida tomou conta da face e mente das duas visitantes. Alegria pela confirmação no coven, mas dúvida se este seria ou não o momento ideal pra se dedicarem ao caminho. Percebendo isso, a anciã confortou as duas neófitas, dizendo:
— Não se preocupem agora, quanto a isso! Vocês terão suas auxiliares nessa jornada pelo antigo caminho.
Após sinalizar, as auxiliares, indicadas pela líder do coven, conduzem as duas amigas pra cabana a fim de vestir a roupa própria pro cerimonial — semelhante das outras vestes usadas pelas outras, aguardando em silêncio, reunidas no círculo de poder.
A cabana foi construída neste terreno distante da entrada do parque da Vilarejo. Uma construção rústica, protegida pelas árvores ao redor, formando um pequeno bosque na frente da construção, onde costumeiramente tem se reunido para celebrar os esbaths e sabaths.
As duas, seguidas pelas assistentes, rapidamente sobrem alguns degraus e, após passar pela varanda, entram numa saleta da antiga cabana, dedicada aos instrumentos e vestimentas ritualísticas. Após sobrepor calmamente as vestem ritualísticas, elas voltam.
Ao ouvirem o tilintar do sino ritualístico, tocado pela assistente, quando chegaram no círculo de poder. Elas se juntam as neófitas ao redor do caldeirão, sendo protegidas pelas iniciadas, ainda em meia lua, formando um círculo de poder. Vendo isso, a anciã, invoca alegremente, dizendo:
— Que seja reiniciada a festa de boas-vindas da nossa irmandade!
Um forte clarão iluminou os céus do vilarejo. Inspirando ainda mais os cânticos pagãos e as danças ritualísticas ao redor do caldeirão, exalando um aroma agradável de ervas — revelando, em cada movimento, os mistérios de um bosque encantador.
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