Arrest Rose
5 O5 - Cendrillon
Era por volta das dez horas da manhã. O dia tão esperado pelos donos da residência finalmente chegou. A festa de Mikuo Hatsune estaria acontecendo naquela tarde, a partir do meio dia. Len gostava de festas que serviam almoço, eram sempre refeições tão variadas, tão deliciosas.
Na cozinha, o garoto estava apoiado na mesa olhando para o nada. Ele ainda estava de pijama. Não havia dormido bem naquela noite...e nem nas noites anteriores. Após descobrir o que sente por Kaito, ficou complicado permanecer ao lado do homem sem demonstrar timidez. Len teme que o azulado só o veja como um filho adotivo ao algo do tipo. Esperava ter pelo menos uma chance de mostrar seus sentimentos.
– Len-san? — perguntou Kaito, entrando na cozinha ainda de pijama.
Mas o garoto nem notou que seu amado estava ali. Parecia estar dormindo em pé. Seus olhos azuis estavam sem brilho, sua expressão era triste, sem vida. O homem não gostou de ver Len daquele jeito, então se pôs em sua frente e começou a acenar para ele.
– Eeei, Terra chamando Len-san. — chamou ele, rindo um pouco.
Como o loiro não respondia, o mais velho teve outra ideia. Foi até a pia onde tinha um copo de cristal limpo e seco, o encheu com água da torneira e então voltou para onde estava.
– Len-san! — desta vez falou mais alto para ver se ele respondia, mas não teve sucesso. Kaito suspirou e deu uma risada. — Só espero que me perdoe por isso.
Dito isso, ele virou o copo na cabeça de Len, derramando a água que havia dentro dele. A primeira reação do loiro foi sacudir a cabeça e cuspir a água que caiu em sua boca. Logo ele começou a esfregar os olhos com os dedos.
– Puah! — reclamou ele, tirando os dedos dos olhos e fitando Kaito logo em seguida. — Quem fez isso?!
– Bom dia, zumbi. — riu o mais alto, colocando a mão em um dos ombros molhados do menino.
– K-Kaito?! — ele logo corou e seu corpo ficou tenso. Len encolheu a cabeça nos ombros, o que resultou no toque das peles. — D-Desculpe...acho que estava dormindo em pé...
– Huhu, é bem provável. — Kaito não conseguiu se segurar e abraçou o loiro em sua frente. Quando o garoto ia se soltar do abraço, o homem o segurou com mais força, colando seus corpos. — Eu sei que você está molhado, mas não me importa, Len-san. ♥
Len se acalmou após ouvir tais palavras. Ele realmente queria continuar naquela posição, então retribuiu o abraço e aconchegou seu rosto corado no peito do homem, fechando os olhos. Kaito conseguia sentir os batimentos cardíacos do loiro contra seu peito. Achava uma gracinha ver que ele estava nervoso.
– Ei, Len-san...
– Hum? — perguntou, abrindo um pouco seus olhos azuis.
– Seu coração está batendo muito rápido...está nervoso? — o mais velho sorriu.
– A-Ah, não, e-eu não estou nervoso! — respondeu ele quase automaticamente, tentando novamente se soltar, mas não conseguindo. O azulado era mais forte que ele.
– Não, não... — tudo o que Kaito fez foi apertá-lo ainda mais. — Fique mais um tempo assim, Len-san...
Len não conseguiu responder. Começou a suar e a respirar fortemente quando percebeu que o outro estava levantando-o no ar. Ele afastou seu rosto do peito de Kaito para olhá-lo. Olhos azuis encontraram olhos azuis. As madeixas loiras do menino estavam bagunçadas, caídas sobre sua face, algumas coladas em seu pescoço por causa do suor. Os cabelos azuis do outro estavam reluzentes como sempre. Bagunçados, porém continuavam lindos.
Os olhos de ambos brilhavam. A respiração de Len ficou mais forte, assim como a de Kaito. O mais velho estava sorrindo, mas o sorriso cessou quando percebeu as mãos do loiro em seus ombros. Estava um silêncio gostoso, não se ouvia nenhum barulho, nem mesmo dos empregados.
Ainda no ar, o jovem foi aproximando seu rosto ao do outro, que agora o fitava com uma expressão séria, porém sedutora. Len sentia a respiração quente e o hálito doce de seu responsável. Que sensação maravilhosa...
