Arrest the Memory
5 Fascínio
Notas iniciais
Eu estive ocupada com a escola, e estudos. E também...
Assistindo D-Gray Man fica meio difícil prestar atenção em GakuKai. (yullen é vida, uhul o/)
Eu meio que 'esqueci' da fanfic kkkkkkkkkkkkkk okayface'
Mas só espero que vocês não tenham desistido de lê-la. Certo? Só espero rum rum' u_ú
Tenho certeza que o final dela vai ser bem... Interessante ^u^ Mas ainda está um pouco longe.
Boa leitura! o/
Eu não consigo encarar o seu rosto deslumbrante agora. Iluminado pela luz que cintila, fazendo parecer uma ilusão
Era mês de Setembro no Japão. Outono. Desde a confusão na empresa Crypton a respeito de Kaito, ele havia ficado de observação desde então. Em algumas semanas, a leitura de seus números estava normal e ele já poderia ser considerado curado. Porém, isso não impedia o diretor de obrigá-lo a, praticamente, morar no prédio que dirigia. A sede. Ele passava seus dias perto de seus amigos, já que estes iam sempre lá para visitá-lo. Depois de um tempo, os vocaloids alugaram quartos no prédio para que estivessem mais próximos. Miku vendeu sua casa, assim como seu irmão, já que eram inseparáveis. Len e Rin que moravam com Luka, foram para lá também, assim como a mais velha.
Em um desses dias, Kaito estava “ajudando” Rin a tricotar roupas para suas bonecas. Na verdade, estava jogando vídeo-game. Aquele mesmo que Meiko quebrou e nem comprou um novo para se desculpar. A sala onde estavam era nova, por isso não estava nem mesmo com as paredes pintadas. Ele gritava e se debatia, fazendo a pequena menina lhe bater para voltar à realidade.
– Kaito-onii-chan, para com isso. É só um jogo.
– Vocês meninas não entendem, isso é mais do que um jogo. É uma vida.
Rin olhou para o visor do aparelho e viu que era o Jogo da Cobrinha. Engasgou e começou a rir segurando a barriga.
– ... Então... Você viu seu irmão hoje? – Kaito tentou mudar de assunto.
– Ah. É verdade, não vi. Quando acordei, ele não estava na cama dele. – Rin continuava a tricotar.
– Onde é que esse povo todo foi? – estalou a língua.
– E por que não chamaram a gente? – Rin apertou novamente a barriga.
– Espera aqui. Vou perguntar. – Kaito saiu da sala e viu dois funcionários no corredor. – Com licen-
Assim que o viram saíram correndo e rindo, deixando-o com várias interrogações ao lado da cabeça. Tentou com outros funcionários, mas todos faziam a mesma coisa. Ele desistiu e voltou para a sala. Rin estava com um sorriso forçado no rosto.
– Menina, você está com prisão de ventre? – arqueou uma sobrancelha
Ela riu abertamente e depois sua expressão tornou-se séria.
– Falou com alguém, onii-chan?
– Não. Além de não ter quase ninguém aqui, estão todos me ignorando.
Rin franziu o cenho e voltou a tricotar. Ele foi até uma mesa que tinha no canto da sala e pegou um mangá. Depois de um tempo em silêncio, Rin começou a mexer-se inquietamente e apertar a barriga a todo o momento. Kaito percebeu seu desconforto e olhou-a de soslaio.
– Tá tudo bem? Você não para de pegar na barriga.
– Ah, sim. – Rin olhou para suas pernas e deslizou lentamente para fora do banco onde estava sentada, sorrindo forçadamente. – E-eu preciso ir ao banheiro.
Kaito continuou olhando-a por uns instantes e logo voltou a ler. Sentia-se inquieto. Alguma coisa faltava. Ah, sim! Não havia falado com Gakupo hoje e nem em dias anteriores. Ele tinha negócios a tratar na Yamaha com seu seyuu original, por isso estava bastante ocupado para ele. Seu relacionamento com o outro seguiu discreto, já que os dois não sabiam qual seria a reação do Diretor e dos outros ao saber de algo assim. Principalmente do primeiro caso de uma verdadeira homossexualidade entre os vocaloids. Só que, às vezes, sentia-se incomodado com o jeito rigoroso de Gakupo em esconder os sentimentos e afastar Kaito de si em público. Ele não tinha nenhum problema com isso, e ainda tinha aqueles tolos que flertavam com ele. Só faltou Kaito pular no pescoço daquelas pessoas e furar seus olhos para que não fizessem mais isso. Sorriu com o pensamento.
Outra coisa. O sonho perturbador continuou, mesmo depois de ser considerado “consertado”. Às vezes, acordava suando e chorando, mas Gakupo estava sempre lá para lhe trazer um copo d’ água e cantar para ele dormir novamente. Embora fosse algo estranho, tornou-se um dos seus momentos favoritos do dia. Saindo de seus devaneios, percebeu que não havia sequer saído da primeira página do mangá e riu.
– Kaito-onii-chan...
Olhou para Rin e viu que esta estava com um olhar aterrorizado. Tanto por ele estar rindo sozinho do que por qualquer outra coisa que fosse. Tirou os pés da mesa, e sentou-se com os cotovelos descansando sobre os joelhos.
– O que foi? Por que está parada aí me olhando?
– Eu não posso levantar. – ela estava com medo de algo.
Ele arqueou uma sobrancelha. Chegou perto de Rin e ela escondeu as pernas com o próprio corpo.
