Notas iniciais
Bom... Essa fanfic é sempre enviada primeiro no S.S Então... Quem quer que esteja lendo isso aqui, se tiver interesse em ver lá primeiro... Fique à vontade ^^ Seriously guys? Só uma pessoa comenta? Não estou forçando ninguém, mas é que... Eu realmente pensei que essa fanfic não fosse ficar tão ruim assim logo perto do final. Acho que não atendi suas expectativas. Mas tudo bem. Eu aprendi que não devo parar de postar, mesmo que não tenha nenhum leitor. Enfim... Eu pensei muito em como organizar esse capítulo, mas acabou saindo tão grande O.o que eu tive que cortar duas cenas importantes. Elas ficam pro próximo então, né kkkkk Eu demorei por causa da escola, ok? Mas todo dia escrevo um pouquinho. Boa leitura.

As memórias levadas para longe de mim, as mentiras e as verdades.
Elas estão sendo afundadas cruelmente por esse tempo passageiro.

Era inverno. Com a chegada de Dezembro e a agitação das festas de Natal em todo o mundo, os vocaloids já estavam mais que preparados para viajar. Bom... Nem tanto. No dia em que foram anunciadas as equipes, houve muito choro e vários espernearam por não estarem com quem queriam estar. Afinal, o Natal era importante para eles, e principalmente para os apaixonados – que queriam passar esse dia com seus (as) companheiros (as). Era especificamente para esse público que os vocaloids adoravam cantar, e vários casais iam a seus shows nessa data.

Eles não iriam de jatinhos particulares, pois sairia muito caro para tantas pessoas, então teriam que enfrentar o mesmo que as celebridades humanas. Entrar no aeroporto de Tóquio com incontáveis seguranças; a multidão de fãs famintos por seus ídolos e se jogando por cima uns dos outros, tentando conseguir ao menos um olhar deles; as aeromoças passando informações para o fandom até do horário em que iam ao banheiro. Realmente não haveria descanso para nenhum deles.

Kaito revoltou. Ele achava que Miku baixaria uma vidente e o colocaria com Gakupo. Então eles poderiam passar o tempo inteiro juntos. Cantar em sincronia como sempre, dormir no mesmo quarto de hotel, sair pelas ruas de outro país em turismo, ele se livraria dos olhares furiosos de Len e da ira de Luka por, pelo menos, alguns dias e viveriam felizes para sempre. Fim. Mas não foi isso que aconteceu.

Miku tinha certeza que os dois arrumariam confusão se ela ou Meiko não estivessem por perto. E como teria que levar os gêmeos e VY2 – porque sim – com ela, não haveria espaço para Gakupo. Então ela trouxe Kaito para seu grupo.

Deixando Gakupo no time de Meiko, Kiyoteru e... Luka. Ao escutar isso, Kaito quase explodiu a Terra. Ele tentou fazê-la mudar de ideia, mas ela disse que os acordos já haviam sido fechados com as empresas patrocinadoras estrangeiras. Miku desconfiou daquela cena toda que ele estava fazendo, mas resolveu ficar com o pensamento de que ele só não queria seu rival perto de sua melhor amiga, Meiko.

.....

No dia da viagem, 19 de dezembro

Estavam todos no aeroporto. Alguns vocaloids já estavam fora do Japão, indo para outros continentes. Havia muitas pessoas. Vários voos foram adiados por interdição do lugar. A polícia não conseguia diferenciar pessoas normais que iriam apenas viajar dos fãs fanáticos. Ocorreram assaltos, brigas, prisões, e pegaram até mesmo traficantes que se aproveitavam da situação para viajarem.

O grupo de Miku estava junto do de Meiko e de IA. O Diretor ficava o tempo inteiro na recepção com seus seguranças. Todos estavam tensos por Kaito e Luka estarem novamente no mesmo espaço, mas era inevitável. Ambos se olhavam com ódio nos olhos e, enquanto isso, Gakupo tentava não cair no chão com os olhares pesados que Len lhe lançava. O garoto parecia ter chorado por semanas. Seus olhos estavam inchados permanentemente, e o azul claro estava nublado, fitando ao seu redor com melancolia. Rin estava deitada em seu ombro e passava a mão em seu cabelo. Kaito olhou para Len e este sorriu de um jeito indescritível, virando o rosto em seguida. Ele parecia esconder alguma coisa. Os outros apenas observavam aquela situação.

O time de IA teve que ir para a sala de embarque, pois o voo deles havia acabado de chegar. Eles se despediram com algumas lágrimas, e disseram que logo todos voltariam a ficar juntos novamente. Enquanto os outros estavam se despedindo, Kaito e Gakupo ficaram um pouco atrás. As mãos trêmulas de Kaito procuraram as de seu amado e seguraram-nas firmemente. Ele estava com medo de viajar em voos separados do dele. E se acontecesse algum acidente? Ele não poderia nem ao menos morrer com ele. Passariam muito tempo sem se verem, e ele ficava angustiado só de pensar nisso. Com certeza ele deveria estar pensando o mesmo.
Gakupo olhou ao redor com atenção e retirou sua mão da de Kaito. Ele olhou-o de canto de olho e mexeu a cabeça leve e negativamente. Kaito entendeu que não podiam fazer isso em público, principalmente com paparazzis escondidos até debaixo do piso, e colocou as mãos nos bolsos da calça.

Depois de um tempo, Miku dormiu e VY2 ajeitou seu corpo de modo que ela deitasse em seu colo. Ele retirou seus amarradores de cabelo para que ela não sentisse dor de cabeça, e deixou seu cabelo cair livremente pelo seu pequeno corpo. Meiko e IA se entreolharam e riram baixinho. Gakupo e Rin ficaram de boca aberta. Os outros apenas ignoraram a situação.

Quando chegou a vez do grupo de Meiko, Kaito sentiu vontade de chorar. Mais do que já estava sentindo. Ele precisou olhar para cima, para os lados e piscar várias vezes para se controlar. Eles iam viajar pela Ásia e o de Miku pela América, como previsto. O avião ainda estava pousando quando Kaito inventou que estava tendo um ataque de dor de barriga.

– Tá tudo bem, Kaito-kun? – Miku demonstrava preocupação.

– Não, aaaaai – Ele se contorcia no chão. – Eu acho que comi alguma coisa que venceu há semanas.

– Kaito-onii-chan! Quer que eu chame o Diretor? Ele vai trazer remédio e você vai ficar bom rapidinho. Quer? Quer? Eu vou lá. – Rin ia sair correndo, mas Kaito puxou seu sapato, fazendo-a cair no chão.

– Rin-san! – Kiyoteru ajudou-a a levantar.

– Não, Rin! Ele vai me dar remédio ruim e eu vou bugar. Aaaai, mas tá doendo! – Rolou pelo chão em posição fetal.

– Que encenação ridícula é essa? – Luka murmurou para si mesma.

– O que você quer que a gente faça então, sorvete? – Meiko chutou a barriga dele. – Quer que eu traga um vaso sanitário até aqui?

