Arrest the Memory
6 Invertendo
Notas iniciais
Meu Deus, enfim.... Aposto como nem sentiram falta, né? kkkkkk
Aham, olhem... A música que o Kaito canta na hora lá embaixo se chama Rose+Thorn.
Frescurites pra depois... V'mbora ler!
Boa leitura! o/
Eu irei continuar fazendo preces, pedindo por isso
Mesmo que eu saiba que isso é um pecado...
Kaito fechou a porta do seu quarto com força. Correu para o banheiro – derrubando algumas coisas no caminho – e lavou incessantemente os olhos, que já estavam inchados. Sentiu uma leve tontura e encostou-se a parede para não cair, deslizando aos poucos até o chão. Apertou a região entre os olhos com o indicador e o polegar.Estava com dor de cabeça, e tentava ao máximo amenizar a dor. Ficou um tempo ali e parou para pensar no que tinha feito. Gakupo amava aquele cabelo com todas as forças, sem contar que era uma das marcas dele. Nesse sentido, o que os fãs iriam achar desse novo visual dele? Além de ser um exibido, ele era muito vaidoso. Uma vez, o viu ficar 1 hora em frente ao espelho ajeitando apenas a posição da franja do modo que gostasse. Riu levemente. E no final a franja ficou do jeito que estava antes.
Lembrou-se também que na hora em que ele terminou de ajeitar-se, Kaito bagunçou-a novamente. A ira de Gakupo foi tão grande, que precisou se esconder dele por 2 dias. Ao lembrar-se disso, percebeu que já estava gostando dele nesse tempo, o que fazia... Mais de 1 ano, desde que o conheceu. Outra lágrima desceu solitariamente pelo rosto do garoto, que a limpou com a costa do braço. Para se ter outra ideia... Um dia desses, Gakupo brincava com as berinjelas-cavalinho dele, e Kaito chegou por trás e – com a tesoura – cortou duas mechas de cabelo dele para “fazer macumba”. O olhar dele foi tão assustador que teve muitos pesadelos depois disso, além de ter ido parar no médico. Mas também... Para Kaito... Ser amarrado, e ter um Gakupo queimando a cera de uma vela em cima de seu corpo, não foi legal...
Ah! Além de masoquista é sádico.
Passou mais uma vez a mão sobre o rosto e levantou-se para olhar no espelho. Olhou o relógio de pulso e suspirou. Não poderia ir almoçar com os olhos vermelhos e semi-cerrados desse jeito. Ouviu alguém bater na porta e levou um susto. Correu de um lado pro outro antes de sair do banheiro e tropeçou nas próprias pernas, batendo de cara no chão. Levantou-se com a mão no nariz e viu alguns vasos e prateleiras caídas. Pôs a mão na boca pra não gritar e jogou rapidamente aquelas coisas embaixo da cama. Ouviu novamente as batidas.
- J-já vai!
Ia abrir a porta quando se lembrou dos olhos inchados. Deu meia volta e correu até o guarda-roupa. Jogou algumas roupas no chão e pegou óculos escuros ali dentro. Pôs no rosto, e correu novamente até a porta.
- Ah! As roupas!
Jogou as roupas de volta no armário e tropeçou novamente. As batidas ficaram mais insistentes. Segurou o nariz e conseguiu abrir a porta, revelando Miku que esperava pacientemente do lado de fora. Ao vê-lo, ela arregalou os olhos.
- A-ah. Oi, Miku. – ele sorriu e se apoiou em falso na porta, caindo no chão.
Ela não sabia se ria ou ficava preocupada.
Ele estava com o cabelo bagunçado e nariz sangrando, além de que ela não achou nenhum sentido pros óculos escuros dentro de um quarto com as cortinas fechadas. Será se ele estava praticando? Mas e o nariz sangrando?
- Kaito-kun... Er... Posso entrar?
- Pode. – ele virou-se e andou para dentro.
Ela fechou a porta e pôs os braços para trás do corpo, observando o quarto. Havia algumas gotas de sangue no chão e alguns cacos de vidro perto da parede. Fez uma careta e depois sorriu. Olhou para Kaito e este estava sentado na cama, coçando os olhos por baixo dos óculos.
- Mas então... Precisa de algo?
- Eu vim aqui para ver como você estava.
- ... Estou bem. – ele respondeu simplesmente.
Ela olhou-o preocupada e se aproximou.
- Por que está nervoso? Por que ainda não foi almoçar? E por que seu nariz está sangrando?
- Ei, ei. Isso é um interrogatório? – ele riu brevemente.
- São perguntas essenciais. – ela cruzou os braços.
- Eu estou sem fome. – ele olhou pra baixo.