– Espere, Rin. Deixa eu ver. Está doendo? – disse apontando para a barriga da garota.
– Essa dor já passou. O problema é outra coisa. – ela olhou para o outro lado, envergonhada.
Ele estalou a língua e ficou olhando para as pernas dela. Bruscamente as afastou fazendo Rin gritar.
– O que você esta fazendo onii-chan?
Ele se assustou. Havia algo vermelho embaixo de Rin.
– O que é isso? – pegou a garota pela perna esquerda e a levantou, como se fosse uma boneca.
– Me tira daqui de cima! Eu não gosto de ficar de cabeça pra baixo! – gritava.
Alguns funcionários ouviram do lado de fora os gritos, e resolveram esperar para ver o que ia acontecer. Kaito olhou para o banco e depois para Rin, repetindo o ato várias vezes. Procurou mais especificamente nas mãos.
– Você tinha katchup e não me deu?
– O quê? De onde você tirou isso? Agora me solta! – se debatia tentando segurar em alguma coisa.
– Então de onde veio esse líquido vermelho?
– Sei lá, onii-chan! – choramingava. – Só sei que minha barriga estava doendo e isso começou a aparecer no meu short.
Kaito olhou para o short de Rin e este realmente estava manchado de vermelho, embora fosse preto. Em um ato súbito e louco, largou Rin no chão, que caiu de mau jeito.
– Meu Deus! Realmente consertaram você, onii-chan, ou te deixaram mais doido? – ainda gritava.
Ele pegou na aba do calção e tirou-o de vez. Rin gritou com ele envergonhada. Lá fora, os funcionários estavam apavorados com tantos gritos, porém com medo de entrar. Kaito olhou para a peça íntima de Rin, completamente manchada de vermelho.
– Ah, Rin! Você está vazando! – gritou apavorado.
– O quê? – ela olhou para si própria e continuou gritando.
– É hemorragia! – ele corria de um lado pro outro.
– Me ajuda, onii-chan! Eu, literalmente, sou muito jovem pra morrer! – ela correu atrás dele.
– Espera, espera aí! – ele parou, mantendo-a afastada. – Muita calma nessa hora! Não me suja de sangue.
Ela pôs a mão na barriga novamente e esse ato só o fez se apavorar mais.
– Aaah! Tá saindo mais! – chutou a porta com força, fazendo os funcionários saírem correndo. – Alguém me dá um telefone!
Rin saiu correndo da sala, do jeito que estava, atrás de Kaito. Uma mulher, de óculos fundo de garrafa e cabelos presos, apareceu com papéis na mão – derrubados pelo vocaloid de cabelos azuis – e tentou ajudar. Ela entregou um telefone para ele.
Kaito ligou para o 192.
– Em que posso ajud-?
– Aaah! Por favor, me ajudem!
– Qual sua emergência?
– É a minha amiga! Ela está sangrando por baixo! O que eu faço?
...
– Aah! – Kaito gritou olhando para o telefone. – Ela riu e desligou na minha cara!
– O quê? – Rin começou a chorar desesperadamente. – Eu vou morrer!
Nessa hora, todos que estavam olhando começaram a rir também. Ele enfureceu e carregou Rin no colo.
– Se vocês não vão me ajudar, eu vo-
Sentiu algo forte bater na sua cabeça. Virou lentamente a cabeça, boquiaberto.
– Hoe. O que pensa que está fazendo, BaKaito?
– G-Ga...
– Gakupo-sama! – Rin chorou. – Me ajuda! Eu estou vazando!
O vocaloid de cabelos roxos não desfez o meio-sorriso e olhou para a peça íntima de Rin.
– Pra que todo esse chilique por causa de uma menstruação?
Ainda sentia o punho fechado de seu namorado na sua cabeça. Ele sempre fazia isso quando Kaito fazia algo tolo.
– Me dá ela aqui. – Gakupo pegou Rin nos braços e explicou a situação, deixando-a envergonhada de tudo o que aconteceu. – Isso é que dá ficar só nesse Jogo da Cobrinha e não ler livros, BaKaito.
Kaito continuava boquiaberto.
– Quando chegou aqui, Gakupo-sama? – Rin sorriu.
– Eu estava indo até o elevador e ouvi gritos, dentre eles reconheci a voz desse maluco aí. E vim aqui pra ver o que era.
– Ah. – ela riu com as mãos sobre a boca.
Gakupo andou com ela no colo até a enfermaria. Kaito os seguiu em silêncio. Chegando lá, eles esperaram a enfermeira explicar como se usava um absorvente, e Rin se recuperar do susto. Ao saírem, o mais velho ia se dirigir novamente ao elevador, mas Kaito puxou sua manga.
– Ei...
– Hn? – ele virou-se sorrindo.
– G-Gakupo! Tadaima! – Kaito sorriu e pulou no pescoço do outro.
– H-Hoe. O que é isso de repente? – sorriu desconsertado.
– É que não tive a oportunidade de fazer isso antes. Ah... Eu estava com s-sa...
– Saúde debilitada? – arqueou uma sobrancelha.
– Não, é s-sa... – apertou os olhos.
– Com saia?
Kaito olhou-o furiosamente, o que fez Gakupo rir com uma mão sobre a testa e a outra na barriga.
– S-sa... Saudades. – corou.
Gakupo arregalou os olhos e deu um passo para trás. Riu nervosamente, coçando a própria bochecha.
– Ah, tá... Hehe.
– Por que ficou tanto tempo fora? – cruzou os braços.