– Não chuta, senão ele libera as parada em cima de todo mundo. – VY2 estava de braços cruzados longe deles.

Algumas pessoas passaram olhando a situação com medo.

– Quero que Gakupo me leve até o banheiro. – Kaito estendeu a mão na direção do rapaz de um modo teatral. – Senão eu morro.

– É o que? – Gakupo berrou. – Eu sou o obrigado a sentir o cheiro daquele banheiro quando você estiver lá?

– Você, com certeza, não vai morrer se Gakupo-san não te levar, Kaito-san. – Kiyoteru riu educadamente.

– Vou, sim.– Kaito pôs a costa da mão na testa. – Estou até vendo o céu dos vocaloids, é tudo cheio de sorvete lá em cima.

– E quem foi que disse que você vai para o céu, Shion? – Meiko riu alto.

– Sorvete pra você ficar com mais diarreia ainda? – Len comentou, embora soubesse que era só desculpa pra ficar a sós com Gakupo. – Apenas morra logo.

Todo mundo riu, menos Gakupo, que estava imaginando a sua situação no banheiro com uma expressão de horror.

– Me leva logo no banheiro, porra! – Ele bateu os punhos no chão repetidamente.

Gakupo se abaixou e Kaito subiu em suas costas com um sorrisinho feliz. Enquanto os dois se afastavam, os outros começaram a se arrumar para ir embora.

– Que pouca vergonha. Eu mereço. – Luka estalou a língua, e sentou-se de pernas cruzadas.

– Talvez mereça. – Len ficou de pé na frente dela.

– Que é, seu banana? Veio me encher o saco agora? – Ela olhou-o perigosamente.

– Tá de TPM, Megurine Luka? – Ele sorriu de lado. – Gakupo vai ficar irritado se continuar com esse mau humor na viagem.

Ela arqueou a sobrancelha.

– O que voc-

– Quem sabe você consiga ser um pouco mais legal, coisa que você não é, e o divirta lá. – Ele foi sentar-se do outro lado.

Ela piscou algumas vezes e, então, abriu um sorriso.

– Ora, ora. Que menino esperto. Aceito seus conselhos.

Quando chegaram ao banheiro, Gakupo ainda estava traumatizado. Ele deixou Kaito no chão e saiu andando pelo banheiro recolhendo papel higiênico. O homem humano que estava lá saiu rapidamente, olhando com estranheza para Gakupo. Kaito riu e foi até ele, tirando os rolos de suas mãos e pondo-os na enorme pia que tinha lá.

– Tá tudo bem. Eu não estou com dor de barriga. – Kaito pegou na mão dele.

O mais velho suspendeu a cabeça e arqueou uma sobrancelha.

– Você só estava preocupado, ne? – os olhos dele brilharam.

Gakupo sorriu de canto.

– Você inventou isso para que?

Os lábios de Kaito tremeram um pouco e ele olhou para baixo. Ele apertou fortemente as mãos do outro. Estaria tudo bem enquanto elas ficassem ali, em toque com as suas. Gakupo entendeu o recado e abraçou-o. Eles ficaram assim por alguns minutos, até que ouviram a segunda chamada para o voo.

Gakupo soltou-o e tirou o cachecol roxo. Ele parecia um humano a trabalho, com a camisa social branca, calça e sapatos pretos. Era um profissionalismo que Kaito admirava nele.

Por fim, Gakupo tirou um cordão com uma chave, que estavam escondidos por trás da camisa. Ele entregou na mão de Kaito e fitou o objeto enquanto falava.

– Eu disse que iria te entregar a chave do meu quarto, lembra? Agora só você, e as camareiras, podem entrar lá.

Kaito soluçou e começou a chorar de repente, estava muito feliz.

– Claro que eu lembro.

– Ah, não vai começar a chorar agora, BaKaito. – Gakupo pôs as mãos na cintura.

– Ok, ok. – Ele sorriu e enxugou as lágrimas.

– Agora tenho que ir.

Kaito balançou a cabeça e puxou Gakupo pela nuca. Este o abraçou pela cintura e eles se beijaram sutilmente, sendo interrompidos apenas por VY2 e Kiyoteru chamando Gakupo. As suas vozes se aproximavam rapidamente do banheiro.

– Ae, cara! A gente não vai entrar aí, não. – VY2 avisou. – Deve tá a maior zona. O véi tá perdendo os últimos cabelos lá na sala de espera procurando vocês dois.

– Perdão, Gakupo-san. Mas será se poderíamos esperar aqui fora? – Kiyoteru bateu na porta.

Gakupo e Kaito riram baixinho.

– Estou indo, deixa eu só entregar o outro rolo de papel pro BaKaito. – gritou, tapando o nariz.

– Você não precisa tapar o nariz, sua voz já é assim. – Kaito disse sussurrando e segurou a barriga para rir.

Gakupo bateu na cabeça dele.

– Kisama! – sussurrou também.

– Aaaai, que dor. – Kaito gemeu alto e riu de novo.

– Pelos deuses, Kaito-san. Como ficou assim? – Kiyoteru falou com a voz tremendo.

Kaito se jogou no colo de Gakupo e lhe deu alguns beijos travessos em meio de algumas risadas.

– Olha essa ousadia, BaKaito. – Riu. – Agora preciso ir. – Gakupo se afastou

rapidamente, após colocá-lo no chão.

Kaito puxou seu braço pela última vez, até encostar sua testa na dele. Seus olhos estavam marejados.

Passageiros do voo 456 com destino à Seul, Coreia do Sul. Última chamada para o embarque no portão 42. Repetindo, passageiros...

– Boa viagem.

Gakupo sorriu e beijou sua testa.

– Para você também.

Ele correu para fora.

As vozes se distanciaram aos poucos.

Kaito olhou para a chave e contornou-a com o dedo. Ela era de cor prata e o modelo era medieval. Ele não sabia que ainda fabricavam objetos assim, talvez Gakupo tivesse, ele mesmo, desenhado. Ele colocou o cordão por cima da cabeça e escondeu-o dentro da camisa.

.....

Kaito só podia ter jogado pedra na cruz para botarem ele no mesmo grupo que Len. E, principalmente, lado a lado no avião. A viagem inteira teve que suportar vê-lo vomitando várias vezes. Sinceramente, por que o programaram para sentir enjoo em meios de transporte? As sacolinhas do avião já estavam acabando. Quando pedia para trocar de assento com VY2 ou Miku os dois se negavam e começavam a rir da cara dele. Rin sentia-se enjoada também só de olhar e passava mal. E depois disso, do nada, um monte de humanos começaram a passar mal também. Kaito deu um grito de pavor e saiu correndo para o outro lado do avião. Os comissários se prepararam para ir atrás dele, mas Miku os impediu e disse que faria isso ela mesma.

– Kaito-kun, para onde está indo? – Ela sorria forçadamente para os olhares curiosos.

– Vou resolver essa palhaçada de uma vez por todas.