Rapidamente, ela puxou os óculos de seu rosto, porém ele permaneceu de cabeça baixa. Ela levantou o queixo de Kaito com os dedos e mirou seus olhos. Estavam inchados e vermelhos. Ela suspirou e franziu o cenho, sentando-se na cama também.
- Kaito-kun... Não foi sua culpa.
- Claro que foi. Eu me exaltei. – ele sentiu o queixo pesar, então olhou para o outro lado, tentando esconder a boca trêmula.
- Mas por que você se exaltou? É essa a pergunta que eu queria fazer.
Ele não respondeu nada, já que nem ele sabia direito como explicar. Além de que... Não podia explicar, ninguém poderia saber de seu relacionamento com Gakupo. Só não entendia o porquê de ter se sentido ameaçado com Luka perto da pessoa que gostava. Miku sacudiu-o levemente, fazendo-o piscar várias vezes.
- É que eu queria a sala azul. E Gakupo e Luka estavam pintando de roxo e rosa.
A garota riu, segurando a barriga.
- Meu Deus, que infantil! Mas por que chamou o Gakupo-san de “traíra”?
Kaito perdeu seu olhar em algum canto do quarto. As palavras saíram automaticamente naquela hora, e não conseguiu controlar os próprios sentimentos.
- Por que eu tinha pedido a ele para não pintar a sala de roxo, e mesmo assim ele fez.
- Aí você chorou? – ela cruzou os braços, ironicamente.
Ele olhou-a indiferentemente. Não era tão bom assim em mentir. Estava ficando sem desculpas coerentes.
- É que eu me lembrei da morte do meu personagem favorito no mangá que eu estou lendo. – cruzou os braços também.
- O quê? Em um momento daquele? – ela riu. – Mas... Você está chorando por se sentir culpado do cabelo dele estar cheio de chiclete agora? Quer saber o que eu acho?
Ele fitou-a curiosamente.
- Você deve pedir desculpas pra ele.
Kaito se levantou e correu pra longe da menina.
- Hããã? Eu? Pedir desculpas pra ele? Isso seria uma derrota!
- Derrota por quê? Vocês estão em guerra, por acaso?
- Bom... Pode se dizer que sim. – ele olhou pra cima e pôs o dedo sobre o lábio, contornando-o.
Miku balançou a cabeça e riu. Levantou-se e ajeitou a roupa.
- Você não quer mesmo comer, Kaito-kun?
- Ah, não. Eu como depois. – ele sorriu.
- Então tabom. Ja ne!
Ela saiu aos pulos e, sem perceber, derrubou um pequeno livro. Kaito fechou a porta e permaneceu um tempo ali, com a mão na maçaneta. Olhou novamente para o relógio e sacudiu o braço para ajeitá-lo. Quando ia dirigir-se à cama, tropeçou.
- Mas que... – apertou o nariz. – Será se eu to com os cadarços soltos?
Kaito olhou para baixo e viu que nem sequer usava sapatos. Uma gota desceu pela testa dele. Olhou para trás e viu um livro pequeno e verde.
- Ah. Miku deve ter esquecido. Vou devolv-
Ele abriu-o e percebeu algumas anotações. Não era um diário, já que folheou e não viu nenhuma página com datas específicas ou relatos, somente fotos dos vocaloids. Abriu exatamente na página 31 e viu uma foto de Gakupo. Ele sorria levemente, estava com seu traje de samurai característico e as pernas cruzadas enquanto lia um livro, o fundo era o jardim da empresa. Embaixo havia a data de nascimento, o seiyuu, o ícone, um comentário pessoal de Miku e a personalidade dele. Virou novamente para ver se as fotos eram frente-costa e ao ver que não, inconscientemente, arrancou a página dali. Correu até o criado-mudo e puxou de uma das gavetas, uma moldura preta e pequena. Ajustou a foto ali. Ajoelhou-se e segurou a moldura, observando-a por um tempo.
Mais parecia uma pintura. Tocou a parte onde tinha o rosto de Gakupo com a ponta dos dedos, como se pudesse senti-lo. Estalou a língua e sentiu o queixo pesar novamente.
- Tsc. Por que eu sou tão idiota? – Passou a costa do dedo indicador sobre o olho, mas não conseguiu evitar algumas lágrimas.
Como ficou cansado de andar, tentou pegar o celular em cima da cama com o pé, mas não alcançou. Então, tentou ligar o rádio com o dedo do pé, mas também não conseguiu. Fez o mesmo gesto que o Homem-Aranha e apontou para o celular, na esperança de que saísse teias dali e trouxessem o aparelho. Bateu a mão na testa e suspirou derrotado.
