Arrematada
2 Play Me
Notas iniciais
Loucura, sem duvida o que eu havia feito e o que eu ainda estava por fazer era uma grande loucura. Emma era uma completa estranha para mim, mas mesmo assim eu sentia coisas que eu nunca havia sentindo antes, sempre fui centrada no trabalho e em levar adiante tudo que meu pai construiu e agora me via apaixonada por uma mulher que eu conheci apenas algumas horas atrás.
–Oh meus Deus, era isso mesmo? — Sim Regina Mills, você esta apaixonada e esse sentimento cresce a cada minuto e isso não vai parar por ai. – Acabei respondendo a minha própria pergunta ao dar um leve tapa em minha testa em tom brincalhão.
Olhava para a minha doce loira com tanta ternura, mas de repente a dura realidade me bateu como uma marreta, e se Emma não sentisse o mesmo por mim? E se fosse apenas excitação? Eu tinha muito a perder com tudo aquilo, mas principalmente meu coração se despedaçaria sem chance de reconstrução. Mil coisas se passavam pela minha cabeça, medo, insegurança, mas também paixão, carinho e necessidade, pois eu necessitava não só do corpo de Emma, mas também de seu coração.
Meu anjo loiro era a mulher mais linda do mundo, foi inevitável tocar seu rosto alvo, percorrer cada linha delicada de sua pele com as pontas dos meus dedos, eram assustador o tesão que se apossava de mim ao ministrar caricias tão bobas e sem malicia alguma, Emma gemeu em seu sono e ao se virar deixou o lençol que lhe cobria o corpo cair, expondo cada curva deliciosa que foi totalmente minha por longas horas.
–Ahh meu doce cisne, eu quero mais, muito mais e não vou aguentar esperar...
Me levantei nua e caminhei até o aparelho de som, liguei o play e uma melodia que eu não conhecia invadiu a sala, sim exatamente na sala do meu apartamento havíamos feito amor por horas e horas e exauridas adormecemos. A musica era doce e a melodia romântica me fez arrepiar, por mais incrível que pareça, aquela musica dizia muito sobre o que eu estava sentindo por Emma e mesmo que o mundo me diga que é precipitado, arriscado e perigoso, eu queria tudo aquilo na minha vida, o amanhã a Deus pertencem e juntas encontraríamos o caminho para felicidade.
...
A confiança tá fluindo
Eu gosto do que estou sentindo
o meu sorriso não disfarça
Quando se quer alguma coisa a gente abraça
Eu mergulho em queda livre
Com você tenho coragem
Aceito qualquer desafio
E qualquer coisa na bagagem
Eu confio em você
De olhos fechados posso ver
Honestidade, em um ser humano
...
A cada verso que tocava eu fazia uma caricia naquela perfeição da natureza que atendia pelo nome de Emma Swan, ela foi acordando e se retorcendo toda, feito uma gatinha manhosa ao ser despertada, e era isso que ela. Seu sorriso ao abrir os olhos e me ver ali tão próxima foi radiante, ela se levantou e me deu um beijo tão doce e carinhoso, que me deixou de pernas bambas. Ela me puxou pela mão e no momento seguinte estávamos as duas nuas e coladas uma na outra balançando ao som daquela musica, que eu desconfiava ser de algum cd da diarista que limpava o meu apartamento.
...
Tá difícil de encontrar
Hoje em dia igual a ti
Considere-se, a pessoa mais linda do mundo...
O sorriso mais lindo
O olhar mais sincero
O meu porto seguro
A pessoa mais linda no mundo
Você, você, você é o cara
Você, você, você é o cara
Você, você, você é o cara
A pessoa mais linda do mundo.
–Eu me sinto igual a tudo que diz essa musica. –Emma sussurrou aos meus ouvidos.
–Eu também sinto o mesmo meu anjo, mas temos que ir com calma, por mais que eu queria ser tua plenamente, o mundo é bem mais que a nossa vontade. –Minhas palavras saíram dolorosas demais, eu percebi isso no momento em que Emma perdeu o sorriso lindo com o qual ela havia acordado.
–Quero tudo com você Regina, tudo mesmo e estou disposta a ir tão divagar quanto você precise ir, entendo seu medo e acredite, isso me assusta também, mas juntas vamos quebrar barreiras e eternizar nossos sentimentos.
Sem me dar chance de ao menos piscar ela me beijou, me guiou cuidadosamente para o sofá e começou a me beijar com uma mistura de desejo, paixão e urgência, nunca teríamos o suficiente do corpo uma da outra.