– Ah. Eu tive que pedir permissão para meu gráfico passar para a nova versão. Sabia que vai sair o V4? – seus olhos brilharam.
– O quê? Sério? – Kaito se assustou.
– Sim! Aí nós vam-
– E você vai ser o primeiro a ser atualizado? Não é possível! – cruzou os braços.
– Eu não acredito. – Gakupo estalou a língua e cruzou os braços também. – Por que você sempre presta atenção nesses detalhes insignificantes? Não, eu estava resolvendo o problema de ser atualizado também, porque o pessoal da Crypton vão ser os primeiros. Estava todo mundo adiantando sua permissão, só você – o desatualizado – e a Rin é que não foram.
– Ah. – Kaito sorriu forçadamente.
– Mas isso é só ano que vem. – riu. – Ainda tem bastante tempo. Até lá eu resolvo tudo.
Eles ficaram um tempo em silêncio. Kaito fazendo círculos com o pé, e Gakupo brincando com o próprio cabelo.
– Então eu já vou. – disse, por fim.
– Espere, me deixe ir com você. – levantou a cabeça.
– M-mas eu... – Gakupo arregalou levemente os olhos.
– Então... Posso pelo menos fazer uma coisa? – abaixou a cabeça.
O outro nada disse, como um sinal para continuar. Kaito pousou as duas mãos na curva do pescoço de Gakupo e o puxou para um beijo. No começo, o mais velho recuou por conta do susto, mas logo segurou no rosto de Kaito, trazendo-o mais para perto e fechando os olhos.
Kaito passou suas mãos para o tronco de Gakupo, puxando a gola de sua camisa. Embora estivesse demasiadamente frio, eles usavam as roupas típicas. Depois de um tempo, o beijo deu direito a vários selinhos, por insistência de Kaito em continuar.
– Eu tenho que ir, BaKaito. – riu, tentando se desfazer do contato.
– Mas por quê? – falou com manha na voz, e abraçando o homem à sua frente.
– O Diretor disse que quando eu chegasse, precisava ir até ele. – sorriu, acariciando o cabelo de Kaito.
Ele ia argumentar, porém ouviram vozes femininas. Rapidamente se afastaram um do outro, o que fez Kaito sentir-se vazio. Ultimamente, para se afastar de Gakupo, precisava ser aos poucos, ou sentia-se estranho. Ao olharem na direção das vozes, viram Miku, Luka e Rin. Elas vinham cantarolando Sweet Devil e de mãos dadas. Miku, ao ver Kaito, sentiu o coração pular e ficou paralisada com o rosto vermelho. Luka olhou pensativa para Gakupo, que retribuiu, fazendo Kaito puxar sua manga por trás para chamar sua atenção. Rin apenas observou a situação.
– Então... – Miku começou. – Eu fiquei sabendo do que aconteceu há alguns minutos.
– Mas já? – Kaito se exaltou e rangeu os dentes. – Rin!
A garota deu-lhe língua, fazendo todos rirem.
– Ah, é mesmo! Sabiam que aquela sala onde vocês estavam vai ser uma nova sala de música? – Miku suspendeu o indicador, explicando.
– Outra? – Rin fechou os olhos e deixou os braços caírem pra frente do corpo.
– É, é. Amanhã nós vamos pintá-la.
– Nós? – Gakupo arqueou uma sobrancelha.
– O Diretor quer deixá-la mais dinâmica, então pediu que pintássemos à nossa maneira. – Luka continuou.
– Isso não vai prestar. – Kaito riu.
– Ninguém tem o gosto igual aqui. – Gakupo continuou a fala de Kaito. – Vai virar uma bagunça!
– Eu gosto de laranja. – Rin se pronunciou, e todos riram.
– Do nada. – riram.
Todos ouviram uma baixa melodia vinda de todo o recinto. Era hora do almoço.
– Ah, vamos almoçar juntos?! – Miku levantou os braços.
– Por mim tudo bem. – Luka sorriu.
Todos seguiram a menina de cabelos verdes, inclusive Gakupo. Kaito arqueou uma sobrancelha, e chegou perto do seu ouvido.
– Você não ia até o Diretor?
– A-ah... Depois eu vou. Acho que ele já sabe que estou aqui. – sussurrou.
Kaito desfez o contato e permaneceu atrás dele de braços cruzados e cenho franzido.
.....
Chegando ao refeitório – este era como todos os outros lugares do prédio, a janela de vidro enorme mais servia de parede para o recinto -, foram recebidos por outros vocaloids ansiosos para falar com o pequeno grupo.
– Eu fiquei sabendo que você ficou doente. – referiu-se a Kaito.
– Lola-san! – Rin sorriu abertamente.
– Ah, sim. Mas... Lola-san, o que a traz aqui? – Kaito juntou as mãos, contendo a felicidade por vê-la.
– Exatamente por isso, rapaz. Vim ver como estava. – ela sentou-se em uma cadeira e cruzou as pernas. – E lá na Inglaterra é um saco sem vocês. Embora sejam... Bagunceiros.
Ela terminou sua afirmação observando VY2 fazendo strip tease em cima de uma das mesas, e com algumas meninas gritando ao redor. Miku pôs a mão atrás da cabeça.
– Hehe. – riu nervosamente. – Desculpe por isso.
– Tá tudo bem, chefa dos ogros. Eu não me sinto responsável por isso, afinal. É a Meiko-chan, certo? – sorriu.
– “Chefa dos ogros”? – Luka e Gakupo sussurram em uníssono. Kaito virou o rosto.
