As 5 Mortes de Helena
1 Prólogo
Notas iniciais
Escrevi esta história com o intuito de lembrar-me sempre de fazer a escolha certa. E porque de ser a certa.
Se você está passando por um momento difícil ou conheça alguém que esteja, espero que este relato também te ajude a fazer a melhor escolha.
E como sempre digo, fique à vontade para compatilhar algo nos comentários, se assim desejar. Pois as vezes só de compartilhar nossa angustia com alguém, já torna nosso fardo mais leve.
Helena acordou com os olhos marejados, a garganta ardendo e as mãos doendo, como se tivesse passado a noite agarrada a algo. Bebeu a água da garrafa que sempre deixava na cabeceira, tentando livrar-se daquela sensação de sufoco. Sentou-se na beirada da cama e lembrou-se de partes do que havia sonhado. Aquele mesmo pesadelo outra vez.
— Bom dia, meu amor – parado na porta do quarto, com uma caneca de café, Rafael sorria.
O esposo de Helena era uma das poucas razões para ela levantar todos os dias.
Tomaram café da manhã na sala, assistindo a estreia de uma série pela qual aguardavam ansiosos. Antes que Helena pudesse terminar o café, seu pai apareceu na janela como alguém que assalta uma conveniência.
— Bom dia. Rafa, o que tu vais fazer com aqueles blocos?
Helena se levantou e foi ao banheiro, pois sabia que seu pai tentaria mais uma vez mudar os planos dela a respeito da construção da garagem. Ele dizia que não era machista, que não era teimoso e nem um mal caráter infiel. Mas para a filha, estava estampado em sua testa como um letreiro neon de motel.
Mais tarde, perto do meio-dia, foi a vez de sua mãe aparecer. Helena se ocupava com o preparo do almoço e em ouvir as lamurias da mulher debruçada no balcão. Sempre se queixava de alguma dor, mas nunca fazia nada para melhorar, a verdade é que ela não queria, gostava de ser mais “sofrida” que os outros.
— Esse meu ombro nunca mais prestou, ai... ai.
Helena parou de tentar ajudar quando teve que fazer três meses de fisioterapia por um problema no joelho, e sua mãe só soube dizer o quanto o próprio joelho estava ruim. Ela não se importava com a filha doente, mas sim em como poderia usar aquilo para se depreciar ainda mais. Então Helena entendeu que sua mãe gostava de se inferiorizar para chamar atenção. Na linguagem popular, se fazer de coitada.
No fim da tarde Helena ligou para o irmão, perguntando se queria fazer algo a noite.
— Não vai dar mana, já tenho compromisso.
O compromisso era beber até cair com os amigos, que Helena tinha certeza de serem envolvidos com drogas. Mas ela já não podia fazer nada, os ideais e moral do querido irmão já haviam sido deturbadas pela razão arcaica e opressiva do pai.
No fim ele chegaria bêbado em casa vomitando por tudo, depois de ter batido o carro e quase matado a esposa de preocupação, prometendo-a que aquilo nunca mais se repetiria.
— O que você quer fazer? — Rafael perguntou, sentado na frente do vídeo game.
— Podemos jogar – Helena respondeu, sabendo que aquilo era o que ele queria.
No dia seguinte, certa do que iria fazer, Helena limpou toda a casa, lavou as roupas, cuidou do quintal. Anotou logins e senhas numa caderneta e a deixou sobre a mesa da sala. Fez uma torta de limão com chocolate, a preferida de Rafael, seria uma surpresa para quando ele chegasse do trabalho. Mais uma surpresa.
Helena se maquiou, colocou o vestido vermelho que ficava maravilhoso nela, pôs os brincos que ganhou do esposo no primeiro aniversário de casamento. Nos fones de ouvido, tocava a playlist de viagem. Abriu o registro do chuveiro e sentou-se no piso gelado. Mas não tão frio quando a lâmina da faca.
Dos pulsos fugia o líquido da mesma cor que o vestido. Quente e vívido.
Helena fechou os olhos, pois ficava enjoada ao ver sangue. Começou a cantarolar, com as costas apoiadas na parede de azulejos brancos, até que a fraqueza derrubasse seu corpo.
Notas finais
Até o próximo capítulo o/
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