Emma se sentou no sofá e eu me sentei em seu colo, uma perna de cada lado do seu corpo, de frente pra ela, que só quebrou o beijo para que pudesse tomar um do meus seios para si. Joguei a cabeça para trás e deixei que ela brincasse o quanto quisesse em meus seios, que nesse momento eram dela.
–Isso não se parece muito ... -soltei um gemido. — ... com ir devagar.
–Eu não resisto a você. -ela falou enquanto trilhava o caminho de volta com beijos pelo meu pescoço. -Eu quero você Regina. -ela mordeu meu lábio e o puxou, mas logo em seguida tudo mudou, o que parecia um desejo urgente, se transformou em um beijo tão apaixonado.
Era disso que eu tinha medo. Será que só pra mim ele era como um beijo apaixonado ? Ou pra ela também ? Por isso eu queria ir devagar, queria descobrir o que ela sentia, pois eu tinha certeza do que eu sentia. A música continuou tocando enquanto nos beijávamos.
–Sabe, eu tenho uma letra melhor pra essa música, uma que se encaixa em você. -eu falei e ela continuou me olhando, como se esperasse eu dizer qual era, mas eu fiz melhor, eu cantei em seu ouvido. -Você, você é a mulher .. você, você é a mulher mais linda do mundo.
–E por quê você não quer então ficar com a mulher mais linda do mundo ? -ela me fitou e eu não sabia o que dizer.
–Bem ... -comecei. — ... eu só quero ter certeza do que está acontecendo entre a gente. Então, acho que ir com calma vai nos mostrar isso.
–Tudo bem então. -ela falou. -Mas isso não me impede de te tocar quando eu quiser, onde eu quiser ... -o sorriso em seus lábios se torçou malicioso, enquanto ela subia suas mãos pelas minhas coxas. Sorri da mesma maneira e falei:
–Não, não impede. Entre 4 paredes meu bem, eu quero tudo e eu tenho pressa disso. -tentei beijá-la, mas ela não deixou. Me tirou de seu colo e então se levantou e começou a pegar suas roupas. -Emma ... -a chamei sem entender nada. Ela se virou e respondeu com aquele sorriso sem vergonha no rosto.
–Vamos com calma, meu amor. -e terminou com uma piscadinha, que me deu vontade de levantar e puxá-la para aquele sofá de novo. Ela queria provocar. -Além do mais, precisamos levar o dinheiro do leilão no banco.
–Você tem razão. -me levantei e comecei a pegar minhas roupas também.
Havíamos deixado uma quantia razoável de dinheiro com os pais da menina, mas o restante eles pediram para que depositássemos no banco, afinal, tinham medo de ficar com tanto dinheiro em casa. Enquanto me trocava, acabei rindo da situação. Fora esse leilão que me trouxera Emma, eu nunca me arrependeria de ter arrematado ela.
Terminamos de nos trocar e descemos para ir direto ao banco, eu tentava manter uma certa distância de Emma, afinal se estávamos indo devagar, não poderíamos deixar que notassem nós duas juntas. Ela parecia incomodada com a minha distância, e isso doía em mim.
Ela ia na frente e eu alguns metros atrás, o banco não ficava muito longe, porém no meio do caminho até ele, tinha um beco deserto e estávamos nos aproximando dele, ou melhor, Emma estava se aproximando. Vi quando ela passou na frente do beco, e minutos depois vi ela sendo puxada e sumindo para dentro dele, corri até lá no mesmo instante, o medo tomando conta de mim.
–Emma, Emma ... -eu gritei entrando no beco, e vi dois homens puxando ela pelo braço e a levando para dentro de algum lugar. Os segui e entrei correndo logo atrás. -Soltem ela. -eu gritei encarando aqueles dois caras na minha frente, um segurava Emma pelo braço, o outro revirava a bolsa e remexia em todos os dólares. -Larga isso também.
–Opa gata ... -o que estava com a bolsa a soltou e veio até mim. — ... a gente só quer brincar um pouquinho. Não vamos machucar a sua amiga.
–Ela não é minha amiga. -Emma gritou e me olhou séria. -É ... -ela parou e respirou fundo. — ... tire as mãos dela. -ela tentou vir até ele, mas o outro a segurou.
–Uiii ... -os dois disseram juntos. — ... se ela não é sua amiga, o que é então ? -ele soltou uma risada que me deu nojo, e passou seus olhos por mim e por Emma e eu imaginei o que ele estava pensando.
