Arrest Rose
4 O4 - Revelation
Notas iniciais
E olhem, estou pensando em colocar o Kiyoteru na fanfic, o que acham? :3
Cinco dias se passaram...Gakupo estava de volta. E mesmo depois de uma viagem à trabalho, parecia animado como sempre. As perguntas na hora do jantar retornaram, para desespero de Len, mas o homem de cabelos compridos parecia mais interessado em saber como Kaito tinha passado os últimos dias. "Eles são melhores amigos, claro que o Gakupo se importaria muito com o Kaito.", pensou o loiro.
Len estava no colégio, esperando Kaito vir buscá-lo. Já estava no portão do colégio, tentando se distrair pois seus amigos já tinham ido embora. Longos minutos se passaram, e o homem ainda não havia chegado. Isso só deixou o loiro preocupado, mas enfim seu responsável apareceu. O mais novo bufou, indo até o enorme carro preto.
– Por que demorou tanto?! Eu estava preocupado com você, Kaito!! — gritou ele, ficando vermelho de raiva.
– Ah, me desculpe, Len-san. Gakupo me segurou um pouco em casa. — sorriu o homem. — Ele está ansioso para a festa do Mikuo daqui à alguns dias.
– Certo, vamos pra casa.
Len entrou no carro e se sentou ao lado de Kaito, olhando a paisagem pela janela. Por alguma razão, ele se sentiu incomodado com o fato de Gakupo ter segurado o homem em casa. Seria ciúmes? "...eu estou com ciúmes do Gakupo?", pensou ele, balançando a cabeça freneticamente.
– Não, não e não! Não pode ser!!
– Não pode ser o quê, Len-san? — perguntou o azulado sorridente, ainda olhando para o trânsito. Len corou.
– Hã? N-Não...não é nada...só estava pensando no...no meu professor! É, é isso! — ele tentou disfarçar a vergonha, mas não conseguiu. Kaito de repente pulou um pouco no banco, em seguida mudando sua expressão.
– Ah... — ele suspirou e continou a falar com uma voz tristonha. — Você gosta do seu professor, Len-san? Sempre tem um aluno que gosta do professor...
– O-O quê? Que tipo de pergunta é essa, Kaito? Bom...óbvio que eu gosto do meu professor, mas eu só o admiro! Não tenho esse sentimento por ele.
O garoto percebeu que seu responsável suspirou novamente, desta vez parecendo aliviado. Sua expressão alegre voltou lentamente, assim como sua voz doce e despreocupada.
– Ah, que bom... — disse Kaito, sorrindo de um jeito tímido. — Pensei que estivesse gostando do seu professor, Len-san.
– Não precisa se preocupar com nada, Kaito. Meu professor é gentil, eu gosto dele, mas é só admiração! — Len não conseguiu esconder o quão vermelhas estavam suas bochechas.
– Veja, chegamos. O almoço já deve estar pronto. Vamos comer juntos, Len-san? — perguntou o homem, estacionando na garagem e abrindo abrindo a porta do carro para sair logo em seguida.
– Vamos sim, Kaito! O que vamos comer hoje?
– É uma surpresa. — riu ele. — Vem.
Eles entraram na grande mansão, e então o loiro conseguiu sentir o cheiro vindo da sala de jantar. Parecia cheiro de lasanha... e era. E pelo cheiro, parecia estar maravilhoso. Len adorava lasanha e fazia tempo que não comia. Assim que chegaram na sala para comer, Gakupo estava sentado na mesa, esperando-os.
– Vocês chegaram! — sorriu ele. — Venham, sentem-se! Len-kun, pedi para fazerem algo que você adora. Lasanha quatro queijos!
– Uooooh!! Minha favorita! Obrigado, Gakupo! — agradeceu Len, se sentando na cadeira ao lado de Kaito.
– Você gosta mesmo de lasanha, não é, Len-san?
– Sim, Kaito! Eu adoro, hehe!
O almoço seguiu tranquilo, Len se deliciava com a lasanha, enquanto Gakupo já não comia tanto assim por se sentir incomodado. Mas ele parecia ter um motivo para se sentir assim: Kaito parecia estar dando muita atenção ao loiro, desde que ele passou a viver na mansão. O homem não gostava de ver seu melhor amigo tratando Len daquela forma, sentia que o menino era uma ameaça para ele.
Gakupo comeu metade de seu pedaço de lasanha e se levantou.
– Obrigado pela comida. — disse ele com uma voz baixa e triste, logo em seguida deixando a sala.
– Ei Gakupo, espere! — pediu Kaito, mas o homem não lhe deu ouvidos. — Len-san, eu já volto. Pode ir comendo enquanto isso, tudo bem?
– Claro, Kaito. Pode ir.
O homem de cabelos azuis se levantou da mesa, seguindo Gakupo e gritando o nome do mesmo. Mas seu amigo não parecia disposto a parar no meio do caminho, não parecia disposto a ouvir o que ele tinha a dizer. Quando os dois chegaram ao quarto do mais alto, a porta bateu fortemente atrás de Kaito.