Ele abriu bruscamente uma porta para outra classe, fazendo as pessoas se assustarem.

– Alguém aqui tem uma desgraça de um remédio pra estômago? – Gritou.

Ninguém falou nada.

– K-Kaito-kun – Miku sussurrou. – Pare com isso.

– Não, não vou parar. – forçou uma voz baixa para ela. — Eaí? Ninguém aqui tem? – cruzou os braços e voltou a falar alto.

Novamente, as pessoas se entreolharam. Algumas crianças sorriram, maravilhadas com ele.

– Moço, por que seu cabelo é azul? – Gritou um menino no fundo.

Uma gota surgiu na testa de Kaito e ele piscou.

– Eh?

– Verdade, olha só os olhos dele. – Falou uma idosa sentada perto dos dois. Ela tocou o próprio rosto e sorriu. – Eu queria que meu marido fosse assim.

– É o que, senhora? – Kaito forçou um sorriso.

– Quer ser meu marido? – A idosa levantou-se para tocá-lo.

– A menina atrás dele tem o cabelo verde! – Gritou uma garotinha, apontando para Miku.

– Vamos abraçá-los! – Duas crianças apontaram.

– Espe- Gah! – Kaito foi puxado pelo cachecol por Miku.

As crianças saíram de seus assentos e correram para a porta, mas Miku a fechou com força e permaneceu segurando-a com as costas. Kaito estava com o rosto roxo e segurava a camisa como se assim fosse respirar melhor.

– O que foi isso? – Ele estava sem voz.

De repente, o avião sacudiu um pouco. Os dois gelaram e ficaram paralisados. Uma voz feminina surgiu de algum lugar.

Senhores passageiros, estamos passando por uma turbulência nesse exato momento. Por favor, perman-

– Aaaaaah! – Miku berrou e correu em alta velocidade, esbarrando em comissários que carregavam bebidas e arrastando Kaito no chão pelo cachecol. Ele estava de mãos para cima e boca aberta como se tentasse gritar também.

Ela passou por cima de várias poltronas, subindo no joelho das pessoas e dando pulos. Enquanto Kaito voava e batia a cabeça no teto, tentando desatar o cachecol. Os comissários correram atrás dos dois.

– Parem de correr pelo avião, por favor! – Gritou uma.

Essa mesma levou um chute no rosto sem querer de Kaito, e caiu por cima dos passageiros. Alguns comissários tropeçaram e caíram nela, fazendo um montinho.

– A gente vai morreeeer! – Miku chorou.

Um homem gordo levantou-se e estendeu a mão a fim de parar Miku, mas ela conseguiu chutar sua barriga e passar por cima.

Kaito prendeu o pé em uma bagageira que estava aberta e desmaiou. Miku puxou mais e ele saiu arrastado novamente. Chegando a classe em que estavam, Rin e Len viraram para trás, ouvindo os berros de Miku e as reclamações das pessoas.

– Mas que diabé-? – Len arregalou os olhos, a voz saiu rouca.

Miku parou de correr tão subitamente que o cachecol escorregou de sua mão. Ela se abaixou e Kaito voou para frente. Foi tudo tão rápido que Rin tropeçou nela quando se levantou para ajudar Kaito. Ela suavizou a expressão de susto quando viu a vocaloid de cabelos longos segurando fortemente a camisa de VY2, chorando em seu peito. Ele estava boquiaberto, assim como Len e as outras pessoas que viam a cena. Ele não ouviu os gritos antes, pois estava de fones e olhos fechados.

– Estou com medo, Yuuma-kun. – A voz dela era abafada pela camisa.

VY2 piscou algumas vezes. Um sorriso compreensivo surgiu em sua face.

– Hai, hai. Está tudo bem agora. – Ele pousou a mão na cabeça dela e afastou seu rosto para olhá-la melhor. – Era só uma pequena turbulência. – Abriu os braços em um ângulo fechado. – Viu? Você foi, voltou e não aconteceu nada.

Miku enxugou as lágrimas e assentiu.

– Acho que você exagerou. – O olho de Len estava tremendo.

Acha? – Falou uma voz vinda de cima.

Eles olharam para o lado e viram os comissários completamente bagunçados, algumas pessoas com roupas manchadas de bebidas e o homem gordo. Eles estavam claramente zangados e prontos para jogar todo mundo pra fora do avião.

– Oh, pelos deuses. – Len bateu no próprio rosto e o puxou para baixo. – Por que só a gente passa por isso? Culpa daquele debiloide do Kaito!

– Vocês vão ter que pagar por esse estrago, senhores. – Uma aeromoça trincou os dentes.

Miku levantou-se e os outros também. Eles se curvaram.

– Sumimasen! Vamos pagar.

– Venham comigo. – Um comissário passou a mão no rosto machucado e eles o seguiram.

VY2 foi até o final da cabine e voltou carregando um Kaito desmaiado em seus ombros.

.....

Em outro avião

Eles podiam até ter saído mais cedo que o grupo de Miku, mas a neve em outros países asiáticos estava impossível. E a situação nos aeroportos não estava uma das mais bonitas. Eles tiveram que constantemente parar em aeroportos aleatórios, antes de chegar ao país de destino, para esperar a nevasca acalmar.

Estava tudo tão entediantemente quieto. Meiko era acostumada às loucuras dos outros integrantes da Crypton, mas com Kiyoteru, Luka e Gakupo, estava parecendo uma viagem de negócios realmente. Mas se bem que, sem gritar tanto, ela podia parar para pensar mais nas coisas e observá-las. Ela apoiou o cotovelo no braço do banco e fingiu olhar pela pequena janela do avião, mas na verdade tentava ouvir o que Luka conversava com Gakupo. Eles estavam absurdamente próximos, e ela cochichava demais em seu ouvido. Meiko tinha que tomar uma decisão. Iria manter Luka longe de Gakupo ou iria apoiá-la e manter Kaito longe dele? Por que tudo girava em torno daquela berinjela que, na opinião dela, não tinha nada de tão incrível assim?!

Luka era sua melhor amiga e Kaito também, além de ser o amor da sua vida. Ela queria a felicidade dos dois, mas teria que escolher um. Mesmo sabendo que podia perdê-los para sempre. Tirou o cachecol vermelho de lã, e ajeitou o cabelo para trás. Aqueles dois já estavam irritando-a, não só porque a faziam de vela, mas não estava gostando do jeito que ele olhava Luka, sabendo que “namorava” Kaito. Uma aeromoça estava passando com um copo d’ água para um passageiro qualquer. Meiko levantou-se e pegou o copo da bandeja.

– E-espere, não é para...

– Arigato. – Meiko sorriu como se a mandasse ficar calada, e voltou para onde estava.

Luka e Gakupo não a viram chegar perto. E então, ela derramou propositadamente o líquido nas calças de Gakupo. Eles a olharam assustados.

– Aaah, gomen gomen. – Sorriu e coçou a bochecha. – Eu ia oferecer o copo para vocês, mas acabei pisando na bola. Gakupo, vá trocar essa calça!