Olhei então ao redor e não vi arma nenhuma, eram apenas dois idiotas querendo dinheiro e diversão. A única coisa que havia dentro daquele lugar, era uma mesa com algumas cadeiras, e um baralho em cima dela. Um deles seguiu meu olhar e percebeu que eu fitava a mesa.
–Esse dinheiro não é nosso, é pra ajudar uma menina doente, vocês não tem o direito de ficar com ele e tirar o futuro de uma criança. -eu falei tentando ir devagar até ele para pegar a bolsa, mas ele a ergueu e a tirou do meu caminho.
–Vamos fazer o seguinte, vamos jogar e quem vencer, fica com a grana. -o que estava com Emma falou e em seguida apontou para a mesa.
–Jogar o quê ? -Emma perguntou.
–Poker. -um deles respondeu sorrindo e eu troquei um olhar com Emma, um olhar mais tranquilo.
–Strip Poker. -ele completou e nossos olhares tranquilos, beraram um certo desespero. -Vou dar um tempinho pra vocês pensarem, se não quiserem jogar deem o fora, mas a grana fica. -ele completou sentado em uma cadeira enquanto jogava os maços de dólares para cima e os pegava de novo.
Emma me puxou pelo braço e nos distanciamos para poder conversar.
–Emma, eu não posso jogar isso. -eu falei forçando o olhar.
–Vamos lá Regina, poker é fácil, a gente vence eles, se precisar a gente esconde umas cartas na manga.
–Você não ta entendendo Emma, é strip poker. -eu falei e ela me olhou confusa, respirei fundo e soltei de uma vez. -Eu estou sem calcinha.
–Por que não colocou ? -ela arregalou os olhos pra mim, então olhou para trás pra se certificar de que não estavam nos escutando, um deles sorriu pra gente e Emma devolveu um sorriso com cara de tédio. -Olha só, eu tiro a roupa ta bom ?
–Tudo bem pra você isso ? -perguntei e ela assentiu.
–A gente precisa tentar, pela garota. -dessa vez fui eu que assenti. -E tem mais, se a gente vencer, você vai aceitar namorar comigo, com direito a andar de mãos dadas na rua e tudo.
A olhei com receio, ela continuou esperando uma resposta, eu estava perdida, sem saída.
–Pela garota. -respondi e ela sorriu, então voltamos para junto deles e anunciamos que íamos jogar.
Estávamos os 4 sentados a mesa. Eu de frente para Emma, e os dois um de frente para o outro, as cartas em mãos, os olhares desconfiados, e a bolada de dinheiro no centro da mesa. Então o jogo começou, seriam 4 rodadas, eles queriam complicar. O primeiro a ter que tirar uma peça foi um deles, que retirou a camisa e dei graças a Deus por ele estar usando uma regata ridícula por baixo. Eu e Emma estávamos de vestido, não podiamos nos dar a graça de errar muitas vezes.
Uma quarta rodada terminou e agora foi o outro que retirou a camisa, ficando sem nada. Pensei que eu e Emma estávamos com sorte, não fazíamos apostas porque o dinheiro todo já estava em jogo, e então eu percebi olhares estranhos de Emma, ela me olhou e deu um sorriso malicioso inclinando a cabeça discretamente para um deles e eu o olhei. Ele praticamente babava em cima de nós duas, então senti a perna de Emma roçar na minha e eu entendi o que ela queria dizer. Eles não babavam em nós, eles babavam imaginando nós duas juntas, aquelas fantasias sexuais ridículas de homens.
Mais uma jogada e então trocamos cartas, Emma me deu a pior de todas e eu arregalei os olhos pra ela, a rodada chegou ao fim e eu perdi.
–Vamos lá gata, tira uma peça. -um deles falou sorrindo.
–Eu, eu não sei. A Emma pode tirar por mim ? -perguntei e Emma deu risada antes de me interromper.
–Você vai tirar. -forcei um olhar a repreendendo, eu não entendia porque ela estava fazendo isso. Permaneci imóvel e ela falou mais uma vez. -Anda Regina, tira.
Me levantei e a olhei como se perguntasse por quê ela estava fazendo aquilo, e pude ler em seus lábios um "confia em mim". Desci as alças do vestido e deixei que ele caísse mostrando que eu estava sem nada por baixo, na parte de baixo. Escutei os múrmurios dos dois e o olhar faminto de
Emma em mim e então me sentei.