Ele já estava fora de si, não hesitaria. Sem ter pressa, o loiro encostou seus lábios no canto da boca do azulado. Os dois pares de olhos se fecharam, e assim o beijo se tornou mais intenso. Kaito ia ganhando a confiança de Len lentamente, os lábios já se tocavam, se moviam devagar. Mas uma coisa surpreendeu o homem: a língua de Len estava pedindo passagem. Quase imperceptível, o músculo molhado do jovem pedia passagem para poder explorar a área que ele almejava.
Kaito não hesitou. Abriu sua boca e assim, a língua pôde penetrá-la. Seu próprio músculo fez a mesma coisa, o que resultou no encontro dos dois. Assim que se encontraram, as línguas se entrelaçaram. Era como se estivessem dançando juntas. Vez ou outra, eles separavam suas bocas para respirar, mas sempre voltavam ao beijo.
Nenhum deles percebeu, mas Kaito já estava sentado no chão, encostado em uma parede, com Len em seu colo. Ainda se beijavam, as mãos do loiro estavam no peito do responsável, acariciando devagar aquela região. Já as mãos do mais velho estavam nas costas do garoto, finalmente agarrando a camiseta e lentamente levantando-a. Com a outra mão, ele acariciava a pele que foi exposta.
Por fim, se separaram e houve uma troca tímida de olhares. Len recuperava o ar enquanto Kaito fazia o mesmo, mas sorrindo. Depois de um tempo, o jovem finalmente tomou coragem para lhe dizer algo. O fitou com seus grandes olhos azuis e se pôs a falar.
– E-Eu sinto muito... — gaguejou ele com a voz trêmula. Kaito riu.
– Por quê?
– Hum?
– Por quê está pedindo desculpas? — perguntou mais claramente desta vez, acariciando o rosto do garoto com a mão esquerda. — Eu gostei...
– Ah... — sem conseguir se segurar, ele abraçou o homem em sua frente e deixou algumas lágrimas escaparem. — Kaito...
– Ei, não chore, Len-san... — o abraço foi retribuído, e logo os dois se levantaram. — Falamos sobre isso mais tarde. Agora precisamos nos arrumar, logo temos que ir para a residência do Mikuo.
– O...Ok, Kaito.
– Vem, Len-san.
Os dois deixaram a cozinha para trás e foram se arrumar. O loiro até gostou da ideia de se trocar com Kaito por perto, mesmo que a timidez o atrapalhasse. Após o banho, eles foram para o quarto do mais velho. Pela primeira vez, Len viu seu responsável nu, e gostou do que viu. Enquanto se trocavam, conversavam sobre Mikuo e sobre a comida que iriam saborear naquela tarde.
Por fim, os dois vestiram ternos pretos e galantas. O terno de Len lembrava um pouco o uniforme de um mordomo e Kaito achou isso uma gracinha. Ao terminarem de se arrumar, desceram as escadas e encontraram Gakupo na sala, que também já estava pronto.
– Ei meu povo, acho melhor irmos o quanto antes. Quero almoçar logo, já são onze e meia. — riu o dono dos cabelos compridos.
– Ok, Gakupo. Vamos indo. — respondeu Kaito.
Todos foram para o enorme carro preto, Gakupo iria dirigir. A mansão de Mikuo não ficava muito longe, mas era longe a pé. Não demorou muito, dez minutos no máximo. E então, o azulado ajudou Len a descer.
A mansão era um lugar maravilhoso. Grande, pintada de branco, enfeites prateados e dourados. Já no jardim, podia-se ver mesas e cadeiras, além de uma grande mesa repleta de comidas variadas. O loiro quase babou, não havia comido naquela manhã.
Um homem apareceu para recebê-los. Vestia um terno preto, possuía cabelos verde-água curtos e um pouco rebeldes, olhos da mesma cor. Sua expressão era séria, mas ele abriu um singelo sorriso ao ver os três.
– Sejam bem vindos, meus amigos. — disse ele, fazendo uma reverência.
– Meus parabéns, Mikuo. Que este seja mais um ano da sua vida de muitos que ainda virão. — sorriu Kaito, fazendo o mesmo gesto.
– Ae, Mikuo, parabéns! Que Deus te abençoe, meu caro! — Gakupo abriu um sorriso e colocou sua mão no ombro do aniversariante.
– M-Meus parabéns, Hatsune-san. — disse Len, meio escondido atrás de seu responsável.
Mikuo o olhou confuso, mas logo sorriu novamente e pediu para que o loiro saísse de trás do azulado. Len hesitou, mas foi mesmo assim.