Ele ficou olhando-a como se seu cérebro tivesse parado de funcionar. Luka suspirou e sorriu para ele.

– Vá lá, Gackpoid-sama.

Gakupo se levantou, passou pelas poltronas das duas, e pegou uma calça limpa dentro da mochila no bagageiro. Quando ele saiu, Meiko sorriu forçadamente para Luka, que estava com uma cara de poucos amigos.

– E então, e então? O que estavam conversando? – Meiko agarrou-se ao braço dela.

– Nada de mais. Só algumas coisas aleatórias. – Olhou para cima.

– Ora, vamos Megurine. Eu quero saber mais desse relacionamento. – Puxou o sutiã e sorriu.

Luka fitou-a de canto de olho por alguns instantes. Então, fechou os olhos e sorriu.

– Sabe... Eu também odiava Gackpoid-sama, como Kaito. Quando fui recebida por todos, tinha a certeza de que iria ser a mais bonita, a que mais chamaria a atenção pela voz linda e pela roupa sexy, mas quando o vi... Logo percebi que ele roubaria minha cena. Ou que já havia roubado mesmo antes de ser criado. E isso me deixou com inveja.

Meiko arregalou os olhos.

– Mas logo essa inveja se transformou em admiração, e depois em amor. E eu fui capaz de perceber isso antes do imbecil do Kaito. Por isso que, o que estou querendo dizer é: eu o mereço mais do que-

– Espera um pouco aí. – Meiko estreitou os olhos.

Luka virou-se calmamente para ela.

– “Fui capaz de perceber isso antes do Kaito”... – Repetiu cuidadosamente. – Está querendo dizer que você sabia que ele gostava do Kamui?

A outra sorriu cinicamente.

– Claro que sim. Por que acha que brigamos tanto?

Meiko tomou uma expressão dolorosa. Lembrou-se da noite em que Kaito se abriu para ela.

– Os vocaloids tem um sexto sentido além do canto. – Luka continuou. – Mesmo que ele não tivesse esboçado nenhum sentimento amoroso por Gakupo, eu saberia. Ele está invadindo meu território.

Meiko cerrou os punhos, e sua franja cobriu seu rosto.

– Calada. – Sussurrou.

– Mas já que já sabe que ele gosta dele também, queria saber de que lado você vai ficar? Do meu ou daquele perdedor? Se for dele, fique informada de que Gackpoid-sama não vai aguentar as criancices dele por mais tanto tempo. Kaito é um bebê, e Gackpoid-sama precisa de uma mulher adulta, que saiba amá-lo, e não que fique enchendo o seu saco. E, assim, aquele azulado vai acabar sozinho e de mãos abanando.

O jeito que ela falava... Ela não sabia de nada. Nada sobre os sentimentos dele. Só pensava nela mesma.

Meiko socou o rosto de Luka. Incrivelmente, ninguém viu. Muitas pessoas dormiam, outras conversavam alto, outras ouviam música nos fones. Luka permaneceu apoiada na cadeira de Gakupo, ao seu lado esquerdo, e com o cabelo jogado no rosto. Meiko não estava chorando. Só o que sentia era frustração por ser amiga de uma pessoa assim. Depois de alguns segundos, naquela mesma situação, Luka passou rudemente a mão no rosto e olhou com um sorriso de escárnio para Meiko.

– Então é assim que vai ser?

Meiko a olhava de cima com os olhos nublados de raiva. Gakupo chegou alguns instantes depois.

– Hoe hoe, o que está acontecendo aqui? Luka, por que está jogada aí na cadeira? – Uma gota se formou na cabeça dele.

– Nada de mais, Kamui. – Meiko pegou as coisas dela no bagageiro. Foi para a fila de cadeiras do outro lado, puxou Kiyoteru pela gola e o jogou no chão.

– E-ei! – Ele a chamou, ainda sonolento.

Ela sentou-se no lugar dele.

– E-Era só pedir, Meiko-sama. – Ele levantou-se e foi sentar-se perto de Luka e Gakupo.

Meiko suspirou. Resolveu não olhar mais para aquele lado. Lançou um olhar intimidador para o humano assustado ao seu lado para ver se ele parava de encará-la. Então, voltou seu olhar para o teto do avião. Quando foi que as coisas saíram do controle? Ela estava sendo uma alienada até agora por não perceber tais problemas? A vontade que tinha era de estalar os dedos e tudo voltaria a ser como era antes. Kaito e Gakupo voltariam a brigar, sem intenções escondidas, Luka e ela voltariam a se falar normalmente e cantar juntas, VY2 voltaria a gritar e fazer barulho que nem um metaleiro, Rin e Len voltariam a serem unidos e a fazer travessuras aleatórias, e Miku voltaria a pôr ordem em tudo no final das contas. Os vocaloids voltariam a ser... Os vocaloids. Começou a cantar baixinho para tentar não chorar ali mesmo.

.....

New York, EUA, 20h da noite

– Sugooooooi, olha quanta gente diferente. – Rin engrossou a voz. — Ei, ei. Aquele cara ali tá com um pano na cabeça. E aquele outro ali, ele ta usando tranças e um chapéu. – Apontou e riu. – Len, Len. Olha! Que pele bonitaa~ Eu queria ter aquela cor. – Sacudiu o irmão.

– Rin, pare de falar, sim? Estou cansado. – Os olhos de Len giravam.

– Mas Leeeeeeeeeen~!!! – Choramingou.

Ao chegarem ao aeroporto internacional de JFK, receberam algumas – lê-se muitas – broncas do Diretor e foram ordenados a esperar, nas cadeiras de um lugar qualquer, até ele voltar com os problemas do voo resolvidos.

– Quanta energia. – VY2 comentou, com o gorro cobrindo os olhos.

– Kaito-kun, tudo bem? – Miku encostou o dedo na bochecha de Kaito.

Os olhos dele também estavam girando, e ele resmungava coisas sem sentido.

– Eu acho que ficar sem respirar por muito tempo afetou o cérebro dele. – VY2 se ajeitou na cadeira.

– Mais do que já é afetado? Esse cara tá ferrado. – Len tentou rir, mas ainda estava enjoado.

– Olha só! Aquela moça está com um cãozinho na casinha! – Rin deu um grito e a mulher a quem se referia olhou para ela. – Da próxima vez eu posso trazer meus coelhos? Posso? Posso? – Rin sacudiu Miku pelos ombros.

– Que vergonha. – Len escondeu o rosto nas mãos.

– N-n-não sei! – Miku abanou as mãos. – P-Pergunte ao Diretor.

– Tsc. Ei, pequena. Venha aqui. – VY2 puxou Rin pelo laço na cabeça. – Pare de atazanar os outros, e durma.