Era a última rodada, se perdessemos estávamos ferradas, ou melhor, a garota ia ficar sem o dinheiro. Não podíamos perder, não mesmo e quando um deles jogou as cartas na mesa mostrando uma trinca e um par, pensei que estávamos perdidas. Eu não tinha cartas boas em mãos e ao olhar pra Emma, pensei que ela também não deveria ter, pois seu olhar demonstrava medo, um medo que foi se quebrando e virou um sorriso sem vergonha quando ela jogou as 5 cartas na mesa.
–Cartas de mesmo naipe, do 10 ao As. -ela sorriu vitoriosa. -Parece que vencemos.
Os dois trocaram um olhar surpreso e antes que pudessemos fazer alguma coisa, eles se levantaram e pegaram o dinheiro pra sair correndo, tentei ir atrás deles mas Emma me segurou.
–Não vão ficar para o show ? -ela gritou e eles pararam na porta. Eu não entendia o que ela estava fazendo.
Só fui entender quando vi ela jogando para o chão todas as cartas que estavam em cima da mesa e antes que eu pudesse fazer alguma coisa, ela me jogou em cima daquela mesa e se colocou entre as minhas pernas, abriu as duas lentamente e olhou para trás, os dois idiotas deixaram a bolsa com o dinheiro caída no chão e vieram até nós praticamente babando. Emma daria o que eles queriam. Ela levou sua língua ao meu sexo e eu gemi alto, ela o chupava com vontade e eu arfava me agarrando as bordas da mesa.
–Isso, isso, continua. -eram eles que diziam, estavam ficando doidos com aquela visão.
Emma de repente parou, pegou meu vestido com certa rapidez e o jogou pra mim e então eu entendi, era hora de correr. Corremos até a porta e Emma agarrou a bolsa sem dar tempo deles virem até nós. Corremos pelo beco todo, ela com o dinheiro e eu enfiando o vestido de qualquer jeito.
–Que ideia maluca foi essa ? -perguntei enquanto corríamos, eu já estava vestida.
–Vai dizer que não gostou ? -ela perguntou sorrindo maliciosamente e então olhando para trás pra ver se eles ainda nos seguiam, por fim eles estavam fora de vista e nós pudemos parar um pouco. Ela me fitou esperando uma resposta.
–Se eu gostei ? Eu acho melhor a gente levar esse dinheiro no banco logo. -respondi e mordi o lábio inferior. -Porque depois você vai terminar o que começou. -completei.
–E pelo que eu me lembre, nós vencemos, então agora você é minha namorada oficialmente e todos vão saber disso. -ela puxou meu corpo contra o dela.
–Pelo que eu me lembre, você iria tirar a roupa e por fim me enganou, então acho que isso foi meio inválido.
–Se não fosse por isso, nós não tínhamos saído de lá com o dinheiro. -ela piscou pra mim e eu percebi que estava perdida de novo, perdidamente apaixonada por ela.
Não respondi, fiz melhor, a beijei, ali na rua mesmo, deixando que todos nos vissem, afinal, eu tinha arrematado ela, então ela era minha.
Mas depressa o que era um singelo beijo sem qualquer segunda intenção se moldava em outra coisa mais intensa em que a necessidade de um maior contato corporal se impunha entre nós. Quem diria que eu, há meros minutos atrás, tão empenhada em fazer cada coisa a seu tempo, inclusive a parte da entrega do meu coração, isto de forma figurativa é claro, estava agora no meio da rua dando uns pesados amassos sem qualquer entrave emocional? Ou eu diria mesmo, sem qualquer tipo …
– Suas gostosas! – Um grito vindo de um carro que passou por nós soou pelo ar.
… de vergonha na cara?
Oh Céus! Me afastei de Emma na mesma hora quase bruscamente. Ela me olhou com a mesma cara de safada de momentos atrás quando se encontrava entre as minhas pernas naquela mesa de jogo e eu revirei os olhos, tentando reprimir o meu próprio sorriso malicioso ao recordar aquela cena.
– Sabe Emma querida … — Eu falei baixo com o semblante sério, não demonstrando emoção alguma. — …Sua sorte, meu bem … — Eu a puxei pelo braço, levando-a comigo, aproveitando para iniciar a caminhada que nós tínhamos de fazer até ao banco para depositar o dinheiro ganho no leilão. – … sua sorte é suas qualidades não se reduzirem a essa sua safadeza incontrolável.
Ela ia parar, mas eu não deixei, continuando a puxá-la pelo braço. Vi pelo canto do meu olho o seu rosto contraído, e tentei segurar o enorme sorriso que se tentava forçar pelos meus lábios.