Passou as músicas para escolher qualquer uma que quisesse escutar. Já que não poderia falar com Gakupo, precisava ao menos ouvir sua voz... Mas...
A Doll’s Voice.mp3
Bloody Fang.mp3
Boys Don’t Cry.mp3
Cantarella (feat. Gakupo).mp3
Corridors of Time.mp3
Dancing Samurai.mp3
Episode 0.mp3
Invisible (feat. Gakupo).mp3
Joker.mp3
Madness of Duke Venomania.mp3
Matryoshka (feat. Gakupo).mp3
Nishiki no Mai.mp3
Paranoid Doll.mp3
...
- Mas por que diabos eu só tenho música dele? – Kaito passou desesperadamente todas as músicas, e a única diferente que encontrou foi Sweet’s Beast.
Seu rosto corou violentamente, ao se descobrir um stalker amador. Escondeu o rosto com as mãos e deitou, desistindo de escutar música. Sentiu os olhos pesarem, ajeitou-se na cama e não tardou a dormir.
.....
Kaito acordou com batidas na porta, espantou-se e pulou da cama. Não ouviu ninguém chamá-lo, somente as batidas – e estas pareciam mais um ritmo de uma música. Correu até o relógio e viu que era quase 18h30 da tarde. Abriu a porta rapidamente e olhou para fora, não vendo ninguém.
- Que estranho. Será se to ficando doido? – coçou a cabeça.
- “Será?” Tenho certeza.
Ouviu uma voz vinda de baixo, e lentamente abaixou o olhar, já cheio de ira.
- Len... – disse desgostoso.
- Oi pra você também. – Len cruzou os braços. – É assim que você trata quem vem aqui no seu quarto gastar tempo pra te ver?
- Não costumo receber capetinhas. – sorriu ironicamente.
- Ahahaha, que engraçado. Também não costumo visitar revoltados.
Kaito estalou a língua.
- O que você quer aqui?
- Hmm. – Len olhou para as próprias unhas indiferentemente. – Você viu o Gakupo-sama depois daquilo?
- Você veio aqui só pra jogar na minha cara? – franziu a sobrancelha.
- Quer dizer que agora preciso jogar na sua cara que você é um idiota? Achei que Gakupo-sama já tinha dado conta disso pra mim. – sorriu.
Kaito limpou a garganta com uma tosse forte.
- Seu... – inspirou fundo e expirou pela boca.
- Ah. Por que não foi almoçar hoje? Tava ocupado tendo seus ataques de mariquinha?
- Isso não é da sua conta, demônio em pessoa!
Len enrolou uma mecha de cabelo e ficou em pé corretamente.
- É bom que você não tenha passado o dia com aquela pessoa.
- Com quem? – Kaito olhou-o como se fosse matá-lo. – E quem aquela pessoa é para você?
- Isso depende de quem é pra você. – Len retribuiu o olhar.
Passaram-se alguns segundos de silêncio e Len tirou um pote do bolso.
- Eu trouxe um presentinho. – sorriu sadicamente.
Kaito arregalou os olhos e tentou fechar a porta, mas Len foi mais rápido. O mais novo abriu o pote e jogou tinta azul no rosto do mais velho.
- Que desgraça você fez? – tentava limpar o rosto com a mão, inutilmente.
- Isso não chega nem perto do que você fez para ele. – Len saiu, rindo perversamente.
Kaito fechou a porta de madeira com tamanha força que quase quebrou. Seus olhos ficaram marejados novamente ao lembrar-se de Gakupo. Foi até o banheiro e passou 10 minutos tirando a tinta do rosto, enquanto chorava. Ouviu batidas, novamente, na porta, e andou rapidamente – quase correndo – até ela.
- Esse desgraçado, filho de uma mãe e um pai, esquecido pelo diabo aqui na terra vai me pagar!
Ele abriu a porta bruscamente.
- O que você quer, Len? – gritou.
...
Prendeu a respiração.
- Are are, parece que você teve uma briga com o Len-dono de novo.
- ...
- Eu o vi passando, rindo como um rei e agora vejo você com raiva e gritando. Como isso é previsível! – cruzou os braços e deu seu costumeiro sorriso.
— ...
- Se bem que ele ficou com essa mesma expressão que você está agora quando me viu.
- ...
- Seu BaKaito, você vai me deixar mesmo falando sozinho?
- Ga... – sussurrou.
Gakupo empurrou o queixo de Kaito para cima e fechou a boca do outro com ambas as mãos.
- Ahahaha. Ajeita isso, parece um pato.
- V-você... – Kaito segurou-se para não chorar. – Não está com... Com Ra...
