Arrest Rose
13 Capítulo teste - One More Fight
Notas iniciais
Capítulo 01 – One more fight
Abri meus olhos e observei a escuridão de meu quarto. Eu havia acordado durante a madrugada mais uma vez. Virei-me de lado, passando a mão por baixo do travesseiro, até encontrar meu celular. Apertei um botão qualquer para que a tela de bloqueio se acendesse. A luz me cegou por alguns segundos, mas logo me acostumei. Irritei-me ao ver o horário. Era apenas mais uma noite em que eu acordava de madrugada por causa de gritos e de vidros sendo quebrados.
Sentei-me na cama e cocei a cabeça, ainda sonolento. Senti minha consciência voltando mais rápido quando notei que na cama de casal, só havia uma pessoa – eu, no caso. Arregalei os olhos e comecei a entrar em desespero.
– Rin? – chamei com uma voz trêmula. – Rin, onde você está?
Ninguém respondia. Eu podia escutar os gritos vindos do lado de fora do quarto, mesmo com a porta fechada. Sabia que eram meus pais, tendo mais uma briga noturna. Os gritos do meu pai eram altos e demonstravam superioridade, enquanto os de minha mãe eram um pouco mais baixos, porém suas respostas eram irônicas e bem pensadas. Encolhi-me sentado na cama, debaixo dos cobertores, ainda chamando por minha irmã gêmea.
Ouvi alguém virar a maçaneta, abrindo a porta. Descobri minha cabeça para poder enxergar, logo vendo uma figura similar a mim. Uma menina loira.
– Desculpe, Len, eu fui ao banheiro. – aproximou-se da cama, sentando nela. – Está impossível sair do quarto com essa briga da mamãe e do papai na sala, então eu tive que ir em silêncio.
– Fiquei assustado quando acordei e não te vi, Rin...
Minha gêmea aproximou-se de mim e envolveu seus braços em volta de meu corpo, puxando-me para um abraço. Ela sabia que as brigas entre nossos pais me incomodavam, e muito. Nossa família sempre foi de classe média alta, nunca nos faltou nada, porém nossos pais passaram a brigar com muita frequência nos últimos anos. Rin fez carinho nos meus cabelos e sussurrou para mim.
– Por que não nos deitamos juntos como sempre fazemos, e dormimos abraçadinhos, Len? Você sempre consegue dormir mais calmo quando estou perto de você.
– Porque eu te amo, irmã... Acho que eu não conseguiria sobreviver nessa casa se você não estivesse aqui comigo.
– Ninguém aguentaria duas pessoas brigando a noite inteira sem enlouquecer. – ela deu uma risada. – Venha cá, deite comigo.
Rin me empurrou levemente para que eu deitasse no colchão, e então deitou-se ao meu lado, puxando a coberta para nos cobrirmos. Ela agarrou-se ao meu braço e deitou a cabeça no meu peito, me fazendo de travesseiro. Alisei as madeixas lisas que ela tinha e abracei seu corpo, fechando os olhos. O calor e a segurança que eu sentia quando estava com Rin sempre me garantiram controle emocional e sanidade mental. Consegui relaxar e logo caí no sono, sabendo que quando eu acordasse, Rin estaria ao meu lado.
–
Senti algo acariciando meu rosto quando comecei a recobrar a consciência pela manhã. Abri meus olhos, tentando me acostumar com a luz solar que vinha da janela, para então, encontrar minha irmã passando os dedos por meu rosto.
– Bom dia, Len. – sorriu.
– Bom dia, Rin... – bocejei, sentando-me no colchão. – Você já está acordada?
– Sim. Você demorou um pouco para acordar, então fiquei te observando enquanto dormia.
Fiquei sem graça por saber que Rin estava me observando, não sei por quanto tempo. Ela me puxou pelo braço, me levantando da cama.
– Vamos tomar café, Len. Quando acordei, vasculhei a casa e vi que mamãe e papai ainda estão dormindo.
– Depois de passarem a madrugada brigando, né...
– Só não se espante quando vir a sala. Está tudo quebrado por lá.
Saímos de nosso quarto ainda de pijama e caminhamos para a sala, e Rin estava dizendo a verdade. Encontramos vários cacos de vidro pelo chão, os sofás arranhados e um pouco rasgados, as flores espalhadas pela mesa e um pouco pelo chão, sem nenhum vaso para acomodá-las. Observei tudo com um olhar assustado, até sentir a loira fazendo carinho em meus punhos.
– Eu sei, estou assustada também. – ela me puxou até a cozinha. – Pelo menos a cozinha não está destruída. Dá pra comermos aqui sem nos preocuparmos com os cacos de vidro.
Eu me sentei à mesa, apoiando a cabeça nos braços cruzados. Rin disse que nos serviria naquela manhã. Ela logo colocou o desjejum sobre o móvel e passamos a comer, meio incomodados com o que vimos na sala. O clima na mesa da cozinha não estava muito agradável. Eu sentia uma dor de cabeça forte e estava quieto devido à aflição. Minha gêmea, então, arrastou a cadeira até meu lado, para ficar próxima a mim.
– Seu coração deve estar muito perturbado, Len.
– Ele está...
– Coitadinho do meu irmão. – ela massageou meu peito. – Eu prometi que cuidaria de você, e olhe como você está...