– O que você quis dizer com isso Regina? – Ela perguntou séria. Notei alguma insegurança na sua pergunta, e apesar de me sentir a própria Rainha Má, não consegui evitar de prolongar aquele meu jogo repleto de maldade.
– O que eu quis dizer foi que essa imensa safadeza chega uma hora que cansa. – Senti ela ficando tensa do meu lado, e a falta de uma resposta da sua parte me fez ter a certeza que ela estava com verdadeiro medo que eu a deixasse. – É que sabe … toda a safadeza tem limite minha querida, e tudo bem que eu adorei tudo aquilo que nós fizemos juntinhas entre quatro … — eu falava pausadamente, devagar e de forma insinuante, propositadamente para causar um misto de insegurança e excitação nela. E porque não, também em mim? — …Quatro … paredes. Entende?
Ela me olhou com um olhar confuso, e sem conseguir proferir uma resposta, eu esbocei um pequeno sorriso, continuando aquele meu discurso malvado enquanto continuávamos caminhando até ao banco.
– O que eu quero dizer… Emma … — E pausei, fingindo pensar, mas na realidade estava degustando do poder afrodisíaco que o seu nome tinha na minha língua cada vez que eu o falava assim, de forma quase soletrada. – Emma, Emma, Emma … — Tornei a proferi-lo, desta vez quase o cantando, interrompendo a minha linha de pensamento, através daquele som tão delicioso que era o seu nome. Seria essa a causa do melado que eu já sentia esbarrando nas minhas coxas cada vez que eu dava um novo passo?
– Por favor Regina …fale de uma vez o que você quer me dizer! – Ela explodiu, me parando quase à porta do banco. Olhei o seu rosto alvo, levemente ruborizado, me chamando a atenção o brilho que irradiava das suas íris verdes, anunciando a chegada de lágrimas aos seus olhos que mais pareciam duas piscinas de água natural de tão límpidos que estavam.
Ok, talvez eu tivesse ido longe demais … mas quer dizer, ela também não fora propriamente boazinha comigo me deixando naquela posição, em cima de uma mesa de pernas abertas, com uma audiência indesejada, enquanto ela me comia … sem efetivamente me comer em condições!
Decidi que não iria vacilar desta vez, teria de proteger o meu pobre coração. Tudo bem que eu até podia admitir que estávamos juntas, mas deixar uma outra pessoa, mesmo que ela fosse a minha amante, namorada, seja lá o que eu admitiria que ela fosse, fazer o que bem quisesse sem me consultar, isso estava fora de questão. Afinal, eu sou Regina Mills, responsável por um império de milhões, a quem muitos até medo têm de apertar a mão, quanto mais brincar com as minhas vontades como ela fez. Além disso, quem estava à “venda”, mesmo que simbolicamente, naquele leilão era ela e não eu! Eu comprei! Eu decido como eu quero usar …
– Por amor de Deus Regina! – Ela parecia fora de si, me pedindo novamente uma resposta.
Estremeci, e encarei-a novamente. Ok, estava sendo má, e ao vê-la assim, confesso que meu coração estava doendo também. Mas não conseguia deixar de temer, fazer mil e uma suposições mentais em como aquilo mais tarde ou mais cedo daria errado, o meu racional contradizendo o meu coração que apertava e em simultâneo batia de forma descontrolada contra o meu peito querendo me obrigar a abraçá-la e a pedir-lhe desculpas. Mas não …
– Emma. – Eu voltei o meu corpo para ela, nos mantendo frente a frente. – Meu amor se acalme. – Usei o termo carinhoso de forma proposital para que ela entendesse que eu não estava terminando com ela. Funcionou, porque ela no mesmo instante largou o ar que estava prendendo, suspirando pesadamente. – Vamos entrar no banco, depositar o dinheiro e depois conversamos, ok? – Meu tom de voz era brando, contendo uma maciez e carinho nele que a fez assentir logo ao meu pedido com a cabeça. Sorri em resposta e levei a minha mão ao seu rosto, acariciando a sua face angelical com delicadeza.
Rapidamente nos direcionamos ao balcão em que logo fomos atendidas por um funcionário que nos prestou auxílio na tarefa que tínhamos em mãos. Conseguimos criar uma conta em nome de Lucy, a menina a quem tinha sido doado o dinheiro do leilão, ou seja, o meu dinheiro já que fora eu a grande arrematadora dos lances, e com isso, ganhadora daquela mulher linda que estava ao meu lado.
– Agora vamos conversar! – Nem tínhamos saído e Emma nos parou no grande recinto do edifício JPMorgan Chase bank.