- Com raiva de você? – completou.
Kaito assentiu levemente.
- Ah... Não muito, é suportável. – riu brevemente. – As suas lerdices passaram do limite, mas acho que isso...
Ele viu que Kaito começara a chorar.
- Me... Desculpe. Eu sabia que você gostava daquele cabelo, e vê-lo assim... Curto...
- Ah não, não! Tá tudo bem. – balançou as mãos.
Gakupo suspendeu os fios repicados no final do pescoço.
- Você gostou? – sorriu.
- E-eu... Gostei! Ficou muito bonito. – tentava olhar nos olhos do outro, mas era difícil.
- Ah. Se você gostou, então tudo bem. Também achei bem inovador. – mexia e enrolava os fios. – Quem cortou para mim foi Kiyoteru-san. Ele disse que os fãs teriam uma surpresa. Haha!
Kaito levantou os olhos e sorriu tristemente. Gakupo aproximou seu rosto do de Kaito e roçou seu nariz com o dele, em um gesto carinhoso. Kaito corou levemente e sentiu o coração acelerar.
- Ah. Tem uma mancha de tinta aqui. – Gakupo passou o dedo do lado do olho de Kaito e tirou a mancha com a unha.
- V-você... Me desculpa? – Kaito bateu os dedos.
Gakupo arqueou uma sobrancelha e passou a mão no queixo, como se pensasse.
- Aah. Você é fofo! Não posso dizer “não”. – abraçou o companheiro.
Kaito o empurrou.
- Quem é você e o que fez com o Gakupo?
- “Boku wa Paranoia” – piscou um dos olhos.
Os dois começaram a rir descontroladamente.
- Que tosco! Você ficou louco? Por que está tão feliz?
- É que eu finalmente vou poder te mostrar o que estava devendo há 2 dias.
Kaito cruzou os braços.
- E o que era?
Gakupo pegou na mão do outro e puxou-o levemente para o elevador. Kaito olhou o relógio e viu que este marcava 19h30. Mas já? Passou... Rápido. Somente agora havia notado a roupa do outro. Ele trajava uma calça esportiva preta, camisa branca de manga até a curva do braço e um cachecol lilás de tecido grosso.
Ele pareceu levá-lo para o que era o último andar do prédio. Lá não tinha, absolutamente, nada. Apenas paredes e uma escada enorme, além do elevador.
- O que diacho você vai fazer comigo? – Kaito deu um passo para trás.
- Aqui não é exatamente o último andar. O que eu vou te mostrar é o que tem em cima disso aqui. – ele bateu na lanterna que segurava, para funcionar melhor.
- Aí... O que você vai fazer comigo? – insistiu
- Não se preocupe, BaKaito. Eu não vou te estuprar. – riu, e puxou-o novamente.
Os dois subiram dois lances de escadas e chegaram a uma pequena porta. Gakupo teve que se abaixar para conseguir passar.
A vista que qualquer pessoa teria era de Tokyo inteira, já que aquele prédio era alto demais. Kaito teve uma pequena falta de ar e sentou-se no chão, Gakupo abraçou-o e colocou o seu próprio cachecol em Kaito – estava muito frio e o ar estava rarefeito.
- Tudo bem?
Ambos arfaram.
- Sim. Está melhorando. – Kaito se apoiou no outro e levantou.
Gakupo ajudou-o a se deslocar até duas cadeiras que estavam ali e um pote que continha algo dentro, em cima de uma mesa. Kaito corou ao ver que ele tinha preparado tudo. Sentaram-se lado a lado e observaram a vista. Podiam ver a torre de Tokyo dali e algumas pessoas indo para lá e para cá na rua como pequenas formigas. O movimento dos carros cessando e as lojas fechando por conta da hora. Parecia um mar de luzes de tal altura.
Just a tiny piece I have come to find
Goes a long, long way to change my mind
Kaito suspirou e sorriu levemente. Olhou para o lado e observou as feições de seu companheiro. A cabeça pendendo para o lado e o ombro encolhido por conta do frio, ele abraçava o próprio corpo e saía um pouco de fumaça de suas narinas. Ele buscava o cabelo para aquecer a si mesmo, mas lembrou-se de que havia cortado.
Right from the start I have always known
That the day would come when I'd end up up alone
So
- V-você não quer o cachecol? Não estou com tanto frio assim. – batia os dentes enquanto forçava um sorriso.
Gakupo virou-se para ele e sorriu de um jeito levemente malicioso. Puxou Kaito pelo cachecol e tirou uma parte, como se fosse pegá-lo de volta. Mas, ao invés disso, colocou o cachecol de modo que ambos ficassem unidos por ele.