– Gakupo Kamui, me escute! — pediu ele uma ultima vez, com a voz um pouco rouca de tanto gritar. Desta vez o homem se virou para encará-lo.
– Por que me seguiu?
– Porque você saiu no meio do almoço. Estou te estranhando, Gakupo...o que houve?
Gakupo se sentou em sua cama e fitou o chão. Ele hesitou antes de começar a falar, e suas mãos tremeram um pouco, mas logo ele voltou seu olhar para Kaito com uma expressão triste.
– Por que você é tão gentil com o Len-kun?
– Hã? — Kaito parecia confuso com aquela pergunta.
– Kaito, depois que o Len-kun veio morar aqui, você ficou meio diferente. Você ficou mais carinhoso, mais atencioso...mas esse seu carinho só está voltado para o Len-kun! Por que, Kaito? Por quê?! — perguntou ele, se levantando e prendendo seu amigo numa parede.
– Isso dói, Gakupo! — gritou o mais baixo, que teve seu pulso agarrado com força. Gakupo não percebeu que estava machucando-o, apenas queria uma resposta.
Os dois ofegaram um pouco, o mais alto fitava o homem preso na parede sem desviar seus olhos daquele rosto branco e perfeito. Depois de um tempo, Kaito finalmente olhou para seu amigo e começou a falar.
– É uma longa história, Gakupo...venha cá, eu vou contar tudo a você.
– ...? — ele parecia confuso, mas soltou o homem e então, os dois sentaram-se na cama.
(Flashback on)
O homem de cabelos azuis conseguia ouvir gritos vindos da rua no meio da noite. Gritos desesperados de um garoto jovem, que não devia ter mais de 11 anos. Kaito percebeu que o garoto não estava sozinho, haviam mais homens junto a ele. Mas não pareciam ser boa companhia, pois estes homens falavam coisas grotescas, obscenas, e isso parecia intimidar o jovem, que gritava com uma voz um pouco rouca.
– Me soltem!! Me deixem em paz, me deixem ir embora!! Eu quero ir pra casa!!
– Cala a boca, moleque! Fica quieto, para de tentar fugir!
Kaito estava preocupado com aquele garoto. Sim, ele estava muito preocupado. Tanto que ele correu para ver o que estava acontecendo por uma janela, e seu coração quase parou quando viu aquela cena.
Três homens vestidos de preto estavam agarrados em um garoto loiro, que já estava semi-nu. Um dos homens brincava com os mamilos rosados do menino, outro segurava suas mãos atrás das costas, enquanto o restante continuava a despi-lo sem parar. Uma raiva incontrolável começou a percorrer o corpo do azulado, que imediatamente foi ligar para a polícia.
A polícia estava demorando para chegar, o homem já não conseguia mais ficar olhando pela janela. O loiro já estava quase nu, faltava tirar sua cueca e suas meias. Kaito não aguentou e saiu correndo da mansão, indo até onde eles estavam. A raiva era tanta que sua primeira ação foi socar o homem que despia o garoto.
– Argh!
– Vocês sabem que isso é abuso sexual, não sabem? — perguntou ele, a ira crescendo em sua voz. — Soltem esse garoto...agora.
O homem que segurava as mãos do loiro atrás das costas olhou Kaito de cima para baixo, logo lambendo os beiços e sorrindo maliciosamente. Parece que acabara de ter uma ideia.
– Hu...você também é bonito. Acho que podemos abusar de dois esta noite...
– Eu discordo. — disse uma voz feminina, que arrepiou os três homens.
Era uma dos policiais que acabaram de chegar. Ela tinha pele clara que se destacava por causa de suas roupas escuras, cabelos verdes e curtos, olhos da mesma cor.
– Sabia que podia contar com você, Gumi-san. — sorriu Kaito.
– É claro que sim, Kaito. Meu dever é tirar o crime e o caus do mundo. E você nos ajudou a capturar três homens que costumavam a atacar os garotos de uma escola. Agradeço muito. — respondeu a policial, que parecia chamar Gumi, enquanto outros policiais levavam os homens.
– Ah sim, Gumi-san. Você sabe onde este garoto mora? Ou pelo menos sabe quem ele é?
– Hum...ele não me é estranho...ah, claro! Esse garoto se chama Len Kagamine. Sou amiga do pai dele, aqui está o número do celular dele. — disse Gumi, entregando um pedaço de papel nas mãos de Kaito. — Ligue para ele e diga que o Len está com você.
– Ok, Gumi-san. Obrigado pela ajuda.
– Eu que agradeço, Kaito. Tenha uma boa noite.