– Querida … — Eu olhei de um lado para o outro, tentando ver onde a gente podia ir para conversar, quando de repente um sorriso cheio de malícia tomou conta das minhas feições. – O que você acha de conversar em um dos escritórios do piso de cima?
Ela ergueu uma sobrancelha, mas não disse nada, apenas encolheu os ombros, me deixando conduzi-la. Fui direto para os elevadores, e nos encaminhei precisamente para um dos escritórios do edifício em que eu poderia colocar em prática a minha vingança contra a minha loira safada.
– Desculpe estar assim … — Emma falou assim que eu dei-lhe passagem para o escritório, fechando a porta atrás de nós. Ela levou uma mão à cabeça, sem jeito, e ficou parada no meio da sala sem saber o que fazer. – Mas, como você pode entrar aqui? – Ela pareceu se dar conta de repente.
Eu dei uma gargalhada sonora, passando por ela, me dirigindo a uma mesinha que tinha num canto com algumas bebidas.
– Eu sou uma mulher poderosa querida. – Eu respondi enquanto enchia dois copos com whisky. – Oh, que descuido o meu … — Eu fingi um erro que na verdade não existia. — … nem perguntei a você o que queria beber …
– Não faz mal amor, eu na verdade não quero beber … -Ela me cortou, se aproximando donde eu estava, e chegando até mim me segurou a mão. — … eu preciso saber se nós estamos na mesma página nessa história. – Ela disse de uma só vez a última parte.
Me soltei da mão dela, lhe dando as costas, e caminhei até à cadeira atrás da robusta mesa de escritório em mogno. Me sentei na cadeira, bebi um gole do whisky, e tornei a encará-la.
– Talvez você preferisse uma sidra de maçã … — Tornei a falar, desconversando, fingindo não estar nem aí para o que ela queria.
– Regina …
– Venha até aqui amor. – Eu cortei desta vez. Sorri de canto, chamando-a com o olhar. – Eu quero te oferecer algo melhor que whisky.
Se ela já estava com problemas em raciocinar, depois daquela insinuação a vi ficar completamente embasbacada, as bochechas vermelhas escarlate, e uma carinha tão fofa compondo o seu rosto que até dava vontade de morder. Mas não … antes disso, ela teria um trabalho para concluir.
– O que você quer me oferecer minha Rainha? – Ela mordeu o lábio, conseguindo reagir, mas ainda assim sem desfazer a cara de tonta com que eu havia feito ela ficar.
– Se aproxime. – Pausei, dei um gole no whisky, e pousei o copo de novo na mesa de escritório. – Emma. – Deixei o líquido me queimar na garganta juntamente com o seu nome. – Sabe … foi um erro ter me sentado nesta cadeira.
Ela demorou mais uma vez a reagir, ficando parada na minha frente, do outro lado da mesa de escritório.
– O que diz? – Balbuciou.
– Culpa sua … — Fechei o rosto, fechei qualquer sinal de sorriso nos contornos do meu rosto, deixando que o meu olhar penetrasse no dela. Fundo, denso, escuro, desejoso e aniquilador. -... que me deixou sem calcinha até agora.
– Se o problema é esse eu posso … — Ela começou, abrindo aquele sorriso cafajeste que me deixava louca, mas que por agora, eu negaria até à morte.
– Limpar a cadeira? – Eu lancei rapidamente erguendo uma sobrancelha.
– Ah .. não era bem isso que eu tinha em mente, mas…
– Mas até isso você faria por mim meu amor? – Interroguei dissimuladamente. – Viria até aqui .. com essa língua capaz de fazer as maiores atrocidades e … — Afastei as pernas, mas sem revelar o meu sexo já que esse continuava escondido pelo comprimento do vestido, mas mesmo assim permitindo que ela visse o estado melado em que ficara o assento da cadeira onde eu me encontrava ainda sentada. — … e iria lamber o assento até o deixar limpo?
– Você .. Regina… — Ela balbuciava mais uma vez. E eu tenho quase a certeza que vislumbrei um tremor repentino percorrer o seu corpo por inteiro, mas que ela tentou controlar com a maior rapidez possível.
– Eu o quê? – Revidei, subindo perigosamente a saia do vestido até às minhas coxas. Deixando-a ver uma das minhas mãos mergulhando mais dentro e voltando a sair em direção à minha boca. – … Tenho a melhor sidra que existe? – Continuei a provocação, colocando primeiro um dos meus dedos na boca, rodeando-o com a língua, e logo depois outro, o chupando com avidez.