Lola olhou para os dois outros restantes, estavam tão quietos que ela mal pôde ouvir as suas respirações.
– A propósito... Vocês dois continuam brigando? – referiu-se a Gakupo e Kaito.
Kaito sorriu superior e cruzou os braços.
– Eu é que não vou gastar saliva discutindo com essa berinjela estragada.
Três veias estouraram na testa de Gakupo, e este se virou gritando.
– O quê? Não fale assim das berinjelas!
– Você fica fazendo “cavalinhos” com as berinjelas. Isso é coisa de doente!
– Rapazes, parem. – Miku ia interferir na conversa, porém eles a ignoraram.
– É legal! E você com aquele Jogo da Cobrinha?! Parece que não faz outra coisa nessa vida!
Kaito tentou dizer alguma coisa, mas desistiu, e Gakupo sorriu vitorioso. Owned.
Eles foram até a mesa do self-service sem falar mais nada. VY2 havia parado seu show, e estava agora comendo ramen. Kaito, que estava atrás de Gakupo, tocava levemente nas pontas dos cabelos do outro. Ah, cabelos grandes eram realmente bonitos! E eram ainda mais belos quando pertenciam ao homem à sua frente. Ficou na ponta do pé e sussurrou no ouvido dele.
– Ne. O que vamos fazer hoje?
– Eu vou te levar em um lugar. – Kaito pôde sentir que um sorriso formou-se no rosto dele, embora estivesse de costas.
– Onde? Onde?
– Não se pendura aí. E é segredo. – pôs o indicador na boca.
– Ah não. Me fala! – Roçou a ponta do nariz no pescoço do mais velho.
– Mas qual seria a graça em-
– O que vocês estão de segredinho aí? – ouviram uma voz vinda de trás.
Com o susto, Kaito se desequilibrou e quase caiu no chão, se não fosse por Gakupo segurar sua cintura. Corou ao ver os olhos azuis claro tão de perto. Eram tão bonitos! Sentiu alguém cutucar suas costas e virou-se bruscamente, se afastando do outro. Ao ver quem era, sentiu seu rosto arder.
De raiva.
– Len-dono. – Gakupo chamou-o sorrindo. – Eu não havia lhe visto o dia inteiro.
– Nem eu, Gakupo-sama. Onde você esteve? – Len saiu de perto de Kaito, e pôs as mãos para trás. Ignorou o olhar furioso sobre si.
Parece que ele ainda tinha raiva de Len pelo incidente do beijo na floresta. Com certeza não iria esquecer aquilo fácil. ‘Ele teve a coragem de beijar os preciosos lábios de Gakupo na maior cara de pau’. Cerrou o punho.
– Resolvendo uns assuntos. – sorriu.
– Ah~ — riu. – Gakupo-sama, você é tão responsável.
Gakupo olhou para Kaito e viu que este estava sorrindo malignamente e com uma bandeja nas duas mãos, pronto pra bater na cabeça de Len.
– Ah! – gritou.
– O que foi, Gakupo-sa-?
Ele correu pra pegar a bandeja nas mãos de Kaito, e as segurou. Kaito conseguia ser incrivelmente forte quando queria, e estava insistindo em bater no menino.
– Para com isso! – sussurrou. – Por que quer bater nele?
– Me deixa acabar com a raça desse mongoloide! – falou entre os dentes.
– Não! Ta todo mundo olhando! – tentou tirar a bandeja, mas Kaito desviou. – Me da isso aqui!
Len não estava entendendo o que estava acontecendo, e permaneceu no lugar.
– Aqui é local de brigar, meninos? – Meiko chegou com uma aura maligna.
Os três se viraram lentamente e com a boca tremendo. Ela não gostava quando arrumavam escândalo, principalmente Gakupo e Kaito.
– Vamos punir! – ela sorriu sadicamente com um chicote nas mãos.
– Não! Len-onii-chan! – Rin chegou correndo e abraçou o irmão.
– Rin. – ele sorriu.
– Sua pele foi salva, menino inútil. – Meiko bateu o chicote nas mãos.
– Ei, Gakupo-sama. Pode ir comigo a um lugar hoje à tarde? – Len se desfez de Rin.
Kaito tossiu tão exageradamente que alguns vocaloids que estavam perto chegaram a achar que ele estava morrendo. Rin e Len riram. Gakupo entendeu o recado nada discreto e sorriu para o menino de 14 anos.
– Desculpe. Hoje tenho um compromisso. – segurou levemente na mão de Kaito por trás do corpo.
O vocaloid azul corou e abaixou a cabeça para conter um sorriso.
– Parece que se esqueceram de mim. – Meiko riu levemente.
Os dois mais velhos olharam um pro outro.
– Façamos o seguinte: eu vou pela direita e você vai pela esquerda. –Gakupo sorriu.
Kaito anuiu.
E os dois saíram correndo em direções opostas.
.....
Por volta das 15h da tarde, Kaito estava no seu quarto. Justamente nesse horário ninguém fazia nada, e preferiam praticar suas canções ou fazer o que gostavam. Ele cantava e dançava ao som de Sweet’s Beast. Uma vez, Gakupo admitiu que costumava ouvir suas músicas de vez em quando, e que esta era a que gostava mais. Obviamente, Kaito adquiriu um carinho especial por essa música depois dessa declaração.
