Arrhythmia

3 003 - How Is She?


Notas iniciais
uuuuhhhhh mais um! x@greyanatoms

Chapter 003 – How Is She?- Owen’s POV

– Derek, a Scarlet? – Interceptei-o antes mesmo que ele pudesse sair do elevador.

– Ela teve uma noite difícil, vai se atrasar um pouco. – Falou sem parar de andar, tive que apressar meus passos para acompanhá-lo.

– O que aconteceu? – Eu estava realmente preocupado, mais do que achei que ficaria.

– Owen. – Ele disse parando, fazendo-me parar também. – Isso é um assunto que ela não gosta de falar, não pergunte mais.

– Mas eu posso ajudar de alguma forma? – Minha preocupação era genuína.

– Dê um pouco de espaço para ela. – Derek deu um tapinha em meu ombro antes de se afastar. Quando fiz sinal com a cabeça concordando, ele já estava longe.

Durante todo o tempo, andei pelos corredores fazendo meu trabalho, ou pelo menos fingindo. Minha cabeça estava distante, estava em Scarlet. Isso era estranho, eu mal a conhecia e meu nível de preocupação com ela estava me deixando inquieto. A imagem dela chorando quando viu a paciente do dia anterior parecia ter sido tatuada em meus olhos, era tudo que eu enxergava. Levantei o rosto da minha prancheta logo que percebi que estava entrando na emergência. Meus olhos logo fixaram nos cabelos castanhos da Dra. Hills. Ela corria em direção a entrada das ambulâncias, com muita pressa.

– Kepner, o que aconteceu? – Parei April antes que ela chegasse até as ambulâncias.

– Um casal foi saltar de paraquedas. – Fez uma pausa olhando para os corpos sendo tirados da ambulância. – Parece que não deu muito certo.

– ESVAZIEM AS SALAS DE TRAUMA E ABRAM CAMINHO! – Falei puxando uma das macas.

Entrei na sala de trauma um, seguido de Scarlet que já ordenava milhares de exames e procedimentos para enfermeiras, internos e para quem mais estivesse ali. Fiz o mesmo. Alguns minutos depois que estabilizamos a paciente, subimos para cirurgia.

No elevador, eu e Scarlet estávamos um de frente para o outro. Meus olhos não conseguiam olhar para outra coisa a não ser ela. Por mais que eu quisesse, não conseguia parar. Ela estava sem jeito, olhava para mim e depois desviava o olhar até seus sapatos. Pude ver sua bochecha ficar rosa embaixo da máscara.

Estávamos os dois em um silêncio irritante, e nada dos quatro minutos para lavar as mãos e braços acabassem. Ela fazia tudo muito rápido, querendo sair logo dali. Resolvi quebrar o gelo, talvez conseguisse descobrir alguma coisa.

– Está tudo bem? – Questionei, virando-me para ver sua reação.

– Owen, eu não vou contar nada sobre ontem, por favor, para de perguntar. – Fechou os olhos e respirou fundo, segurando uma explosão.

– Eu realmente só queria saber se você esta bem. – Fui o mais sincero que podia. – Derek disse que você teve uma noite difícil.

– Estou bem, estou radiante. – Tirou a máscara com força, como se estivesse impedindo-a de respirar. – Pare de perguntar se estou bem ou o que aconteceu. Eu não te devo explicações da minha vida pessoal, se eu quisesse te contar, eu contaria, me dá um pouco de espaço, por favor.

– Dra. Hills você me deve explicações sim, você trabalha no meu hospital e se o que estiver te afetando prejudica os meus pacientes, eu preciso saber o que é. – Comecei a sentir meu sangue ferver, fazendo-me jogar a sabonete com força dentro da pia.

– Desculpa, Chefe. – Mencionou meu cargo com desdenho. – Parece que vamos voltar para história de ontem na qual eu fui responsável pela morte da garota não é mesmo? Não sou do tipo de pessoa que recebe ordens quando está operando.

– Olha Scarlet, não foi isso que eu quis dizer. – Perguntei indignado. – Quer saber, esquece. Só queria saber se poderia ajuda-la de alguma maneira.

– Se eu precisasse de ajuda, eu teria pedido. – Voltou a colocar a máscara, indo para perto da paciente.

A cirurgia passou, ninguém disse nenhuma palavra. Os enfermeiros se olhavam, esperando que começássemos uma discussão. Como sempre, todos nos hospital já estavam sabendo que eu e a Dra. Hills andávamos tendo algumas discussões. Única coisa que quebrava o silêncio ensurdecedor de vez em nunca, era quando a residente de Scarlet fazia perguntas.

– Edwards, pode fechar para mim. – Scarlet afastou-se do corpo, tirou a lanterna do topo da cabeça, as luvas e saiu da sala de operação.

Meu trabalho no abdômen da garota ainda levaria mais algumas horas, por isso, respirei o mais fundo do que podia, estiquei um pouco o corpo e voltei para a paciente.

Scarlet’s POV

– Eu não aguento mais o Owen perguntando o que aconteceu ou se está tudo bem. – Desabafei com Amy, aproveitando meu café.

