Notas iniciais
Oizinho, espero que gostem do segundo capítulo :-)

Sabe, Alec, quando nos conhecemos eu não faria ideia que você fazia esse tipo de garoto: o que corre atrás de uma mesma garota que te dá um fora atrás do outro — mas claro que pegando outras 5 numa noite. Ponto pela persistência.

Você estava sempre lá me mandando alguma mensagem, tentando me fazer sair com você algum dia ou seja lá o que fosse e eu, obviamente, sempre negava. Entenda meu lado, Alec: eu não gostava de você. Nem um pouquinho. Na verdade, você chegava a me irritar com sua prepotência e toda essa sua auto-confiança. Só que, como não conseguia me convencer a sair com você por mensagem, em um belo domingo de sol você apareceu na porta da minha casa. E eu nunca te odiei tanto quanto naquele momento.

Meus pais tinham saído e eu, como sempre, não fiz a questão de ir junto, então fiquei na sala, enrolada numa coberta e lendo um livro qualquer ainda não lido da minha estante. De repente a campainha tocou e eu, mesmo surpresa, fui até a porta, perguntando quem era e quando ouvi sua voz respondendo, eu tive vontade de te dar um soco. Abri a porta com a minha maior cara de ódio para te ver lá, parado, com seu cabelo bagunçado, sua jaqueta de couro de sempre e o sorriso branco demais estampado no rosto.

— Que cara é essa? Não está feliz em me ver, docinho? — perguntou-me com a maior cara de pau do mundo, me fazendo revirar os olhos.

— O que você está fazendo aqui, Alec?

— Vim te buscar para passar a tarde mais maravilhosa da sua vida! Tire esse pijama e vamos logo que o dia é curto — era muito estranho essa sua confiança toda em que eu iria com você, que não receberia uma resposta negativa. Mas, sabe o que é mais estranho ainda? Eu fui.

Deixei espaço para você entrar e fechei a porta assim que o fez, indo para meu quarto. O dia estava razoavelmente quente — nunca entendi como você estava sempre com sua jaqueta de couro, faça chuva ou faça sol. Coloquei um shorts jeans qualquer, meu all star todo preto, uma camiseta listrada preta e branca e meu tão querido chapéu preto. Voltei para sala e peguei meu óculos de sol de cima da mesinha de centro e parei na sua frente do sofá, que me olhava sorrindo.

— Vamos logo antes que eu mude de ideia — e assim saímos pela porta, você ainda com um sorriso estampado no rosto. Parecia verdadeiramente empolgado por ter me convencido a sair com você.

Você abriu a porta do seu carro para eu entrar, como o completo cavalheiro que, bem, você não é. Eu não sabia nada sobre você além de seu primeiro nome. Não fazia ideia da sua idade, apesar de que descobri que você era de maior por dirigir, não sabia seus gostos e quem dirá seu último nome. Até onde eu sabia você poderia muito bem ser um psicopata e, bem, se fosse, eu estaria ferrada, pois ali estava eu, indo com você para onde quer que fosse. Eu me perguntava o que tinha dado em mim por ter aceitado aquilo.

— Então, Naomi, conte-me mais sobre você — pediu enquanto dirigia, sem tirar os olhos da estrada.

— O que você quer saber? — perguntei simplesmente.

— Vamos começar pelo básico então: quantos anos você tem? — eu não conseguia acreditar que você realmente estava fazendo isso, Alec. Eu nunca consegui acreditar que você queria mesmo me conhecer de verdade, porque, afinal, você só queria me levar pra cama como todas as outras, certo?

— 18 — respondi automaticamente.

— 5 anos mais nova… Gosto de garotas mais novas — falou rindo, o que me fez revirar os olhos. Você sempre comentou que eu tenho muito essa mania, de revirar os olhos, mas saiba que ela começou quando você entrou na minha vida. Impressionantemente você continuou com o questionário e com as mais variadas perguntas: onde eu nasci, minha cor favorita, minha banda favorita, coisas do tipo, e, sempre que eu respondia, você me contava sobre você também. Por mais que eu não goste de admitir, foi aí, nesse momento em que você tentava realmente me conhecer melhor, que você subiu pouquinho no meu nível — só um pouquinho, juro.