Assim que ela terminou, Kaito caiu ofegante no chão e se deitou. Olhou para o teto e sorriu. Seu quarto era grande e decorado tipicamente a sua maneira. Havia uma estante que ia de parede a outra de mangás, um mini-freezer, alguns espirais e aviõezinhos pendurados no teto, alguns pôsteres de animes nas paredes, e um chão branco. O papel de parede era tão azul como seus olhos. Pra completar, uma cama de casal no centro – porém encostada na parede – e um guarda-roupa não tão grande. Havia também um banheiro só para ele.
Ouviu algumas músicas que tocavam perto do seu quarto. Meiko, na porta à frente, cantava Change Me. Miku, à sua esquerda, cantava Sweet Devil. Talvez aquela música estivesse na cabeça dela hoje, amanhã seria outra. Por fim, à sua direita...
Gakupo cantava Episode 0.
Kaito se sentou subitamente e virou os olhos brilhantes em direção à porta. Correu cambaleante até a porta e saiu. Ficou em frente à porta de Gakupo e abriu uma fresta para que ele não percebesse que estava ali.
Futo namida kobore ochita
Furusato ga omoi ukanda
Ele sorriu. Adorava essa parte porque ele permanecia de olhos fechados e com a mão sobre o peito. O viu errar uma nota na guitarra roxa que tocava fazer uma careta. Kaito riu nessa parte, um pouco alto demais, chamando atenção do outro. Pensou em fugir, mas Gakupo andou na sua direção e sorriu sadicamente.
– Agora você é stalker também?
– Lembre-se que meu quarto é ao lado do seu.
– Isso só me faz piorar essa hipótese. – se agachou e ficou à altura de Kaito, que estava apoiado nos cotovelos.
– Mas foi você quem chegou depois. – arqueou uma sobrancelha e ajeitou-se, ficando perto do rosto de Gakupo.
– Ta certo. Dessa vez você me venceu.
Ele segurou o rosto de Kaito com uma das mãos e o acariciou com o polegar. Este último, por sua vez, soltou o cabelo de Gakupo e observou os fios.
– Por que você sempre faz isso? – riu brevemente.
– Eu gosto do seu cabelo. Se eu pudesse, teria um desse tamanho.
– Não, Kaito! Esse cabelo está perfeito pra você. – riu ainda mais.
– É por isso que prefiro admirar o seu.
Os dois ficaram em silêncio depois disso. Embora estivessem em um lugar onde qualquer um poderia ser visto, Kaito ousou se aproximar mais do rosto do homem à sua frente, porém o tempo foi suficiente somente para um roçar de lábios. Ouviram uma voz gritando nos aparelhos espalhados pelo prédio. Era o Diretor.
– Acordem preguiçosos! A vida continua! Venham até minha sala que quero mostrar uma coisa pra vocês.
O barulho foi suficientemente alto para que Kaito gritasse, puxasse o cabelo de Gakupo e o jogasse para trás.
– Meu Jesus Cristo, esse cara quer acordar até os mortos. – Meiko saiu bagunçando o próprio cabelo.
– Ah, não exagere, Meiko-chan. – Miku saiu do quarto e sorriu para a mais velha.
Meiko fungou várias vezes.
– Sinto cheiro de... Gakupo e Kaito. – olhou irritada para o lado.
Miku levou um susto, e começou a rir em seguida.
– Que desgraça vocês estão fazendo? – o cabelo de Meiko ficou em pé.
A situação: O vocaloid mais velho foi parar do outro lado do corredor, de cabeça pra baixo e com as costas apoiadas no chão. E Kaito estava embaixo de si de pernas abertas.
– Como é que haha – Miku ria enquanto falava. – Vocês ficaram assim? Hahaha.
– Like a ioga – Meiko sorriu de lado.
– Isso não é ioga, Meiko-chan. – Kaito disse, com a voz falhando. – Hoe, Gakupo! Você pesa!
– Não sinto – Gakupo estralou a costa. – Minhas costas. Você, por acaso, é louco?
Kaito bufou e cruzou os braços. Meiko puxou os dois pelas orelhas e saiu arrastando-nos. Miku não se assustava mais com os atos brutos da amiga.
.....
Chegaram 5 minutos depois na sala do Diretor. VY2 veio correndo e cumprimentou Miku, beijando sua mão. Meiko fez uma careta.
– Que é isso, homi? Ta doido?
– Que cavalheiro, Yuuma-san. – Miku corou intensamente.
– Não, ele só quer seu corpo nu. – Kaito riu.
VY2 ouviu a voz de Kaito, fitou-o de olhos arregalados para depois sair correndo.
– Ta aí outro desmiolado. – Gakupo riu.
Miku coçou a cabeça. Yuuma estava agindo estranho desde o incidente na floresta, onde ela encontrou seu pescoço marcado por unhas e sangrando. Kaito estava presente na hora, mas não demonstrou qualquer adversidade.
– Estão me ignorando, por acaso? – o Diretor brotou no meio dos 4, fazendo Meiko saltar pra trás.
– Ah, é. Por que nos chamou aqui? – Gakupo procurou um local pra sentar. Como sempre, a sala lotada de vocaloids. Resolveu ficar em pé mesmo.
– Ah. – sorriu.
O Diretor saiu dando pulinhos pela sala e ficou atrás de sua mesa. Todos se sentaram para ouvi-lo, como pupilos ouvindo seu mestre. Kaito puxou Gakupo pra um canto onde Miku e Luka estavam, deixando as duas envergonhadas.
– É que eu quero mostrar uma coisa pra vocês. – ele mexeu nas gavetas apressadamente, abrindo várias de uma vez só.
– Nossa, véi. Quer ajuda aí?