– Ele não faz por mal, Hunt realmente se importa. – Defendeu-o.

– Espera ai, você não está defendendo ele, esta? – Arqueei minhas duas sobrancelhas, mas ela não se intimidou.

– Não é questão de defender. – Endireitou-se na cadeira. – Na primeira semana que vim para cá, todo mundo ficou sabendo dos meus problemas e o hospital inteiro estava contra mim, ele me ajudou depois que contei tudo para ele, mas claro, ele já tinha escutado da boca do hospital inteiro.

– Você acha que devo contar o que aconteceu comigo? – Agora eu estava realmente arrependida por ter sido tão dura com ele.

– Isso é uma escolha sua, mas Owen é veterano da guerra do Iraque Scar, viu grande parte de seus companheiros morrer em suas mãos, enquanto ele tentava ajuda-los. – Acariciou meu ombro. – Quando ele chegou aqui, foi difícil de se adaptar, o trauma que ele passou foi maior do que a gente pode imaginar. Isso foi o Derek que me contou. – Deu um sorriso carinhoso. – Quem sabe você não precise contar, mas talvez seja bom tê-lo ao seu lado.

– Acho que você está certa. – Olhei para minhas mãos, estava com vergonha de mim mesma por ter sido tão infantil.

– Claro que estou. – Gabou-se antes que eu levantasse para ir resolver essa situação.

Owen não estava em nenhuma das salas que olhei, em nenhum dos corredores que passei e nenhuma pessoa que perguntei sabia onde encontrá-lo. Resolvi esperar até que nossos caminhos se cruzassem de novo durante o dia, mas com certeza agora que eu queria isso, não iria acontecer. Olhei para sala de descanso, senti meus olhos pensarem imediatamente. Não seria nada mal dormir um pouco depois da longa cirurgia que enfrentei pela manhã.

Deixei minha cabeça afundar no travesseiro e meu corpo se esquentar embaixo da manta que era igual em todas as camas. Fechei os olhos, minha respiração desacelerou, adormeci. E lá estava ele de novo, o mesmo pesadelo da noite anterior.

Owen’s POV

Sai da cirurgia com a cabeça meio zonza tanto por causa de cirurgia e também por causa de Scarlet. Aquela mulher era difícil, para não dizer impossível. Amélia me abordou assim que cheguei no refeitório, meu estômago estava vazio e reclamava por isso.

– Scarlet falou com você? – Ela parecia animada.

– Bom, da última vez que conversamos achei que ela ia avançar em mim. – Agora eu estava realmente confuso.

– Ela saiu daqui faz uma meia hora atrás de você. – O sorriso em seu rosto só aumentava.

– Amélia, por que está com essa cara? – Só queria entender a situação.

– Só adoro quando eu estou certa. – Piscou para mim e saiu antes que eu fizesse mais umas cem perguntas, no mínimo.

A fome que eu estava sentindo sumiu imediatamente, sendo substituída por uma curiosidade que deixava-me sem ar. Sai apressado do refeitório, perguntando para todo mundo se alguém havia visto a Dra. Hills. Ninguém sabia responder. Comecei a ficar desesperado. Estava correndo pelos corredores, mesmo isso sendo contra uma das minhas regras. Um grupo de enfermeiras estavam paradas perto de uma sala de descanso, cochichavam e riam de alguma coisa.

– Senhoras, posso saber o que está acontecendo? – Parei atrás delas, assustando-as.

– Desculpa Chefe, mas tem alguém realmente se divertindo ai dentro, estamos ouvindo os gritos daqui. – Quando uma delas respondeu, senti meu rosto ruborizar de vergonha e raiva.

– Vou resolver isso. – Fui em direção a maçaneta da porta, podia sentir os olhos das enfermeiras quase saltarem de seus rostos para saber quem estava no quarto. – VOLTEM AO TRABALHO!

Eu sabia que casais aproveitam as salas de descansos para outras coisas além de dormir, mas isso já estava passando dos limites. Fui inclinado a ter que interromper, não que isso fosse agradável. Abri a porta toda de uma vez, pronto para dar um susto no casal. Quem levou um susto fui eu.

Scarlet debatia-se na cama. Seu corpo inteiro tremia, ela suava tanto que o lençol embaixo dela estava encharcado. Seus olhos estavam fechados com muito força, como se ela não quisesse presenciar alguma coisa.

– ME LARGA! – Ela gritou desesperada, e deu um chute no ar.

Depois de entender o que estava acontecendo, fechei a porta atrás de mim e corri para acordá-la. Sacudi-a com delicadeza, esperando que ela abrisse os olhos.

– Scarlet, acorda. – Falei quando ela se acalmou. Segurei-a em meus braços, tirando seu cabelo suado do rosto. – Vamos lá.

Alguns segundos depois, seus olhos começaram a abrir devagar. Ela piscou algumas vezes, como se estivesse voltando de um lugar distante. Olhou ao redor, para lembrar onde estava.

– Está tudo bem, já passou. – Tentei ajudar, ainda sem tirá-la dos meus braços.

– O que aconteceu? – Perguntou confusa, tentando se sentar.