Ele deitou-a no seu colo e pousou suas mãos sobre os olhos dela, para bloquear a claridade das lâmpadas. A princípio, Rin esperneou e reclamou que não queria dormir, mas depois de 20 minutos, ela parou de reagir e dormiu profundamente, abraçando o rapaz. Miku observou a cena. Rin dormindo e VY2 acariciando seus cabelos. Ela sorriu com o pensamento de que ele poderia ser um bom pai um dia.

– O que foi? Quer tomar conta dela? – Ele virou o rosto para ela.

Miku ruborizou e olhou para o outro lado.

– N-Não.

VY2 riu levemente e encostou-se ao ombro dela. Miku arregalou os olhos e abaixou a cabeça. Depois de alguns minutos, estavam todos dormindo.

– Tsc. Que saco, fiquei sobrando aqui. – Len estalou a língua. – Pelo menos Rin se calou.

Ele se pôs a observar o quadro de voos. Não entendia muita coisa, por estar em inglês, mas não tinha nada para fazer mesmo. Tentou ler alguns nomes, se recordando da vez em que tinham viajado todos juntos para os EUA, e Gakupo o ensinou algumas palavras em inglês à parte daquelas que cantava em suas músicas. Toda vez que ele conseguia compreender sua explicação, o rapaz o parabenizava bagunçando seus cabelos. Ele, geralmente, só fazia isso com ele – já que em Rin ele apenas apertava as bochechas –, era algo só deles. Mas quando o viu fazer isso em Kaito pela primeira vez...

Len sentiu a visão se distorcer e pôde ver as gotas na imagem formada pelos seus olhos. Ele tentava ao máximo não se recordar de coisas assim em público, senão acabava chorando descontroladamente. Enxugou as bochechas e os olhos com a costa da mão. Ele nunca perdoaria Kaito por isso. Não era justo ao ver dele. Luka e ele perceberam os sentimentos primeiro, demonstraram primeiro, e mesmo Kaito tendo se descoberto só nos 40 minutos do segundo tempo, ele foi o escolhido. E Len foi rejeitado com indiferença. Sim, porque ele sabia que Gakupo só estava sendo paciente com ele naquele dia por tentar ser legal. Mas...

"Você não entende. Não tem que ser ele"

Aquilo nunca saiu de sua cabeça e ele não sabia o porquê. Virou-se subitamente para Kaito e o viu dormindo. Já era a milésima vez que ele acordava, murmurava coisas sem nexo, e dormia de novo. Como se isso importasse. Ele desceu os olhos daquele rosto idiota e mirou no pescoço. Movia-se a cada deglutição e respiração. Len arqueou a sobrancelha. Analisou a frase de novo e olhou para os lados. Ele foi em direção a Kaito e observou-o por um momento, esperando qualquer reação que fosse. Como nenhuma veio, ele pressionou o pé na cadeira, estalou os dedos e moveu suas mãos em direção ao pescoço do outro. Elas assumiram a forma de estrangulamento. Porém, no momento em que ia apertar, ele ouviu o Diretor chegar gritando exageradamente.

– Bando de idiotas, o que fazem dormindo?

Len rapidamente se moveu e fingiu estar ajeitando algo na mochila. Miku acordou num sobressalto, assustando VY2. Rin se moveu um pouquinho para o lado e quase caía de cabeça no chão, se não fosse pelo rapaz.

– Que barulheira é essa? – VY2 parecia irritado.

– Eu vou resolver um problema que, supostamente, era para vocês estarem resolvendo e quando volto é essa mordomia? Vamos, levantem, preguiçosos!

Rin se assustou e acordou desnorteada. VY2 o dirigiu um olhar cruel. Os olhos dourados brilhavam perigosamente. O Diretor recuou, mas continuou encarando-o.

– Cala a boca, velho. Fala alto mais uma vez e eu fatio seus órgãos. – Ordenou, sendo impedido de pegar sua katana pelas mãos de Miku.

– Pelos deuses, eu estou perdendo a autoridade aqui. – O Diretor sentiu mais alguns fios de cabelo caindo, e passou a mão na cabeça.

Não queira ficar perto de VY2 quando ele acorda.

Len relaxou ao ver que ninguém havia visto nada. Ele se levantou com a mochila nas costas.

Um homem de terno e um fone só na orelha pegou Kaito e o carregou de um modo, no mínimo, estranho. Todos os outros levantaram também e foram em direção à saída.

.....

21h do mesmo dia

Quando chegaram ao hotel, em Manhattan, tiveram que usar de escolta novamente. VY2 ficou impressionado em como eles eram famosos, e ao mesmo tempo não eram; porque mesmo que tivessem fãs no exterior, a maioria sempre era asiática. Rin estava nas costas dele, ainda estava um pouco sonolenta e pelo jeito não iria querer passar a noite para conhecer o hotel. Len já chegou procurando algum cesto de lixo na rua, Miku passou uma sacola grande a ele e saiu correndo.

– Caralho, que estômago, véi. – VY2 piscou. – De onde você tira tudo isso?

Len olhou-o com raiva e virou para o outro lado.

– Yoooshi. – o Diretor parou bruscamente na entrada. – Eu farei o check-in de vocês, mas não vou levá-los até os quartos.

– Por quê? – Miku indagou.

– Porque eu to com sono e com fome. Se vocês quiserem comer, apenas desçam até o restaurante do hotel ou peçam pelo quarto.

E com isso, ele saiu saltitando até a recepção.

– A-Aquele maldito. – VY2 tinha veias saltando de sua testa.

– Deixa que eu vou lá pegar as chaves dos quartos, Yuuma-kun. – Sugeriu a garota ao seu lado.

– Hai hai. – Sorriu.

Ela correu até a recepção, e VY2 aproveitou para observar o lugar. Havia pessoas morrendo de frio, e estas o olhavam com certo desdém. Ele ignorou-as e olhou para os detalhes. As paredes eram pintadas com um tom creme, com duas linhas pretas paralelas que passavam horizontalmente por todas elas, e decoradas com obras de arte modernas. Os móveis eram pretos e confortáveis, o chão era de veludo e as lâmpadas do teto não chamavam tanta atenção. Mas as luzes doíam seus olhos.

Ele olhou para Len. O garoto estava inerte no sofá do saguão, com a cabeça jogada para trás. Devia estar exausto, em todos os sentidos, dessa viagem. Ele tocou a bochecha dele para ver se reagia, mas Len parecia dormir. VY2 suspirou pesadamente. Virou Rin para seu braço esquerdo, e com o outro pegou o irmão. Ele juntou as pernas dos dois para que ficassem apoiados em seus antebraços. O homem de terno, que ainda segurava Kaito, arqueou uma sobrancelha. Os gêmeos pareciam bem leves por sinal. Ele sugeriu trocarem de vocaloids, para VY2 ter menos trabalho, mas ele estremeceu e negou.

Miku voltou com chaves e pôs a mão na boca para não rir, ao ver as duas crianças no colo do amigo. E ele ainda conseguia ficar sério daquele jeito. Estava esplendidamente fofo.

– Er... – Tossiu. – Eu só tenho aqui dois quartos de duas camas separadas e um de uma cama de solteiro. Por sorte, eles são um do lado do outro. Mas alguém vai ter que ficar sozinho.