– Yuuma-san! Pare de me chamar de “véi”! – o Diretor lançou-lhe um olhar furioso.
– Tá, tá. Na moral, véi. – sentou-se de pernas cruzadas.
Todos riram, menos o Diretor. Ele continuou procurando por uns minutos até encontrar uma caixa empoeirada. Assoprou fazendo os que estavam perto de sua mesa tossirem.
– O que é aquilo? – Lily veio se sentar perto de Miku.
– Provavelmente, uma caixa. – Luka ironizou.
– Tsc. Não perguntei pra você, Megurine.
Um raio formou-se entre as duas. Miku interferiu na conversa, irritada.
– Ele vai abrir agora, parem de brigar e prestem atenção. Mo~
O Diretor abriu a caixa e suspendeu lentamente um objeto de metal. Gakupo arregalou os olhos e sorriu como um maníaco. Kaito cutucou seu rosto.
– Ta... Tudo bem?
– É uma arma. – continuava sorrindo e olhando maravilhado para a arma branca.
Kaito virou-se para o Diretor.
– Essa é uma arma que meu pai me deu. – o Diretor começou. – Há armas que são chamadas de “Brancas”, como a faca, o machado, a agulha, a katana, etc. Mas essa é, literalmente, uma arma branca.
Todos riram da ironia. E os olhos de Gakupo continuavam brilhando pelo fascínio.
– Eu me certifico de sempre mantê-los longe de qualquer contato com uma coisa assim. Isso pode matar alguém.
Os vocaloids olharam maravilhados para a arma. Realmente eram privados de qualquer contato com os problemas lá fora, por isso não tinham televisão, nem computador em suas casas. Às vezes, sequer entendiam o porquê de usarem objetos metálicos e cortantes em seus vídeos.
O único que conhecia, realmente, a realidade era Gakupo. Ele se levantou e correu até a mesa.
– Como se usa? – Rin levantou a mão.
– Ah, isso eu nã- — o Diretor foi interrompido.
– Por favor, pobres mortais. – Gakupo pegou a arma da mão do outro e abraçou-a ao rosto. – Olhem só, que beleza, o gatilho é dourado. E olhem como está conservada! O metal reluz com a lâmpada.
– Eu estou ficando com medo dele, Kaito-kun. – Miku se escondeu atrás do amigo.
– Ué, eu também.
E ficaram em uma troca de quem ficava atrás do outro.
– Er... – Lily levantou a mão.
– Sim? – Gakupo apontou para ela.
– Cê’ sabe que não estamos entendendo nada do que você tá falando, né?
– Que diacho é Tigalho? – Len cruzou os braços.
– Ga-ti-lho! – Gakupo repetiu. – Eu vou ensinar como se usa. Isso aqui é um revólver. Você puxa aqui – apontou. Todos ouviam atentamente – Põe o tanto de balas que quiser... Claro que elas têm que ficar com a ponta virada pra esse cano aqui, senão não tem graça. Agora, é só fechar. Destrava aqui em cima, e tão vendo isso aqui dourado? Isso, meus caros aprendizes, faz toda a diferença. Apertem o gatilho e... Pronto! – sorriu.
Recebeu aplausos e alguns assobios.
– Que hilário! – Prima deu uma cambalhota.
Kaito estava com várias interrogações na cabeça. Olhava alternando entre a expressão vitoriosa de Gakupo e a arma. E não soube por que, mas sorriu sadicamente.
.....
Quando todos estavam se retirando, Kaito parou na porta, esperando Gakupo terminar de conversar com Luka. Seu olhar estava fixo no chão. Por que ele sempre demorava quando falava com ela? Estalou a língua e sentiu um puxão na manga. Olhou pra baixo e viu Len sorrindo cinicamente.
– O. Que. Você. Quer? — testava seu auto-controle.
– Escuta. Vai me odiar pra sempre só por causa daquele beijo?
Kaitou olhou-o adequadamente e ficou vermelho de raiva.
– Kisama! Desgraçado!
– Ei, ei! Vai com calma nas palavras. Meiko-chan não iria gostar de saber que está me ensinando esse vocabulário.
– Mais fácil eu te ensinar a voar, você quer? – Kaito segurou na gola do mais baixo.
– Não obrigado. Estou bem aqui. – seu rosto ficou sério. – Vou direto ao ponto. Eu sei que você gosta do Gakupo-sama.
– O qu-? – Kaito corou.
– Mas saiba que... – se soltou, batendo na mão de Kaito. – Eu também gosto dele.
O vocaloid de cabelos azuis arregalou os olhos. ‘Agora pronto’. Tinha um rival, e daqueles piores. Mas ele não ia aceitar nem mesmo um.
– Você o quê? – seus olhos se mantiveram arregalados.
– Você é surdo? Além de bugado, é surdo! Como você tem sorte, hein?! – Len riu sarcasticamente.
Os dedos de Kaito moviam-se lentamente, fechando e abrindo as mãos. Fazia tempo que não sentia esse sentimento. Aquele sentimento. Ele estendeu lentamente seu braço até Len, que acompanhou confuso o ato. Novamente, sentiu um punho na sua cabeça.
– Crianças, hora de dormir. Len! Vá para a cama.
– Posso ir com você? – Len sorriu abertamente.
– Ir comigo pra onde, bananinha? – Gakupo retribuiu o sorriso.
– Pra cama. – lambeu os lábios.
As sobrancelhas dos dois mais velhos tremeram. Gakupo arregalou os olhos e sorriu forçadamente. Seu olho direito tremia.