Don't Speak
Don't Cry
'Til you say
Your Goodbye
Cause
At the end
When it's time for you to go
I want you to know
- Viu? Hahaha! Não sou um gênio? Agora estamos aquecidos.
Kaito escondeu o rosto com as mãos de tanta vergonha, e Gakupo abraçou-o ainda rindo. Ele retribuiu o abraço e sentiu o calor de seu corpo. Ah... Como se sentia feliz perto dele, como nunca antes. Apertou ainda mais os braços ao redor do pescoço dele e inspirou seu cheiro.
For every time I cried I laughed a little
For every time it hurt I smiled a little
Even when things were bad
I was never really sad
Now I'll say "good-bye"
To the love that I had
Gakupo virou o rosto e separou-se do outro. Passou o indicador levemente no rosto de Kaito.
- Por que está sorrindo?
- Ah. Não posso mais sorrir não? – fez um bico e virou o rosto corado para o outro lado.
- Pode – riu. – Mas queria saber por quê.
Kaito não respondeu, porque ele mesmo não sabia de onde vinha aquela vontade de sorrir. O calor que sentia em seu peito era reconfortante e isso o fazia ficar confuso e sem reação.
There's a tiny piece I have kept alive
So when that day comes you won't see me cry
Gakupo levantou-se e pegou o pote, dando-o a Kaito. Este abriu e viu que era sorvete. Seus olhos brilharam já que, mesmo estando frio, ainda tomava sorvete. Pegou uma colher grudada com fita adesiva do lado e começou a comer. Cantarolava a melodia de uma música que veio em sua cabeça naquele momento. O mais velho olhou-o intrigado já que não conhecia a música e ajeitou-se melhor, saindo um pouco de perto.
When it's over, then I will let it die
With the knowledge that it once was mine
So
- De quem é essa música?
- Ah... Minha. – sorriu, ainda comendo e cantarolando.
- Ah. – cruzou os braços e esperou.
Kaito continuou levando a colher à boca.
- Não vai cantar pra mim?
- O que? Mas eu to comendo.
Gakupo continuou sério, o que fez Kaito suspirar e deixar o sorvete de lado. Olhou para as luzes da cidade.
Don’t say
A word
Cause I know
It’s over
And
At the end
When it’s time
For you to go
I want you to know
O mais velho se impressionou com a leveza com que Kaito cantava. Nunca imaginou ele cantando uma música lenta e romântica. Ele tinha um sorriso bobo nos lábios enquanto cantava, parecia realmente estar apaixonado. Gakupo coçou a nuca, quase sem jeito e virou o rosto para o outro lado.
For every time I cried I laughed a little
For every time it hurt I smiled a little
Even when things were bad
I was never really sad
Now I’ll say “good-bye”
To the love that I had
Kaito encostou a cabeça no ombro do outro e continuou comendo o sorvete. Olhou para o rosto de Gakupo e viu seu nariz ficando vermelho. Levou a mão até ele e segurou-o.
- O que está fazendo, BaKaito?
- Fala alguma coisa. – apertou o nariz.
- “Alguma coisa”.
Kaito caiu no chão de rir, segurando a barriga fortemente.
- O que foi? – Gakupo pôs a mão na boca e depois no nariz.
- Meu Deus, sua voz ficou ainda mais gripada! – disse limpando as gotas ao lado dos olhos.
- Eu vou te matar, pequeno!
Gakupo pulou no pescoço de Kaito e deixou-o imóvel no chão com uma tática de luta. O outro não sensibilizou com o ato e continuou rindo levemente. Gakupo estalou a língua e retirou sua mão, ficando de costas pro outro. Kaito levantou-se e tossiu um pouco, alguns segundos depois encostou sua cabeça nas costas de Gakupo e sorriu.
Don’t speak
Don’t cry
‘Til I say
My goodbye
Cause
At the end
When it’s time
For me to go
I want you to know
- Ne... – Kaito sussurrou quase inaudivelmente.
- Sim?
For every time I cried I laughed a little
For every time it hurt I smiled a little
Even when things were bad
I was never really sad
Now I’ll say “good-bye”
To the love that I had
E então apertou sua camisa levemente.
- Nada não.
Now I’ll say “good-bye” to the love that I had
Now I’ll say “good-bye” to the love that I had
.....
Gakupo coçou os olhos, que já estavam incomodados com a luz do sol que entrava pela fresta da cortina de seu quarto. Bagunçou os cabelos da nuca e sentou-se na cama para esperar a vontade de levantar. Imediatamente, sentiu uma presença estranha do seu lado, e abriu lentamente os olhos para ver o que ou quem era. A pessoa infeliz ao seu lado iria pagar por tê-lo acordado.