Depois de mais algum tempo com você dirigindo, percebi que estávamos do outro lado da cidade, onde você estacionava em frente de uma lanchonete com o maior estilo anos 50, nada que eu esperava vindo de você. Bem, para ser bem honesta, naquele momento eu não sabia o que esperar de você, mas eu pensava que você fazia o mesmo tipo dos outros garotos, os mesmos lugares sem graça e sem cor, só que você me impressionou. Sim, Alec, naquele nosso primeiro encontro (não que eu o tenha considerado bem um encontro, já que eu não estava nem um pouco afim da sua pessoa) você já havia me impressionado o pouquinho que fosse.

— Espero que goste daqui, é um lugar especial — você disse quando saímos do carro, entrando em seguida na lanchonete. O lugar por dentro era tão retrô quanto por fora, o chão quadriculado preto e branco, as mesas com sofás de couro vermelho… Tudo no lugar parecia ser mais antigo e eu havia amado. Eles até tinham uma daquelas Jukebox que eu sempre quisera ver pessoalmente! E é aqui que eu jogo a pergunta que eu sempre quis fazer à você, Alec: como você sabia que eu gostaria tanto daquele lugar? Eu me recusei a acreditar que havia sido sem querer, uma pura coincidência, você deveria saber previamente de algum modo que aquele lugar era como se fosse meu sonho.

— É lindo aqui — fui sincera. Eu não poderia soar muito empolgada, porque não queria que você pensasse que teria uma chance comigo, mas também não poderia ignorar o fato daquele lugar ser completamente maravilhoso. Você sorriu para mim, parecendo verdadeiramente contente com o fato de eu ter gostado da lanchonete, e nos dirigiu até uma mesa em um dos cantos, sentando em minha frente. Ponto pra você, de novo, Alec. Sempre odiei caras que teimassem em sentar do meu lado, não tem posição pior para conversar com alguém. Uma garçonete logo chegou para tirar nossos pedidos e eu mal tinha reparado no cardápio, mas você já pedia para nós dois.

— Um milkshake de morango e outro de chocolate e dois hambúrgueres clássicos da casa, por favor — pediu a moça loira que mascava um chiclete, tendo um semblante um tanto quanto entediado. Logo ela se retirou, sem dar uma palavra, e te olhei confusa, querendo saber o porquê de ter pedido por mim. Nunca entendi como, mas você sempre foi bom em interpretar meus olhares.

— Vai por mim, não tem melhor aqui — você disse, com um sorriso de canto. “Esse garoto está sempre sorrindo” eu pensava. E até hoje você continua assim.

— Espero que prefira o milkshake de morango, porque eu gosto mais de chocolate — falei, com um sorriso brincando em meus lábios.

— Que bom que acertei então, você tem cara de quem gosta mais de chocolate — e naquele momento você me deixou surpresa por ter adivinhado algo sobre mim assim, tão facilmente. Não falei nada e apenas me limitei a assentir e sorrir levemente.

Impressionantemente a conversa sempre fluiu naturalmente entre nós dois, coisa que eu jamais esperaria. Tínhamos mais ou menos o mesmo gosto para bandas, você, apesar de não gostar muito de ler, já tinha lido alguns de meus livros favoritos, e a tarde seguiu assim, conversas normais entre duas pessoas que estavam se conhecendo. Você ainda era um idiota aos meus olhos, sabia muito bem da sua famosa reputação entre minhas amigas, mas de repente não era mais tão idiota assim, um pouquinho legal. E, de pouquinho em pouquinho, você acabou se tornando uma pessoa interessante e eu não percebi que isso tinha acontecido até ser tarde demais.

Sabe, Alec, você era tudo o que eu não procurava em um cara. Tudo mesmo. Eu costumava a pensar que, se eu tivesse um tipo, não seria você, mas de alguma maneira você conquistou minha amizade pelo menos e isso já me deixava chocada demais, então imagina o que teria acontecido se alguém falasse para a Naomi do passado tudo o que ainda aconteceria entre a gente? Bom, eu riria, com toda a certeza do mundo, e mandaria a pessoa voltar a realidade, porque eu era eu e você era você, como água e óleo, não devíamos nos misturar. Mesmo com as poucas semelhanças que tínhamos em gostos, naquela tarde já percebi que, acima de tudo, éramos muito diferentes, e isso me fazia ter mais certeza de que nada aconteceria entre nós.

E aqui vai a segunda coisa que eu odeio em você: como você sempre bagunçou todas as minhas certezas, mostrando que, mesmo tudo dizendo que não, poderíamos dar certo sim.