Ela não conseguia mais responder.
Soltei uma risada curta, lambi os lábios, me provando neles, e continuei:
– Sim, verdade. Tenho mesmo. – Confirmei, subindo mais um pouco o vestido, até ao limite permitido para esconder a minha nudez. – Está tão calada Emma. Não queria conversar afinal?
– Você … é ... – Ela tentou, me fazendo rir mais uma vez. — … má. – Ela concluiu, se contorcendo toda no lugar.
– Isso é pra você aprender meu amor. – Eu cruzei as pernas repentinamente, ao mesmo tempo que fechei o sorriso. – A não fazer nada sem me consultar … e … a não deixar serviço pela metade.
– Mas Regina …
– Suba para cima da mesa. – Interrompi-a sem delicadeza. – Deite-se nela de barriga para cima. – Ordenei sem meias palavras. Me levantei, esperando que ela cumprisse a ordem. Ela piscou umas três vezes os olhos, mas obedeceu. – Agora eu vou sujar a sua boca. A cadeira você limpa depois.
Ela arregalou os olhos, e a excitação que eu vi no fundo deles, estava brotando com tanta força que já nem era mais no fundo que ela estava, mas sim quase saltando para fora.
Coloquei um salto no assento da cadeira para subir mais facilmente para a mesa de escritório, levantei um pouco o vestido, e colocando uma perna de cada lado da cabeça dela, me abaixei, sentando em cima do seu rosto.
E se a sua reação estava limitada para conversas, embora fosse isso que ela tanto alegava querer fazer, já para me comer ela estava funcionando muito bem. As suas mãos se posicionaram na minha bunda automaticamente, me apertando ainda mais se possível contra ela, enquanto a sua língua penetrava a minha vagina com maestria.
Confesso que chegou uma altura que eu temi asfixiá-la, mas ela não parecia nem um pouco com falta de ar, caso contrário ela não conseguiria me chupar tão intensamente como ela estava fazendo, com os meus quadris se movendo freneticamente de encontro à sua boca num movimento de vai e vem.
E em movimentos alternados, coincidentes com o do meu quadril, ela esfregava os lábios da sua boca nos lábios do meu sexo, soltando uma vez ou outra o ar quente pela boca me causando uma sensação indiscritível que me fazia ter de apoiar as mãos na mesa, por cima da cabeça dela, para não me desequilibrar e acabar caindo.
– Emma … — Eu queria gemer, mas estava me contendo, embora estivesse cada vez mais difícil, então acabei mordendo com força o meu lábio. Logo depois senti o gosto de sangue, mas nada disso me fez parar, pelo contrário, aumentei o ritmo do movimento que estava fazendo até à boca dela.
Ela teve de me agarrar com mais força, e eu senti ela levantando completamente a saia do meu vestido para poder respirar melhor, enquanto me agarrava com tanta força que eu já sentia as suas unhas fincando em mim por trás.
Eu sentia que não ia suportar mais, que teria de ceder, mas não queria, estava sendo teimosa. Queria fazê-la ficar naquela posição me lambendo e chupando por tanto tempo que ela não aguentasse mais e fosse preciso pedir misericórdia. Foi então que a senti me mordendo. Ela me mordeu?
– Emma! Você … — Mordi meu lábio de novo, mas já nem doía, ou doía? Eu não sei mais, mas eu estava explodindo à medida que a sentia me lambendo e sugando alternadamente o que devia ser o meu clitóris. – Me mordeu…? — Desta vez fui eu que balbuciei, com um fio de voz rachada. Aliás, como toda eu parecia estar rachando.
Nem ousei dizer mais nada pelo ridículo que seria segurar a minha voz trémula. E ainda bem, porque quando ela desceu uma das mãos da minha bunda até à minha vagina por trás e me penetrou ao mesmo tempo que me chupou o nervo dilatado eu simplesmente vi estrelas e gozei com toda a força na sua boca. Ou no seu rosto para ser mais exata já que eu acredito que quem teria muito que limpar agora seria eu.
Deixei cair o meu peso para a frente, me apoiando na mesa de escritório com os braços. Emma tentava sair de debaixo de mim quando um barulho vindo da porta soou.
– Não sabia que você estava trabalhando aqui Regi …
Oh meu Deus! Aquela era …
– Mãe? – disse ainda ofegante depois de sair da posição comprometedora que estava.