- Yo!
- L-Len-dono... – forçou um pequeno sorriso. – O que faz... no meu quarto?
- ... Ah, você ficou tão bonito com esse cabelo!
- ... Por que está no meu quarto?
Len ajeitou-se na cama e fingiu pensar.
- Hmn... Qual será o café da manhã de hoje? Que tal... Torta de berinjela? – sorriu abertamente.
- O que no meu quarto faz?
- ... Suco de berinjela?
- O que faz no meu quarto?
- Caramba, pára de perguntar isso! – gritou.
- Então me responde! – Gakupo puxou a orelha do garoto.
Len gritou de dor e levantou-se da cama.
- Eu vim acordar você! Isso não é óbvio?
- Mas você sabe que detesto isso. – fez uma careta.
- Você só deixa o Kaito te acordar? Por que não posso também?
Gakupo reagiu ao nome do outro vocaloid. Começou a suar e procurou algo para mudar de assunto. Piscou várias vezes quando descobriu um.
- Are? Len-dono?
Os olhos do menino brilharam em expectativa.
- Por que está sem calças? – Gakupo saiu da cama para afastar-se do outro.
- Ah, isso? – Len olhou para si mesmo. – Se você preferir, eu posso tirar a camisa também.
- Quê? – Gakupo ia sair de perto da cama, mas o mais novo o puxou.
Len sentou-se no peito do mais velho, que estava agora atordoado, e sussurrou em seu ouvido.
- E... se você preferir... – mordeu a orelha. – Posso tirar esta peça de baixo também.
A cena foi interrompida por uma voz do além.
- É o seguinte bando de clone da Bela Adormecida: se não estiverem no salão principal em 15 minutos... Nada de almoço e nem jantar pelos próximos 4 dias. E nada de doces pra Rin e Len, e sorvete pro Shion-kun!
Alguns gritos foram ouvidos de longe, e depois disso... Silêncio. Len chegou novamente perto de Gakupo e sorriu maliciosamente.
- A gente se vê depois. – piscou e saiu do quarto.
Gakupo esperou alguns segundos antes de começar a raciocinar corretamente.
- Meu Deus, que desgraça foi essa? Eu quase fui estuprado por um pirralho.
Levantou-se e cambaleou até o banheiro. Por que tinha de ser perturbado logo de manhã cedo? Entrou no Box e jogou as roupas pro outro lado. Mal ligou o chuveiro e já ouviu passos apressados se aproximando de longe. Eles chegavam cada vez mais perto, pareciam correr. De repente, a porta do Box se abriu bruscamente e revelou um Kaito descabelado e com a escova de dente na boca.
- Ahh! O que está fazendo aqui? – gritou.
- Êo vhím txomar bânhu cxom vuxê. – Kaitou sorria e falava enquanto escovava os dentes.
- Por que isso parece tão normal para vocês? – Gakupo suspirou e fechou a porta. A expressão de Kaito sumiu.
- “Vocês”?
- Eu vou colocar uma tranca nessa porta! – cruzou os braços. – Assim ninguém mais entra aqui.
- Mais alguém, além de mim, entra aqui? – a cabeça de Kaito pendeu levemente para o lado e seu olhar parecia sem vida, o que assustou Gakupo.
- Ah, não. – abraçou Kaito e encostou sua testa na dele. – É que você me surpreende às vezes. Eu vou dar-lhe a chave depois, e só você entrará aqui. Tá?
A expressão do outro voltou ao normal e ele piscou várias vezes, confuso. Gakupo estranhou aquela cena.
- Ah... – sorriu timidamente. – Hai, Gakupo...
.....
Ao chegarem ao salão principal, era aproximadamente 8h da manhã. Gumi veio correndo até Gakupo e Kaito e entregou 2 cartões de identificação. Ambos não entenderam o porquê daquilo, mas nem mesmo ela sabia explicar. Ordens do Diretor, disse. Miku logo apareceu e cumprimentou ambos, ficando do lado do mais baixo. Em seguida, veio Rin, que acompanhava Luka, e começaram a conversar com Gakupo. Kaito virou o rosto e puxou a manga da roupa de Gakupo para trás, a fim de segurar a mão dele. Ele nem mesmo notou e continuou conversando com as demais pessoas que chegavam.
O Diretor apareceu e chamou atenção de todos com a ajuda de Kiyoteru, que tocou um gongo.
- Bom ultimamente, eu tenho tido muitas surpresas para vocês, meus coloridos. Hoje eu vou mostrar a coisa mais importante que vocês e os fãs de vocaloid já viram... Só que não... Ninguém sabe desse segredo, nem mesmo algumas pessoas aqui da empresa.
