Notas iniciais
Oiii coisas lindas, aqui está o terceiro capítulo, espero que gostem ♥

Depois daquele nosso primeiro encontro, se é que posso chamar assim já que não tive muita escolha, você continuou me mandando mensagens e, algumas vezes, até me ligava. Meus pais, que nunca prestaram tanta atenção em mim assim, vieram me perguntar se eu estava saindo com alguém. Obviamente eu respondi que não, que você era só um amigo, sendo que mal isso eu te considerava na época, mas seria meio complicado explicar-lhes tudo, afinal sempre fomos assim, não? Complicados demais.

— Amanhã às 19 eu passo para te buscar, ok? — você disse do nada durante uma das suas ligações aleatórias.

— O que te faz acreditar que vou dizer sim? E se eu tiver outros planos? — brinquei. Era óbvio que eu não tinha mais nada para fazer, já que minhas adoráveis amigas só sabiam falar sobre você quando saíamos e acreditavam que estávamos tendo um caso e eu só não queria contar para elas. Inclusive eu ouvia elas conversando entre si o que diabos você teria visto em mim quando eu não tava tão perto assim e, claramente, isso acabou me afastando delas, já que eu não queria ouvir a mesma ladainha dia após dia.

— Por favor, Naomi, eu sei que você vai gostar — implorou, o que me fez rir. Sabe, mesmo não admitindo, além de continuar te achando alguém irritante, eu gostava de você. Claro que não amorosamente, ainda não chegamos nesse ponto da história, mas caso não gostasse de maneira nenhuma eu não teria topa ir à esse lugar misterioso, muito menos teria aceitado da primeira vez.

O outro dia chegou e, como você apenas tinha pedido para eu me vestir casualmente, mas não moletom-casualmente, apenas coloquei um shorts preto, uma regata preta, minha camisa xadrez verde escura e meus amados coturnos. E você apareceu em minha porta às 19 como tinha dito, pontual como sempre (vale acrescentar que meus pais ainda estavam duvidando do fato que você era apenas meu amigo). Você, como sempre, estava com sua jaqueta de couro, mas parecia mais bonito do que o normal (sim eu já te achava lindo na época, mas nunca admitiria isso em voz alta). Cumprimentou-me com um beijo no rosto, o qual eu aceitei, e me guiou até seu carro, abrindo a porta para mim como da última vez. Prestando bem atenção agora, enquanto revivo esse dia em minha mente, percebo que eu deveria ter notado que as coisas desandariam pelo simples fato que eu deixei você me dar um beijo no rosto. Aparentemente meu alerta mental não estava funcionando muito bem naquela noite.

— Não vai me falar aonde vamos? — perguntei, vendo ele negar com um gesto de cabeça.

— Não quero estragar a surpresa, mas não vai demorar para chegarmos, prometo — você disse e, em um movimento corajoso da sua parte, tirou uma das mãos do volante e apertou a minha, que estava sobre meu colo. Claro que o movimento corajoso foi o ato de tocar na minha mão, não de tirar a sua do volante, e podemos perceber de novo que a noite tinha tudo para ir na direção que eu não queria, já que meu consciente não reparou seu gesto até que suas mãos já estivessem de volta no volante, como se não fosse nada demais. Só que para mim era como se você tivesse ultrapassado mais uma das minhas barreiras, e eu tentava desesperadamente construí-las de novo. Só agora percebo que era tarde demais para isso.

Uma meia hora depois de muita conversa jogada fora chegamos em uma famosa casa de shows da cidade, o que me deixou mais curiosa ainda. Saímos do carro e você tentou me abraçar pela cintura, mas eu não daria esse gostinho à você — eu ainda tinha esperanças de que as poucas barreiras que me restavam seriam mantidas. A entrada do lugar já estaca aberta e você mostrou dois ingressos para os seguranças, que liberaram nossa passagem. Consegui pegar um dos ingressos da sua mão, arrancando uma risada sua, e li o nome da banda que veríamos, mas não conseguia acreditar direito. A banda estava na minha lista mental de favoritas e os ingressos para esse show haviam sido esgotados antes mesmo que eu pudesse tentar compra-los. Você sorria e me encarava, enquanto eu deveria estar com a cara mais boba do mundo.

— Como você conseguiu? Esses ingressos esgotaram há muito tempo! — exclamei sem conseguir parar de sorrir.

— Eu conheço algumas pessoas que me ajudaram com isso, não foi tão difícil — você explicou. Em um segundo de total insanidade eu te abracei, surpreendendo você e também eu mesma, mas não demorou muito para que seus braços estivessem em torno da minha cintura, me abraçando de volta.

— Obrigada — sussurrei em seu ouvido e vi você se arrepiar. Talvez tenha sido maldade, eu sei, mas não resisti e dei um beijo de leve em seu pescoço, vendo-o arrepiar ainda mais do que ainda, saindo dos seus braços em seguida.

— Ah, Naomi, não me provoca desse jeito — você reclamou, me fazendo rir.

— Vamos tentar ir mais perto do palco — falei mudando de assunto, já te puxando pelo braço, tentando passar entre as pessoas.

Logo o show começou e eu cantava junto com a cantora em todas as músicas e você, ao meu lado, também. Eu não sei dizer bem como e nem quando mas, em um momento enquanto eu dançava e cantava, você me virou, fazendo-me fitar seu rosto. Suas mãos estavam em minha cintura e as minhas em seu peito e eu podia ver seus olhos brilharem e um sorriso começar a brotar em seu rosto, enquanto eu deveria estar com uma expressão mais surpresa. Eu vi você se aproximando e eu simplesmente congelei. Talvez isso signifique que, no meu subconsciente, eu também queria isso mas, quando seu nariz estava encostado no meu e nossas bocas tão próximas, eu não consegui me mover quando você disse que, se eu não impedisse, você me beijaria. Assim, com uma das minhas bandas favoritas de fundo, aconteceu nosso primeiro beijo e, mesmo que eu não gostasse muito de admitir na época, o primeiro de muitos.

Aqui te entrego a terceira coisa que odeio em você: como você conseguiu me desarmar por completo com apenas um beijo.