– Você deve ser Len Kagamine, certo? Kaito me avisou que viria. Prazer em conhecê-lo. — o dono dos cabelos rebeldes segurou a mão do jovem e a beijou, deixando o mesmo corado. — Espero que se divirtam. O almoço logo estará sendo servido.
– Muito obrigado, Mikuo. — respondeu Kaito, reforçando o "muito". Parece que aquele beijo na mão o deixou enciumado.
– Vou receber os outros convidados. Sintam-se à vontade.
Mikuo se retirou e então os três foram se sentar em uma das mesas. Enquanto esperavam o almoço, Gakupo perguntava mais coisas para Len. "Deus, por favor, me livre disso...", pensou o loiro. Ele nunca gostou das perguntas constragendoras do mais velho.
Enfim puderam se levantar para comer, Len nem sabia direito o que comer. Entradas, saladas, todos os tipos de carne, comidas típicas e exóticas. Tudo parecia delicioso. Ah, o que comer...? Assim que terminou de fazer seu prato, o jovem esbarrou em alguém, quase indo ao chão.
– Ah! — exclamou ele, quando sentiu que foi segurado pelo braço daquele mesmo homem.
– Você está bem?
– Ahn...hã? — novamente ele corou.
O homem possuía cabelos ruivos e compridos, presos por um rabo de cavalo caído. Ele tinha olhos da mesma cor, e usava óculos. As lentes pareciam deixá-lo ainda mais belo do que já era, seu rosto era sério. Len reparou principalmente na gravata listrada que ele usava.
– A-Ah, sim, e-eu estou bem! — respondeu ele com um pouco de atraso. O homem o soltou assim que o loiro recuperou o equilíbrio. — Meu nome é Len Kagamine. E quem seria o senhor?
– Me chamo Ted Kasane, é um prazer conhecê-lo. — apresentou-se, fazendo uma rápida reverência. — Acho que deveria ir almoçar.
– Ah sim. Obrigado por me ajudar, Kasane-san!
– Ted.
– Hã? — Len ficou confuso.
– Me chame de Ted, por favor.
– Ah...ok, T...Ted...de qualquer forma, vou indo! Tenha uma boa festa!
Ted o olhou voltar para a mesa, e logo foi para sua própria mesa. O almoço seguiu tranquilo, assim como a tarde. Havia música ao vivo, dança, conversa pra todo lado. Por fim, as mesas foram recolhidas e todos os convidados se dirigiram para dentro da residência.
Logo seria hora do jantar, mas os convidados pareciam estar esperando por algo. Meia hora antes do jantar, Mikuo subiu em um palco, fez uma reverência e se pôs a falar.
– Como sabem, todo ano eu convido duas pessoas para subirem no palco e cantarem uma música juntas. — explicou ele. — Este ano, a música escolhida foi Cendrillon. E eu gostaria de convidar Kaito Shion e Len Kagamine para cantarem-na juntos.
Todos aplaudiram os dois quando Mikuo apontou para eles. Kaito sorriu e se levantou, já Len teve mais dificuldade para fazer o mesmo. Ele nunca gostou de cantar em público. Mas ele cantaria com Kaito, então estava tudo bem.
Se dirigiram até o palco e tomaram os microfones em mãos. Estava tudo bem, ambos sabiam cantar Cendrillon, e assim a música começou. Várias garotas olhavam para Kaito, outras olhavam para Len. Eles eram o centro das atenções naquele momento. O loiro cantava muito bem, o mais velho tinha uma voz sedutora que se encaixava muito bem na música. Quando a música terminou, Len acabou tropeçando e novamente quase foi de cara no chão, mas Kaito o segurou a tempo. Eles se olharam e sorriram, e então mais aplausos foram ouvidos.
Após saírem do palco, o jantar foi servido. O loiro decidiu esperar um pouco, pois a fila estava enorme. Gakupo e Kaito já estavam lá, mas parece que teriam problemas para se servirem. O menino aproveitou para ir ao banheiro, levantou-se e se dirigiu até lá. Ele lavou seu rosto e se olhou no espelho, sorrindo em seguida. Foi quando surgiu...uma sombra atrás dele.
Len pulou e deu alguns passos para trás, mas isso o fez se encontrar com a sombra. Um grande homem agarrou seu pulso e com a outra mão, ele tampou a boca do loiro.
– Humph! H-Humph! — ele tentava gritar, mas não conseguia. Olhando para o espelho novamente, ele percebeu quem lhe segurava. — !!?
– Venha comigo...Len-san.
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