- Isso explica os cartões de identificação? – VY2 levantou a mão.
- Ah, sim. Para entrar aonde vamos, precisam do cartão. Uma coisa antes de ir: Não toquem em, absolutamente, nada! Entenderam?
- Hai! – todos se curvaram.
Kaito observava seu cartão e riscava com a unha o nome “Kamui” perto de seu sobrenome. Bateu na própria cabeça e sentiu-se envergonhado.
- Eu pareço uma garota de colegial...
- Disse alguma coisa, BaKaito? – Gakupo se abaixou para chegar perto do seu rosto, e sorriu.
Kaito virou o rosto ainda mais vermelho, e o outro riu.
Andaram o que pareceu uma eterna escadaria até o térreo da empresa (já que muitos vocaloids não caberiam no elevador) onde podiam ir para a rua. Rin e Len tentaram fugir, mas o Diretor puxou a orelha de ambos. Miku puxava assunto com todo mundo que via, inclusive com Kaito – mas este não prestava muita atenção nela. VY2 ia logo atrás da garota de cabelos verdes, tentando puxar assunto também. Gakupo ia conversando com Gumi e Luka sobre revistas de culinária ocidental e bonecos de porcelana. Ninguém via muita relação em uma coisa com a outra, então nem tentavam se misturar.
Depois de um tempo, chegaram a um corredor escuro e com apenas uma lâmpada funcionando. Havia uma enorme janela, mas a vista era uma parede do lado de fora. Aquele andar ficava muito abaixo do térreo.
- Diabéisso? A gente ta no castelo do Drácula é? – Meiko ironizou.
- É realmente sinistro aqui. Pra que tudo isso, gente? – Prima se pronunciou.
- Parem de frescura, fico mais horrorizado com a cara de vocês. – Len disse, andando de olhos fechados.
- Alguém me segure para eu não destruir esse pest... — Meiko virou para olhar o vocaloid loiro, quando...
- Quem é Drácula?
Todos viraram e pararam para olhar o menino sem salvação que se chamava Kaito. Gakupo pôs a mão na boca para não rir, e então voltou a andar, segurando a cabeça do mais baixo para que não batessem nele.
- Chegamos! – o Diretor anunciou depois de alguns minutos.
Estavam em frente a uma grande porta de aço, que ocupava uma parede inteira no final do corredor, com um aparelho de identificação para abri-la.
- Geente, vamos precisar de Hércules para abrir isso aí. – Miku cruzou os braços.
- Quem é.. – Gakupo pisou no pé de Kaito, que gritou de dor e se calou.
- Na verdade, não. – o Diretor virou-se, sorrindo abertamente. – Ela se abre automaticamente quando inserido o cartão. Então... Vamos. – ele inseriu o próprio cartão e a porta rangeu antes de abrir.
Inesperadamente, a porta revelou uma sala inteira de computadores. Em cada um havia a foto e o nome de um vocaloid, além de uma tomada enorme ao lado.
- Parece que nem preciso falar o que é essa sala, certo? – o Diretor comentou a reação dos vocaloids.
Todos estavam atônitos e alguns caíram no chão.
- Dá até para sentir a conexão com esse lugar. – Miku conseguiu esboçar um sorriso apesar da surpresa.
- Esse lugar... – Gakupo sentou-se no chão, observando os computadores. – É de onde somos projetados? – todos olharam o Diretor, esperando a resposta.
- Isso mesmo. Esse lugar é uma preciosidade, e não deixo ninguém entrar aqui. Só achei que mais cedo ou mais tarde deveria mostrar isso a vocês. – disse.
Kaito virou para o lado e viu seu nome, mas quando ia tocar a tomada ao lado de seu computador, o Diretor o puxou.
- Não toque nisso, rapaz! – sua expressão era de puro susto. – Se tirar isso daí, você vai ser desligado.
Meiko olhou ao redor.
- Então foi aqui que desligaram a Galaco-san...
Todos suspiraram e abaixaram a cabeça. Depois de alguns segundos, voltaram a olhar a sala novamente.
- E pensar que poderiam me desligar... – Luka sussurrou mais para si mesma que para os outros.
- Não repita isso! – Gakupo gritou com ela, que virou assustada para olhá-lo. – Eu não deixaria fazerem isso com você.
Alguns vocaloids se aproveitaram da situação e cantaram músicas românticas, fazendo os outros rirem e deixarem os dois constrangidos. Do outro lado da sala, o sangue de alguém ferveu.
.....