Os dois olharam para Kaito.

– Malzão ele não estar acordado, né? – VY2 sorriu de canto.

– Yuuma-kun, não seja mau. – Miku riu, mas ela pensou o mesmo que ele.

Kaito, certamente, escolheria ficar com VY2 e deixar Len sozinho em um quarto, já que o garoto não gostava de dormir só. Mas como ele não estava vivo para discordar...

Entraram no elevador e viram pela chave que era no vigésimo terceiro andar.

– Sugooi. Nem me preocupei em ver o tamanho do hotel quando chegamos. – Miku entregou a VY2 uma das chaves, e a do quarto de solteiro para o homem de terno.

– Nem eu. Depois arrumo saco para isso. Está com fome? – Sorriu.

– Ah... Não muita. Eu só queria entrar e conhecer o hotel. D-deixo para comer amanhã.

Miku sabia que ele estava convidando-a indiretamente para jantarem juntos, mas ela também sabia que ele não a forçaria a comer se não estivesse com fome. E foi o que ele fez. Apenas sorriu e fitou o chão o resto do tempo. O homem de terno pensava, até agora, que vocaloids não tinham tantos sentimentos porque só os via cantar e dançar, mas eles eram mais humanos do que pareciam.

Ao chegarem aos quartos, VY2 entregou Rin cuidadosamente à Miku. Os dois pediram ao homem de terno que ajeitasse Kaito na cama quando chegasse, e se despediram com um aceno de mão.

Miku carregou a garota até a cama. Retirou suas botas, o cachecol, o casaco, e as calças deixando-a com a camisa azul-marinho de manga longa. Ela logo sentiria muito frio, então Miku procurou o aquecedor. Após ligá-lo, abriu a mala de Rin e retirou um pijama de borboletas para vesti-la. Rin gostava de dormir combinando, se ela a deixasse só com a camisa e uma calça de pano qualquer, a menina ficaria zangada.

Após ajeitar Rin na cama, guardar as roupas e tomar banho, Miku saiu do quarto. Ela usava uma roupa de frio simples e um cachecol verde-água. Seu cabelo estava solto e penteado. Virou o rosto e fitou a porta do quarto dos meninos. Subitamente, lembrou-se da cena do avião e corou fortemente. Ao sentir medo naquela hora, seu corpo simplesmente se moveu até Yuuma. Agora que parou para pensar, aquilo foi no mínimo embaraçoso.

– Mas não é hora para isso. – Fechou os punhos. – Eu tenho um objetivo nessa viagem.

E saiu pelo hotel, a fim de conhecê-lo.

.....

Kaito só foi capaz de acordar no dia seguinte. Quando deveriam ter passado, pelo menos, a manhã ensaiando para o primeiro show (que seria no mesmo dia). Ele levantou da cama um pouco confuso, pensando que ainda estava no avião. Rodou pelo quarto olhando tudo e estranhando. Parou em frente às cortinas, abrindo-as para espiar lá fora. Quando percebeu que já estava na cidade, abriu-as completamente e sorriu largamente com a visão que teve. Eram tantos arranha-céus que parecia uma floresta de concreto e espelhos; havia muitas pessoas na rua, assim como visto do prédio da empresa em Tóquio; os outdoors estavam em inglês e eram criativos. Algumas paredes continham grafite, mas nada que as pessoas não gostassem de ver. Fitou a chave pendurada em seu pescoço. Ele queria poder mostrar aquelas coisas para Gakupo.

Pegou o celular e tirou fotos de muitas coisas, até do vaso sanitário com detalhes azuis no banheiro, do qual ele tinha gostado muito. Mandou-as por mensagem para ele com vários emojis, e mais algumas fotos de si mesmo. Ansiosamente, esperou por alguns minutos a resposta, mas parecia que ele não veria no momento.

VY2 foi chamá-lo para tomar café, já que o self-service terminaria dali a meia hora, e depois saiu correndo. Kaito ia morrer sem entender por que o garoto fazia isso.

A caminho do elevador, recebeu uma ligação de Meiko. Atendeu prontamente.

Ligação

– Meeeeeeei-ko-chan~

– Sorvete! Nanda yo*? Que empolgação é essa?

– Aaah... Nada em particular hehe. – Coçou a nuca.

– Eu liguei de madrugada e acordei Miku. – Sorriu malvadamente – E ela me disse que você apagou durante muito tempo e ainda não tinha acordado. Que diabo aconteceu com você, cara?

– Aaah... Não lembro muito bem. Só lembro-me de Miku gritando, meu corpo doendo, muita correria e nada mais. – Entrou no elevador.

– Pelo amor dos deuses, eu achei que ela te impediria de se meter em problema. Não vou mais deixar vocês juntos. – A voz dela soava cansada.

– Meeeiko-chaan~ Malvada. – Fez uma pausa para a risada de Meiko, e então continuou. – Então... Como é aí na Coreia do Sul?

– Ah, é super legal. Nem dá vontade de sair daqui. Já conversamos com os colaboradores e, no momento, já faz 2 horas que saímos de um show.

– A essa hora da manhã? – Gritou.

– Baka, não está de manhã aqui. São 23h30. – Riu fracamente.

– Aaaah, gomen gomen. Tinha esquecido.

Alguns momentos de silêncio e inquietação da parte de Kaito.

– Olha, você não precisa se segurar, tá? – Meiko disse em tom provocativo. – Eu sei que quer perguntar pelo Kamui.

Kaito pigarreou e Meiko pôde ouvi-lo tropeçar em algum lugar.

– É-é...

– Hehe Ele está... Legal. Ele se apresentou muito bem, e fez o show ser um sucesso. – Kaito abriu um sorriso de orgulho. – E estamos nos dando... Bem aqui. – Ele a ouviu derrubar alguma coisa. – Só queria saber o que tanto ele faz naquele celular.

Kaito arqueou a sobrancelha, mas não disse nada. Se ele não saía do celular, por que não respondia suas mensagens?

– E... Luka? Ela está em cima dele, não é? – Kaito rosnou alto. – Não deixa, Meiko-chan.

– C-Claro que não vou deixar. Fica frio, sorvete. – Riu nervosamente.

– ... Está tudo b-?

– Bem? To ótima. Eu tenho que desligar agora, to caindo de sono aqui. – Fez som de ronco. – Tchau, rapaz.

E desligou.

Kaito piscou algumas vezes e fez uma careta, antes de continuar seu caminho.

.....