A esverdeada se retirou, enquanto Kaito se aproximava do loiro. Ele estava encolhido no chão, respirando baixinho, a cueca já estava em seus joelhos. O homem lentamente o segurou em seus braços, colocando-o montado em suas costas. Len gemeu de medo, mas estava tão cansado que deixou Kaito carregá-lo para dentro da mansão. Ao chegar em seu quarto, o homem colocou-o deitado na cama e retirou algumas roupas de dentro do armário e ofereceu para o garoto.
– Er...Len-san. — chamou ele, mas o loiro não respondeu. — Eu vou ligar para o seu pai mais tarde. Até lá, descanse.
Mas quando Kaito percebeu, Len já estava dormindo. Ele sorriu e o cobriu com seu cobertor de lã. "Ele parece tão indefeso...eu...quero protegê-lo...", pensou o homem.
Mais tarde, o azulado ligou para o pai do garoto, explicando a ele o que aconteceu, e não demorou mais do que quinze minutos para o homem aparecer na mansão.
– Ah, você veio buscá-lo.
– S-Sim...meu filho está bem? Aqueles homens fizeram algo a ele?!
– Não, Kagamine-san. Ele está bem, nada aconteceu a ele. — assentiu Kaito, tentando acalmá-lo.
– Ainda bem... — ele suspirou. — Onde o Len está?
– No meu quarto. Se quiser, posso levá-lo até lá.
– Obrigado, vamos até-!
– Não, pai! Eu quero ir buscá-lo! — a voz de uma menina cortou a frase do homem. Ela era loira de olhos azuis, tinha um rosto familiar ao de Len. — Moço, eu me chamo Rin Kagamine, sou a irmã gêmea do Len. Me leve até ele.
– Certo, mocinha. Vamos.
Os dois subiram as escadas, chegando ao quarto. A garota correu até seu irmão, que dormia encolhido na cama. Ela acariciou seu rosto, e depois voltou seu olhar para Kaito.
– Obrigada por salvar meu irmão. Nem sei o que poderia ter acontecido se você não tivesse chamado a polícia e a Gumi-senpai...
– Não precisa agradecer. — sorriu ele. — O que importa é que seu irmão está bem.
– Eu acho que dessa vez ele vai se lembrar. — Rin deu uma risadinha. — Não é a primeira vez que o Len passa por isso. Ele quase foi estuprado quando tínhamos 7 anos. Ele só não se lembrou porque levou um tapa na nuca. Mas dessa vez...acho que vai se lembrar dos homens. Talvez só não se lembre de você e dos policiais chegando.
Kaito ficou um pouco surpreso, mas desanimado ao mesmo tempo. Len não se lembraria dele porque quase não o viu. Mas mesmo assim, gostaria de que ele se lembrasse.
O homem vestiu o loiro e segurou-o em seu colo, descendo as escadas devagar com a ajuda de Rin, que o segurava para não perder o equilíbrio. Enfim chegou até a porta, e entregou o garoto nos braços do pai.
– Obrigado por salvar meu filho. O seu nome é...?
– Kaito. — respondeu ele rapidamente. — Kaito Shion.
– Certo. Obrigado mais uma vez, Shion-san. Espero poder te encontrar novamente.
– Com certeza vamos, Kagamine-san.
– Obrigada, Shion-senpai. — agredeceu Rin.
Os dois foram caminhando até o carro, o pai dos gêmeos carregando seu filho desacordado. "Não...não levem o Len-san pra longe de mim...", pensou Kaito, tentando segurar suas lágrimas. "Não tirem o Len-san de perto de mim...não façam isso..."
Foi a primeira e ultima vez que Kaito viu Len em anos.
(Flashback off)
– ...Kaito...
– Por isso sou tão gentil com o Len-san. — assentiu ele, fitando o chão. — Eu sinto que devo protegê-lo...sinto que...não posso deixar ele sair de perto de mim. Eu só...quero ser importante para o Len-san.
Gakupo o olhou, sentindo uma pontada em seu peito. Kaito realmente se importava com Len, mas parecia um sentimento tão diferente...não parecia amor paternal. Parecia...paixão. E isso o incomodava.
– Mas não precisa ficar desse jeito, Gakupo...você é o meu melhor amigo, e sempre será. É claro que dou atenção ao Len-san, mas eu me importo muito com você também.
– ...certo...desculpa por isso, Kaito. Desculpa por ter ficado preocupado...
– Tudo bem. — Kaito riu. — Posso pegar uma das suas camisas emprestada?
– Claro, Kaito! Escolha a que você quiser!
No corredor, na frente da porta, estava Len. Ele ouvira a história que o azulado contou. "Foi o Kaito...que me salvou daqueles homens anos atrás...?", perguntou ele para si mesmo. O loiro ajoelhou-se no chão e colocou as duas mãos em seu peito, por cima de seu uniforme escolar.
Aquela sensação...aquele aceleramento dos batimentos cardíacos...aquela falta de ar...aquele frio na barriga...tudo isso fez Len começar a pensar. Ele já desconfiava antes, mas só agora percebeu o que realmente sentia.
– Eu...gosto do Kaito.
Fale com o autor