Cerca de 13h da tarde
Todos passaram um bom tempo dentro da sala porque não poderiam mais voltar lá, apenas se algo muito grave acontecesse. Subiram de volta para os andares de estadia alternadamente, e alguns foram correndo para o refeitório. Rin colocou um chapéu de policial em Gakupo e ficaram brincando o caminho inteiro de perseguição criminal, com participações especiais de Miku, Len, Luka e VY2. Kaito permaneceu o caminho inteiro calado e parecia desinteressado.
Ao chegarem ao elevador, Miku disse que teria um compromisso com um gerente de estádios para shows e saiu correndo. VY2 deu uma desculpa qualquer e foi embora logo atrás dela, rodando a katana nas mãos em uma dança tradicional. Andaram mais alguns corredores, e Luka disse que ia ler na biblioteca, assim como Rin disse que ia procurar o irmão mais velho.
Antes de sair, Luka beijou, brevemente, o rosto de Gakupo. Rin fez algumas piadas românticas, o que fez a mais velha bater nela e logo após retirar-se.
- Gakupo-san, você gosta da Luka-onee-chan? – Rin virou, sorrindo.
- Ah... – ele suou frio e sorriu levemente. – Não... Somos apenas amigos.
- Ah, pensei que fossem namorados. Hihihihi – ela bateu os dedos. – Eu acho muito bonitinho vocês dois juntos.
Gakupo virou levemente para o lado e olhou discretamente para Kaito. Este não moveu um músculo sequer em resposta, estava de cabeça baixa e a franja lhe cobria os olhos.
- Bom, então eu já vou. – Rin saiu saltitando.
O silêncio pairou no ar entre os dois, e Gakupo podia ouvir apenas o som da própria respiração. Pensou que Kaito falaria algo, mas como este não fez, ele continuou a andar. O outro o seguiu.
Houve uma hora em que não aguentou mais e virou para o mais baixo.
- Kaito, algum problema?
Kaito levantou um olhar furioso para ele, e Gakupo podia jurar que viu faíscas saindo dali.
- “Algum problema”... – repetiu. – “Algum problema”? – dessa vez, ainda mais alto.
- É... – Gakupo deu um passo para trás.
- Quando eu arrancar a sua cabeça e a daquela garota você vai ver qual é o meu problema! – berrou. – Como você tem coragem de fazer aquilo na minha frente?
- Mas foi ela quem beijou meu rosto!
- O que há com essa afirmação de novo? Você poderia muito bem ter desviado!
- Mas eu não previ que ela faria isso! Calma! – elevou o tom de voz.
- Isso não interessa! Não é a primeira vez que você se envolve tão intimamente com a Luka! – socou o vidro ao lado.
- Envolver intimamente? Você tá vendo coisas? Somos apenas amigos!
- Eu e você também éramos apenas amigos!
- Kaito, ainda somos amigos! – Gakupo se afastava para não levar um soco do pulso trêmulo do outro.
- Ah, então quer dizer que quando começar a namorar a Luka também vai continuar sendo “amigo dela”?
- Que? O que você está falando não tem sentido nenhum!
- E, além disso, não somos só amigos! Como você pode dizer que ainda somos amigos?
- Pára de misturar as coisas, seu maluco! Você- — foi interrompido.
- O que eu faço se você se interessar por ela? Você não pode fazer mais isso! – soluçou.
- Kaito, se acalma!
- Eu vou agora lá jogar umas poucas e boas na cara daquela garota! – se virou para andar.
Gakupo se aproximou para segurá-lo, mas acabou tropeçando em uma curva do tapete e caiu por cima do outro, deixando uma perna de cada lado. Ambos pararam de gritar e o mais velho viu que havia algumas lágrimas escorrendo pelo rosto de Kaito. Quando ia se levantar, sentiu dois braços lhe segurarem pelo pescoço, e o mais baixo esconder o rosto na curva do seu ombro.
- O que eu faço com esse sentimento? Não consigo mais controlar.
Gakupo permanecia imóvel e de olhos arregalados.
- Eu sinto que não posso mais viver sem você... – Kaito aspirou calmamente o cheiro do mais velho.
Ele olhou para os lados, sem saber o que fazer. Abraçou o outro de volta e suspirou pesadamente.
- Eu também.
Kaito retirou, então, o próprio cachecol, e a camisa, deslizando a mão por debaixo da camisa de Gakupo.
Eu olho para esse céu apático e vejo a tarde misturada com lamentações...

Notas finais
Aaaah, como eu amo GakuKai *u*
Está decidido! Não vou desistir da fanfic!
....
Esse capítulo é um oferecimento especial para Victória Lago e Daniel Barros ♥ As duas pessoas que me incentivaram tanto a escrevê-lo
Ja ne!
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