– Você já cuida muito bem de mim, Rin, mas você sabe que essas brigas dos nossos pais não afetam apenas a mim. Sei que você também está perturbada.
Ela ficou um tempo em silêncio. Então, olhou para mim outra vez e sorriu, sem graça.
– É, eu estou, sim. – coçou a cabeça. – Mas pra cuidar de você, eu preciso me controlar.
– Sabe que também quero te ajudar, Rin...
– Meu coração está perturbado, Len, mas não na mesma intensidade que o seu. – pegou minha mão e pôs sobre seu próprio peito, na região do coração. – Acredite. Está doendo, parece que alguém está apertando meu coração com força, até que o esmague.
– Não quero que fique assim, me deixe ajudar...
– Está tudo bem, eu posso suportar isso, irmãozinho. Como eu quero cuidar de você e te proteger, eu tenho motivos para sorrir e para me manter calma. Foi por você que eu aprendi a enfrentar a dor.
Aquela frase martelou na minha cabeça por alguns segundos. “Enfrentar a dor”. Quis entender o que aquilo significava, mas não encontrava respostas na minha mente. Curioso, perguntei para minha gêmea.
– O que é enfrentar a dor, Rin?
A loira me olhou surpresa, até que sorriu e bagunçou meus cabelos.
– Enfrentar a dor é como enfrentar algo do qual você tem medo. Por exemplo, uma criancinha tentando enfrentar um monstro. Ela tem medo, mas tenta enfrentar o monstro mesmo assim.
– Mas o medo e a dor não são a mesma coisa...
– Então, vou pensar em outro exemplo. – ela coçou o queixo. – Você conseguiria ficar calmo diante das brigas do papai e da mamãe?
– Não...
– Por que não?
– Porque dói e eu sinto medo.
– É aí que está. – sorriu para mim. – Se você conseguisse ficar calmo diante dessa situação, você estaria enfrentando a sua dor.
Tentei raciocinar o que minha irmã dizia, mas a ideia não parecia ficar clara na minha cabeça.
– Ainda não entendo, Rin...
– Tudo bem. – ela bebeu um pouco de seu suco. – Um dia, você vai saber o que eu quero dizer, Len.
– Você acha que um dia vou conseguir “enfrentar a dor”?
– Tenho certeza, e quando esse dia chegar, eu quero que se esforce e não apenas enfrente a dor. Vença-a também.
– “Vencer a dor”...
A conversa foi interrompida quando vimos nosso pai adentrando a cozinha, sem nos dar bom dia. Ele estava coberto por marcas de unhas e arranhões, a maioria já cicatrizando. Foi até a geladeira e pegou uma jarra com água, despejando o líquido em um copo que havia na pia. Sentou-se à mesa conosco e continuou quieto. Após minutos de silêncio, Rin disse algo.
– Bom dia, papai... O senhor está bem?
Ele negou, balançando a cabeça.
– Eu e o Len ouvimos você e a mamãe brigando de madrugada outra vez. Por que vocês brigaram?
Eu vi nosso pai se encolhendo. Percebi que ele não queria falar, mas a pergunte de Rin não podia ser respondida com gestos de “sim” e “não”. O silêncio predominou outra vez, mas logo pude escutar a voz rouca do homem responder.
– Sua mãe quer um divórcio.
Fiquei confuso ao escutar o que ele havia dito. Vi Rin segurando um grito de surpresa, e se encolhendo na cadeira.
– Tão de repente, papai?
– Não foi de repente, filha... Você sabe que não foi de repente. – pôs a mão na testa. – Eu já estava esperando por isso, para falar a verdade.
Sem compreender a conversa que estavam tendo, atrevi-me a perguntar.
– Pai, o que é um divórcio?
Os dois voltaram os olhares para mim. Senti-me incomodado e passei a olhar para os azulejos sem graça da cozinha. Escutei as palavras seguintes de meu pai, sem olhar para ele, e senti meu coração se apertando. Era o desespero novamente.
– Não vamos mais viver juntos.
Notas finais
Hey, pessoas que me odeiam porque parei de escrever. ♥ Gostaram do capítulo teste?
"Quero uma explicação pra isso, Kohai!" Tá bom, vou explicar o que está acontecendo.
Quando eu parei de escrever Arrest Rose, uma leitora comentou no comunicado que eu fiz, dizendo que não estava brava comigo e que tinha esperanças de um dia, a fanfic retornar. Ela foi tão gentil comigo que eu fiquei muito feliz. ;w; Aquele review dela foi super fofo. Respondi a ela que talvez um dia, eu pudesse voltar a escrever. Foi daí que me surgiu a ideia de fazer um capítulo teste.
Este provavelmente vai ser o novo começo da fanfic se eu resolver voltar a escrevê-la. RELEMBRANDO, não tenho intenção de voltar e nem de continuar a fanfic, mas se eu conseguir levar a estória adiante com os capítulos teste, irei anunciar o retorno da fanfic.
Prevejo pessoas me xingando, querendo me matar e dizendo que não vão acompanhar a fanfic por estarem me odiando agora. Tudo bem, eu já sabia que isso ia acontecer. T~T Estou me preparando pra receber as facadas dos leitores revoltados.
Mas enfim, o que vocês acharam do capítulo teste? Melhor que o começo da versão original, não acham? Espero que tenham gostado. :3
Fale com o autor