– ... Socorro.
– Len-onii-chaaan~ — Rin apareceu gritando na porta.
O menino correu até ela e os dois foram juntos para o quarto. Kaito pulou no pescoço de Gakupo.
– Para com isso, BaKaito. Alguém pode vir.
– Como assim? Já estão desligando as luzes. – depositava vários beijos no rosto do outro.
Gakupo revirou os olhos e pôs o namorado no chão. Pela diferença de altura, sempre que Kaito fazia isso, ele ficava em cima do pé de Gakupo – o que doía um pouco.
– Olha. Hoje estou cansado, então não posso cumprir o que lhe propus. Então... Amanhã eu lhe dou sua surpresa, tá Kaito?
Kaito sorriu abertamente.
– Posso dormir com você?
– Eu não já disse que estou cansado, seu mongoloide!? – Gakupo cruzou os braços.
Kaito fez um bico e abaixou a cabeça.
– Oyasumi.
O vocaloid mais novo sentiu os lábios quentes do outro em sua testa. Arregalou os olhos e sentiu-os ficarem marejados. Gakupo acariciou por um momento a nuca de Kaito com o polegar e logo depois saiu. Este último por sua vez fechou os olhos e sorriu.
– Oyasumi.
.....
7h da manhã
Kaito sonhava que era beijado no rosto por Gakupo. Porém, era como aqueles sonhos que parecem ser reais demais para serem apenas sonhos. Qualquer pessoa já teve essa sensação. E ao ver que não se tratava de um sonho, sorriu. Ele estava lá o acordando. Com um sorriso gentil e olhos cativantes.
– O que faz no meu quarto? – se espreguiçou.
– Eu só vim porque já faz minutos que o Diretor está chamando, e você não apareceu.
– Aah! Você está me acordando? – gritou.
Gakupo perdeu a paciência.
– Não. – ironizou. – É um sonho!
– Ah, deve ser mesmo. – pôs o dedo sobre o lábio inferior, e recebeu um tapa na cabeça em seguida.
– Mas que diacho! Para de ser pateta.
Kaito choramingou massageando o local que doía. Gakupo ficou observando-o por uns minutos com uma expressão estranhamente séria. O outro se sentiu inquieto e escondeu o rosto com as mãos.
– Por que está me olhando assim?
– Seu cabelo parece tão azul com a luz do sol. – mexeu na franja de Kaito.
Kaito arregalou os olhos. Olhou para a janela, a cortina estava aberta, revelando a visão dos grandes arranha-céus.
– Mas isso não é um xingamento. – cruzou os braços.
– Não. Eu acho bonita... A cor do seu cabelo. – disse sério.
Pronto. Kaito quase desmaiou de vergonha. Para escondê-la, resolveu provocar.
– A-ah... Isso é inveja! – ficou em pé na cama, apontando para Gakupo. – Por saber que sou muito melhor que você até nas cores.
O outro se irritou e sorriu maldosamente.
– Ah. Você vai ver o que é inveja! Vou te punir! – ficou em pé na cama também, movendo os dedos para cima e para baixo.
– Aah! Socorro! Ele vai me estuprar! – tentou correr da cama.
Gakupo agarrou Kaito por trás e lhe deitou na cama. Começou a fazer-lhe cócegas arrancando altas risadas e lágrimas do mais novo.
Miku entrou no quarto quase chorando, junto de mais 6 vocaloids.
– Meu Deus, tão matando o Kaito! – até VY1 entrou no quarto.
– Matando ele de rir, isso sim. – Kiyoteru ajeitou os óculos.
– O que vocês estão... Fazendo? – Miku analisou a situação, boquiaberta.
Gakupo. Kaito. O mais velho sem camisa agarrando e fazendo cócegas no mais novo por trás, enquanto o outro tinha lágrimas nos olhos e gritava por ‘socorro’. Imediatamente, Gakupo pulou da cama e passou a mão no cabelo.
– A-ah... Estávamos brigando.
– Que jeito mais estranho de brigar, esse de vocês. – Meiko desconfiou. Cruzou os braços.
– Olhem, eu entendo essa necessidade de brigarem sempre que se veem. Mas isso aí já é... Amor. – Prima sorriu.
Kaito e Gakupo olharam um pro outro como se vissem fantasmas e coraram intensamente. Uma voz gritou nos aparelhos, era o Diretor chamando os vocaloids para um lugar qualquer. Salvos pelo gongo, suspiraram aliviados.
.....
O Diretor havia chamado para que pintassem a nova sala de música. Havia várias latas de tintas, adesivos, papéis de parede e pincéis espalhados pelo chão. Até mesmo papel EVA tinha lá. Estavam todos na porta com a mão na cintura.
– Então... – Gakupo começou.
– Vai ser vermelha! – Meiko gritou.
– Na na ni na não! – VY2 se pronunciou apontando a katana para os outros. – Rosa é uma cor mais viva!
– Concordo. – Luka mexeu no cabelo.
– M-mas... Verde... – Miku pôs a mão na boca.
– Mortais que não sabem nem mexer em uma arma. – Gakupo subiu em um banco. – Eu decido este negócio! Vai ser roxa e (.) final!
– Sai daí, sua berinjela apodrecida! – Meiko puxou a cadeira, fazendo-o cair no chão.
Kaito pisou na barriga do mais velho e apontou um pincel para o alto.
– Que o azul prevaleça!
– Iie!~ — Rin gritou. – Amarelo é mais bonito!