O olhar excruciante de minha mãe estava direcionado para Emma que num ato inoportuno limpou a boca primeiramente com três dedos da mão direita e finalizou com o polegar. Após examinar minhas roupas, os lábios finos se franziram em reprovação, não precisaria esperar muito pelo julgamento implacável que viria.
– Regina, querida, não sabia que estava entrevistanto uma secretária nova – ironizou.
– Eu não sou – Quis deter Emma de falar, a melhor maneira que encontrei com o passar dos anos para não provocar a ira de Cora Mills, era somente me pronuncionar quando chamada. Cora lançou sobre Emma o mesmo olhar de reprovação que cresci observando. Emma se calou imediatamente.
Quando Cora segurou no apoio da cadeira girando-a sabia que um sermão iria acontecer.
– Regina, gostaria de me apresentar a sua acompanhante?
– Mamãe, essa aqui é Emma – apresentei a minha... Emma não era minha namorada, não era minha secretária, muito menos minha amante. Definir o papel de Emma era complicado, muito embora minha mãe tivesse se aproximado o bastante com a função que atribuiu à Emma.
– Prazer – a minha loira estendeu a mão para cumprimenta-la, gesto que Cora não retribuiu com a mesma gentileza, ou melhor, não retribuiu de forma nenhuma.
– Emma conheça minha mãe, Cora – terminei as apresentações. – Agora, que já sabemos os nomes de todo mundo, acredito que nós já estávamos de saida.
– Não seja rude, essa não foi a educação que eu te dei. Devido ao nosso pequeno encontro inesperado quero aproveitar a oportunidade para conversar com você, minha filha.
– Tudo bem — Eu não fazia ideia do assunto que Cora poderia ter para conversar comigo, porem aguardei minha mãe tocar no assunto.
– Como você está ciente da situação da empresa, foi levantado na ultima reunião uma desconfiança numa de nossas filiais em Las Vegas. O conselho está certissimo de supor que há algo podre na cidade do pecado. Eu particularmente nunca gostei do Diretor Jones. Portanto, você irá voar até lá observar o comportamento do Killian e se necessário você irá demiti-lo.
Killian Jones era um diretor briliante, porém é preguiçoso e só gosta de farrear. Killian era um conhecido da minha familia há muito tempo, seu pai foi colega de fraternidade do meu pai. Nos dois nos conhecemos desde pequenos. E como era de se esperar ele já tentou dar em cima de mim em várias ocasiões. E todas às vezes eu o despensei com o máximo de classe que podia.
Só a remota lembrança dele me trouxe uma dor de cabeça imediata. E acrescentando a mudança de planos repentina conclui que o que seria uma oportunidade para curtir com Emma se transformaria numa solitária viagem de negócios no fim do dia.
– Se eu me apressar acredito que consiga pegar o ultimo voo para Las Vegas – mas antes de voltar para meu apartamento fazer as malas, comprar uma passagem online e chamar um taxi.
– Regina? – Emma me chamou. Me esqueci completamente dela de tão desnorteada que fiquei.
– Hã? – me virei para encara-la, me deparei com dois olhos verdes e uma expressão chateada no rosto.
– Você está contratada, adorei suas habilidades linguisticas – Tudo bem, essa não foi a melhor piada interna do mundo, mas consegui arrancar um sorriso dela. – Emma terá que viajar comigo, mas não colocarei as despesas dela no cartão da empresa. Já que a contratei como minha assistente pessoal – esclareci antes de ser chamada atenção pela minha mãe.
– Minha filha – ela aproximou e acariciou o meu cabelo com as mãos firmes – Eu não me importo com o que você faz no seu tempo livre, mas aconselho a escolher melhores passatempos. – Cora girou nos calcanhares e saiu com a mesma graça que entrou. Respirei fundo, e ouvi Emma gargalhar logo depois.
– O que foi? Por que está rindo? – perguntei obviamente impaciente com a situação toda.
– Habilidades linguisticas? – foi impossivel não rir quando ouvi a imitação mal feita de Emma ao me copiar.
Continuamos a gargalhar, minhas costelas arderam de tanto rir. Emma se aproximou devagar, passou as mãos nos meus quadris, subiu a mão direita colocando meu cabelo de lado. Senti um beijo no pescoço, fechei os olhos. Aparentemente, Emma não conseguia ficar com as mãos longe de mim por um instante sequer, eu não posso culpa-la já que acho que sofro do mesmo mal.
– Baby – escutei ela sussurrar no meu ouvido. Uma chama ascendeu depressa por todo o meu corpo. – Está pronta para ir a Las Vegas?
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