– Pareceu-me que você estava tendo um pesadelo. – Tirei minhas mãos dela quando tive certeza que ela já estava bem o suficiente para não cair da cama. – Foi isso que aconteceu na noite passada?

– Foi. – Respondeu envergonhada, passando as mãos no rosto e colocando todo cabelo para trás.

Pela primeira vez parei para prestar atenção em sua aparência. Era magra, mas não magra do jeito ruim. Era uma magra que tinha pernas bonitas e as maçãs do rosto coradas. Seus dedos da mão eram finos e elegantes, com as unhas bem feitas. Seus olhos eram de uma beleza inexplicável, imensidões verdes que pareciam ler minha alma quando ela me encarava. Sua boca era grossa, fazendo meu corpo todo desejar beijá-la. Os cabelos eram espessos e brilhosos, dava vontade de afundar meu rosto neles. O perfume que exalava de seu corpo era uma coisa doce, agradável. Eram tantos detalhes que não consegui raciocinar rápido o bastante. Minhas mãos estavam formigando para tocá-la, sentir sua pele, e eu estava pronto para faze-lo. Então, ela começou a chorar.

– Ei, o que houve? – Botei minha mão embaixo de seu queixo, levantando seu rosto em minha direção.

– Eu não posso contar. – Fechou os olhos, as lágrimas continuavam a escorrer de seus olhos.

Ela continuava linda, mesmo embaixo de todas aquelas lágrimas e a maquiagem que escorria em seu rosto. Continuava simplesmente... Linda.

– Eu quero te ajudar. – Tentei novamente. Não saber o que deixava-a assim estava acabando com o resto de sanidade que eu ainda tinha.

– Quero te contar, quero mesmo. – Suspirou pesado. – De alguma forma sei que posso confiar em você, mas eu não consigo. Não estou preparada para isso.

– Já passei por isso, sei como esta se sentindo. – Afaguei seu braço com delicadeza. – Acredite, quanto mais cedo você desabafar, melhor. Demore o tempo que precisar, eu vou esperar ok? – Ela apenas assentiu, então achei que seria hora de deixá-la sozinha. Levantei-me, pronto para sair do quarto.

– Owen. – Sua mão apertou meu braço com força, foi como levar um choque. – Desculpa por estar sendo tão idiota.

– Não tem problema. Se você gritar e descontar em mim, te ajudar a superar isso, então esta tudo bem, eu aceito. – Consegui fazê-la sorrir. – Qualquer coisa que precisar, conta comigo.

– Qualquer coisa? – Ela se abraçou, como quem se protege do frio.

– O que você quiser. – Concordei, tentando deixa-la segura e fazer com que ela confiasse em mim.

– Me abraça. – Ela não precisou pedir duas vezes.

Scarlet’s POV

Seus braços começaram a me envolver bem devagar, como se a qualquer momento eu pudesse surtar e começar outra briga, mas não o fiz. Finalmente, ele fechou-me contra seu peito e respirei fundo. Depois de muito tempo, me senti segura novamente. Eu conhecia-o apenas há três dias, havíamos tido apenas uma ou duas conversas civilizadas e mesmo assim, eu poderia morrer ali naquele abraço sem me importar com mais nada. Seus braços eram fortes e carinhosos. A respiração dele era calma, a sensação dela batendo perto do meu ouvido era aconchegante. O cheiro dele era inebriante, estava me sentindo até um pouco tonta. Não queria sair dali nunca.

O celular dele começou a vibrar em contato com meu corpo, tivemos que nos separar. Segurei um grito implorando para que ele ficasse, mas ele não podia. Ele olhou o celular e fez uma cara triste.

– Tenho que ir, depois continuamos? – Deixou sua mão em meu ombro, dando seu sorrisinho que mostrava só a ponta de seus dentes. Nem preciso dizer, mas derreti.

– Sim. – Sorri de volta da melhor maneira que podia, vendo ele sair do quarto, fechando a porta atrás de si.

Não sabia muito bem o que ele queria continuar, eu nem estava entendendo direito o que tinha acabado de acontecer, mas o que quer que fosse, eu queria continuar. Queria continuar com todas as minhas forças. Só de pensar em continuar minha respiração ficou pesada. Eu estava tão atraída por ele que meu corpo parecia estar gritando comigo por não ter devorado seu lábios. Isso era tão estranho, eu não sabia quase nada sobre ele, a cada dez palavras, onze viram brigas.

Ele era de tirar o fôlego, pensei comigo quando tentei dar um jeito em meus olhos inchados. Seus cabelos ruivos, os olhos profundos, a boca fina embaixo da barba, a pequena cicatriz entre os olhos, o cheiro que não parecia ser nenhum perfume, parecia vim diretamente dele era de entontecer. O jeito como queria cuidar de mim faria qualquer uma cair de amores por ele, assim como eu me encontrava no momento.

– Se controla Scarlet. – Disse para mim mesma, ali no quarto vazio. – É só mais um homem lindo e gostoso, como os outros.

Não estava em meus planos querer alguém, não estava em meus planos gostar de alguém, não estava em meus planos Owen Hunt. A quem eu queria enganar? Ele não era qualquer um.

Notas finais
qro os comentários einnn