– Bom... – todos olharam para trás e viram Len trazendo uma caixa enorme. – Eu não sei vocês, mas trouxe comida.
Pularam em cima da caixa e decidiram que Miku deveria abrir, mas quem o fez foi o próprio Len.
– Chiclete? – gritaram em uníssono.
– Isso mesmo. Chiclete ajuda muito a controlar os- — Len apontou um dedo para cima.
Todos saíram de perto e foram pintar um espaço na parede.
– Não me ignorem, malditos! – gritou.
Gakupo e Kaito disputavam o espaço e acabavam pintando novamente o mesmo lugar. Miku pregava papéis de parede e adesivos nos móveis recém-chegados. VY2 corria de Meiko com um pincel tingido de rosa na mão, o nariz dela estava todo rosa também. Len comia o tanto de chiclete que conseguia e Rin o acompanhava. Luka observava tudo de longe enquanto lia um livro.
Depois de muito comerem, Len e Rin deixaram a caixa de chicletes ao lado de um aquecedor, o que o fez derreter.
Em um momento, Kaito saiu para beber água. Estava cansado de tanto brigar com o amigo. E enquanto isso...
– Luka... – Gakupo chamou.
– G-Gackpoid-sama! – ela corou.
– Você não vai pintar também? – apontou um pincel.
– Ah... Você quer que eu pinte?
– Bom... Eu olhei você aí parada e pensei que pudesse me ajudar com a parede também.
– Sim, estou indo. – Luka deixou o livro no banco e pegou o pincel.
Os dois começaram a pintar juntos uma parede e a rirem. Gakupo pintou o nariz de Luka com o pincel, e esta riu abertamente.
– Acho que você fica melhor quando sorri, Luka-san. – analisou.
Ela corou e o chamou com a mão.
– Deixa eu lhe contar uma coisa!? – disse.
Ele se aproximou e ela começou a cochichar no seu ouvido.
Nesse momento, Kaito entrou na sala com dois copos d’ água. Seu sorriso brilhante desapareceu lentamente ao ver a cena. Involuntariamente, os copos deslizaram de suas mãos e se partiram em mil pedaços no chão. Miku ouviu o barulho e virou para seus olhos encontrarem um vocaloid trêmulo e à beira de lágrimas. Não se importou em ver o que ele olhava, correu até Kaito e sacudiu-o.
Ele não respondeu. Apenas a afastou e andou até Gakupo, pegando-o pela gola da camisa.
– Kisama! – gritou.
– Kaito? O que foi? – Gakupo arqueou uma sobrancelha e se debateu. – Me solta!
– O que pensa que está fazendo?
– Pintando, ué! – Gakupo elevou a voz também.
– Eu não estou falando disso, seu traíra! – soluçou baixo, quase inaudível.
Gakupo olhou para Luka assustada atrás de Kaito e depois para a expressão furiosa deste.
– Espera, deixe eu expli-
– Eu vou te matar! Como você ousa? – sacudiu-o.
– Mas eu não fiz nada! – o mais velho conseguiu se soltar.
Kaito ia andar para fora da sala, mas Gakupo segurou seu braço. Todos olhavam incrédulos para a cena e sem entender absolutamente nada.
– Me solta, seu idiota! – se debatia.
– Kaito-kun, você está chorando? – Miku sussurrou para si mesma. Seus olhos estavam arregalados.
– Me ouve, garoto! – Gakupo segurou no seu ombro.
– Eu disse para me soltar!
Kaito empurrou-o com força. O que o fez cair na caixa de chicletes, agora derretidos. Seu cabelo e sua roupa sujaram completamente. Luka gritou com as mãos sobre a boca. Kaito permaneceu estático no mesmo lugar, como se estivesse processando a informação.
Com muita dificuldade, VY2 e Kiyoteru tiraram Gakupo do chão. Este último olhou para o próprio corpo e pegou uma mecha do cabelo, examinando-se com uma expressão séria.
– G-Ga... – a voz de Kaito saiu trêmula.
– Tsc. Vai ter que dar um jeito nisso aí, Gakupo-san. – Yuuma pôs a mão no ombro do outro, balançando a cabeça.
– Ahh — suspirou. — Estou grudento. Vou ver o que posso fazer. – Gakupo sorriu e, em seguida, olhou seriamente para Kaito.
O vocaloid de cabelos azuis sequer se mexia. Seus olhos permaneciam fixados na bagunça que fez.
Gakupo saiu da sala, acompanhado de Yuuma, Kiyoteru e Len – que sorriu vitoriosamente para Kaito.
– M-mas eu...
– Tudo bem, Kaito-kun. Você estava nervoso. – Miku apoiou o amigo.
– Hoe, você. – Luka chamou-o, virando-o pelo ombro.
Ouviu-se um estalo.
Luka deu um tapa no rosto de Kaito.
– Seu imprestável! Olha o que você fez com ele! – gritava. – O que o Gackpoid-sama vai fazer com aquele cabelo agora?
Ela ia sair da sala, mas antes finalizou sua fala.
– Tomara que ele lhe odeie mais do que já odeia.
Alguns outros Vocaloids deixaram a sala, deixando-o sozinho.
A possibilidade de Gakupo não querer nem mesmo olhar para ele o assustou e ele desatou a chorar.
Se houver a punição, eu devo ser o único punido.

Notas finais
Eu espero que estejam aqui quando o próximo sair ^u^ sinceramente
Obrigada por ler este capítulo!
Agradeço especialmente a Shizumi-chan pelo encorajamento ;_;
E até o próximo capítulo o/
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