Kaito tinha uma nova estratégia de apresentação. Antigamente, ele costumava cantar e dançar como se estivesse competindo com Gakupo, dando o melhor de si e mostrando ser mais atraente e talentoso do que o outro. Houve momentos, estranhos ao seu ver, em que ele pensava apenas em impressioná-lo e ser reconhecido por ele como um rival à altura. E como essas coisas não pareciam acontecer, ele ficava cada vez mais angustiado. Hoje, ele entende o porquê desse sentimento. No final das contas, ele só queria ser notado pela pessoa que amava. E era exatamente isso. Durante os dois shows que fez, no Madison Square Garden, ele se imaginou apresentando para Gakupo com o mesmo pensamento de antes, porém sabendo que ele o recompensava com sua atenção. Claro que, mesmo com tudo isso, não ignorava que eram seus fãs que estavam lá, e não ele, o que o fazia sentir-se devoto a eles. Resultado: os concertos, até agora, foram um sucesso e venderam todos os ingressos.

Na noite de 22 de dezembro, o grupo de Miku fez seu terceiro show, dessa vez em Los Angeles.

Ao terminar, comemoraram em um restaurante cortês com o Diretor. As pessoas de lá estranharam as cores de seus cabelos, seus olhos e suas roupas, mas pelo menos não foram expulsos por isso. E voltaram para o hotel de Manhattan por volta da madrugada do dia 23.

Kaito não foi dormir. Estava cansado, mas não o suficiente para deixar de mandar mensagens e fotos para o celular de Gakupo. Ele ainda ia dar uma explicação bem plausível para essa sacanagem com a cara dele ou não viveria para ver o amanhã. Depois de ficar até cerca de 3h da manhã insistindo nisso, ele resolveu dar uma volta pelo hotel. Ainda não teve a chance de conhecê-lo, por chegar da rua sempre caindo de sono. Ao andar alguns corredores para longe do quarto, olhou para trás e viu Miku seguindo-o. Ela estava com uma camisa de lã vermelha, saia azul-marinho, meias pretas térmicas e um cachecol rosa. Estava bonita aos olhos de Kaito, porém aonde ela pretendia ir daquele jeito? Ele usava somente a calça preta do pijama, uma camisa branca de mangas longas e seu cachecol.

– K-Kaito-kun. – Miku corou, ao ver que ele havia percebido sua presença.

Kaito olhou-a por cima do ombro.

– Yo, Miku-chan. O que faz aqui há essa hora?

– N-nada de mais. – Ela respirou fundo. – Eu ouvi você sair do quarto e vim lhe acompanhar.

Ele abaixou a cabeça e viu que ela carregava duas canecas de chocolate quente.

– Heh, companhia aceita. – Pegou uma das canecas e tomou o líquido em goles curtos.

– E-Er... Kaito-kun. — Miku passou a andar na frente dele.

– Hm?

– O que estava indo fazer?

– Ah. – Ele tentou acompanhar o ritmo dela. – Eu só ia dar uma volta para conhecer esse lugar.

– Eu achei um local muito bonito aqui. Quer que eu mostre para você?

– Ah, parece legal. Mostra, mostra. – Ele disse entusiasmado.

Miku abriu um sorriso e pegou na mão dele, puxando-o a passos rápidos por mais alguns corredores, até chegar a uma varanda ampla em forma de S, no fim de um deles. Estava mais para um pequeno espaço para casais ou pais e filhos observarem a cidade, além de parecer ser bem quieto para a leitura.

A entrada não possuía portas, apenas um arco contracurvado enfeitado com folhas de tamanho pequeno. O piso era de madeira e reagia às pisadas deles com um ruído oco – Kaito gostava desse som. Havia bancos espalhados, bem parecidos com aqueles das varandas da empresa, porém estes eram maiores e pretos. Nos cantos da varanda havia vasos que pareciam guardar sementes de plantas. O batente era de concreto polido, e largo o bastante para colocar coisas ali. E no centro, havia um canteiro de rosas cercado por arame ondulado, porém não havia rosas ali. Nevava com pouca intensidade, mas ainda assim não podiam sentar nos bancos por estarem cobertos. Miku soltou o cabelo e penteou-o com os dedos. Não havia estrelas no céu naquela noite.

– Aqui é muito bonito. Obrigado por me mostrar esse lugar, Miku-chan. – Kaito sorriu e foi se apoiar no batente.

– Q-que bom que gostou, Kaito-kun. – Ela assoprou as mãos. – Na verdade... Eu trouxe você aqui para falar uma coisa.

Ele virou-se parcialmente e apoiou a cabeça na mão.

– Pode falar.

Miku cobriu o nariz com o cachecol e fitou o chão. O rosto dela estava tão vermelho que nem parecia ser só por causa do frio nas extremidades do corpo.

– Eu queria terminar aquela conversa. Daquele dia.

– Conversa? De que dia?

Ela sabia que não adiantava tentar lembrá-lo, porque ele não iria. Mas ele estava ali na sua frente agora, e já estava mais do que na hora de falar. Miku sorriu. Tinham todo o tempo do mundo.

– Ne, Kaito-kun. Sabe que eu sou a vocaloid mais famosa, né?

Kaito estreitou os olhos. Ele nunca tinha ouvido-a falando do próprio sucesso, como os outros vocaloids faziam. Será se ela iria tentar aborrecê-lo a essa altura do campeonato?

– Quando as pessoas ou as propagandas falam sobre os vocaloids, sempre aparece meu rosto como exemplo. – Ela olhou para a cidade. – Eu sempre recebo as melhores músicas e mais propostas de eventos. Isso deveria ser algo bom.

– E não é? – Ele pensou que ficaria feliz, caso essas coisas acontecessem com ele.

– Antes de você chegar, eu pensava ser algo bom, sim. Eu tinha pensamentos um pouco egoístas, e pensava ser perda de tempo fazer par com outros vocaloids.

Kaito arregalou os olhos. Miku cobriu um dos olhos com a mão.

– Eu não me importava com os meus amigos como hoje. Sim, houve uma época em que não daria nada por eles. Eu não era má como pode estar pensando, mas era mais individualista, entende?

– ... – Kaito virou-se completamente para ela.

– Eu mal posso lembrar-me de como me sentia há alguns anos. Porque tudo na minha vida mudou e só consigo pensar no presente e no futuro, meu e de todos.

– P-por que está me falando isso agora?

Ela riu fracamente. Se parasse de se esforçar sua voz sairia trêmula.

– Porque você foi a razão dessa mudança. Quando você chegou Kaito-kun, nada nunca mais foi como antes. Em todos os sentidos. Algumas pessoas podem te chamar de idiota e inútil – Ela se referia à Luka e alguns outros vocaloids. Kaito mordeu o lábio. – Mas você ensinou para todos: o seu companheirismo, o valor da amizade, o otimismo, o gosto pelas coisas, o amor. Você nos ensinou a sermos humanos.

Ela fez uma pausa para engolir em seco.

– Até Meiko-san. Ela não ficou nada feliz sabendo que estavam trazendo um vocaloid só para ela, porque pensava que estávamos chamando-a de incompetente. Para você ter ideia, nós nunca nos reuníamos como uma família, ela nunca sorria e pensava que cantar era um fardo. Mas ao ver você, ela mudou completamente. Ela deve tudo o que ela é hoje, essa pessoa boa e expressiva, a você.

Kaito olhou para as próprias mãos, ainda admirado com as palavras de Miku.

– Quando você ia ser desligado, foi quando senti pela primeira vez que o mundo não se trata de nós mesmos. As pessoas estavam sendo tão injustas. Por causa dessa droga que os humanos chamam de “dinheiro”, por você não ter dado tanto dinheiro... – Ela soluçou e deixou as lágrimas saírem. – Nós quase perdemos nossa felicidade. O mundo quase escureceu novamente.

– M-Mi- Ela o silenciou com a mão e olhou para os próprios pés.

– Espera. Deixe-me terminar.

Ele assentiu.

– E depois de tudo que passamos, ou até mesmo antes de tudo... – Respirou fundo. – Eu já sabia o que sentia por você. Foi tão forte que durou todos esses anos, e eu nunca pude dizer nada. Bom, eu tentei, mas as circunstâncias me impediram... Kaito-kun... Kaito... – Ela levou ambas as mãos aos olhos e coçou-os intensamente.

– N-ne, não chore. – Ele segurou o braço dela, e com uma das mãos enxugou as próprias lágrimas. – Eu estou bem. Estamos todos bem, ne?

– Não é só por isso que estou chorando, Baka Kaito. – Ela soltou-se cuidadosamente. – É só que... Quando se ouve falar em amor, você nunca pode imaginar que dói tanto assim. Mas só percebe mesmo quando o sente.

Kaito não deixou de concordar. Ele mesmo tinha suas dúvidas se amar era mesmo a maior dádiva dos humanos – e agora, dos vocaloids. Mas, espera...

– Perai. – Piscou. – Como assim “quando o sente”? Você ama alguém, Miku-chan?

Ela corou, porém logo assumiu uma expressão determinada e sorriu de canto.

– Sim, Kaito. Eu amo.

– Heeeee. E quem- — Ele foi interrompido novamente.

– Sabe... O amor é algo confuso. Ao mesmo tempo em que seria generosa, dando tudo ao meu alcance – e ao não alcance – para essa pessoa, eu seria egoísta por não querer dividi-lo com ninguém.

Ela fitava o nada, mesmo falando o que sentia por ele, nenhum rosto parecia focar na sua mente. Kaito se identificava com o que ela estava falando, mas não entendia o porquê de ela estar falando essas coisas para ele.

– E eu finalmente percebi, que, se eu e essa pessoa não tínhamos ficado juntos até agora, é porque não era para ser assim. – Sorriu tristemente. – Mesmo amando-o tão intensamente, eu senti... Que ele nunca foi e nunca seria meu. Não sei... Talvez... Talvez já houvesse outra pessoa em seu coração.

Kaito assumiu uma expressão dolorosa. Ele finalmente entendeu. Mesmo sendo lerdo, ele também havia feito uma volta imensa nas palavras para dizer o que sentia a Gakupo. Daquele mesmo jeito.

Miku agarrou os braços dele e apertou os olhos com força. Ela deixou sua voz tremer à vontade, junto de seus lábios e seu corpo.

– Mas, mesmo sabendo disso, eu não posso seguir em frente sem falar o que sinto. Não é um fardo. Mas omitir a verdade dele e de mim mesma me faz perder o ar. É p-por isso, Kaito, que o que eu queria lhe dizer... É que...

Kaito esperou pacientemente. O final da frase que não veio.

Quando Miku levantou para olhá-lo nos olhos pela primeira vez desde que chegaram ali, ela abriu a boca para falar. Mas nada saiu.

Mesmo sendo tão tarde da noite, havia tantas luzes ligadas. Como se a cidade não dormisse, igual a Tóquio. O clima pesado era amenizado pelas poucas buzinas de carros e por sirenes dos carros da polícia.

Miku estava de olhos arregalados.

Ela via Yuuma no lugar de Kaito.

Então foi por isso.

Embora estivesse falando aquelas coisas para Kaito, embora fossem fatos, uma coisa não era. Enquanto as outras palavras ainda eram o que sentia, uma coisa havia mudado. O que ela iria falar agora já não pertencia mais a ele. Um dia seu coração fora somente dele. Mas, como disse, um dia. Agora outra pessoa esperava para recebê-lo.

Miku relaxou e sorriu verdadeiramente. Kaito piscou várias vezes, sem entender o que se passava na cabeça dela.

– O que eu queria dizer é... Obrigada. Por tudo.

Ele soltou o ar. Kaito não esperava por isso, mas sorriu também.

– De nada.

– E... – Ela continuou.

– Hm?

– Adeus.

– Haaa? Como assim? Você vai embora? Você vai morrer? – Ele se desesperou.

Miku riu alto.

– Deixa para lá. Tenha uma boa noite, Kaito. – Ela cruzou os braços atrás da costa e virou-se, já andando.

Quando ela já estava na saída, Kaito gritou seu nome.

– Seja feliz. – Ele mostrou os polegares.

Miku mordeu os lábios fortemente. Ela, então, saiu correndo.

.....

Correu, quase que tropeçando em suas próprias pernas, pelos corredores do hotel.

As lágrimas embaçando sua visão.

Ela precisava falar com ele.

Precisava retomar o tempo. Não desperdiçado, mas perdido.

Precisava abraçá-lo. Precisava olhar em seus olhos. Precisava encontrá-lo. Precisava vê-lo.

Havia tantas coisas que queria dizer-lhes.

E foi quando viu alguém.

Parado no meio do corredor de seu quarto.

Quando enxugou os olhos, o viu.

VY2 estava com as mãos nos bolsos. Usava um cachecol cinza, uma camisa de manga longa preta com detalhes geométricos e uma calça preta com detalhes em rosa. Seu gorro estava quase caindo da cabeça, parecia ter sido colocado com pressa. A expressão em seu rosto era serena, porém seus olhos estavam vermelhos e inchados.

Miku sentiu o coração falhar uma batida. Ela parou a 5 metros dele. Por que só olhá-lo fazia seu corpo inteiro tremer, seus pensamentos embaralharem, sua garganta doer?

Aquele momento resumiu todos esses anos. Ele estava esperando por ela.

Ela não suportou os próprios sentimentos e correu até ele, abraçando-o com todas as suas forças; acabou por derrubar seu gorro. Ela não esperou que ele fosse retribuir o abraço, mas ele o fez.

Miku chorava compulsivamente. VY2 não perguntou o motivo disso e nem falou nada, apenas a abraçou com a mesma intensidade.

Ela finalmente estava onde sempre deveria ter estado.

O que você disse no fim, eu abraço essas palavras

Notas finais
*Nanda yo = o que foi?/qual o problema? Acho que ficou um pouco cansativo. =/ É que tem muita cena que podem não gostar, mas achei relevante colocar. Cara, qualquer dúvida sobre a história dos vocaloids citada aqui, me perguntem, tá? Eu vou parar de focar tanto no casal YuumaxMiku depois do próximo cap. Ok? Não precisa ficarem bravos ^^'/ Enfim... Espero que tenham gostado. Até o próximo capítulo.